{"id":18599,"date":"2018-02-04T16:42:15","date_gmt":"2018-02-04T19:42:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18599"},"modified":"2018-02-04T16:42:15","modified_gmt":"2018-02-04T19:42:15","slug":"75-anos-da-rendicao-nazista-em-stalingrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18599","title":{"rendered":"75 anos da rendi\u00e7\u00e3o nazista em Stalingrado"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"H\u00e1 75 anos, come\u00e7ou batalha hist\u00f3rica que predestinou derrota da Alemanha nazista\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr2.img.sputniknews.com\/images\/987\/44\/9874443.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"H\u00e1 75 anos, come\u00e7ou batalha hist\u00f3rica que predestinou derrota da Alemanha nazista\" \/><!--more-->Em 2 de fevereiro de 1943, h\u00e1 75 anos, era selada a sorte do nazismo na Segunda Guerra Mundial. As tropas nazistas se rendiam ao Ex\u00e9rcito Vermelho nesta heroica cidade sovi\u00e9tica, onde os combates come\u00e7aram em 17 de julho de 1942, e se deram casa a casa, no mais decisivo enfrentamento de todo o conflito. A partir da rendi\u00e7\u00e3o em Stalingrado, iniciou-se o desmoronamento do nazismo, a vit\u00f3ria da democracia, da Humanidade, e da liberdade: as tropas sovi\u00e9ticas, em sua irresist\u00edvel ofensiva, s\u00f3 parariam em Berlim, em 1945, sepultando a peste nazifascista, Hitler, o pretendido &#8220;Reich&#8221; de mil anos.<\/p>\n<p>Seguem, abaixo, o famoso poema de Drummond, publicado em &#8220;A rosa do povo&#8221; e, na sequ\u00eancia, mat\u00e9ria publicada originalmente em Sputinik News.<\/p>\n<p>CARTA A STALINGRADO (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)<\/p>\n<p>Stalingrado\u2026<br \/>\nDepois de Madri e de Londres, ainda h\u00e1 grandes cidades!<br \/>\nO mundo n\u00e3o acabou, pois que entre as ru\u00ednas<br \/>\noutros homens surgem, a face negra de p\u00f3 e de p\u00f3lvora,<br \/>\ne o h\u00e1lito selvagem da liberdade<br \/>\ndilata os seus peitos, Stalingrado,<br \/>\nseus peitos que estalam e caem,<br \/>\nenquanto outros, vingadores, se elevam.<\/p>\n<p>A poesia fugiu dos livros, agora est\u00e1 nos jornais.<br \/>\nOs telegramas de Moscou repetem Homero.<br \/>\nMas Homero \u00e9 velho. Os telegramas cantam um mundo novo<br \/>\nque n\u00f3s, na escurid\u00e3o, ignor\u00e1vamos.<br \/>\nFomos encontr\u00e1-lo em ti, cidade destru\u00edda,<br \/>\nna paz de tuas ruas mortas mas n\u00e3o conformadas,<br \/>\nno teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,<br \/>\nna tua fria vontade de resistir.<\/p>\n<p>Saber que resistes.<br \/>\nQue enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.<br \/>\nQue quando abrimos o jornal pela manh\u00e3 teu nome (em ouro oculto) estar\u00e1 firme no alto da p\u00e1gina.<br \/>\nTer\u00e1 custado milhares de homens, tanques e avi\u00f5es, mas valeu a pena.<br \/>\nSaber que vigias, Stalingrado,<br \/>\nsobre nossas cabe\u00e7as, nossas preven\u00e7\u00f5es e nossos confusos pensamentos distantes<br \/>\nd\u00e1 um enorme alento \u00e0 alma desesperada<br \/>\ne ao cora\u00e7\u00e3o que duvida.<\/p>\n<p>Stalingrado, miser\u00e1vel monte de escombros, entretanto resplandecente!<br \/>\nAs belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e sil\u00eancio.<br \/>\nD\u00e9beis em face do teu pavoroso poder,<br \/>\nmesquinhas no seu esplendor de m\u00e1rmores salvos e rios n\u00e3o profanados,<br \/>\nas pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,<br \/>\naprendem contigo o gesto de fogo.<br \/>\nTamb\u00e9m elas podem esperar.<\/p>\n<p>Stalingrado, quantas esperan\u00e7as!<br \/>\nQue flores, que cristais e m\u00fasicas o teu nome nos derrama!<br \/>\nQue felicidade brota de tuas casas!<br \/>\nDe umas apenas resta a escada cheia de corpos;<br \/>\nde outras o cano de g\u00e1s, a torneira, uma bacia de crian\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas f\u00e1bricas,<br \/>\ntodos morreram, estropiaram-se, os \u00faltimos defendem peda\u00e7os negros de parede,<br \/>\nmas a vida em ti \u00e9 prodigiosa e pulula como insetos ao sol,<br \/>\n\u00f3 minha louca Stalingrado!<\/p>\n<p>A tamanha dist\u00e2ncia procuro, indago, cheiro destro\u00e7os sangrentos,<br \/>\napalpo as formas desmanteladas de teu corpo,<br \/>\ncaminho solitariamente em tuas ruas onde h\u00e1 m\u00e3os soltas e rel\u00f3gios partidos,<br \/>\nsinto-te como uma criatura humana, e que \u00e9s tu, Stalingrado, sen\u00e3o isto?<br \/>\nUma criatura que n\u00e3o quer morrer e combate,<br \/>\ncontra o c\u00e9u, a \u00e1gua, o metal, a criatura combate,<br \/>\ncontra milh\u00f5es de bra\u00e7os e engenhos mec\u00e2nicos a criatura combate,<br \/>\ncontra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,<br \/>\ne vence.<\/p>\n<p>As cidades podem vencer, Stalingrado!<br \/>\nPenso na vit\u00f3ria das cidades, que por enquanto \u00e9 apenas uma fuma\u00e7a subindo do Volga.<br \/>\nPenso no colar de cidades, que se amar\u00e3o e se defender\u00e3o contra tudo.<br \/>\nEm teu ch\u00e3o calcinado onde apodrecem cad\u00e1veres,<br \/>\na grande Cidade de amanh\u00e3 erguer\u00e1 a sua Ordem.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Uma das cenas da batalha de Stalingrado\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/images\/987\/45\/9874532.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Uma das cenas da batalha de Stalingrado\" \/><strong>A batalha hist\u00f3rica que predestinou derrota da Alemanha nazista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma derrota maci\u00e7a dos ex\u00e9rcitos alem\u00e3o, italiano e romeno, o maior cerco de unidades da Wermacht e novo ponto de contagem na Segunda Guerra Mundial \u2013 tudo isso tem a ver com contraofensiva das for\u00e7as sovi\u00e9ticas perto da cidade de Stalingrado que come\u00e7ou precisamente h\u00e1 75 anos.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/russia\/201711199874890-alemanha-nazismo-uniao-sovietica-stalingrado-foto-video\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SputnikNews<\/a><\/p>\n<p>A contraofensiva se realizou entre 19 de novembro de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, terminando com o cerco e a liquida\u00e7\u00e3o do agrupamento alem\u00e3o de 300 milhares de homens comandado por Friedrich Paulus. Foi l\u00e1, nas estepes cobertas de neve, perto das margens do rio Volga, que a m\u00e1quina militar dos nazistas sofreu o mais duro golpe na sua hist\u00f3ria e do qual nunca chegou a recuperar totalmente. Ap\u00f3s a derrota na batalha de Stalingrado, a Alemanha declarou luto nacional pela primeira vez desde o in\u00edcio da guerra.<\/p>\n<p><strong>Inferno na Terra<\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o das tropas sovi\u00e9ticas perto de Stalingrado foi precedido por 75 dias da segunda etapa defensiva. Os defensores da cidade de Stalingrado conseguiram resistir a 4 assaltos, pois desde setembro de 1942 as unidades mecanizadas nazistas estiveram pressionando sem parar as posi\u00e7\u00f5es das tropas sovi\u00e9ticas da regi\u00e3o, com a artilharia varrendo da face da terra bairros inteiros.<\/p>\n<p>Contudo, nunca chegaram a tomar o cais do rio Volga e a parte central da cidade, apesar de terem cinco vezes mais for\u00e7as e poder de fogo.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Stalingrado \u00e9 o Inferno na Terra, um Verdun [a batalha mais violenta da Primeira Guerra Mundial, entre os ex\u00e9rcitos alem\u00e3o e franc\u00eas], um Verdun Vermelho com armamentos novos. Atacamos todos os dias. Se conseguirmos de manh\u00e3 tomar 20 metros, ao fim do dia os russos j\u00e1 nos recha\u00e7aram de volta&#8221;, escreveu na \u00e9poca um dos soldados da Wermacht.<\/p><\/blockquote>\n<p>No total, contra as paredes inexpugn\u00e1veis de Stalingrado se destro\u00e7aram mais de 1.000 tanques alem\u00e3es, cerca de 1.400 avi\u00f5es, 2.000 pe\u00e7as de artilharia e morteiros e 700 mil soldados e oficiais da Wehrmacht morreram ou ficaram feridos no campo de batalha.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o Urano<\/strong><\/p>\n<p>Ao fazer uma avalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da situa\u00e7\u00e3o, o comando sovi\u00e9tico decidiu n\u00e3o dar f\u00f4lego ao inimigo e desferir um golpe de resposta devastador. A elabora\u00e7\u00e3o do plano da contraofensiva foi chefiada pelo general de ex\u00e9rcito Georgy Zhukov e pelo coronel-general Aleksandr Vasilevsky. A opera\u00e7\u00e3o recebeu o nome de c\u00f3digo &#8220;Urano&#8221;.<\/p>\n<p>Do ponto de vista t\u00e1tico, em novembro de 1942 nas cercanias de Stalingrado a Wermacht se encontrava em uma situa\u00e7\u00e3o pouco vantajosa. Empenhados no assalto, os alem\u00e3es levaram at\u00e9 \u00e0 cidade as suas melhores unidades de ataque, defendendo os flancos com as fracas divis\u00f5es romenas e italianas. Foi precisamente contra eles que a Frente do Sudoeste e a Frente de Stalingrado desferiram seus ataques poderosos a partir de posi\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Chocados e pasmados, n\u00f3s n\u00e3o tir\u00e1vamos os olhos dos nossos mapas de planejamento&#8221;, escrevia um oficial alem\u00e3o. &#8220;As linhas grossas e flechas vermelhas colocadas neles marcavam as dire\u00e7\u00f5es dos ataques incessantes do inimigo, suas manobras de contorno, zonas onde quebraram nossas posi\u00e7\u00f5es. Com todos os nossos pressentimentos, n\u00f3s nem imagin\u00e1vamos a hip\u00f3tese de uma tal cat\u00e1strofe monstruosa!&#8221;, exclamava.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao enfraquecer os flancos do inimigo, o comando sovi\u00e9tico dirigiu os grupos de choque de ambas as Frentes um em dire\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n<p>Em 22 de novembro, o 26\u00ba Corpo de Blindados tomou a ponte atrav\u00e9s do rio Don e ocupou o povoado situado precisamente &#8220;atr\u00e1s das costas&#8221; das tropas alem\u00e3s. Deste modo, em apenas alguns dias, o grupamento de ataque nazista, com 300 mil soldados, ficou sufocado entre as unidades sovi\u00e9ticas, ficando elas bloqueadas por completo em 30 de novembro.<\/p>\n<p><strong>Efeito de cerco<\/strong><\/p>\n<p>As tropas alem\u00e3s cercadas ocupavam uma \u00e1rea de mais de 1.500 quil\u00f4metros quadrados, a frente externa estava a 170-250 km de dist\u00e2ncia do cerco sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Os soldados e oficiais de Paulus estavam privados de alimentos, muni\u00e7\u00f5es, medicamentos e combust\u00edveis, em meio a um inverno russo com 30 graus negativos. Morrendo de fome, eles comeram quase todos os cavalos, ca\u00e7avam cachorros, gatos e aves. Apesar da situa\u00e7\u00e3o evidentemente desesperada, Berlin continuava mandando &#8220;aguentar at\u00e9 o fim e n\u00e3o se renderem&#8221;.<\/p>\n<p>Em janeiro e fevereiro de 1943, as tropas da Frente do Don comandadas pelo general Konstantin Rokossovsky dividiram o grupo cercado em v\u00e1rias partes e o eliminaram. O marechal de campo Paulus se rendeu, bem como quase todos os efetivos nazistas, entregando suas armas. Em resultado, 91 mil homens foram feitos prisioneiros, inclusive 2.500 oficiais e 24 generais.<\/p>\n<p>Durante a opera\u00e7\u00e3o de Stalingrado foram derrotadas o 6\u00ba Ex\u00e9rcito e o 4\u00ba Ex\u00e9rcito Blindado da Alemanha, o 3\u00ba e 4\u00ba ex\u00e9rcitos da Rom\u00eania e o 8\u00ba Ex\u00e9rcito da It\u00e1lia. As perdas totais do inimigo somaram 1,5 milh\u00f5es de homens.<\/p>\n<p>Assista o v\u00eddeo em:<\/p>\n<div class=\"fb-video\" data-allowfullscreen=\"true\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/br.sputnik\/videos\/922635197892314\/\" style=\"background-color: #fff; display: inline-block;\"><\/div>\n<p>https:\/\/br.sputniknews.com\/russia\/201711199874890-alemanha-nazismo-uniao-sovietica-stalingrado-foto-video\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18599\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[240],"tags":[233],"class_list":["post-18599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-urss","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4PZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}