{"id":18605,"date":"2018-02-04T19:03:43","date_gmt":"2018-02-04T22:03:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18605"},"modified":"2018-02-04T17:08:40","modified_gmt":"2018-02-04T20:08:40","slug":"unica-garantia-real-da-democracia-e-mobilizacao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18605","title":{"rendered":"&#8216;A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"'A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular'\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bancarios.com.br\/s\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/logo_header_2.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"'A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular'\" \/><!--more-->Entrevista com Gabriel Landi Fazzio, advogado trabalhista, graduado em Direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e militante da Unidade Classista. Publicada originalmente na p\u00e1gina do <a href=\"https:\/\/bancarios.com.br\/s\/unica-garantia-real-da-democracia-e-mobilizacao-popular\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sindicato dos Banc\u00e1rios de Vit\u00f3ria da Conquista e Regi\u00e3o<\/a> (BA).<\/p>\n<p><strong>Passamos por um per\u00edodo de ampla retirada de direitos no Brasil e ataques contra os trabalhadores. Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o deste momento pol\u00edtico e econ\u00f4mico?<\/strong><\/p>\n<p>Desde a crise financeira de 2008, em ritmos e de maneiras distintas, a maior parte dos pa\u00edses capitalistas passou por processos semelhantes: aprova\u00e7\u00e3o de leis trabalhistas pr\u00f3-empregadores, ataques \u00e0 assist\u00eancia e \u00e0 previd\u00eancia social, endurecimento das leis penais e da repress\u00e3o policial, etc. As classes propriet\u00e1rias atuam politicamente de modo cada vez mais direto, a fim de recuperar suas taxas de lucro, e limitam o espa\u00e7o pol\u00edtico para as variantes mais \u201csociais\u201d das pol\u00edticas liberais. A t\u00edtulo de exemplo, veja-se o Banco Mundial que, desde os anos 90, patrocinou uma s\u00e9rie de iniciativas assistenciais em toda a Am\u00e9rica Latina e, em novembro de 2017, opinou em um relat\u00f3rio seu que as pol\u00edticas sociais deveriam ser revistas no Brasil. Adentramos um per\u00edodo geral de ataques da burguesia contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>Nesta conjuntura, quais t\u00eam sido os desafios de organiza\u00e7\u00e3o e enfrentamentos para os movimentos sociais?<\/strong><\/p>\n<p>Ao lado dos desafios defensivos colocados, existem ainda desafios organizativos. Por mais de uma d\u00e9cada, os movimentos sociais passaram por um relativo apassivamento, baseados na an\u00e1lise de que a melhor t\u00e1tica seria \u2018aproveitar\u2019 o governo reformista de esquerda para avan\u00e7ar lentamente por meio de concess\u00f5es dialogadas. Diferente dos anos 70, 80 ou 90, em que o processo de organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais foi marcado pela prepara\u00e7\u00e3o para enfrentamentos dur\u00edssimos com o Estado, esses anos 2000 propiciaram uma desorganiza\u00e7\u00e3o da luta de massas. O maior desafio organizativo dos movimentos, hoje, se traduz nessa necessidade de passar bruscamente de uma organiza\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o para uma organiza\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Os sindicatos e centrais s\u00e3o espa\u00e7os importantes de organiza\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho. Como \u00e9 poss\u00edvel avaliar o processo de credibilidade dessas entidades neste momento, e qual deve ser o horizonte de luta?<\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"191\" width=\"300\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"'A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular'\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bancarios.com.br\/s\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/gabriel-300x191.jpg?resize=300%2C191&#038;ssl=1\" alt=\"'A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular'\" \/><!--more-->O movimento dos trabalhadores foi respons\u00e1vel pelos mais importantes epis\u00f3dios de resist\u00eancia do \u00faltimo ano: as Greves Gerais de 15 de mar\u00e7o e de 28 de abril. No que diz respeito \u00e0 credibilidade dos sindicatos, esses dias significaram a maior onda de apoio social a mobiliza\u00e7\u00f5es grevistas em d\u00e9cadas. Ou seja: as camadas populares est\u00e3o dispostas a apoiar a luta grevista dos trabalhadores, quando ela se manifesta com firmeza, unidade e decis\u00e3o. A unidade do movimento sindical, que produz essa credibilidade, n\u00e3o \u00e9 mera unidade das entidades sindicais \u2013 \u00e9 a unidade do movimento sindical com os interesses de todos os trabalhadores, como foi no caso da luta contra a reforma de Previd\u00eancia em 2017 \u2013 e dever\u00e1 ser novamente, em 2018.<\/p>\n<p><strong>Este ser\u00e1 um ano de processo eleitoral federal e estadual. Como organizar os enfrentamentos nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores devem participar ativamente, intervindo nos processos eleitorais: devem denunciar politicamente os candidatos do patronato e examinar rigorosamente as promessas (e trajet\u00f3ria) de todos aqueles que se afirmam \u201camigos dos trabalhadores\u201d. Mas, em todo caso, a verdadeira for\u00e7a dos movimentos de massa vem de sua organiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do Estado. A capacidade de efetivar as reivindica\u00e7\u00f5es de cada movimento de massa, passadas as elei\u00e7\u00f5es, depende apenas dos pr\u00f3prios movimentos, de sua capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o: s\u00f3 assim poder\u00e1 barrar os ataques de um tal governante que se eleja, ou, por outro lado, acelerar e garantir a aprova\u00e7\u00e3o de uma tal reivindica\u00e7\u00e3o progressiva.<\/p>\n<p><strong>Como discutir democracia em um cen\u00e1rio de avan\u00e7o das for\u00e7as conservadoras na condu\u00e7\u00e3o de uma reorganiza\u00e7\u00e3o social?<\/strong><\/p>\n<p>A \u00fanica garantia real da democracia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular, a capacidade de resist\u00eancia. Se o movimento social quiser fazer frente a todo arb\u00edtrio estatal, judicial e policial em favor dos ricos e contra os pobres, precisa derrotar de uma vez em seu interior toda a f\u00e9 nesta democracia de propriet\u00e1rios: onde todos falam o que quiserem, mas apenas os ricos det\u00eam a imprensa; onde todos votam, mas apenas os empres\u00e1rios podem coagir a sociedade com amea\u00e7as de fugas de capital e fechamento de postos de trabalho. Numa sociedade que se organiza assim, nenhuma promessa legal-constitucional pode prevenir, de fato, um golpe das classes dominantes se estas assim desejarem. A pior ilus\u00e3o que podemos ter, em nossa luta, \u00e9 de que seria poss\u00edvel barrar a reorganiza\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria da sociedade simplesmente mantendo esta democracia, que conduz \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao fisiologismo. Se as for\u00e7as populares desejam vencer as for\u00e7as reacion\u00e1rias na luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, devem ser capazes n\u00e3o apenas de representar a defesa contra um futuro assustador, mas a promessa de um mundo melhor. Representar n\u00e3o o desespero, mas a esperan\u00e7a. O autoritarismo de direita tem apelo frente ao povo porque ele denuncia, \u00e0 sua maneira moralista e falsa, a fal\u00eancia da democracia dos propriet\u00e1rios. Os movimentos sociais devem ter isso em conta, em seu trabalho de massas. S\u00f3 o Poder Popular pode barrar a marcha tragic\u00f4mica da reorganiza\u00e7\u00e3o conservadora.<\/p>\n<p>https:\/\/bancarios.com.br\/s\/unica-<wbr \/>garantia-real-da-democracia-e-mobilizacao-popular\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18605\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190],"tags":[224],"class_list":["post-18605","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Q5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18605\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}