{"id":18663,"date":"2018-02-08T20:35:51","date_gmt":"2018-02-08T23:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18663"},"modified":"2018-02-08T17:42:37","modified_gmt":"2018-02-08T20:42:37","slug":"clementina-de-jesus-voz-que-revolucionou-musica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18663","title":{"rendered":"Clementina de Jesus: a voz que revolucionou a m\u00fasica brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Clementina de Jesus: a voz que revolucionou a m\u00fasica brasileira\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4765\/28357403709_841aa0d79c_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Clementina de Jesus: a voz que revolucionou a m\u00fasica brasileira\" \/><!--more--><strong>Revelada aos 63 anos, cantora e compositora deu voz \u00e0 ancestralidade africana por meio de sambas imortais<\/strong><br \/>\nEmilly Dulce<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/02\/07\/clementina-de-jesus-a-voz-que-revolucionou-o-samba-e-a-musica-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<p>Uma voz rouca, grave e rasgada sintetizava, nos anos 1970, a express\u00e3o de um Brasil com forte heran\u00e7a africana e singular forma\u00e7\u00e3o religiosa. A dona da voz t\u00e3o inconfund\u00edvel tem nome: Clementina de Jesus da Silva.<\/p>\n<p>Neta de escravizados, nasceu no ano de 1901, na cidade de Valen\u00e7a, na regi\u00e3o cafeeira do estado do Rio de Janeiro. Mas, foi s\u00f3 aos 63 anos que ela ganhou os palcos e revolucionou o samba, ap\u00f3s ter sido descoberta pelo poeta e futuro produtor musical Herm\u00ednio Bello de Carvalho. O jovem ficou fascinado pela sambista fluminense e passou a prepar\u00e1-la para o espet\u00e1culo Rosa de Ouro, show que a consagraria.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Clementina de Jesus resgatou o conhecimento de seus antepassados e apresentou a cultura africana com a grava\u00e7\u00e3o de 13 LPs e participa\u00e7\u00f5es em \u00e1lbuns com grandes nomes da m\u00fasica popular brasileira, como Clara Nunes e Milton Nascimento.<\/p>\n<p>Rainha Quel\u00e9, como ficou conhecida Clementina de Jesus, criou as filhas sozinha e trabalhou como empregada dom\u00e9stica at\u00e9 o come\u00e7o da vida art\u00edstica. Negra, idosa e pobre, Quel\u00e9 foi exemplo de for\u00e7a e luta para o povo brasileiro, em especial para as mulheres, como destaca Jana\u00edna Marquesini, uma das autoras do livro Quel\u00e9, A Voz Da Cor, que conta a hist\u00f3ria da mulher que atravessou d\u00e9cadas de samba.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m da Clementina representar essa riqueza cultural t\u00e3o grande, ela ainda traz na hist\u00f3ria dela todas as dificuldades que ser mulher no Brasil traz e, al\u00e9m de ser mulher, ela ainda era negra e pobre. Ela carrega a verdade e a ess\u00eancia do povo mesti\u00e7o e negro e tudo o que o Brasil \u00e9&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O estilo de samba de Quel\u00e9 era o partido-alto, cantado em forma de desafio e de improviso. Partideira de m\u00e3o cheia, Clementina de Jesus imprimiu em suas can\u00e7\u00f5es a luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial e o machismo, se tornando uma das maiores refer\u00eancias da m\u00fasica popular brasileira, como ressalta Magnu Sous\u00e1, integrante da dupla de irm\u00e3os sambistas Prettos.<\/p>\n<p>&#8220;Imagine uma mulher nos anos 1970, pensando na probabilidade de 80% de machismo no Brasil, e principalmente dentro do ambiente do samba, cantar \u2018N\u00e3o vadeia Clementina, fui feita pra vadiar\u2019, comenta.<\/p>\n<p>Magnu se define como um &#8220;neto da gera\u00e7\u00e3o Clementina de Jesus&#8221;, j\u00e1 que ela se tornou influ\u00eancia no repert\u00f3rio e nas ideias do artista. &#8220;A Clementina \u00e9 a artista idosa mais pop do Brasil. Pop de moderno, de novo, de vanguarda e pop de popular. Eu digo \u00e9 porque o artista n\u00e3o morre, ele \u00e9 eterno. Ela [Clementina] est\u00e1 presente na vida de todos n\u00f3s brasileiros, principalmente dos que amam o samba, que carregam a bandeira do samba e os que s\u00e3o adeptos, simpatizantes do g\u00eanero.&#8221;<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, Quel\u00e9 se tornou s\u00edmbolo da negritude no Brasil. Para uma das escritoras da biografia, conhecer Clementina \u00e9 entender um pouco da forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. &#8220;\u00c9 preciso mostrar mais uma vez a import\u00e2ncia das nossas ra\u00edzes, da identidade e forma\u00e7\u00e3o cultural do nosso pa\u00eds, que foi constru\u00eddo por m\u00e3os negras. A hist\u00f3ria dela [Clementina] ajuda a gente a fazer esse reconhecimento de como n\u00f3s chegamos at\u00e9 aqui.&#8221;<\/p>\n<p>Em sete de fevereiro deste ano, Clementina de Jesus completaria 117 anos. Mulher vitoriosa, desafiou toda a cultura do samba estabelecendo uma ponte entre o folclore dos terreiros de candombl\u00e9 e a m\u00fasica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RQMBOlzajEg?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o principal: Clementina de Jesus se tornou refer\u00eancia ao sintetizar a cultura negra no samba\/Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/02\/07\/clementina-de-jesus-a-voz-que-revolucionou-o-samba-e-a-musica-brasileira\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18663\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7,13],"tags":[234],"class_list":["post-18663","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","category-s14-cultura","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4R1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18663\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}