{"id":18707,"date":"2018-02-13T22:22:15","date_gmt":"2018-02-14T01:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18707"},"modified":"2018-03-06T17:15:30","modified_gmt":"2018-03-06T20:15:30","slug":"da-escravidao-temer-vampiro-tuiuti-nos-lembra-que-carnaval-e-contestacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18707","title":{"rendered":"Da escravid\u00e3o a Temer vampiro: Tuiuti nos lembra que Carnaval \u00e9 contesta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Da escravid\u00e3o a Temer vampiro: Tuiuti nos lembra que Carnaval \u00e9 contesta\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/blogs\/61\/files\/2018\/02\/tetevampiro.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Da escravid\u00e3o a Temer vampiro: Tuiuti nos lembra que Carnaval \u00e9 contesta\u00e7\u00e3o\" \/><!--more--><a href=\"https:\/\/blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br\/2018\/02\/12\/da-escravidao-a-temer-vampiro-tuiuti-nos-lembra-que-carnaval-e-contestacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Sakamoto<\/a><\/p>\n<p>Carnaval \u00e9 contesta\u00e7\u00e3o e subvers\u00e3o. Quando \u00e9 pasteurizado, transformado em produto, empacotado, vendido e transmitido, a contesta\u00e7\u00e3o \u00e9 domesticada e pode perder\u00a0o que tem de melhor. Por isso, dificilmente se manifesta com grandeza em ambientes protegidos por seguran\u00e7as armados, isolados por cord\u00f5es mal remunerados, filtrados pela edi\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras de TV e\u00a0que abra\u00e7a\u00a0a &#8221;nata&#8221; da sociedade em ar condicionado.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o do beijo for\u00e7ado e da nudez sexista, que reproduz o cotidiano de\u00a0nossa\u00a0sociedade machista e violenta, mas a contesta\u00e7\u00e3o\u00a0que nunca \u00e9 convidada para festas da &#8221;Casa Grande&#8221;. Por isso, o Carnaval n\u00e3o \u00e9 apenas a arte da liberta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 a do inc\u00f4modo. Papel duplo que a Para\u00edso do Tuiuti cumpriu maravilhosamente, neste domingo (11), no Samb\u00f3dromo do Rio de Janeiro, <a href=\"https:\/\/carnaval.uol.com.br\/2018\/album\/2018\/02\/12\/paraiso-do-tuiuti.htm?foto=54\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sob o enredo &#8221;Meu Deus, Meu Deus, Est\u00e1 Extinta a Escravid\u00e3o?<\/a>&#8221;.<\/p>\n<p>Da explora\u00e7\u00e3o de africanos trazidos \u00e0 for\u00e7a, passando pelo racismo brasileiro at\u00e9 a precariza\u00e7\u00e3o causada pela Reforma Trabalhista do governo Michel Temer (representado como um portentoso\u00a0vampiro), a escola de samba constrangeu n\u00e3o apenas autoridades e locutores que transmitiram o desfile, que talvez esperassem algo mais fofo, mas tamb\u00e9m um naco da sociedade que acha que dias de festa servem para esquecer o cotidiano.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, as datas de comemorar\u00a0\u2013 palavra que significa &#8221;lembrar junto&#8221; \u2013 s\u00e3o momentos de trazer \u00e0 tona aquilo que tentam nos fazer esquecer no dia a dia.<\/p>\n<p>E o que houve naquele 13 de maio, h\u00e1 130 anos, no qual a Lei \u00c1urea foi sancionada, n\u00e3o foi uma aboli\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica, mas uma mudan\u00e7a na metodologia da explora\u00e7\u00e3o. A carne negra segue descart\u00e1vel e dispens\u00e1vel, tratada como m\u00e3o de obra barata, assassinada\u00a0nas periferias das grandes cidades.<\/p>\n<p>Os escravizados\u00a0contempor\u00e2neos podem n\u00e3o ser\u00a0mais escolhidos diretamente por sua cor de pele. Mas a propor\u00e7\u00e3o de negros entre os mais de 50 mil trabalhadores libertados da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea pelo governo federal, desde 1995, \u00e9 muito, muito superior \u00e0 propor\u00e7\u00e3o deles na sociedade brasileira. Porque a pobreza no Brasil tem cor, e \u00e9 negra. Fruto de uma &#8221;liberta\u00e7\u00e3o&#8221;\u00a0que n\u00e3o compensou s\u00e9culos de cativeiro e, simplesmente, de uma hora para a outra, jogou milh\u00f5es na rua para receberem sal\u00e1rios de fome em nome do desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Essa superexplora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto da in\u00e9rcia, mas realimentada\u00a0constante atrav\u00e9s de leis e regras criadas pelo andar de cima para manter os mais pobres sob controle. E\u00a0tamb\u00e9m por narrativas t\u00e3o bem engendradas que fazem com que trabalhadores se tornem c\u00e3es de guarda de quem os oprime. E batam panela pedindo Justi\u00e7a ao lado dos mesmos &#8221;Patos Amarelos&#8221; que s\u00e3o correspons\u00e1veis pela trag\u00e9dia da desigualdade\u00a0social. Essa narrativas vendem a ilus\u00e3o de que medidas que mant\u00e9m a m\u00e3o de obra explorada, como a Reforma Trabalhista aprovada pelo governo federal, t\u00eam\u00a0o objetivo inverso de libert\u00e1-la.<\/p>\n<p>Claro que isso ocorre em meio a um contexto de grande contradi\u00e7\u00e3o, como mulheres ainda serem tratadas como objeto e tantos outros problemas relacionados aos desfiles.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico que seja necess\u00e1rio um Carnaval, festa da contesta\u00e7\u00e3o e da subvers\u00e3o, para tirar o v\u00e9u de ignor\u00e2ncia sobre o assunto. E apresenta-lo em sua complexidade, mas\u00a0de forma t\u00e3o simples que \u00e9 poss\u00edvel cantar.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o de olho claro ou da Guin\u00e9<br \/>\nQual ser\u00e1 o seu valor? Pobre artigo de mercado<br \/>\nSenhor, eu n\u00e3o tenho a sua f\u00e9 e nem tenho a sua cor<br \/>\nTenho sangue avermelhado<br \/>\nO mesmo que escorre da ferida<br \/>\nMostra que a vida se lamenta por n\u00f3s dois<br \/>\nMas falta em seu peito um cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nAo me dar a escravid\u00e3o e um prato de feij\u00e3o com arroz<\/p>\n<p>Eu fui mandiga, cambinda, hauss\u00e1<br \/>\nFui um Rei Egb\u00e1 preso na corrente<br \/>\nSofri nos bra\u00e7os de um capataz<br \/>\nMorri nos canaviais onde se plantava gente<\/p>\n<p>\u00ca Calunga, \u00ea! \u00ca Calunga!<br \/>\nPreto velho me contou, preto velho me contou<br \/>\nOnde mora a senhora liberdade<br \/>\nN\u00e3o tem ferro nem feitor<\/p>\n<p>Amparo do Ros\u00e1rio ao negro benedito<br \/>\nUm grito feito pele do tambor<br \/>\nDeu no notici\u00e1rio, com l\u00e1grimas escrito<br \/>\nUm rito, uma luta, um homem de cor<\/p>\n<p>E assim quando a lei foi assinada<br \/>\nUma lua atordoada assistiu fogos no c\u00e9u<br \/>\n\u00c1urea feito o ouro da bandeira<br \/>\nFui rezar na cachoeira contra bondade cruel<\/p>\n<p>Meu Deus! Meu Deus!<br \/>\nSeu eu chorar n\u00e3o leve a mal<br \/>\nPela luz do candeeiro<br \/>\nLiberte o cativeiro social<\/p>\n<p>N\u00e3o sou escravo de nenhum senhor<br \/>\nMeu Para\u00edso \u00e9 meu basti\u00e3o<br \/>\nMeu Tuiuti o quilombo da favela<br \/>\n\u00c9 sentinela da liberta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Foto: Marcos Serra Lima\/G1. O presidente Michel Temer retratado como um vampiro neoliberal.<\/p>\n<p>https:\/\/blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br\/2018\/02\/12\/da-escravidao-a-temer-vampiro-tuiuti-nos-lembra-que-carnaval-e-contestacao\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18707\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13,190],"tags":[],"class_list":["post-18707","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","category-fora-temer"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4RJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18707\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}