{"id":1872,"date":"2011-09-16T18:06:09","date_gmt":"2011-09-16T18:06:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1872"},"modified":"2011-09-16T18:06:09","modified_gmt":"2011-09-16T18:06:09","slug":"discurso-de-nikos-seretakis-pc-da-grecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1872","title":{"rendered":"Discurso de Nikos Seretakis (PC da Gr\u00e9cia)"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Semin\u00e1rio sobre os 140 anos da Comuna do Paris<\/strong><\/p>\n<p><strong>(Universidade Federal do Rio de Janeiro, 14\/09\/2011)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caros amigos<\/strong><strong>;<\/strong><\/p>\n<p>Em nome do KKE (Partido Comunista de Gr\u00e9cia), gostaria de agradec\u00ea-los por seu gentil convite para participar e contribuir neste semin\u00e1rio importante sobre os 140 anos da Comuna de Paris.<\/p>\n<p>Aproveito esta oportunidade para agradecer todos os camaradas, trabalhadores e jovens do Brasil que manifestam sua solidariedade com as lutas do KKE e da PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), o movimento sindical classista em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>O tema que este semin\u00e1rio aborda \u00e9 de grande import\u00e2ncia te\u00f3rica, pol\u00edtica e pr\u00e1tica, especialmente em condi\u00e7\u00f5es de crise capitalista, porque o estudo das experi\u00eancias, positivas e negativas, das revolu\u00e7\u00f5es anteriores e da constru\u00e7\u00e3o socialista, a defesa das leis do desenvolvimento do socialismo e a defesa da contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em geral do socialismo no s\u00e9culo XX, s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis para construir hoje uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, cientificamente elaborada.<\/p>\n<p><strong>O<\/strong><strong>legado pol\u00edtico<\/strong><strong>da Comuna de Paris<\/strong><\/p>\n<p>O grande hero\u00edsmo de homens, mulheres e at\u00e9 crian\u00e7as que deram suas vidas por uma nova sociedade no primeiro assalto oper\u00e1rio ao c\u00e9u, a experi\u00eancia da Comuna de Paris e as li\u00e7\u00f5es tiradas do curso dos 72 dias do primeiro poder oper\u00e1rio no mundo, continuam vigentes.<\/p>\n<p>A burguesia mostrou-se capaz de cometer os maiores crimes, a fim de salvar o poder do capital. Optou por se aliar aos invasores do ex\u00e9rcito prussiano, para massacrar a classe trabalhadora de Paris. Provou que tinha deixado para tr\u00e1s definitivamente seu papel progressista anterior.<\/p>\n<p>A principal li\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias da Comuna de Paris \u00e9, como escreveu Marx, que &#8220;<em>a classe oper\u00e1ria n\u00e3o pode simplesmente tomar posse da m\u00e1quina estatal existente e coloc\u00e1-la em movimento para os seus pr\u00f3prios fins.<\/em>&#8221; Ao contr\u00e1rio, como afirmou Lenin, &#8220;<em>a classe oper\u00e1ria deve quebrar, destruir a \u201cm\u00e1quina do Estado&#8221;, n\u00e3o se limitando apenas a se assenhorear dela <\/em>&#8220;. A ditadura do proletariado, o poder mais democr\u00e1tico at\u00e9 quando haja estado, em vez da ditadura do capital.<\/p>\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o fundamental que a hist\u00f3ria da Comuna nos ensina \u00e9 que o novo poder deve come\u00e7ar imediatamente &#8220;a expropria\u00e7\u00e3o dos expropriadores&#8221;, isto \u00e9, a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o concentrados.<\/p>\n<p>A Comuna de Paris d\u00e1 resposta a todos os derrotistas e conformistas que consideram a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as como algo est\u00e1tico, que fecham os olhos \u00e0 objetiva agudiza\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es e a matura\u00e7\u00e3o da luta de classes.<\/p>\n<p>Finalmente, a hist\u00f3ria\u00a0da Comuna\u00a0ensina, atrav\u00e9s da experi\u00eancia de sua derrota, que o proletariado deve ter estrat\u00e9gia e t\u00e1tica\u00a0com base cient\u00edfica, conhecimento profundo das leis que regem a luta de classes. Esta tarefa pode ser realizada apenas por um partido comunista com teoria revolucion\u00e1ria, em conflito com a ideologia burguesa, o reformismo e o oportunismo.<\/p>\n<p>Estas conclus\u00f5es t\u00eam import\u00e2ncia vital para o movimento revolucion\u00e1rio. Foram confirmados pelas experi\u00eancias seguintes, ou seja, da Grande Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, na Russia, da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e da constru\u00e7\u00e3o socialista no s\u00e9culo passado. As li\u00e7\u00f5es extra\u00eddas das experi\u00eancias das revolu\u00e7\u00f5es e contra-revolu\u00e7\u00f5es, dos \u00eaxitos e retrocessos nos d\u00e3o for\u00e7a para a luta que travamos hoje. Avan\u00e7amos para o futuro ensinados pelo passado.<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias tiram ilus\u00f5es de que seja poss\u00edvel um governo colocar o Estado burgu\u00eas a servi\u00e7o dos interesses do povo. Tais ilus\u00f5es custaram caro ao movimento popular no passado (como no caso do Chile) e hoje em dia tornam-se ainda mais perigosas, sendo que o movimento oper\u00e1rio encontra-se perante desafios muito grandes, onde a escolha entre a linha de ruptura e a adapta\u00e7\u00e3o determinar\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o dos acontecimentos.<\/p>\n<p>As contra-revolu\u00e7\u00f5es, os retrocessos do socialismo na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em outros pa\u00edses socialistas, n\u00e3o alteram o car\u00e1ter da nossa \u00e9poca, como \u00e9poca da transi\u00e7\u00e3o do capitalismo para o socialismo.<\/p>\n<p>A necessidade da revolu\u00e7\u00e3o socialista, a derrubada do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o da nova forma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica comunista, n\u00e3o \u00e9 determinada pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as num dado momento hist\u00f3rico, mas pela exig\u00eancia hist\u00f3rica da resolu\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o fundamental entre o capital e o trabalho, a aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, a aboli\u00e7\u00e3o das classes.<\/p>\n<p><strong>A Crise Capitalista e as Lutas na Gr\u00e9cia <\/strong><\/p>\n<p>Permitam-me apresentar alguns aspectos da luta atual do KKE que talvez sejam interessantes para voc\u00eas, do ponto de vista da troca de experi\u00eancias.<\/p>\n<p>A\u00a0 crise econ\u00f4mica capitalista encontrou o KKE ideol\u00f3gica e politicamente preparado, em raz\u00e3o de nossas an\u00e1lises sobre as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; o desenvolvimento do capitalismo grego, nas condi\u00e7\u00f5es da sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europ\u00e9ia;<\/p>\n<p>&#8211; a pol\u00edtica de alian\u00e7as, que aperfei\u00e7oamos e que se baseia na estrutura social e de classes do pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; o trabalho que desenvolvemos nos \u00faltimos dezoito anos para tirarmos conclus\u00f5es cient\u00edficas sobre a constru\u00e7\u00e3o socialista no s\u00e9culo XX e sobre as causas da vit\u00f3ria da contra-revolu\u00e7\u00e3o, particularmente aquelas de car\u00e1ter interno.<\/p>\n<p>O KKE enfatizou, desde o primeiro momento, que a crise atual \u00e9 uma crise de superprodu\u00e7\u00e3o capitalista, que exprime a agudiza\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o principal do capitalismo. Mostrou que as medidas antipopulares expressaram necessidades do capital para assegurar sua competitividade e rentabilidade.<\/p>\n<p>O nosso Partido chamou aten\u00e7\u00e3o para as contradi\u00e7\u00f5es dentro da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, os conflitos entre as pot\u00eancias imperialistas principais e com as for\u00e7as capitalistas emergentes, como a China \u2013 onde todos os fatos provam que as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalista j\u00e1 predominam &#8211; a \u00cdndia, o Brasil, o papel da R\u00fassia, etc.<\/p>\n<p>Mais de 20 greves gerais no \u00e2mbito nacional foram organizadas com \u00eaxito, de 2010 at\u00e9 agora, al\u00e9m de in\u00fameras greves por ramos, setores e empresas, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, com a participa\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de trabalhadores.<\/p>\n<p>Os comunistas est\u00e3o na vanguarda destas batalhas, lutando nas fileiras da PAME, que congrega todos os Sindicatos, Federa\u00e7\u00f5es, Centros Laborais e Comit\u00eas de Luta das empresas e setoriais de orienta\u00e7\u00e3o classista, envolvendo milhares de trabalhadores.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o das lutas se faz em condi\u00e7\u00f5es de pol\u00eamica aguda com as for\u00e7as do sindicalismo a servi\u00e7o do patronato, com as dire\u00e7\u00f5es das confedera\u00e7\u00f5es gerais no setor privado e p\u00fablico, cujas maiorias s\u00e3o compostas por quadros do PASOK (partido socialdemocrata, atualmente no poder) e da ND (partido liberal) tendo, ao mesmo tempo, o apoio das for\u00e7as oportunistas. Este bloco constitui um pilar para a estrat\u00e9gia do capital. Defende a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, semeia ilus\u00f5es e mistifica\u00e7\u00f5es e cultiva a colabora\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o Nos Locais do Trabalho \u2013 Alian\u00e7a Social <\/strong><\/p>\n<p>Tomamos medidas adicionais para consolidar a interven\u00e7\u00e3o do partido e realizar trabalho de massas nas f\u00e1bricas e na ind\u00fastria em geral, porque aqui se coloca o terreno principal da luta e ser\u00e3o decididos o desenvolvimento da luta de classes e a perspectiva das alian\u00e7as sociais. Neste quadro, procedemos a uma reestrutura\u00e7\u00e3o interna na organiza\u00e7\u00e3o dos membros do Partido e \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que t\u00eam um campo de a\u00e7\u00e3o unificado.<\/p>\n<p>Colocamos a quest\u00e3o do reagrupamento do movimento oper\u00e1rio como quest\u00e3o ainda mais urgente. Elaboramos um quadro de a\u00e7\u00e3o e de revindica\u00e7\u00f5es comuns para o movimento oper\u00e1rio e sua alian\u00e7a com as camadas m\u00e9dias mais pobres, os aut\u00f4nomos, os artes\u00e3os, os pequenos comerciantes e agricultores, os movimentos da juventude e das mulheres.<\/p>\n<p>D\u00e9ramos impulso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o duma alian\u00e7a social a n\u00edvel nacional na base desse quadro comum de objectivos de luta. \u00c9 um acontecimento que se d\u00e1 pela primeira vez na Gr\u00e9cia em tal dire\u00e7\u00e3o. Esta iniciativa tomada pela PAME foi apoiada pela Frente Militante dos Camponeses (PASY), a Frente Antimonopolista dos Trabalhadores por conta pr\u00f3pria e Pequenos Comerciantes (PASEVE). Este agrupamento alargou-se com a participa\u00e7\u00e3o da Frente de Luta dos Estudantes (MAS) e a Federa\u00e7\u00e3o das Mulheres Gregas (OGE). Nasceu assim um n\u00facleo da alian\u00e7a social sustentada em organiza\u00e7\u00f5es e for\u00e7as classistas e radicais. Isto levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s populares desta alian\u00e7a em bairros, comit\u00e9s de luta em locais de trabalho etc.<\/p>\n<p>N\u00f3s queremos que os comit\u00e9s populares sejam formados de maneira bem preparada, atrav\u00e9s de amplos processos de massas, que n\u00e3o sejam uma mera \u201cetiqueta\u201d. Que se dirijam \u00e0s mais vastas massas populares em volta de problemas espec\u00edficos ou de um conjunto de problemas. Cada parte constituinte desta alian\u00e7a (sindicato, associa\u00e7\u00e3o de mulheres, outra organiza\u00e7\u00e3o) continua a sua atividade no seu campo ou setor, em locais de trabalho, zonas industriais, bairros, universidades e escolas. N\u00e3o se trata de um agrupamento tempor\u00e1rio, mas de uma for\u00e7a que facilita a entrada dos trabalhadores e outras camadas populares \u00e0 luta organizada numa dire\u00e7\u00e3o antimonopolista e antiimperialista.<\/p>\n<p>O \u00eaxito e for\u00e7a desta alian\u00e7a jogam-se nas f\u00e1bricas, nos locais de trabalho, onde o conflito entre o trabalho e o capital se expressa clara e directamente. Tem havido j\u00e1 alguns resultados positivos na readmiss\u00e3o de trabalhadores despedidos, no pagamento de sal\u00e1rios e indeniza\u00e7\u00f5es e na liga\u00e7\u00e3o da eletricidade a fam\u00edlias que n\u00e3o pagaram as faturas, devido \u00e0 sua pobreza. T\u00eam-se dado e continuam a dar-se importantes mobiliza\u00e7\u00f5es pela aboli\u00e7\u00e3o dos ped\u00e1gios nas auto-estradas, os novos impostos, as problemas da sa\u00fade, contra o fechamento de escolas e outros.<\/p>\n<p><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es e Politiza\u00e7\u00e3o da Luta<\/strong><\/p>\n<p>Prestamos cuidado imenso \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio. As lutas que se limitam a certas reivindica\u00e7\u00f5es parciais, cujo objetivo \u00e9 mitigar as consequ\u00eancias da crise, n\u00e3o s\u00e3o eficazes; os governos mostram dureza, correm riscos, contudo, n\u00e3o podem fazer as concess\u00f5es que faziam no passado.<\/p>\n<p>Cada luta por quest\u00f5es espec\u00edficas deve contribuir na organiza\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o das for\u00e7as populares para a derrubada do sistema explorador, e abrir o caminho para o poder do povo e a economia do povo, para o socialismo.<\/p>\n<p>O crit\u00e9rio nosso \u00e9 se as exig\u00eancias forem ao encontro das necessidades atuais dos trabalhadores. Ponto de partida \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que a classe oper\u00e1ria \u00e9 a produtora da riqueza e deve reivindic\u00e1-la. Desta maneira, elevamos a exig\u00eancia dos trabalhadores, promovemos a consci\u00eancia dos interesses de classe comuns entre as camadas populares e forjamos a alian\u00e7a social.<\/p>\n<p>Existe hoje uma oportunidade hist\u00f3rica no terreno da incessante luta de classes: dirigir o pensamento e a a\u00e7\u00e3o dos povos em luta \u2013 sob a dire\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria \u2013 para o poder da classe trabalhadora. Deve-se entender que, se mesmo num determinado pa\u00eds, for eleita pelo povo uma maioria parlamentar favor\u00e1vel aos trabalhadores e se nessa base se formar um governo, este n\u00e3o ser\u00e1 capaz de ultrapassar os limites das leis b\u00e1sicas do capitalismo se n\u00e3o resolver as quest\u00f5es da socializa\u00e7\u00e3o dos principais meios de produ\u00e7\u00e3o, da desvincula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia e da OTAN, da planifica\u00e7\u00e3o da economia e do estabelecimento do controle oper\u00e1rio. \u00c9 uma oportunidade para amadurecer a ideia de que \u00e9 imperativa a mudan\u00e7a da classe que det\u00e9m o poder estatal e n\u00e3o apenas uma mudan\u00e7a de governo.<\/p>\n<p><strong>A Proposta Politica do KKE<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u0391<\/strong><strong> proposta politica do KKE resume-se \u00e0 consigna: Frente Democr\u00e1tica, Anti-Imperialista, Anti-Monopolista pelo poder popular e economia Popular.<\/strong><\/p>\n<p>Para que a economia popular possa existir, visando satisfazer as necessidades da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e0s necessidades do lucro, \u00e9 necess\u00e1rio resolver a quest\u00e3o da propriedade.<\/p>\n<p>Isto implica: mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es sociais de propriedade, historicamente ultrapassadas, que determinam o sistema politico. Socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o b\u00e1sicos e concentrados nas seguintes \u00e1reas: energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, riqueza mineral, minera\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria, abastecimento e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, transportes. Socializa\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio, do sistema de extra\u00e7\u00e3o, transporte e gest\u00e3o dos recursos naturais; do com\u00e9rcio exterior; constru\u00e7\u00e3o de uma rede centralizada de com\u00e9rcio interno. Sistemas exclusivamente p\u00fablicos, gratuitos e universais de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, de bem estar e de previd\u00eancia social.<\/p>\n<p>Ao lado do setor socializado, poder\u00e1 se formar um setor de cooperativas de produ\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de pequena agricultura, em ramos onde a concentra\u00e7\u00e3o tenha um n\u00edvel baixo. Ambos setores estar\u00e3o inclu\u00eddos num mecanismo central de planejamento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O planejamento central \u00e9 imprescind\u00edvel para que se formulem as escolhas e os objetivos estrat\u00e9gicos, para priorizar setores e ramos da produ\u00e7\u00e3o, para determinar aonde nossas for\u00e7as e nossos meios dever\u00e3o ser concentrados. \u00c9 uma necessidade que deriva do pr\u00f3prio desenvolvimento social.<\/p>\n<p><strong>Que Poder Pode Assegurar Um Tal <\/strong><strong>Rumo de Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel agrupar a classe oper\u00e1ria, camadas interm\u00e9dias da cidade e do campo, todos os trabalhadores apesar do n\u00edvel de acordo com a concep\u00e7\u00e3o do KKE sobre o socialismo, em torno de reivindica\u00e7\u00f5es e de objetivos anti-imperialistas e antimonopolistas. No \u00e2mbito da alian\u00e7a popular podem existir for\u00e7as com diferentes concep\u00e7\u00f5es sobre o poder. Para n\u00f3s comunistas, o poder popular n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o poder da classe oper\u00e1ria, o poder socialista.<\/p>\n<p>O nosso partido em seu 18\u00ba congresso enriqueceu sua concep\u00e7\u00e3o program\u00e1tica sobre o socialismo, utilizando as conclus\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS durante o s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>O Estado revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria, a ditadura do proletariado, tem o dever de obstruir as tentativas da classe burguesa e da rea\u00e7\u00e3o internacional para restaurar o dom\u00ednio do capital. Tem o dever de criar uma sociedade nova com a aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. As suas fun\u00e7\u00f5es organizativa, cultural, pol\u00edtica, educacional e defensiva s\u00e3o guiadas pelo Partido da classe oper\u00e1ria. Dar\u00e1 express\u00e3o a uma forma mais elevada de democracia, tendo como caracter\u00edstica fundamental a participa\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica da classe oper\u00e1ria, do povo, na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas b\u00e1sicos da constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista e no controle do poder de Estado e dos seus \u00f3rg\u00e3os. \u00c9 um \u00f3rg\u00e3o da classe oper\u00e1ria na luta de classes, que continua atrav\u00e9s de outras formas e sob novas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O centralismo democr\u00e1tico \u00e9 princ\u00edpio fundamental do Estado socialista. \u00c9 indispens\u00e1vel que o exerc\u00edcio do controle oper\u00e1rio seja garantido na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O poder revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria basear-se-\u00e1 nas institui\u00e7\u00f5es que nascer\u00e3o da luta revolucion\u00e1ria. As institui\u00e7\u00f5es parlamentares burguesas ser\u00e3o substitu\u00eddas por novas institui\u00e7\u00f5es do poder oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>O poder de Estado da classe oper\u00e1ria ser\u00e1 baseado nas unidades de produ\u00e7\u00e3o, nos locais de trabalho, atrav\u00e9s dos quais a classe oper\u00e1ria exercer\u00e1 o controle social da administra\u00e7\u00e3o e eleger a maioria dos representantes para os \u00f3rg\u00e3os de poder (outras vias de elei\u00e7\u00e3o s\u00e3o as escolas e faculdades, as organiza\u00e7\u00f5es de massas e das mulheres).<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o das cooperativas de agricultores e de pequenos produtores aut\u00f3nomos assegura sua alian\u00e7a com a classe oper\u00e1ria. O poder popular cuida da composi\u00e7\u00e3o social dos \u00f3rg\u00e3os em todos os n\u00edveis e em particular dos \u00f3rg\u00e3os superiores do poder.<\/p>\n<p>O mais alto \u00f3rg\u00e3o do poder de Estado ser\u00e1 um organismo de trabalho \u2013 que legislar\u00e1 e governar\u00e1 ao mesmo tempo \u2013 investido dos poderes executivo e legislativo dentro do seu \u00e2mbito de compet\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 um parlamento, os seus representantes n\u00e3o s\u00e3o permanentes, podem ser destitu\u00eddos, n\u00e3o se desligam da produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam nenhum benef\u00edcio econ\u00f3mico especial pela sua participa\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os de poder do Estado.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es sobre o car\u00e1ter do poder popular, a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos locais do trabalho constituem provis\u00f5es valiosas. Nos d\u00e3o for\u00e7a, nos ajudam na luta quotidiana, refor\u00e7ando a nossa orienta\u00e7\u00e3o principal para a organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria dentro das empresas e dos locais do trabalho e a consci\u00eancia sobre os limites objetivos que t\u00eam as institui\u00e7\u00f5es e as estruturas que o movimento oper\u00e1rio desenvolve nos marcos do capitalismo, promovendo formas da alian\u00e7a popular que puderem, em viragens da luta de classes, tornarem-se embri\u00f5es do novo poder.<\/p>\n<p>Estimados amigos e camaradas,<\/p>\n<p>Temos a convic\u00e7\u00e3o firme de que o s\u00e9culo XXI ser\u00e1 marcado por uma nova onda de revolu\u00e7\u00f5es socialistas ou seja, como o grande poeta comunista grego Yianis Ritsos afirmou, vivemos \u00abo \u00faltimo s\u00e9culo antes do homem\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nDiscurso de Nikos Seretakis (PC da Gr\u00e9cia)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1872\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c41-unidade-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-uc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}