{"id":18731,"date":"2018-02-16T12:19:59","date_gmt":"2018-02-16T15:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18731"},"modified":"2018-02-16T12:27:03","modified_gmt":"2018-02-16T15:27:03","slug":"o-rio-virando-um-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18731","title":{"rendered":"O Rio virando um rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"O Rio virando um rio\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/graph.facebook.com\/906436979537763\/picture\" alt=\"O Rio virando um rio\" \/><!--more-->Heitor Cesar*<\/p>\n<p>Todo ano, quando ocorre um temporal como o que atingiu a cidade do Rio de Janeiro no dia 15\/02, ouvimos das &#8220;autoridades&#8221; que &#8220;choveu o previsto para um m\u00eas inteiro&#8221;, &#8220;chuva inesperada&#8221;, &#8220;ningu\u00e9m esperava essa quantidade de chuva&#8221;. Duas conclus\u00f5es parecem obvias: o sistema de previs\u00e3o de chuva n\u00e3o funciona muito bem e a outra \u00e9 que, sabendo que as chuvas em forma de temporal costumam castigar o Rio nessa \u00e9poca do ano (entre os meses de janeiro e mar\u00e7o), caberia \u00e0s &#8220;autoridades&#8221; preparar a cidade para esse tipo de intemp\u00e9rie que j\u00e1 demonstrou n\u00e3o ser nada eventual, nem acidental, mas algo quase que certo de acontecer nesse per\u00edodo do ano. Todo mundo sabe que chove como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3 no Rio nos primeiros meses do ano.<\/p>\n<p>E como fazem isso?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 obvia, n\u00e3o fazem.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a cada obra que fazem s\u00f3 se intensifica o processo de impermeabiliza\u00e7\u00e3o da cidade. O Rio de Janeiro est\u00e1 se tornando uma ilha de concreto, com canais e rios canalizados, grandes \u00e1reas verdes aterradas, quadro ca\u00f3tico no qual ainda se soma a falta de saneamento b\u00e1sico em boa parte da cidade, onde as galerias de \u00e1gua pluviais praticamente n\u00e3o funcionam ou, quando funcionam, est\u00e3o atreladas \u00e0 rede de esgoto, tamb\u00e9m sem implementa\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p>No fim das contas, quem morre, quem perde a casa, quem fica doente, quem se desespera preso no tr\u00e2nsito com medo do patr\u00e3o, quem sofre todos os transtornos \u00e9 a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No ano que vem, possivelmente nessa mesma \u00e9poca do ano nos notici\u00e1rios veremos as &#8220;autoridades&#8221; dizendo novamente que choveu mais do que o esperado, que foi algo extraordin\u00e1rio e por isso a cidade n\u00e3o aguentou, que choveu o previsto para um m\u00eas inteiro em algumas horas&#8230; e assim vai&#8230; a n\u00e3o ser que a classe trabalhadora organizada comece a mudar o curso do Rio. Os interesses privados sobre a cidade n\u00e3o podem se sobrepor aos interesses p\u00fablicos. As obras e interven\u00e7\u00f5es que a cidade recebeu e sofreu com o intuito de prepar\u00e1-la para receber grandes eventos e grandes investimentos deformaram mais ainda a sua estrutura.<\/p>\n<p>Historicamente, o Rio de Janeiro vem sofrendo um processo de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora, por meio do qual os interesses empresariais e das classes dominantes se imp\u00f5em como modo de desenvolvimento. Os interesses imobili\u00e1rios deformaram a cidade, a transformaram em um monstro de concreto, assim como os interesses empresariais no setor rodovi\u00e1rio intensificaram a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, avenidas, que aterram, mudam paisagens naturais, modificam sem levar em conta os impactos ambientais de tais mudan\u00e7as, ao inv\u00e9s de providenciarem ferrovias e outras formas de transportes como o hidrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro \u00e9 pensado para atender interesses e neg\u00f3cios dos grupos dominantes e n\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, da classe trabalhadora que vive e trabalha na cidade.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 o obvio: o caos ambiental em que vivemos. Uma cidade que sofre anualmente com chuvas de ver\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 preparada para aguentar chuvas de ver\u00e3o. Dessa forma o Rio vira um rio.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso repensar a cidade e sua organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para atender interesses privados, mas sim para atender os interesses de quem vive e trabalha na cidade, os interesses da grande maioria, os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: &#8220;Tens\u00e3o Intransit\u00e1vel&#8221;em <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TensaoInTransitavel\/photos\/pcb.906437136204414\/906436979537763\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Avenida Oliveira Belo, na Vila da Penha<\/a>.<\/p>\n<p>*Membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18731\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[207],"tags":[223],"class_list":["post-18731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lutas-nos-estados","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4S7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}