{"id":1881,"date":"2011-09-19T22:17:06","date_gmt":"2011-09-19T22:17:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1881"},"modified":"2011-09-19T22:17:06","modified_gmt":"2011-09-19T22:17:06","slug":"sobre-a-crise-economica-capitalista-e-a-divida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1881","title":{"rendered":"Sobre a crise econ\u00f3mica capitalista e a d\u00edvida"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1- A escalada sem precedentes da ofensiva contra os rendimentos e os direitos que o povo est\u00e1 a experimentar n\u00e3o se deve \u00e0 infla\u00e7\u00e3o real da d\u00edvida p\u00fablica. <\/strong>A linha pol\u00edtica do &#8220;memorando cont\u00ednuo&#8221; est\u00e1 a ser implementada em todos os estados membros da UE. Isto leva o povo tanto \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o relativa como absoluta e assegura for\u00e7a de trabalho mais barata, acelera a acumula\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>O objectivo mais profundo da escalada na ofensiva anti-povo \u00e9 o refor\u00e7o da competitividade dos grupos monopolistas europeus no mercado capitalista internacional, onde a competi\u00e7\u00e3o inter-imperialista \u00e9 aparente. Todos os estados membros da UE enriquecem o Programa de Reforma Nacional e o Pacto de Estabilidade (National Reform Programme and the Stability Pact) com novos e duros compromissos anti-povo, os quais especializam directamente\u00a0<strong>os rumos do Euro Pacto. <\/strong><\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, \u00c1ustria a idade de reforma e as contribui\u00e7\u00f5es dos trabalhadores para a seguran\u00e7a social est\u00e3o a aumentar. Na It\u00e1lia, Espanha, Irlanda injustos impostos indirectos aumentaram dramaticamente. Na \u00c1ustria, Pol\u00f3nia, Rom\u00e9nia, Rep\u00fablica Checa, Irlanda, os sal\u00e1rios dos trabalhadores est\u00e3o a ser significativamente reduzidos bem como o n\u00famero de empregados do sector p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>2- Os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis e n\u00e3o devem pagar pela d\u00edvida p\u00fablica. A propaganda do poder capitalista tenta obscurecer as causas reais da infla\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, tais como: <\/strong><\/p>\n<p>a) A gest\u00e3o fiscal dos governos da ND e do PASOK em benef\u00edcios dos grupos monopolistas no per\u00edodo p\u00f3s-ditadura. As caracter\u00edsticas b\u00e1sicas comuns s\u00e3o os cortes fiscais para a lucratividade do grande capital, evas\u00e3o fiscal ampla e a mina de outro do apoio estatal aos grupos de neg\u00f3cios (leis de desenvolvimento, participa\u00e7\u00e3o nacional no 2\u00ba e 3\u00ba CPS e de modo mais geral no financiamento da UE, etc). Isto quer dizer que durante todos os anos anteriores\u00a0<strong>o estado tomou emprestado a fim de servir as necessidades de lucro do capital e agora est\u00e1 a convocar os trabalhadores para pagar. <\/strong><\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica aumentou dramaticamente durante o per\u00edodo do governo PASOK, de 26,9% do PIB em 1981 para 64,2% do PIB em 1989. No per\u00edodo 1981-85 o governo seguiu uma\u00a0<strong>forma social-democrata de gest\u00e3o <\/strong>com o objectivo de assimilar uma sec\u00e7\u00e3o dos trabalhadores atrav\u00e9s da contrata\u00e7\u00e3o clientelista para o sector p\u00fablico, a nacionaliza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios privados problem\u00e1ticos, etc.<\/p>\n<p>Posteriormente houve medidas de pol\u00edtica fiscal restritiva para os trabalhadores, enquanto havia a continua\u00e7\u00e3o do escandaloso apoio estatal dos grupos de neg\u00f3cio atrav\u00e9s de subs\u00eddios do estado, a contrata\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas, a terciariza\u00e7\u00e3o (outsourcing), parcerias p\u00fablico-privadas, com o mais gritante exemplo sendo o contraproducente financiamento estatal dos Jogos Ol\u00edmpicos em 2004. A d\u00edvida p\u00fablica passou de 97,4% do PIB em 2003 para 106,8% em 2006.<\/p>\n<p>b) Os gastos maci\u00e7os com\u00a0<strong>programas de armamento <\/strong>e miss\u00f5es (ex.: B\u00f3snia, Afeganist\u00e3o), os quais n\u00e3o servem a defesa da na\u00e7\u00e3o e sim o planos da NATO. Um exemplo caracter\u00edstico \u00e9 que em 2009 a despesa militar da Gr\u00e9cia era de 4% do PIB, em compara\u00e7\u00e3o com os 2,4% da Fran\u00e7a e os 1,4% da Alemanha.<\/p>\n<p>c) As consequ\u00eancias da\u00a0<strong>assimila\u00e7\u00e3o da economia grega dentro da UE e da Uni\u00e3o Monet\u00e1ria Europeia (EMU). <\/strong>Um exemplo disto \u00e9 que sectores significativos da ind\u00fastria manufactureira t\u00eam estado numa rota de contrac\u00e7\u00e3o a qual tem recebido forte press\u00e3o competitiva e foi reduzida (ex.: t\u00eaxteis, vestu\u00e1rio, metalurgia, estaleiros navais e a fabrica\u00e7\u00e3o de outros meios de transporte). A expans\u00e3o do d\u00e9fice comercial e o aumento r\u00e1pido das importa\u00e7\u00f5es da UE teve um impacto correspondente sobre a infla\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica. O d\u00e9fice comercial passou de 4% do PIB de 1975 a 1980, para 5% em 1980-85, para 6% em 1985-1990, para 7% em 1990-95, para 8,5% em 1995-2000 e explodiu para os 11% na d\u00e9cada 2000-2010, com o acesso do pa\u00eds \u00e0 Eurozona. A Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum levou a balan\u00e7a comercial agr\u00edcola de um excedente de 9 mil milh\u00f5es de dracmas em 1980 para um d\u00e9fice de 3 mil milh\u00f5es de euros em 2010, transformando o pa\u00eds num importador de produtos alimentares. A deteriora\u00e7\u00e3o do d\u00e9fice comercial foi seguida pela balan\u00e7a de pagamentos &#8220;externa&#8221; (balan\u00e7a de transac\u00e7\u00f5es correntes), o que quer dizer que o &#8220;fundo anual&#8221; geral do pa\u00eds com outros pa\u00edses, o qual de um excedente de 1,5% em 1975-80 passou para um d\u00e9fice 0,9% em 1980-1990 e o d\u00e9fice aumentou para 3% do PIB em 1990-2000. Este d\u00e9fice, com o acesso do pa\u00eds \u00e0 Eurozona, explodiu para uma m\u00e9dia anual que excedeu 13% do PIB na d\u00e9cad 2000-2010, levando a um aumento da tomada de empr\u00e9stimos pelo estado para o servi\u00e7o da balan\u00e7a de pagamentos externa. A actividade lucrativa do capital propriet\u00e1rio de navios n\u00e3o reverteu esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de taxas de juros sobre empr\u00e9stimos ap\u00f3s o acesso \u00e0 EMU tamb\u00e9m teve um impacto ao facilitar o aumento da tomada de empr\u00e9stimos p\u00fablicos do governo grego em benef\u00edcio do grande capital.<\/p>\n<p>A alta taxa de crescimento, em m\u00e9dia de 2,8% durante a d\u00e9cada de 2000-10, foi a hipoteca que a classe trabalhadora e o rendimento popular hoje est\u00e3o a pagar.\u00a0<strong>Naturalmente este processo n\u00e3o \u00e9 exclusivamente grego. O aumento do d\u00e9fice comercial dos EUA na d\u00e9cada 1997-2007 tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao aumento do d\u00e9fice p\u00fablico anual e naturalmente da d\u00edvida p\u00fablica. <\/strong><\/p>\n<p><strong>d) Os termos de concess\u00e3o dos empr\u00e9stimos (taxas de juro, dura\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de reembolso) <\/strong>levaram ao aumento dos juros de 9 mil milh\u00f5es de euros por ano no princ\u00edpio da d\u00e9cada para 15 mil milh\u00f5es em 2011, ao passo que certos estudos colocam o gasto geral (juro e amortiza\u00e7\u00e3o) que serve a d\u00edvida p\u00fablica em 21,3% do PIB em 2000 para 40% do PIB em 2010.<\/p>\n<p><strong>e) O impacto da crise capitalista sobre a economia grega. <\/strong><\/p>\n<p>O desencadeamento da crise contribuiu para o aumento do d\u00e9fice p\u00fablico anual e da infla\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica. Por um lado, atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da receita fiscal devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da actividade econ\u00f3mica (ex. redu\u00e7\u00e3o do turn-over, encerramento de neg\u00f3cios, aumento do desemprego, etc) e, por outro, devido aos novos pacotes de apoio do estado aos bancos e outros grupos monopolistas. O impacto da crise sobre a infla\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica pode ser observado por toda a UE, pois nos \u00faltimos quatro anos a d\u00edvida geral aumentou em 34%.<\/p>\n<p><strong>3- Foi demonstrado que a linha pol\u00edtica anti-povo da burguesa que tem o poder na Gr\u00e9cia, em coordena\u00e7\u00e3o com a estrat\u00e9gia da UE, dentre outras coisas aumentou o fardo da d\u00edvida do pa\u00eds. <\/strong>Tamb\u00e9m foi demonstrado que nenhuma variante da gest\u00e3o burguesa pode cancelar a manifesta\u00e7\u00e3o da crise de capital super-acumulado, nem t\u00e3o pouco por criar um caminho de sa\u00edda favor\u00e1vel ao povo. As promessas fraudulentas do PASOK est\u00e3o a ser estilha\u00e7adas pela realidade da crise econ\u00f3mica que est\u00e1 a aprofundar-se.<\/p>\n<p>a) No primeiro trimestre de 2011, a redu\u00e7\u00e3o do PIB atingiu 5,5% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo em 2010. A economia grega em 2012 nem mesmo retornar\u00e1 aos seus n\u00edveis anteriores \u00e0 crise.<\/p>\n<p>b) Ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do Memorando 1, a d\u00edvida p\u00fablica j\u00e1 aumentou de 127,1% do PIB em 2009 para 142,8% do PIB em 2010.<\/p>\n<p>O problema da d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o se refere apenas ao seu n\u00edvel, mas sim \u00e0 despesa acrescida com o seu servi\u00e7o, a qual em \u00faltima an\u00e1lise determina a incapacidade de um estado para pagar, isto \u00e9, a bancarrota. As pol\u00edticas do governo tal como expressas no Memorando 1 e no Programa de M\u00e9dio Prazo aumentam os gastos com juros e amortiza\u00e7\u00f5es no futuro imediato. Segundo avalia\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria Comiss\u00e3o Europeia, os gastos com juros atingir\u00e3o 9,6% do PIB em 2015, a comparar com os 6,8% do PIB de hoje. Em 2009 os gastos com juros e amortiza\u00e7\u00f5es eram de 12 mil milh\u00f5es de euros e 29 mil milh\u00f5es de euros, respectivamente, em 2010 de 13 mil milh\u00f5es e 20 mil milh\u00f5es, enquanto aumentos dram\u00e1ticos foram previstos para o per\u00edodo seguinte, 16 mil milh\u00f5es e 36 milh\u00f5es de euros em 2011, 17 mil milh\u00f5es e 33 mil milh\u00f5es de euros em 2012, em 2013 20 mil milh\u00f5es e 37 milh\u00f5es de euros, em 2014 22 mil milh\u00f5es e 48 mil milh\u00f5es de euros e em 2015 23,4 mil milh\u00f5es e 33 mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Mesmo economistas burgueses admitem (ex. o chefe do Instituto Macroecon\u00f3mico IMK da Alemanha) que o plano para reduzir a d\u00edvida por meio do Memorando e das sufocantes medidas de austeridade levam a um c\u00edrculo vicioso de aumento da d\u00edvida p\u00fablica e de recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Como foi admitido oficialmente pelo presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, a ansiedade sobre a administra\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica dos estados endividados da UE afecta\u00a0<strong>o refor\u00e7o do euro como uma divisa internacional de reserva e o futuro da Eurozona como um todo, <\/strong>devido ao alto n\u00edvel de interdepend\u00eancia das economias. A salvaguarda da Eurozona e dos principais grupos prestamistas \u00e9 a raz\u00e3o porque, apesar das significativas contradi\u00e7\u00f5es intra-burguesas, foi preciso arrancar com o acordo sobre o Mecanismo de Estabilidade Europeia e os pagamentos das presta\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos aos pa\u00edses endividados.<\/p>\n<p>O que preocupa os centros imperialistas n\u00e3o \u00e9 tanto a dimens\u00e3o da d\u00edvida grega, mas a dificuldade de administrar a reac\u00e7\u00e3o em cadeia em pa\u00edses como a Espanha e a It\u00e1lia, sempre com o objectivo de salvar o sistema financeiro, o qual \u00e9 um mecanismo fundamental para a acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p><strong>4- <\/strong>Enquanto os trabalhadores j\u00e1 est\u00e3o no caminho da bancarrota, a destitui\u00e7\u00e3o relativa e absoluta,\u00a0<strong>os estados membros da UE e os grupos fortes do sector financeiro est\u00e3o a negociar um caminho de bancarrota controlada para a economia grega. <\/strong>A luta refere-se \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das perdas, a distribui\u00e7\u00e3o da necess\u00e1ria deprecia\u00e7\u00e3o de capital, se bem que todos eles concordem quanto \u00e0 escalada da ofensiva anti-povo.<\/p>\n<p>O plano para reestrutura a d\u00edvida que est\u00e1 a ser proposto pela Uni\u00e3o de Bancos Franceses (FBF) prev\u00ea a transforma\u00e7\u00e3o de 50% dos actuais t\u00edtulos de d\u00edvida em novos t\u00edtulos a 30 anos, com uma taxa de juro extorsion\u00e1ria que vai de 5,5% em per\u00edodo de crise a 8% numa fase de alto desenvolvimento capitalista.<\/p>\n<p>Diferentes varia\u00e7\u00f5es de planos estatais (ex. o da Alemanha) prop\u00f5em que os propriet\u00e1rios de t\u00edtulos do estado (bancos, investidores institucionais, etc) aceitem uma extens\u00e3o de prazo para o reembolso de uma parte dos t\u00edtulos do estado grego, com a contrapartida de uma alta taxa de juro e como motiva\u00e7\u00e3o o evitar das perdas que teriam tido se o estado grego entrasse em bancarrota imediata. O governo alem\u00e3o e o franc\u00eas procuram minimizar sua participa\u00e7\u00e3o estatal no mecanismo de apoio aos estados endividados e transferir uma parte do fardo da reestrutura\u00e7\u00e3o para os grupos de credores da banca.<\/p>\n<p>O BCE e os grupos banc\u00e1rios europeus est\u00e3o a pressionar para que o cancelamento parcial da d\u00edvida n\u00e3o ocorra \u00e0s suas expensas. Eles n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com a oferta de uma alta taxa de juro, porque consideram improv\u00e1vel o reembolso da d\u00edvida; eles questionam a probabilidade de os planos propostos terem \u00eaxito.<\/p>\n<p>A reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida est\u00e1 a ser promovida pelos c\u00edrculos americanos, os quais interv\u00eam na competi\u00e7\u00e3o euro-d\u00f3lar, como divisas de reserva internacionais. Agora est\u00e1 em andamento uma corrida entre bancos franceses e alem\u00e3es para livrarem-se de t\u00edtulos do estado grego e, para come\u00e7ar, transferi-los para o Banco Central Europeu. A Alemanha est\u00e1 a utilizar as negocia\u00e7\u00f5es para colocar o dilema &#8220;harmoniza\u00e7\u00e3o mais estrita da pol\u00edtica econ\u00f3mica em toda a Eurozona ou uma zona mais estreita e mais compacta&#8221;.<\/p>\n<p><strong>5- <\/strong>Em qualquer caso, os trabalhadores nada podem esperar de positivo do resultado desta luta particular.\u00a0<strong>Qualquer que seja o resultado desta luta entre v\u00e1rias sec\u00e7\u00f5es do capital e dos estados imperialistas, a ofensiva da classe dominante continuar\u00e1 e escalar\u00e1 a fim de assegurar for\u00e7a de trabalho mais barata, a acelera\u00e7\u00e3o das reestrutura\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es, a liquida\u00e7\u00e3o da propriedade p\u00fablica em favor dos grupos monopolistas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao reembolso da d\u00edvida p\u00fablica as v\u00e1rias propostas burguesas diferem apenas sobre o quando e o como os trabalhadores pagar\u00e3o a conta. <\/strong>Ex. Com a extens\u00e3o do per\u00edodo para o reembolso dos t\u00edtulos, os trabalhadores pagar\u00e3o mais ao longo de um maior per\u00edodo de tempo (se a taxa de juro permanecer est\u00e1vel e mesmo mais se a taxa de juro aumentar).<\/p>\n<p><strong>Mas mesmo se uma redu\u00e7\u00e3o imediata do alto n\u00edvel de d\u00edvida do estado grego vier a ser alcan\u00e7ada, isto simplesmente levar\u00e1 a novas isen\u00e7\u00f5es fiscais e ao apoio estatal para o grande capital e n\u00e3o a medidas para satisfazer as necessidades do povo. <\/strong>Isto colocar\u00e1 mais uma vez o processo de aumento da d\u00edvida. O dilema do processo n\u00e3o \u00e9 algo real para as for\u00e7as populares. Al\u00e9m disso, as receitas do estado s\u00e3o suficientes para pagar os sal\u00e1rios e pens\u00f5es. Elas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para os credores. As receitas brutas do or\u00e7amento regular foram 48,5 mil milh\u00f5es de euros em 2009 e 51,1 mil milh\u00f5es de euros em 2010, ao passo que os gastos com sal\u00e1rios-pens\u00f5es e subs\u00eddios para os fundos da seguran\u00e7a social foram 42,3 mil milh\u00f5es de euros em 2009 e 37,9 mil milh\u00f5es de euros em 2010. S\u00f3 os pagamentos de juros foram 12,3 mil milh\u00f5es em 2009 e 13,2 mil milh\u00f5es em 2010.<\/p>\n<p>Hoje, ao mesmo tempo em que o governo invoca o perigo de bancarrota, continua a providenciar pacotes de apoio aos bancos, seus gastos militares exorbitantes com a NATO, reduz tributa\u00e7\u00e3o sobre lucros n\u00e3o distribu\u00eddos, etc.<strong>As garantias do sector p\u00fablico grego para os bancos durante a crise atingiram 108 mil milh\u00f5es de euros. Em 2010, a Gr\u00e9cia comprou seis fragatas \u00e0 Fran\u00e7a (2,5 mil milh\u00f5es de euros) e seis submarinos \u00e0 Alemanha (6 mil milh\u00f5es de euros). <\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o devem esperar qualquer sa\u00edda favor\u00e1vel ao povo destes processos, os quais est\u00e3o relacionados com a forma\u00e7\u00e3o de uma nova e mais efectiva f\u00f3rmula de administra\u00e7\u00e3o e de obten\u00e7\u00e3o de um novo compromisso tempor\u00e1rio entre sec\u00e7\u00f5es da classe burguesa e dentro das alian\u00e7as imperialistas. Todos endossaram o Pacto para o Euro (the Covenant of Competitiveness) e as direc\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas da &#8220;Europa 2020&#8221; as quais t\u00eam como objectivo assegurar for\u00e7a de trabalho mais barata na UE, refor\u00e7ar os monop\u00f3lios na competi\u00e7\u00e3o do mercado internacional.<\/p>\n<p>Tudo promove a &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o&#8221; de sectores estrategicamente importantes (energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, etc), reestrutura\u00e7\u00f5es, de modo a encontrem uma sa\u00edda adequada para a lucratividade satisfat\u00f3ria do capital super-acumulado, o qual est\u00e1 hoje a estagnar na UE.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, a &#8220;Nova Democracia&#8221; (ND) votou a favor de 38 leis do governo e o LAOS votou pelo Memorando 1.\u00a0<strong>Por esta raz\u00e3o, a ND e o PASOK podem manter discuss\u00e3o acerca de governos conjuntos, pois eles t\u00eam a base program\u00e1tica para isso <\/strong>, o &#8220;memorando cont\u00ednuo&#8221; o qual ser\u00e1 aplicado a todos os estados membros da UE. Por esta raz\u00e3o seus partidos irm\u00e3os apoiam em conjunto a ofensiva anti-povo contra Portugal e a Irlanda.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, a ND pede a acelera\u00e7\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o dos objectivos b\u00e1sicos do Programa de M\u00e9dio Prazo e votou pela maioria das cl\u00e1usula referentes \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, \u00e0 venda de activos p\u00fablicos, ao levantamento de restri\u00e7\u00f5es sobre investimentos privados que protegiam o ambiente, a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios no sector p\u00fablico o que contribuir\u00e1 para a sua ulterior diminui\u00e7\u00e3o no sector privado.<\/p>\n<p>A &#8220;renegocia\u00e7\u00e3o&#8221; que a ND pede est\u00e1 relacionada com novas medidas para fortalecer o grande capital, tais como a nova redu\u00e7\u00e3o na taxa de tributa\u00e7\u00e3o sobre lucros n\u00e3o distribu\u00eddos, num momento em que o PASOK j\u00e1 a reduziu para 20% e quando na Alemanha o n\u00edvel \u00e9 de 30%. Relaciona-se tamb\u00e9m com novos pacotes de apoio do estado que levar\u00e3o a novo sangramento do rendimento do povo e \u00e0 isen\u00e7\u00e3o aos neg\u00f3cios das contribui\u00e7\u00f5es patronais para os fundos da seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es do Synapismos\/Partido de Esquerda Europeu referentes \u00e0 separa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica em legal e sec\u00e7\u00f5es ilegais onerosas, bem como as referentes \u00e0 possibilidade de uma transforma\u00e7\u00e3o da UE em favor do povo s\u00e3o profundamente erradas. Estas posi\u00e7\u00f5es deixam a porta aberta para o povo pagar pela crise e a maior parte da d\u00edvida p\u00fablica &#8220;legal&#8221; pela qual ele n\u00e3o tem responsabilidade. As posi\u00e7\u00f5es referentes a uma transforma\u00e7\u00e3o pr\u00f3 povo da UE e de uma Federa\u00e7\u00e3o Europeia escondem o conte\u00fado de classe que a alian\u00e7a imperialista inter-estatal da UE tem objectivamente. Independentemente da forma que a UE vier a tomar, sua estrat\u00e9gia reaccion\u00e1ria contra o povo trabalhador e seu envolvimento em interven\u00e7\u00f5es e guerras imperialistas n\u00e3o pode mudar.<\/p>\n<p>V\u00e1rios componentes desta corrente oportunista procurar enganar o povo argumentando que existem solu\u00e7\u00f5es alegadamente menos penosas e que n\u00e3o \u00e9 do seu interesse uma direc\u00e7\u00e3o de conflito e de ruptura com o poder dos monop\u00f3lios. V\u00e1rios componentes do SYRIZA e do ANTASYA (coliga\u00e7\u00f5es de oportunistas)\u00a0<strong>promovem a sa\u00edda da Eurozona e o cancelamento da d\u00edvida sem tocar o poder do capital <\/strong>como uma solu\u00e7\u00e3o a favor do povo e uma liga\u00e7\u00e3o para uma reuni\u00e3o de for\u00e7as anti-capitalistas. Al\u00e9m disso, certas for\u00e7as &#8220;nacional-patri\u00f3ticas&#8221; falam em deixar a Eurozona e permanecer na UE. Portanto, a d\u00edvida p\u00fablica inflacionada e o acesso \u00e0 Eurozona s\u00e3o enganosamente apresentados como as causas principais da ofensiva contra o povo. Portanto, a demoli\u00e7\u00e3o de direitos dos trabalhadores tanto em estados fora da Eurozona, tais como a Su\u00e9cia e a Gr\u00e3-Bretanha, bem como na Alemanha que n\u00e3o est\u00e1 pesadamente endividada, prova que o principal culpado \u00e9 o caminho capitalista de desenvolvimento como um todo. A linha de luta que a corrente oportunista promove \u00e9 de facto uma forma alternativa de gest\u00e3o dentro da estrutura do sistema o que \u2013 no melhor caso \u2013 pode contribuir para uma recupera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da lucratividade capitalista.\u00a0<strong>No entanto, mesmo se a restaura\u00e7\u00e3o de uma taxa de desenvolvimento capitalista mais alta viesse a ser alcan\u00e7ada isto n\u00e3o iria a par da prosperidade do povo mas sim no sentido contr\u00e1rio. <\/strong>Os exemplos da Argentina e do Equador provam que a cessa\u00e7\u00e3o de pagamentos e a desvaloriza\u00e7\u00e3o da divisa foram seguidos por novos sacrif\u00edcios do povo trabalhador a fim de refor\u00e7ar a competitividade da economia e promover exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para os trabalhadores n\u00e3o \u00e9 retornar para o passado, para o proteccionismo da economia capitalista a n\u00edvel nacional mas sim mover em frente para o poder do povo, para o socialismo.<\/p>\n<p>As propostas oportunistas s\u00e3o enfeitadas com o apelo enganoso conclamar o povo ao derrube da ocupa\u00e7\u00e3o do FMI e da troika. Portanto, eles escondem o papel activo da classe dominante grega na ofensiva contra os direitos e o rendimento do povo. Eles escondem o entrela\u00e7amento do capital nacional e internacional. Eles apresentam a concess\u00e3o de certos direitos soberanos pela classe dominante, os quais servem para o refor\u00e7o do seu poder e a salvaguarda da sua lucratividade, como um novo fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>Os trabalhadores devem lutar contra a domina\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica dos monop\u00f3lios, o estado capitalista e as alian\u00e7as imperialistas, tal como a UE. Eles n\u00e3o deveriam deixar-se enredar nos impasses e nos dilemas do poder capitalista.<\/p>\n<p>O povo deve organizar seu contra-ataque a fim de repelir o pior. Sua actividade coordenada deveria propagar-se por toda a parte rejeitando toda forma de administra\u00e7\u00e3o burguesa.\u00a0<strong>Deveria exigir que o grande capital pague para os fundos da seguran\u00e7a social e n\u00e3o as fam\u00edlias do povo. <\/strong>Deveria entrar em conflito com a linha pol\u00edtica que demole direitos do trabalho e a seguran\u00e7a social, reduz sal\u00e1rios e potencia a utiliza\u00e7\u00e3o directa da propriedade p\u00fablica pelos grupos monopolistas.<\/p>\n<p>O povo deve actuar de modo a mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as por toda a parte, deveria lutar junto com o KKE nos sindicatos, no movimento sindical, deveria organizar-se contra as institui\u00e7\u00f5es capitalistas que o oprimem e o exploram. S\u00f3 por este meio pode come\u00e7ar o enfraquecimento de todo governo capitalista, de toda maioria parlamenta bem como o conflito com as leis e a viol\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chegou o momento de a classe capitalista e sua equipe pol\u00edtica que utiliza o fantasma da bancarrota sentirem verdadeiro medo. Se o governo realmente recorreu a tomada de empr\u00e9stimos porque n\u00e3o pode pagar sal\u00e1rios e pens\u00f5es ent\u00e3o o derrube do poder dos monop\u00f3lios deve ser acelerado. O caminho de desenvolvimento da economia do povo, o socialismo, pode pagar sal\u00e1rios e pens\u00f5es utilizando os ricos recursos naturais internos, cancelando a d\u00edvida e estabelecendo acordos internacionais mutuamente ben\u00e9ficos atrav\u00e9s da retirada da UE e da NATO.<\/p>\n<p><strong>Assim, h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o: &#8220;retirada da UE e cancelamento da d\u00edvida com poder do povo&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 tempo de o movimento dos trabalhadores actuar em conjunto com o movimento radical dos auto-empregados e dos agricultores com uma linha de luta que ter\u00e1 como seu resultado final o varrimento do sistema de explora\u00e7\u00e3o apodrecido e em bancarrota.<\/p>\n<p>Atenas, 15\/Julho\/2011<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do CC do Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE)<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2011\/2011-09-06-pb-crisis\/\" target=\"_new\">http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2011\/2011-09-06-pb-crisis\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta declara\u00e7\u00e3o encontra-se em <\/strong>http:\/\/resistir.info\/grecia\/declaracao_06set11.html<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\npor KKE*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1881\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-ul","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1881\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}