{"id":18812,"date":"2018-02-21T09:50:37","date_gmt":"2018-02-21T12:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18812"},"modified":"2018-02-22T07:45:15","modified_gmt":"2018-02-22T10:45:15","slug":"170-anos-do-manifesto-comunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18812","title":{"rendered":"170 anos do Manifesto Comunista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"170 anos do Manifesto Comunista\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/_nIwkzSe-49tnfAZfCfi7Mhm-UJoFR6b0GyoQL1KPd07y40jowtWJeVgSaEFFXKWvl26xf7hqxCfhPqZbf2X62cNHE-P-MnUYVbjOjugyZOLy-wbf-YjXhsVe1bZ9n0gu3buDWppJPnNaQPQVi3n6nocM4xOLsWQDkoIB_blMrGYnngM7Zid_uu_bx0_iVK1Zokp6bw1hSKsjA1N5rYMe6bio0sSMikyk0p_RAXXzORmb9vOp_iWdGsTFrxVcBQkC1CGRGx1APmNN5wgR2OWlDd1vJiimw8Rf6PTjUjenh0BzaIY1ZndEoiySJFMxcsd9WjmoDvc090iAHYX9I0NEQHhBUERm8D8oBkpeVsKGms2w71EorAIuzlhEAHZ8oX1_cfrkGGYvPBmtCnVQ3TNHUuP5o2qe4LVBcOkRvaQTbg22ev0ORs3-NNjEbruwvJj54Gykf7wwjnIXvK_a9BJUJgQpEe4m79-mLmmqVFkN_2QWH5vutNWaVuytHu-flSGIn78-GXXgA5zOl6FSue-N8TJ_r75-gJd5q8bb4ggnt7KEQjQ9pFgAeUeD99K1RACNQlf1zK42Gt1LufujGTSNl9LPrlwUg1k4MxpgIHrZ2eTgSSWmebuTQ6H1BCx9lJ3dBhuwT1yqjodF2sxU7aFo9J4WF1t4Bu1Bw=w675-h954-no\" alt=\"170 anos do Manifesto Comunista\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>O espectro da Revolu\u00e7\u00e3o ainda assombra o Capital!<\/strong><\/p>\n<p>Por F\u00e1bio Bezerra*<\/p>\n<p>H\u00e1 170 anos, no dia 21 de fevereiro de 1848, vinha a p\u00fablico a primeira edi\u00e7\u00e3o do Manifesto Comunista, obra encomendada a Karl Marx e Friederich Engels pela Liga dos Comunistas (1836) e que se tornou um dos textos mais lidos da Hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Escrito em meio \u00e0s revoltas europeias do final de 1847 e in\u00edcio de 1848, conhecidas como a \u201cPrimavera dos Povos\u201d, o Manifesto, em linguagem popular, procurou transcrever sob uma an\u00e1lise materialista, o desenvolvimento social da humanidade ao longo da hist\u00f3ria, trazendo \u00e0 tona pela primeira vez \u2013 ou ressaltando an\u00e1lises j\u00e1 evidenciadas em outros escritos -, categorias importantes \u00e0 abordagem cr\u00edtica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, tais como: a interrela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a estrutura social, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica constantes em cada \u00e9poca, como totalidade org\u00e2nica do modo de exist\u00eancia social; a teoria da luta de classes como efeito das contradi\u00e7\u00f5es entre as for\u00e7as produtivas e os meios de produ\u00e7\u00e3o e propulsora das transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas; o papel do Estado enquanto comit\u00ea pol\u00edtico e operacional do poder da classe dominante; a mutabilidade das rela\u00e7\u00f5es sociais e todo o conjunto de representa\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, religiosas e pol\u00edticas e a formula\u00e7\u00e3o, pela primeira vez na hist\u00f3ria do movimento socialista, de um programa para a revolu\u00e7\u00e3o vindoura.<\/p>\n<p>Programa este que, se pode ser questionado por se debru\u00e7ar sobre a realidade de na\u00e7\u00f5es europeias onde j\u00e1 haviam amadurecido as contradi\u00e7\u00f5es capitalistas p\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o industrial, n\u00e3o perde a sua import\u00e2ncia e atualidade enquanto m\u00e9todo, ao prescrever ao proletariado a necessidade de buscar entender, no processo hist\u00f3rico e em cada forma\u00e7\u00e3o social concreta em determinado momento e lugar, as contradi\u00e7\u00f5es de classe e o conjunto de situa\u00e7\u00f5es decorrentes delas para se esbo\u00e7ar a melhor t\u00e1tica poss\u00edvel a ser adotada pelos revolucion\u00e1rios com vistas \u00e0 conquista do poder. Eis a quest\u00e3o do m\u00e9todo!<\/p>\n<p>Passados 170 anos, alguns podem questionar o porqu\u00ea da celebra\u00e7\u00e3o de um texto sobre o qual os pr\u00f3prios autores, anos mais tarde, em um pref\u00e1cio comemorativo \u00e0 nova edi\u00e7\u00e3o, atestavam que nele j\u00e1 havia pontos superados ou em desacordo com os fatos presentes. Mas h\u00e1 muito, sim, a se celebrar, pois o Manifesto Comunista, durante d\u00e9cadas, foi o principal panfleto propagand\u00edstico do Socialismo Cient\u00edfico em todo o mundo, influenciando jovens, intelectuais, oper\u00e1rios e auxiliando na organiza\u00e7\u00e3o de diversos partidos oper\u00e1rios e comunistas.<\/p>\n<p>Esteve presente na leitura dos <i>communards<\/i> franceses em 1871, dos revolucion\u00e1rios russos em 1917 e nas fileiras dos revolucion\u00e1rios na Guerra Civil espanhola. No Brasil, foi um dos textos sugeridos na forma\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m criado Partido Socialista (1902), de curta dura\u00e7\u00e3o, e fez parte do processo de funda\u00e7\u00e3o do PCB em 1922. No ano seguinte, Oct\u00e1vio Brand\u00e3o realizou a primeira tradu\u00e7\u00e3o brasileira do Manifesto, a partir da edi\u00e7\u00e3o francesa de Laura Lafargue, que foi publicada no jornal sindical <i>Voz Cosmopolita.<\/i><\/p>\n<p>Mais do que um manifesto pol\u00edtico resultante das discuss\u00f5es travadas no Congresso da Liga dos Comunistas, o texto guardava em si um sopro de agita\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica com um estilo pr\u00f3prio, com teses e an\u00e1lises mais objetivas e bem estruturadas sobre as condi\u00e7\u00f5es vigentes na segunda metade do s\u00e9culo XIX e que apontavam, para al\u00e9m dos limites das propostas socialistas anteriores e ainda muito influentes \u00e0 \u00e9poca, uma clara t\u00e1tica de a\u00e7\u00e3o do proletariado, visando \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de um partido pol\u00edtico a ser estruturado junto \u00e0s massas e voltado \u00e0 disputa pelo poder.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, quando do manifesto de funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalhadores (AIT), em 1867, percebemos o mesmo pano de fundo contido no Manifesto Comunista, ou seja, a necessidade de se analisar e compreender a real din\u00e2mica do Capital, a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe e a inevit\u00e1vel luta pelo poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia de um documento que fundamenta ou pavimenta uma tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e filos\u00f3fica n\u00e3o est\u00e1 em transform\u00e1-lo em um guia sacralizado acriticamente ou em um receitu\u00e1rio para todos os males e infort\u00fanios de modo atemporal, como muitos dogmas foram consolidados ao longo do tempo, em nome da revolu\u00e7\u00e3o ou mesmo em nome do Marxismo.<\/p>\n<p>Mas est\u00e1, exatamente, na possibilidade de rever, \u00e0 luz das contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, a conson\u00e2ncia ou n\u00e3o de determinadas teses e, a partir da reflex\u00e3o cr\u00edtica, fazer avan\u00e7ar os estudos e desenvolver novos padr\u00f5es que possam dar conta da realidade presente, sem romper ou tergiversar com os fundamentos estrat\u00e9gicos presentes no Manifesto. Como diria o camarada L\u00eanin: \u201c(\u2026) sem teoria revolucion\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria\u201d!<\/p>\n<p>Isso nos possibilita, por exemplo, compreender que, mesmo a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, ressaltada de maneira t\u00e3o otimista e inevit\u00e1vel no Manifesto Comunista, tenha no pr\u00f3prio conjunto de an\u00e1lises do texto elementos que apontam as raz\u00f5es para a rea\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria que assistimos nos s\u00e9culos XX e XXI, como por exemplo a inevitabilidade da degenera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas chegando \u00e0 barb\u00e1rie crescente provocadas, em especial, pela mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida social em todos os sentidos, em antagonismo, justamente, com o desenvolvimento das pr\u00f3prias for\u00e7as produtivas.<\/p>\n<p>Ali no Manifesto ainda ecoam an\u00e1lises muito concretas e percept\u00edveis do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que d\u00e9cadas e d\u00e9cadas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do texto, se materializaram com o processo de expans\u00e3o capitalista transformando-se em uma nova fase: o imperialismo; ou com a autofagia predat\u00f3ria de todos os elementos vitais conceituados como \u201ccoes\u00e3o social\u201d, demolindo um a um pela expans\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e posteriormente financeiras, alterando rela\u00e7\u00f5es familiares, nacionalidades, culturas, costumes at\u00e9 se chegar ao esgar\u00e7amento do sistema atrav\u00e9s das crises econ\u00f4micas c\u00edclicas, alimentando um status quo de barb\u00e1rie constante, cada vez mais desumana e amea\u00e7adora.<\/p>\n<p>Cento e setenta anos ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o, no ano do bicenten\u00e1rio do nascimento de Marx, o Manifesto \u00e9 um texto que merece ser lido, debatido e contextualizado dialeticamente.<\/p>\n<p>Por tudo isso, devemos celebrar o Manifesto, um documento vivo em sua originalidade hist\u00f3rica, instigante em suas percep\u00e7\u00f5es conceituais, ainda atuais e que nos inspira a extrair da an\u00e1lise cr\u00edtica a nossa compreens\u00e3o da realidade para agir sobre ela. Desta forma ser\u00e1 poss\u00edvel manter o legado de toda uma gera\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rios que, frente \u00e0 horda de horrores e bizarrices frutos da selvageria do sistema capitalista, n\u00e3o exitou em conclamar a classe trabalhadora e suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a unir for\u00e7as para mudar o mundo!<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Comiss\u00e3o de Agit&amp;Prop do PCB.<\/p>\n<p>*Membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18812\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,9,33],"tags":[223],"class_list":["post-18812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-s10-internacional","category-c34-marxismo","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Tq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18812\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}