{"id":18862,"date":"2018-02-26T20:10:20","date_gmt":"2018-02-26T23:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18862"},"modified":"2018-02-26T19:56:58","modified_gmt":"2018-02-26T22:56:58","slug":"no-bicentenario-de-nascimento-de-marx-sobre-o-manifesto-comunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18862","title":{"rendered":"No bicenten\u00e1rio de nascimento de Marx: sobre o Manifesto Comunista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"No bicenten\u00e1rio de nascimento de Marx: sobre o Manifesto Comunista\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/manifiesto-620x400.png\" alt=\"No bicenten\u00e1rio de nascimento de Marx: sobre o Manifesto Comunista\" \/><!--more-->Salvador L\u00f3pez Arnal (editor), Rebeli\u00f3n<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>O Manifesto Comunista continua surpreendendo qualquer pessoa que o leia pela primeira vez com olhos limpos ou que o releia pela segunda, terceira ou d\u00e9cima vez (certo que observa detalhes e argumentos nos quais n\u00e3o tinha reparado). Surpreende, dizia, pela beleza de algumas de suas imagens \u2013 come\u00e7ando por suas palavras iniciais e seguindo pelas geladas \u00e1guas do c\u00e1lculo ego\u00edsta \u2013, por muitas de suas ideias-for\u00e7a e hip\u00f3teses gerais (atrevidas, sem d\u00favida), por sua capacidade cr\u00edtica, pelos argumentos exibidos em v\u00e1rios momentos, pela complexidade (inclusive obscuridade) para n\u00f3s \u2013 para mim em concreto \u2013, de algumas de suas afirma\u00e7\u00f5es, pelas excel\u00eancias do autor como escritor e, enfim, pela ajustada e mais que surpreendente veracidade de algumas de suas previs\u00f5es e descri\u00e7\u00f5es, mais agora que no momento em que foi publicado (faz agora 170 anos). Em definitivo, um cl\u00e1ssico do pensamento do qual podemos continuar refletindo e aprendendo.<\/p>\n<p>Me proponho a aproximar-se deste cl\u00e1ssico, deste \u201cmaterial\u201d da tradi\u00e7\u00e3o e do pensamento revolucion\u00e1rio de todos os tempos, apresentando e comentando alguns textos de dois de seus grandes leitores-int\u00e9rpretes: Manuel Sacrist\u00e1n (1925-1985) e Francisco Fern\u00e1ndez Buey (1943-2912), e assinalando, em uma entrega posterior, as teses, reflex\u00f5es e fragmentos que a mim, pessoalmente, continuam perturbando, interessando e inquietando.<\/p>\n<p>Comecemos com o primeiro leitor-professor, Manuel Sacrist\u00e1n (1925-1985), que n\u00e3o por acaso dedicou o que certamente foi o primeiro de seus escritos marxistas a este grande texto pol\u00edtico de interven\u00e7\u00e3o. Intitulou seu escrito como \u201cPara ler o Manifesto Comunista\u201d. Contou com a colabora\u00e7\u00e3o em seu trabalho de sua esposa-companheira, Giulia Adinoli, e de uma disc\u00edpula, Pilar Fibla.<\/p>\n<p>Em um de seus textos mais comentados e reconhecidos (que a eu mais gosto, um de seus melhores artigos, na minha opini\u00e3o), \u201cQual Marx ser\u00e1 lido no s\u00e9culo XXI?\u201d [1], fala da excel\u00eancia liter\u00e1ria do MC:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil prever qual Marx ser\u00e1 lido no s\u00e9culo XXI. Hermann Grimm foi mais simpl\u00f3rio ao se perguntar qual Goethe ler\u00edamos com mais gosto no s\u00e9culo XX. Adivinhou que n\u00e3o seria o de Werther, menos ainda o da Teoria das cores, que nem sequer considerou, mas o de Fausto, e acertou. A quest\u00e3o n\u00e3o pode ser apresentada assim para Marx, ainda que os dois casos tenham semelhan\u00e7as. Tamb\u00e9m na obra de Marx existe ci\u00eancia e existem outras coisas, como na de Goethe, por\u00e9m as outras coisas s\u00e3o diferentes e, tamb\u00e9m, est\u00e3o organizadas de outro modo: n\u00e3o \u00e9 a mesma para os dois a rela\u00e7\u00e3o entre poesia e verdade. As p\u00e1ginas de Marx que podem sobreviver como cl\u00e1ssicas oferecem textos de v\u00e1rias classes: cient\u00edficos sistem\u00e1ticos, hist\u00f3ricos, de an\u00e1lise sociol\u00f3gica e pol\u00edtica, de programa. Por outro lado, nenhum desses textos \u2013 talvez com a exce\u00e7\u00e3o do Manifesto Comunista e de alguns cap\u00edtulos de O Capital \u2013 \u00e9 t\u00e3o bom literariamente como para perdurar s\u00f3 por sua perfei\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em \u201cKarl Marx\u201d, um texto de 1974, que escreveu \u00e0 pedido de Jes\u00fas Moster\u00edn para a Enciclop\u00e9dia Universitas, da editorial Salvat (Moster\u00edn estudou l\u00f3gica no Instituto de M\u00fcnster, em Westfalia, como fizera Sacrist\u00e1n), abordou com mais detalhe:<\/p>\n<blockquote><p>Na B\u00e9lgica, Marx \u2013 e com ele, Engels \u2013 intensifica sua atividade pol\u00edtica. Entra em rela\u00e7\u00e3o com uma associa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a \u201cLiga dos Justos\u201d que, em grande parte por influ\u00eancia sua, passa a se chamar \u201cLiga dos Comunistas\u201d, e organiza uns comit\u00eas de correspond\u00eancia \u2013 a cujo trabalho epistolar dedica muitas horas \u2013 destinados a ir harmonizando o pensamento de todos os comunistas europeus, \u201clivrando-os dos limites da nacionalidade\u201d. Este primeiro contato de internacionalismo prolet\u00e1rio organizado \u00e9 ocasi\u00e3o do texto de Marx e Engels (principalmente do primeiro), com o qual se conclui o per\u00edodo belga: o Manifesto do Partido Comunista, comum e abreviadamente chamado Manifesto Comunista.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em novembro de 1847, prossegue o autor de El orden y el tiempo [A orden e o tempo], Marx e Engels (29 e 27 anos, respectivamente) receberam o encargo da Liga dos Comunistas de redigir uma exposi\u00e7\u00e3o breve dos objetivos da associa\u00e7\u00e3o e, assunto importante em sua concep\u00e7\u00e3o, dos conhecimentos em que se fundamentavam esses objetivos.<\/p>\n<blockquote><p>A vers\u00e3o definitiva do texto que satisfez este encargo \u00e9 mais obra de Marx que de Engels. \u00c9 o Manifesto Comunista, que apareceu em fevereiro de 1848.<\/p>\n<p>Fevereiro de 1848: dois ou tr\u00eas dias antes da apari\u00e7\u00e3o do Manifesto, estoura na Fran\u00e7a uma revolu\u00e7\u00e3o que pode ser considerada como a \u00faltima em que a classe oper\u00e1ria desse pa\u00eds promoveu inconscientemente, com sua luta e seus mortos, os interesses da classe burguesa, ou a primeira na qual se deu conta disso; em junho do mesmo ano, os oper\u00e1rios de Paris se lan\u00e7ariam novamente \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o, por\u00e9m desta vez contra a classe empresarial, a qual em fevereiro levaram definitivamente ao poder.<\/p>\n<p>O Manifesto Comunista previa uma revolu\u00e7\u00e3o, assim como a onda revolucion\u00e1ria que \u2013 a partir de Paris \u2013 sacudiu grande parte da Europa ocidental e central, inclusive a Alemanha.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em muitos pontos, assinala Sacrist\u00e1n, os autores do Manifesto fizeram previs\u00f5es que n\u00e3o se cumpriram (outras sim, se cumpriram e como!). Por\u00e9m, o verdadeiramente assombroso em todo caso \u00e9 \u201cque se cumpriu em linhas gerais, como esta precis\u00e3o de uma crise revolucion\u00e1ria\u201d<\/p>\n<blockquote><p>O Manifesto Comunista era um folheto de apenas vinte e seis p\u00e1ginas, nas quais se condensavam v\u00e1rias coisas: uma inteira explica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria (cinquenta e quatro par\u00e1grafos), a rela\u00e7\u00e3o entre os comunistas e o resto da classe oper\u00e1ria (setenta e seis par\u00e1grafos) e a pol\u00edtica dos comunistas na conjuntura de 1848 (onze par\u00e1grafos); os autores encontram ainda espa\u00e7o naquelas vinte e seis hist\u00f3ricas p\u00e1ginas para uma cr\u00edtica das v\u00e1rias correntes socialistas e comunistas (cinquenta e seis par\u00e1grafos). Apesar de que no Manifesto faltam alguns conceitos cient\u00edficos de import\u00e2ncia no marxismo, a intensa condensa\u00e7\u00e3o do texto indica que seus autores dominavam j\u00e1 com muita seguran\u00e7a o esquema geral de sua concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na primeira parte (\u201cBourgeois e prolet\u00e1rios\u201d), Marx e Engels explicam a hist\u00f3ria documentada de todas as sociedades como hist\u00f3ria das lutas de classes: \u201clivre e escravo, patr\u00edcio e plebeu, nobre e servo, membro de corpora\u00e7\u00e3o e oficial-artes\u00e3o, em suma, opressores e oprimidos, se encontraram em contraposi\u00e7\u00e3o constantes uns contra os outros, travaram uma luta ininterrupta, \u00e0s vezes oculta, \u00e0s vezes aberta, que terminou sempre com uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de toda a sociedade ou com a ru\u00edna comum das classes em luta\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na hist\u00f3ria da Europa esta \u00faltima possibilidade, a da cat\u00e1strofe comum das principais classes em luta, ocorreu pela \u00faltima vez agora, com a queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente.<\/p>\n<blockquote><p>Logo, a luta de classes, a hist\u00f3ria europeia, se desenvolveu sem rupturas civilizat\u00f3rias t\u00e3o profundas, at\u00e9 constituir o sistema capitalista, dominado pela classe a qual costuma-se chamar \u201cburguesia\u201d em lembran\u00e7a de sua origem urbana (nos \u201cburgos\u201d).<\/p>\n<p>O Manifesto apresenta os dois aspectos, caracter\u00edsticos em sua uni\u00e3o, da sociedade capitalista: por um lado, o enorme crescimento das for\u00e7as produtivas [Sacrist\u00e1n as chamar\u00e1, pouco depois, em uma virada ecologista de interesse, for\u00e7as produtivo-destrutivas] e da riqueza, em compara\u00e7\u00e3o com as sociedade anteriores; por outro, a destrui\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os pessoais qualitativos e individualizados, entre as pessoas: \u201cNos cem anos escassos de seu dom\u00ednio, a burguesia criou for\u00e7as produtivas mais abundantes e mais colossais que todas as demais gera\u00e7\u00f5es passadas juntas\u201d. Por\u00e9m, tamb\u00e9m: \u201cOnde chegou a dominar, a burguesia destruiu todas as rela\u00e7\u00f5es feudais, patriarcais, id\u00edlicas. Desgarrou impiedosamente os complexos v\u00ednculos feudais que uniam os homens a seus superiores naturais e n\u00e3o deixou entre os homens mais la\u00e7o que o interesse nu e cru, o \u201cpagamento \u00e0 vista\u201d sem sentimento algum. Afogou na \u00e1gua gelada do c\u00e1lculo ego\u00edsta o santo calafrio da m\u00edstica piedosa, do entusiasmo cavalheiresco, da melancolia dos cidad\u00e3os medievais. Dissolveu a dignidade pessoal no valor da troca \u2026\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>De todos os modos, aponta o autor de Las ideas gnoseol\u00f3gicas de Heidegger [As ideias epistemol\u00f3gicas de Heidegger], estas consequ\u00eancias culturais ou morais do capitalismo n\u00e3o s\u00e3o toda a causa, nem a causa principal, da possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o que supere essa sociedade.<\/p>\n<blockquote><p>Na realidade, nem sequer se pode dizer que tais efeitos sejam s\u00f3 nocivos. Os la\u00e7os id\u00edlicos pr\u00e9-capitalistas eram em grande parte uma cobertura hip\u00f3crita de uma realidade vital muito mais sinistra, que o capitalismo p\u00f4s ao descoberto: \u201cCom uma palavra: a burguesia colocou, no lugar da explora\u00e7\u00e3o envolvida em ilus\u00f5es religiosas e pol\u00edticas, a explora\u00e7\u00e3o aberta, desavergonhada, direta, seca\u201d. O que possibilita a supera\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o entre a tend\u00eancia ao aumento das for\u00e7as produtivas e as \u201crela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d (as rela\u00e7\u00f5es em que entram os homens divididos em classe), que s\u00e3o o marco no qual se movem aquelas for\u00e7as. Esta contradi\u00e7\u00e3o se manifesta de muitas maneiras, recorda o texto apesar de sua brevidade. Por exemplo: o capitalismo aumentou muito a produtividade do trabalho e, no entanto, aumenta tamb\u00e9m a dureza laboral da vida das crian\u00e7as e das mulheres, por n\u00e3o falar j\u00e1 do oper\u00e1rio industrial adulto. Ou tamb\u00e9m: o capitalismo tornou plenamente social o trabalho, a produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o ponto de que j\u00e1 nem sequer \u00e9 conceb\u00edvel um trabalho artes\u00e3o isolado, que n\u00e3o dependa profundamente do resto das atividades produtivas; e na \u201cf\u00e1brica\u201d o lugar por excel\u00eancia do trabalho capitalista, os trabalhadores s\u00e3o como membros de um organismo coletivo, que \u00e9 o verdadeiro produtor; no entanto, as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas n\u00e3o s\u00e3o nada socializadas, mas individualistas e privatistas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ou tamb\u00e9m, prosseguia Sacrist\u00e1n, com palavras do Manifesto:<\/p>\n<blockquote><p>h\u00e1 d\u00e9cadas a hist\u00f3ria da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio n\u00e3o \u00e9 mais que a hist\u00f3ria da c\u00f3lera das modernas for\u00e7as produtivas contra as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o modernas, contra as rela\u00e7\u00f5es de propriedade que s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de vida da burguesia e de seu dom\u00ednio. Basta recordar as crises comerciais que, com seu peri\u00f3dico retorno, colocam cada vez mais em xeque a exist\u00eancia de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais, se destr\u00f3i regularmente uma grande parte n\u00e3o s\u00f3 dos produtos fabricados, mas inclusive das for\u00e7as produtivas j\u00e1 criadas. Nas crises, estoura uma epidemia social que pareceria absurda em todas as \u00e9pocas anteriores: a epidemia da superprodu\u00e7\u00e3o. A sociedade se v\u00ea submetida repentinamente a um estado de barb\u00e1rie moment\u00e2nea; parece como se a mis\u00e9ria ou uma guerra mundial de exterm\u00ednio a tivessem privado de todos os v\u00edveres; a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio parecem destru\u00eddos, e por que? Porque a sociedade possui demasiada civiliza\u00e7\u00e3o, demasiados v\u00edveres, demasiada ind\u00fastria, demasiado com\u00e9rcio. As for\u00e7as produtivas de que disp\u00f5e j\u00e1 n\u00e3o promovem a civiliza\u00e7\u00e3o burguesa e as rela\u00e7\u00f5es de propriedade burguesas; ao contr\u00e1rio: cresceram demasiado para essas rela\u00e7\u00f5es, as quais inibem; e enquanto superam esse obst\u00e1culo, revolvem toda a sociedade burguesa, amea\u00e7am a exist\u00eancia da sociedade burguesa. As rela\u00e7\u00f5es burguesas se tornam demasiado estreitas para abarcar a riqueza que elas produziram. Como domina a burguesia a crise? Por um lado, impondo a aniquila\u00e7\u00e3o de uma massa de for\u00e7as produtivas; por outro, conquistando novos mercados e explorando mais profundamente os antigos. Como as supera, pois? Preparando crises mais completas e violentas, e diminuindo os meios de preveni-las.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por\u00e9m, a contradi\u00e7\u00e3o presente no desenvolvimento capitalista advertiu, n\u00e3o d\u00e1 mais que a possibilidade de abolir e superar o sistema, n\u00e3o dava nenhuma necessidade nem gerava nenhuma lei inexor\u00e1vel da hist\u00f3ria. N\u00e3o existe determinismo, n\u00e3o existe nenhum mecanismo que garanta nada:<\/p>\n<blockquote><p>a mera falta de coer\u00eancia l\u00f3gica estrutural n\u00e3o basta para que seja superada uma coisa que \u00e9 de algum modo viva, composta de vidas, como \u00e9 a sociedade. As contradi\u00e7\u00f5es internas s\u00e3o apenas \u201carmas\u201d empurrando as quais se pode derrubar uma desordem social, habitualmente chamada \u201ca Ordem\u201d. \u201cPor\u00e9m, a burguesia n\u00e3o s\u00f3 forjou as armas que lhe dar\u00e1 a morte; tamb\u00e9m produziu os homens que empunhar\u00e3o essas armas: os trabalhadores modernos, os prolet\u00e1rios\u201d. Estes tomar\u00e3o a consci\u00eancia da possibilidade que lhes \u00e9 oferecida caso combatam unidos contra o mal que os oprime. O Manifesto Comunista termina com a divisa j\u00e1 c\u00e9lebre: Prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>At\u00e9 aqui, o MC em seu artigo \u201cKarl Marx\u201d, de 1974.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, em 24 de abril de 1978, em comemora\u00e7\u00e3o ao 130\u00b0 anivers\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o do Manifesto, Sacrist\u00e1n interveio em uma mesa redonda (que n\u00e3o chegou a ser gravada), que com este t\u00edtulo se celebrou na Aula Magna da Universidade de Barcelona. O seguinte esquema \u00e9 o roteiro de sua interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro ponto:<\/p>\n<blockquote><p>1. 1. Esta quest\u00e3o da atualidade do MC \u2013 de sua leitura a partir do ponto de vista de hoje na Europa Ocidental \u2013 tem uma justificativa consider\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pretexto para comemorar um escrito influente.<\/p>\n<p>1.1.1. Sem menosprezar, claro, a pr\u00f3pria comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1.2. N\u00e3o penso, ao dizer isso, no interesse que, sem d\u00favida, a prop\u00f3sito de todo texto que influenciou e influencia, o formar a t\u00edpica lista \u201cdo vivo e do morto\u201d.<\/p>\n<p>1.2.1. Por\u00e9m, esse enfoque do assunto fica exclu\u00eddo pelos 20 minutos.<\/p>\n<p>1.2.2. E, talvez, n\u00e3o seja tampouco o mais interessante.<\/p>\n<p>1.3. O que me parece mais interessante \u00e9 um aspecto muito geral do MC, um tra\u00e7o caracter\u00edstico que resultou particularmente moderno em meados do s\u00e9culo XIX.<\/p><\/blockquote>\n<p>A segunda parte do esquema:<\/p>\n<blockquote><p>2.1. O M \u00e9 um \u201cManifesto\u201d destinado a deixar, de forma breve e clara, ante o p\u00fablico as ideias de um grupo reduzido.<\/p>\n<p>2.2. Por\u00e9m, grupo ativo, popular e prolet\u00e1rio em grande parte, n\u00e3o s\u00f3 ide\u00f3logos, como o eram at\u00e9 ent\u00e3o os grupos produtores de reflex\u00e3o emancipat\u00f3ria (n\u00e3o de pr\u00e1tica, claro).<\/p>\n<p>2.3. Isso repercute na import\u00e2ncia do M para o partido moderno.<\/p>\n<p>2.3.1. O normal, ent\u00e3o, era ou bem os partidos eleitorais de not\u00e1veis, ou bem a escola ou seita sem a\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>2.3.1.1. Os casos cartistas e reformistas agr\u00e1rios americanos em trabalhador.<\/p>\n<p>2.3.2. O M, ainda que n\u00e3o muito categ\u00f3rico, explicita e origina a ideia de um partido oper\u00e1rio como instrumento direto da luta de classes.<\/p>\n<p>2.3.3. A quest\u00e3o do nome. Troca para MC na edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de 1872.<\/p>\n<p>2.3.3.1. Provavelmente pelas vicissitudes da AIT.<\/p><\/blockquote>\n<p>O terceiro ponto:<\/p>\n<blockquote><p>3.1. A defini\u00e7\u00e3o da ideia de partido oper\u00e1rio de classe implicava a passagem da especula\u00e7\u00e3o ao pensamento da pr\u00e1tica oper\u00e1ria, da ideia abstrata \u00e0 \u00e9tica, da ideologia \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n<p>3.1.1. Nas constru\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas: programa.<\/p>\n<p>3.1.2. No fundamento: n\u00e3o essencialismo, mas an\u00e1lise sociol\u00f3gica.<\/p>\n<p>3.2. Assim se explica a se\u00e7\u00e3o III do M e, em particular, a parte de cr\u00edtica do socialismo filos\u00f3fico.<\/p>\n<p>3.2.1. Exemplo do III 22.<\/p>\n<p>3.3. Pois bem: no mais essencial, a atualidade ou a caducidade completa do M se decide em torno disso.<\/p><\/blockquote>\n<p>A quarta parte:<\/p>\n<blockquote><p>4.1. E, ap\u00f3s a moda marxista, a antimarxista \u00e9 parte de uma ampla rea\u00e7\u00e3o antipr\u00e1tica, especulativa.<\/p>\n<p>4.1.1. Deixo de lado o anarquismo.<\/p>\n<p>4.2. Desativa\u00e7\u00e3o, na realidade pr\u00f3-reformista.<\/p>\n<p>4.3.Dessocializa\u00e7\u00e3o (\u201cpoder\u201d), que \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>4.4. Precedentes ou materiais da nova hegemonia:<\/p>\n<p>4.4.1. A cr\u00edtica conservadora acad\u00eamica tradicional. Hayek hoje.<\/p>\n<p>4.4.2. A cr\u00edtica especulativa pseudo-revolucion\u00e1ria: Adorno.<\/p>\n<p>4.4.2.1. Seus alunos.<\/p>\n<p>4.4.2.1.1. Saint-Just.<\/p><\/blockquote>\n<p>O quinto ponto, o \u00faltimo:<\/p>\n<blockquote><p>5.1. N\u00e3o s\u00e3o ignor\u00e1veis motivos interessantes para todos.<\/p>\n<p>5.1.1. A pr\u00e1tica do \u201csocialismo real\u201d. Seriamente.<\/p>\n<p>5.1.2. Lacunas e erros do pensamento praxeol\u00f3gico.<\/p>\n<p>5.1.2.1. A quest\u00e3o do poder (Russell).<\/p>\n<p>5.1.2.2. A das for\u00e7as produtivas.<\/p>\n<p>5.2. Nem tampouco as causas sociais: \u00e9 a complexa rea\u00e7\u00e3o da amb\u00edgua camada dos intelectuais.<\/p>\n<p>5.3. O que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p>5.3.1. Abandono negativista da tentativa revolucion\u00e1ria program\u00e1tica, racional.<\/p>\n<p>5.3.2. Ou voltar a come\u00e7ar com a motiva\u00e7\u00e3o do M: redescobrir a possibilidade program\u00e1tica.<\/p>\n<p>5.4. A atualidade do M consiste em que est\u00e1 no come\u00e7o de um novo projeto hoje em crise, e sua tend\u00eancia encarna uma das duas rea\u00e7\u00f5es poss\u00edveis \u00e0 crise: a do projeto.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sobre 5.1.2., sobre o pensamento praxeol\u00f3gico, uma observa\u00e7\u00e3o, uma tentativa de esclarecimento. Em \u201c\u00bfA qu\u00e9 g\u00e9nero literario pertenece El Capital de Marx?\u201d, mientras tanto 66, pp. 35-36 (agora tamb\u00e9m em Lecturas de filosof\u00eda moderna y contempor\u00e1nea, Madrid, Trotta, 2004, edi\u00e7\u00e3o de Albet Domingo), comentava Sacrist\u00e1n, diferenciando pragmatismo e \u201co g\u00eanero liter\u00e1rio de O capital\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>O \u201cg\u00eanero liter\u00e1rio\u201d do Marx maduro n\u00e3o \u00e9 a teoria no sentido forte ou formal que hoje possui essa palavra. Por\u00e9m, tampouco \u00e9 \u2013 como queria Croce \u2013 o g\u00eanero liter\u00e1rio de Ricardo. E isso porque Ricardo n\u00e3o se prop\u00f4s o que essencialmente se prop\u00f4s Marx: fundamentar e formular racionalmente um projeto de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. Esta especial ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 que acaso pode ser chamada \u201cpraxeologia, de fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de uma pr\u00e1tica \u2013 \u00e9 o \u201cg\u00eanero liter\u00e1rio\u201d sob o qual caem todas as obras da maturidade de Marx, e at\u00e9 uma grande parte de seu epistol\u00e1rio. Por isso, \u00e9 in\u00fatil ler as obras de Marx como teoria pura no sentido formal da sistem\u00e1tica universit\u00e1ria, e \u00e9 in\u00fatil l\u00ea-las como se fossem puros programas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nem tampouco s\u00e3o as duas coisas \u201cao mesmo tempo\u201d, somadas, por assim dizer: s\u00e3o um discurso cont\u00ednuo, n\u00e3o cortado, que vai constantemente do programa \u00e0 fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e vice-versa.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio \u2013 e desconhec\u00ea-lo seria confundir a \u201cpraxeologia\u201d marxiana com um pragmatismo \u2013 que a ocupa\u00e7\u00e3o intelectual obriga Marx a dominar e esclarecer cientificamente a maior quantidade de material poss\u00edvel e, portanto, que sempre ser\u00e1 uma opera\u00e7\u00e3o admiss\u00edvel e com sentido a cr\u00edtica meramente cient\u00edfica dos elementos meramente te\u00f3ricos da obra de Marx\u2026<\/p><\/blockquote>\n<p>A \u00fanica coisa realmente est\u00e9ril, agregava, foi uma constante em seu pensamento, era tornar a obra de Marx algo que tivesse por for\u00e7a que ser embutido na sistem\u00e1tica intelectual acad\u00eamica (o mesmo disse dois anos depois de Gramsci): \u201cfor\u00e7ar seu discurso no da pura teoria como fez a interpreta\u00e7\u00e3o socialdemocrata e fazem hoje os althusserianos, ou for\u00e7a-lo na pura filosofia, na mera postula\u00e7\u00e3o de ideias, como fazem hoje numerosos intelectuais cat\u00f3licos t\u00e3o bem intencionados como unilaterais em sua leitura de Marx\u201d.<\/p>\n<p>Duas anota\u00e7\u00f5es complementares.<\/p>\n<p>Da pasta \u201cOME folhas\u201d da documenta\u00e7\u00e3o depositada na Biblioteca da Faculdade de Economia e Empresa da UB, uns materiais de trabalho de Sacrist\u00e1n sobre o MC que n\u00e3o est\u00e3o fechados. Esquema tem\u00e1tico detalhado, com breves coment\u00e1rios. Os n\u00fameros remetem aos fragmentos do texto. Os asteriscos assinalam, provavelmente, o interesse especial de alguns passos.<\/p>\n<p>Pr\u00f3logo.<\/p>\n<p>I. Bourgeois und Proletarier [Burgueses e prolet\u00e1rios].<\/p>\n<p>\u2013 A hist\u00f3ria, lutas de clases. Afirma\u00e7\u00e3o geral. 1-3. [Possibilidade quebra: 2]. \u2013 A luta de classes da \u00e9poca contempor\u00e2nea: simplifica\u00e7\u00e3o do quadro das classes. 4-5.<\/p>\n<p>\u2013 A burguesia: \u2013 Origem. 6. \u2013 Desenvolvimento. 7. Am\u00e9rica, etc. \u2013 A manufatura 8: Mudan\u00e7a na divis\u00e3o do trabalho. \u2013 As m\u00e1quinas, a grande ind\u00fastria e a burguesia moderna. 9. \u2013 O mercado mundial e sua rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com a grande ind\u00fastria. 10, 11. \u2013 Progressos pol\u00edtico (burgueses) paralelos da evolu\u00e7\u00e3o. 12 ** \u2013 Fun\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da burguesia: 13: &#8211; Destrui\u00e7\u00e3o do mundo feudal. 14. E das cortinas ideol\u00f3gicas da explora\u00e7\u00e3o. \u2013 Assalariamento de profiss\u00f5es intelectuais. 15. \u2013 Desmascaramento da fam\u00edlia. 16. \u2013 Aumento da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade. 17. \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a permanente. 18**. \u2013 Desmascaramento consequente do santificado. \u2013 Mercado mundial e cosmopolitismo. 19, 20**. \u2013 Universaliza\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria. 21. Ironiqu\u00edssima. \u2013 Submiss\u00e3o do campo \u00e0 cidade. 22. \u2013 Processos de concentra\u00e7\u00e3o. 23. \u2013 Cria\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o. 24. \u2013 Resumo sociol\u00f3gico da mudan\u00e7a. 25,26*. \u2013 A atual sittua\u00e7\u00e3o da sociedade burguesa. \u2013 Sintomas de nova mudan\u00e7a social. 27***. \u2013 A crise. 27. \u2013 A crise. 27, 28.<\/p>\n<p>\u2013 O proletariado: \u2013 Origem e natureza. 29, 30. Eles mesmos \u201cmercadoria\u201d. \u2013 O trabalho prolet\u00e1rio. 31**. Industrial-maquinista. \u2013 A grande organiza\u00e7\u00e3o do trabalho fabril. 32** \u2013 Trabalho de mulheres e crian\u00e7as. 33** \u2013 O trabalhador como consumidor. 34. \u2013 Proletariza\u00e7\u00e3o. 35. \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o.* 36: \u2013 Primeiras lutas prolet\u00e1rias sob dire\u00e7\u00e3o burguesa. 37, 38. \u2013 Concentra\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e coalis\u00f5es. 39* \u2013 Vit\u00f3rias provis\u00f3rias dos oper\u00e1rios. 40. Centraliza\u00e7\u00e3o organiza\u00e7\u00e3o. \u2013 O prolet\u00e1rio e sua revolu\u00e7\u00e3o: \u2013 Classe e partido. Consci\u00eancia. 41. \u2013 Divis\u00f5es da burguesia. 42**. Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e geral do proletariado. \u2013 Proletariza\u00e7\u00e3o e \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d ex\u00f3gena da classe. 43* \u2013 Passagem de ide\u00f3logos ao proletariado. 44. \u2013 O proletariado, \u00fanica classe revolucion\u00e1ria, por seu fundamento industrial. 45-54. \u2013 Camadas m\u00e9dias. 46. Se poss\u00edvel passagem aos revolucion\u00e1rios. \u2013 Lumpenproletariat. 47. \u2013 Destrui\u00e7\u00e3o da svelhas condi\u00e7\u00f5es de vida no proletariado. 48. \u2013 Os proletariados n\u00e3o t\u00eam nada que assegurar. 49*. \u2013 E sua maioria. A revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 globalmente social. 50 \u2013 Forma nacional da luta. 51. \u2013 Dom\u00ednio prolet\u00e1rio pela derrubada violenta da burguesia. 52. \u2013 Pauperiza\u00e7\u00e3o: incapacidade da burguesia para continuar dominando. 53* \u2013 A ru\u00edna da burguesia \u00e9 pol\u00edtico-social: \u00e9 a uni\u00e3o dos oper\u00e1rios. 54.<\/p>\n<p>II. Proletatier und Kommunisten [Prolet\u00e1rios e comunistas].<\/p>\n<p>\u2013 Caracteriza\u00e7\u00e3o do movimento comunista. 1-14: \u2013 Os comunistas n\u00e3o s\u00e3o nenhum partido oper\u00e1rio particular. 1-3. \u2013 N\u00e3o colocam princ\u00edpios particulares. 4** \u2013 Internacionalismo e globalidade de seu ponto de vista. 5. \u2013 Maior decis\u00e3o, propuls\u00e3o e compreens\u00e3o do movimento prolet\u00e1rio e seus resultados gerais. 6. \u2013 Mesmo objetivo imediato que todos os demais partidos prolet\u00e1rios: poder prolet\u00e1rio. 7. \u2013 Base n\u00e3o ideol\u00f3gica. 8. \u2013 Mas sim, generaliza\u00e7\u00e3o da existente luta de classes. 9. \u2013 A aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada. 10-14. \u2013 Mudan\u00e7a hist\u00f3rica das rela\u00e7\u00f5es de propriedade. 10. \u2013 Na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, p. e. 11. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada burguesa. 12. \u2013 Por\u00e9m, esta \u00e9 a \u00faltima forma de explora\u00e7\u00e3o. 13*. \u2013 Por isso, a teoria comunista \u00e9 resum\u00edvel na frase \u201caboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada\u201d. 14. \u2013 Esclarecimento com a cr\u00edtica ideol\u00f3gica burguesa. 15-69.<\/p>\n<p>[Sobre a propriedade] 15-35: \u2013 A cr\u00edtica da aboli\u00e7\u00e3o da propriedade pessoal. 15. \u2013 N\u00e3o existe a antiga propriedade pessoal. 16. \u2013 Existe a moderna propriedade privada burguesa. 17. \u2013 +que n\u00e3o cria propriedade para o oper\u00e1rio, mas capital para o capitalista. 18. \u2013 O capital \u00e9 um produto e uma fun\u00e7\u00e3o social. 19. \u2013 O capital \u00e9 uma for\u00e7a social. 20. \u2013 Por isso, sua coletiviza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o de propriedade pessoal, mas mudan\u00e7a de seu car\u00e1ter social: deixa de ser classista. 21. \u2013 O trabalho assalariado. 22. \u2013 Seu pre\u00e7o m\u00e9dio \u00e9 o m\u00ednimo de sal\u00e1rio. N\u00e3o se trata de abolir essa apropria\u00e7\u00e3o pessoal, mas de abolir seu car\u00e1ter miser\u00e1vel. 23. \u2013 Trabalho vivo e trabalho acumulado na sociedade burguesa e na comunista. 24. \u2013 O passado e o presente em ambas sociedades. Capital e indiv\u00edduo ativo. 25. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o. 26. \u2013 Liberdade burguesa. 27. \u2013 A aboli\u00e7\u00e3o da burguesia a deixa sem sentido. 28. \u2013 A propriedade privada em sociedade burguesa \u00e9 de 1\/10 da sociedade. 29. \u2013 Trata-se de abolir essa propriedade. 30 \u2013 Identifica\u00e7\u00e3o burguesa de pessoa com propriedade burguesa. 31* \u2013 Sua aboli\u00e7\u00e3o (dessa pessoa). 32. \u2013 O comunismo n\u00e3o impede a apropria\u00e7\u00e3o pessoal de produtos sociais, mas sua utiliza\u00e7\u00e3o para submiss\u00e3o de outros. 33. \u2013 Obje\u00e7\u00e3o burguesa da paralisa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pela aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada. 34. \u2013 Refuta\u00e7\u00e3o: os oper\u00e1rios n\u00e3o deveriam trabalhar hoje. 35.<\/p>\n<p>[Sobre a educa\u00e7\u00e3o e a cultura] 36-39: \u2013 A burguesia identifica educa\u00e7\u00e3o de classe com educa\u00e7\u00e3o. 36. \u2013 Sua educa\u00e7\u00e3o \u00e9 para a maioria convers\u00e3o em m\u00e1quina. 37. \u2013 As representa\u00e7\u00f5es ideais burguesas. 38. \u2013 Sua ideologiza\u00e7\u00e3o naturalista eternizadora. 39.<\/p>\n<p>[Sobre a fam\u00edlia] 40-52: \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. 40. \u2013 A fam\u00edlia da sociedade burguesa. 41. \u2013 Seu desaparecimento com o do capital. 42. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as por seus pais. 43. \u2013 Instaura\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o social. 44. \u2013 J\u00e1 o \u00e9 a burguesa: trata-se s\u00f3 de abolir seu car\u00e1ter de classista dominante. 45. \u2013 Os la\u00e7os familiares j\u00e1 est\u00e3o destru\u00eddos para o proletariado. 46. \u2013 Cr\u00edtica de introdu\u00e7\u00e3o da promiscuidade. 47. \u2013 Baseado em que para o burgu\u00eas, sua mulher \u00e9 um instrumento de produ\u00e7\u00e3o. 48. \u2013 Por\u00e9m, trata-se de abolir essa posi\u00e7\u00e3o da mulher. 49. \u2013 Al\u00e9m disso, a promiscuidade feminina existiu quase sempre. 50. \u2013 Usurpa\u00e7\u00e3o e adult\u00e9rio. 51. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o. 52.<\/p>\n<p>[Sobre a p\u00e1tria, a nacionalidade] 53-58. \u2013 Recrimina\u00e7\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria, a nacionalidade. 53. \u2013 Os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam p\u00e1tria. Ainda que sejam de momento nacionais em outro sentido, por conquista do estado. 54*. \u2013 Diminui\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as nacionais j\u00e1 por e com a burguesia. 55. \u2013 Acelera\u00e7\u00e3o do processo pelo dom\u00ednio prolet\u00e1rio. 56. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00f5es, paralela da de indiv\u00edduos. 57. \u2013 Extin\u00e7\u00e3o das hostilidades entre na\u00e7\u00f5es. 58*<\/p>\n<p>[Sobre outros temas pol\u00eamicos] 59-69: \u2013 Acusa\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. 59. \u2013 Princ\u00edpio do materialismo hist\u00f3rico, dado como evid\u00eancia. 60. \u2013 Ideias dominantes e classe dominante. 61. \u2013 O que quer dizer \u201cideias revolucion\u00e1rias\u201d. 62. \u2013 Exemplifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. 63**. \u2013 Obje\u00e7\u00e3o de que as ideias mudam. 64. \u2013 Enquanto o comunismo suprime seu pr\u00f3prio lugar. 65. \u2013 Resposta: at\u00e9 agora sempre houve antagonismos entre classes. 66. \u2013 Atrav\u00e9s de todas as revolu\u00e7\u00f5es. 67*. \u2013 Por\u00e9m, a revolu\u00e7\u00e3o comunista termina tamb\u00e9m com as classes, com o comum a toda fase passada, o classismo, e assim com o lugar dessas ideias. 68. \u2013 Conclui-se o esclarecimento pol\u00eamico. 69.<\/p>\n<p>\u2013 Estrat\u00e9gia geral da revolu\u00e7\u00e3o. 70-76: \u2013 Primeiro passo: democracia como dom\u00ednio prolet\u00e1rio. 70. \u2013 Centraliza\u00e7\u00e3o estatal e aumento das for\u00e7as produtivas. 71. \u2013 Interven\u00e7\u00f5es desp\u00f3ticas primeiro anti-econ\u00f4micas, por\u00e9m inevit\u00e1veis para transforma\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o. 72. \u2013 Diversidades nacionais dessas medidas. 73. \u2013 As 10 medidas para os pa\u00edses mais avan\u00e7ados. 74**. \u2013 A passagem para o comunismo. 75-76. \u2013 Aboli\u00e7\u00e3o das classes e da pol\u00edtica. 75*. \u2013 A associa\u00e7\u00e3o. 76.<\/p>\n<p>III. Socialistische und Kommunistische Literatur [Literatura socialista e comunista]<\/p>\n<p>1. O socialismo reacion\u00e1rio 1-34: a) O socialismo feudal. 1-10. el *8, el *10. -Legitimistas e jovem Inglaterra. b) O socialismo pequeno-burgu\u00eas. 11-*17 \u2013 Sem moral. c) O socialismo alem\u00e3o ou \u201cverdadeiro\u201d. 18-34. ***19, *30, *34.<\/p>\n<p>2. O socialismo conservador ou burgu\u00eas. 35-42. \u2013 Proudhon *38, *42.<\/p>\n<p>3. O socialismo e o comunismo cr\u00edtico-ut\u00f3picos. \u2013 Exclus\u00e3o da express\u00e3o acidental do proletariado na revolu\u00e7\u00e3o burguesa (Babeuf). 43. \u2013 Car\u00e1ter ut\u00f3pico. 44-52. \u2013 Por falta de condi\u00e7\u00f5es, conte\u00fado reacion\u00e1rio. 44. \u2013 +Ascetismo e igualitarismo vulgar. Os sistemas ut\u00f3picos nascem na primeira fase da luta entre proletariado e burguesia. 45. \u2013 Veem o antagonismo, n\u00e3o a iniciativa prolet\u00e1ria. 46. \u2013 N\u00e3o veem as condi\u00e7\u00f5es materiais da liberta\u00e7\u00e3o do proletariado, e tentam inventa-las. 47. \u2013 Propaganda e projetos. 48. \u2013 O proletariado \u00e9 para eles s\u00f3 a classe que mais sofre. 49. \u2013 Acreditam estarem acima da luta de classes. 50. \u2013 Por isso, repudiam a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, revolucion\u00e1ria. 51. \u2013 A concep\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 primeira, obscura aspira\u00e7\u00e3o transformadora prolet\u00e1ria. 52***. \u2013 Car\u00e1ter cr\u00edtico, 53-56. Valioso material cr\u00edtico das teses n\u00e3o positivas, n\u00e3o ut\u00f3picas. *53. \u2013 Sua import\u00e2ncia \u00e9 inversamente proporcional ao desenvolvimento hist\u00f3rico. 54* Degrada\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria ou conservadora. \u2013 Por isso, oposi\u00e7\u00e3o ao movimento pol\u00edtico oper\u00e1rio. 55. \u2013 Ejemplos. 56.<\/p>\n<p>IV. Stellung der Kommunisten zu den verschiedenen oppositionellen Parteien [Posi\u00e7\u00e3o dos comunistas frente aos diversos partidos opositores].<\/p>\n<p>\u2013 Nova caracteriza\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia.1-2, concretizando partidos, objetivos intermedi\u00e1rios, alian\u00e7as. 2. \u2013 Men\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses 3-6. \u2013 Nova caracteriza\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia \u00e0 prop\u00f3sito da Alemanha. 5-*6 \u2013 Previs\u00e3o sobre a Alemanha. 7 \u2013 Resumo 8-11.<\/p>\n<p>Por certo, como antes assinalava, a \u00fanica p\u00e1gina sobrevivente de um manuscrito do Manifesto Comunista cont\u00e9m na parte superior duas linhas complementares, que foram escritas por Jenny Marx, a h\u00e1bil decifradora da imposs\u00edvel letra de Marx. Conv\u00e9m recordar estas linhas de sua filha Eleanor, a grande Tussy, uma verdadeira hero\u00edna:<\/p>\n<blockquote><p>Foi uma \u00e9poca terr\u00edvel [outubro de 1881]. Nossa querida m\u00e3e estava no grande quarto da frente. Durmo no pequeno quarto de tr\u00e1s. E os dois, t\u00e3o acostumados um ao outro, t\u00e3o pr\u00f3ximos entre si, n\u00e3o podiam sequer estar junto no mesmo quarto. Nossa boa e velha Lenchen [\u2026] e eu tivemos que cuidar de ambos&#8230; Nunca esquecerei a manh\u00e3 em que se sentiu suficientemente forte para ir ao quarto da mam\u00e3e. Quando estiveram juntos de novo, eram pessoas jovens: ela uma garota jovem e ele um jovem amante, ambos no umbral da vida, n\u00e3o um velho devastado pela enfermidade e uma velha agonizante, que se separavam um do outro para sempre. [3]<\/p><\/blockquote>\n<p>Na semana que vem, apresentarei um texto de Sacrist\u00e1n de 1956, reeditado pelo Comit\u00ea Executivo do PSUC, em fevereiro de 1972, provavelmente seu primeiro material marxista.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1) Manuel Sacrist\u00e1n, \u201c\u00bfQu\u00e9 Marx se leer\u00e1-a en el siglo XXI?\u201d. In: Pacifismo, ecologismo y pol\u00edtica alternativa, Barcelona, Editorial Icaria, 1987, pp. 123-124 (edi\u00e7\u00e3o de Juan-Ram\u00f3n Capella)<\/p>\n<p>2) \u201cKarl Marx\u201d. In: Sobre Marx y marxismo, Barcelona, Icaria, 1983, pp. 296-301.<\/p>\n<p>3) David McLellan, Karl Marx. Su vida y sus ideas, Barcelona, Ed. Cr\u00edtica, 1983, p. 515<\/p>\n<p>Imagem: \u00danica p\u00e1gina manuscrita que se conserva. As duas primeiras linhas foram escritas por Jenny Marx.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/02\/22\/karl-marx-1818-1883-en-el-bicentenario-de-su-nacimiento-viii-sobre-el-manifiesto-comunista-primera-parte\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18862\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,33],"tags":[223],"class_list":["post-18862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c34-marxismo","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Ue","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}