{"id":18911,"date":"2018-03-04T18:00:55","date_gmt":"2018-03-04T21:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18911"},"modified":"2018-03-04T17:40:47","modified_gmt":"2018-03-04T20:40:47","slug":"em-israel-cresce-um-racismo-proximo-do-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18911","title":{"rendered":"Em Israel cresce um racismo pr\u00f3ximo do nazismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Em Israel cresce um racismo pr\u00f3ximo do nazismo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/a82fc1af328bbfa60c5da000a1813c91_XL.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Em Israel cresce um racismo pr\u00f3ximo do nazismo\" \/><!--more--><a href=\"https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/221501-zeev-sternhell-em-israel-cresce-um-racismo-proximo-do-nazismo-em-seus-primordios.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio Liberdade<\/a><\/p>\n<p>O an\u00fancio foi t\u00e3o simb\u00f3lico quanto controverso: em 6 de dezembro de 2017, o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu reconhecer Jerusal\u00e9m como capital de Israel.<\/p>\n<p>A embaixada dos EUA, hoje em Tel Aviv, ser\u00e1 transferida at\u00e9 o fim de 2019. A iniciativa foi saudada pelo primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu. Desde ent\u00e3o, no Knesset, o Parlamento israelense, a direita vem conduzindo uma ofensiva em v\u00e1rias frentes. No dia 2 de janeiro, os deputados votaram uma emenda constitucional tornando imposs\u00edvel a cess\u00e3o de parte de Jerusal\u00e9m sem o voto de uma maioria qualificada de dois ter\u00e7os. V\u00e1rios deputados tamb\u00e9m apresentaram projetos para redefinir o per\u00edmetro da cidade, para excluir todos os bairros \u00e1rabes al\u00e9m do muro de separa\u00e7\u00e3o ou integrar grandes col\u00f4nias. Para o historiador Zeev Sternhell, essas decis\u00f5es visam for\u00e7ar os palestinos a aceitar sem resist\u00eancia a hegemonia judaica no territ\u00f3rio, condenando-os para sempre \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o ocupada.]<\/p>\n<p>Tento \u00e0s vezes imaginar como o historiador de daqui a cinquenta ou cem anos tentar\u00e1 explicar o nosso tempo. Em que momento come\u00e7amos, ele se perguntar\u00e1 sem d\u00favida, a entender, em Israel, que o pa\u00eds, que se tornou um Estado constitu\u00eddo com a Guerra de Independ\u00eancia de 1948, fundado nas ru\u00ednas do juda\u00edsmo europeu e ao pre\u00e7o do sangue de 1% de sua popula\u00e7\u00e3o, incluindo milhares de combatentes sobreviventes do Holocausto, havia se tornado um monstro para os n\u00e3o-judeus sob seu jugo? Quando, exatamente, os israelenses, pelo menos em parte, perceberam que sua crueldade com os n\u00e3o-judeus sob seu controle nos territ\u00f3rios ocupados, sua determina\u00e7\u00e3o de destruir a esperan\u00e7a da liberdade e independ\u00eancia dos palestinos ou sua recusa em conceder asilo aos refugiados africanos come\u00e7avam a minar a legitimidade moral de sua exist\u00eancia nacional?<\/p>\n<p>A resposta, dir\u00e1 talvez o historiador, se encontra no microcosmo das ideias e atividades de dois importantes membros da maioria, Miki Zohar (Likud) e Bezalel Smotrich (Lar Judaico), representantes fi\u00e9is da pol\u00edtica governamental, que passaram a ocupar recentemente os holofotes. Mais importante ainda \u00e9 o fato de esta mesma ideologia estar na raiz dos chamados projetos de lei &#8220;fundamentais&#8221; \u2013 isto \u00e9, constitucionais \u2013 que a Ministra da Justi\u00e7a, Ayelet Shaked, com o imediato consentimento do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, prop\u00f5e levar rapidamente \u00e0 vota\u00e7\u00e3o no Knesset.<\/p>\n<p>Shaked, n\u00famero dois do partido da direita religiosa nacionalistas, o Lar Judaico, al\u00e9m de seu nacionalismo extremo, representa perfeitamente uma ideologia pol\u00edtica segundo a qual uma vit\u00f3ria eleitoral justifica o controle de todos os \u00f3rg\u00e3os do Estado e da vida social, desde a administra\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a, passando pela cultura. No esp\u00edrito desta direita, a democracia liberal n\u00e3o passa de infantilidade. O significado de tal movimento \u00e9 f\u00e1cil de entender para um pa\u00eds de tradi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica que n\u00e3o possui uma Constitui\u00e7\u00e3o escrita, apenas regras de comportamento e um quadro legislativo que pode ser mudado por maioria simples.<\/p>\n<p>O elemento mais importante desta nova jurisprud\u00eancia \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o chamada &#8220;lei do Estado-na\u00e7\u00e3o&#8221;: trata-se de duro ato constitucional nacionalista, que n\u00e3o seria renegado pelo nacionalismo integral de Charles Maurras, e que nem a Sra. Le Pen, hoje, se atreveria a propor \u2013 mas que poderia ser acolhido com satisfa\u00e7\u00e3o pelos movimentos nacionalistas autorit\u00e1rios e xen\u00f3fobos polon\u00eas e h\u00fangaro. Eis-nos diante de judeus que esqueceram que seu destino, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, est\u00e1 ligado ao liberalismo e aos direitos humanos e hoje produzem um nacionalismo alinhado com o mais empedernido chauvinismo europeu.<\/p>\n<p><strong>A impot\u00eancia da esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Esta lei tem o objetivo declarado submeter os valores universais do Iluminismo, do liberalismo e dos direitos humanos aos valores particularistas do nacionalismo judaico. Ela for\u00e7ar\u00e1 a Suprema Corte \u2013 cujas prerrogativas Shaked, em todo caso, se empenha em reduzir, al\u00e9m de minar seu car\u00e1ter liberal tradicional, substituindo, sempre que poss\u00edvel, os ju\u00edzes que se aposentam por advogados pr\u00f3ximos \u2013 a dar veredictos sempre em conson\u00e2ncia com a letra e o esp\u00edrito da nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ministra vai ainda mais longe: ela acaba de declarar que os direitos humanos ter\u00e3o que se curvar \u00e0 necessidade de garantir uma maioria judaica. Mas como nenhuma amea\u00e7a pesa sobre esta maioria em Israel, onde 80% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 judaica, trata-se de preparar a opini\u00e3o p\u00fablica para a nova situa\u00e7\u00e3o: no caso da anexa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos ocupados, desejada pelo partido da ministra, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o-judaica ser\u00e1 privada do direito de voto.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 impot\u00eancia da esquerda, esta legisla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o primeiro prego no caix\u00e3o da antiga Israel, da qual restar\u00e1 apenas a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia como pe\u00e7a de museu para lembrar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras o que nosso pa\u00eds poderia ter sido se nossa sociedade n\u00e3o tivesse se degenerado moralmente em meio s\u00e9culo de ocupa\u00e7\u00e3o, coloniza\u00e7\u00e3o e apartheid nos territ\u00f3rios conquistados em 1967, hoje ocupados por cerca de 300 mil colonos.<\/p>\n<p>Hoje, a esquerda j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer frente a um nacionalismo que, em sua vers\u00e3o europeia, bem mais extrema que a nossa, havia quase conseguido aniquilar os judeus da Europa. Por isso \u00e9 aconselh\u00e1vel que sejam lidas, em Israel e no mundo judeu, as duas entrevistas feitas por Ravit Hecht para o Haaretz (de 3 de dezembro de 2016 e 28 de outubro de 2017) com Smotrich e Zohar. Fica claro como cresce, sob nossos olhos, n\u00e3o um mero fascismo local, mas um racismo pr\u00f3ximo ao nazismo em seus prim\u00f3rdios.<\/p>\n<p>Como toda ideologia, o racismo alem\u00e3o tamb\u00e9m evoluiu e, originalmente, atacava apenas os direitos humanos e cidad\u00e3os dos judeus. \u00c9 poss\u00edvel que, sem a Segunda Guerra, o &#8220;problema judeu&#8221; se resolvesse por uma emigra\u00e7\u00e3o &#8220;volunt\u00e1ria&#8221; dos judeus dos territ\u00f3rios controlados pela Alemanha. Afinal, quase todos os judeus da Alemanha e da \u00c1ustria conseguiram sair a tempo. N\u00e3o se deve excluir a hip\u00f3tese de que, para alguns setores da direita, a mesma sorte possa ser reservada aos palestinos. Seria necess\u00e1ria apenas uma oportunidade, uma boa guerra, por exemplo, acompanhada por uma revolu\u00e7\u00e3o na Jord\u00e2nia, que pudesse empurrar a maioria dos habitantes da Cisjord\u00e2nia ocupada para o Leste.<\/p>\n<p><strong>O espectro do apartheid<\/strong><\/p>\n<p>Os Smotrich e os Zohars, sejamos claros, n\u00e3o pretendem atacar fisicamente os palestinos, desde que, obviamente, estes aceitem a hegemonia judaica sem resist\u00eancia. Eles simplesmente se recusam a reconhecer os direitos humanos dos palestinos, seu direito \u00e0 liberdade e independ\u00eancia. Da mesma forma, no caso da anexa\u00e7\u00e3o oficial dos territ\u00f3rios ocupados, eles e seus partidos pol\u00edticos j\u00e1 anunciam sem rodeios que negar\u00e3o a nacionalidade israelense aos palestinos, bem como, \u00e9 claro, o direito ao voto. Para a maioria no poder, os palestinos est\u00e3o condenados para sempre ao status de popula\u00e7\u00e3o ocupada.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 simples e claramente enunciada: os \u00e1rabes n\u00e3o s\u00e3o judeus e, portanto, n\u00e3o t\u00eam o direito de reivindicar a propriedade de qualquer parte da terra prometida ao povo judeu. Para Smotrich, Shaked e Zohar, um judeu do Brooklyn que talvez nunca tenha posto os p\u00e9s nesta terra, \u00e9 um propriet\u00e1rio leg\u00edtimo, mas o \u00e1rabe que nasceu ali, assim como seus antepassados, \u00e9 um estranho cuja presen\u00e7a \u00e9 aceita apenas pela boa vontade dos judeus e sua humanidade. O palestino, diz Zohar, &#8220;n\u00e3o tem direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o porque ele n\u00e3o \u00e9 dono da terra. Eu o quero como residente, por causa de minha honestidade, uma vez que ele nasceu aqui, mora aqui, n\u00e3o vou dizer-lhe para ir embora. Lamento diz\u00ea-lo, mas [os palestinos] sofrem de uma lacuna importante: n\u00e3o nasceram judeus&#8221;.<\/p>\n<p>O que significa que, mesmo que os palestinos decidissem se converter, come\u00e7assem a deixar os peiot crescer e a estudar a Tor\u00e1 e o Talmud, de nada adiantaria. Assim como aos sudaneses e eritreus e seus filhos, que s\u00e3o israelenses em todos os aspectos \u2013 l\u00edngua, cultura, socializa\u00e7\u00e3o. Era a mesma coisa entre os nazistas. Depois vem o apartheid, que, de acordo com a maioria dos &#8220;pensadores&#8221; da direita, poderia, em certas condi\u00e7\u00f5es, se aplicar aos \u00e1rabes cidad\u00e3os israelenses desde a funda\u00e7\u00e3o do estado. Para nosso infort\u00fanio, muitos israelenses que se envergonham de tantos de seus representantes eleitos e desprezam suas ideias, por variadas raz\u00f5es, continuam a votar na direita.<\/p>\n<p>*Zeev Sternhell \u00e9 historiador, membro da Academia de Ci\u00eancias e Letras de Israel, professor da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, especialista em hist\u00f3ria do fascismo<\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/221501-zeev-sternhell-em-israel-cresce-um-racismo-proximo-do-nazismo-em-seus-primordios.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18911\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[255,78],"tags":[228],"class_list":["post-18911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-israel","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4V1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}