{"id":1894,"date":"2011-09-23T20:54:37","date_gmt":"2011-09-23T20:54:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1894"},"modified":"2011-09-23T20:54:37","modified_gmt":"2011-09-23T20:54:37","slug":"o-povo-da-grecia-luta-pela-construcao-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1894","title":{"rendered":"O Povo da Gr\u00e9cia luta pela constru\u00e7\u00e3o do futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>Os governos do capital de Washington a Berlim, alarmados com a crise pantanosa em que est\u00e3o atolados, apresentam da Gr\u00e9cia a imagem de uma sucursal do inferno. Mas pelo mundo afora milh\u00f5es de oprimidos acompanham com admira\u00e7\u00e3o e respeito o combate dos trabalhadores revolucion\u00e1rios do pa\u00eds que foi ber\u00e7o de uma civiliza\u00e7\u00e3o que marcou indelevelmente o rumo da humanidade.<\/p>\n<p>O agravamento da crise nos pa\u00edses do Sul da zona euro intensificou o debate ideol\u00f3gico na Europa.<\/p>\n<p>Os governantes, os banqueiros, os dirigentes das transnacionais e os media ditos de refer\u00eancia repetem monocordicamente que n\u00e3o h\u00e1 alternativa para o capitalismo. Mas \u00e9 indisfar\u00e7\u00e1vel o seu mal-estar perante o avolumar da contesta\u00e7\u00e3o ao sistema.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pela recess\u00e3o e pelo desemprego de dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores constatam que as guerras de agress\u00e3o imperiais e o saque dos recursos naturais dos povos do Terceiro Mundo n\u00e3o trazem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 crise estrutural do capitalismo.<\/p>\n<p>Enquanto prosseguem politicas impostas pelo capital que descarregam o custo da crise sobre as suas v\u00edtimas, desenvolvem um grande esfor\u00e7o para evitar que os protestos contra o sistema de opress\u00e3o atinjam um n\u00edvel que ameace a sua continuidade. Nesse contexto, as campanhas para promover a aliena\u00e7\u00e3o das massas s\u00e3o especialmente perversas. O objectivo \u00e9 impedir que os trabalhadores tomem consci\u00eancia do funcionamento da engrenagem da falsa democracia representativa (que na realidade \u00e9 uma ditadura de classe) e se mobilizem para um combate permanente e frontal contra o sistema.<\/p>\n<p>A tese bolorenta segundo a qual atrav\u00e9s de lentas reformas aprovadas pelos Parlamentos o capitalismo pode evoluir, humanizando-se, \u00e9 retomada em toda a Europa pelas classes dominantes. Os governantes repetem que a via eleitoral, a \u00fanica democr\u00e1tica, aponta o rumo certo para que as reivindica\u00e7\u00f5es dos oprimidos se concretizem numa atmosfera de paz social. Tudo se resolveria afinal num di\u00e1logo sereno entre o capital e o trabalho, entre os chamados parceiros sociais e o patronato.<\/p>\n<p>Um discurso complementar desse \u00e9 o dos intelectuais que, afirmando ser anti-imperialistas e anti-neoliberais, proclamam que a sa\u00edda da crise depende da ac\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Mas excluem todas as formas de viol\u00eancia na luta que deveria visar reformas graduais.<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o do socialismo e dos partidos oper\u00e1rios marxistas-leninistas \u00e9 uma constante na teoriza\u00e7\u00e3o desses senhores. Nessas campanhas desempenham um papel fundamental os social-democratas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar que as for\u00e7as da direita e os partidos social-democratas tenham recebido com mal disfar\u00e7ada simpatia a forma\u00e7\u00e3o do chamado Partido da Esquerda Europeia ao qual aderiram muitos partidos comunistas do velho Continente (o grego e o portugu\u00eas foram excep\u00e7\u00f5es). T\u00e3o ben\u00e9vola atitude \u00e9 compreens\u00edvel porque essas organiza\u00e7\u00f5es se op\u00f5em \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o da luta de massas, defendendo elas tamb\u00e9m estrat\u00e9gias reformistas que na pr\u00e1tica anestesiam a combatividade dos trabalhadores, neutralizando-os como for\u00e7a de choque.<\/p>\n<p><strong>LI\u00c7\u00d5ES DA HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o apresentada no Rio pelo representante do Partido Comunista da Gr\u00e9cia, no Semin\u00e1rio promovido pelo Partido Comunista Brasileiro para comemorar o 140\u00ba anivers\u00e1rio da Comuna de Paris (v.odiario.info, 18.09.11), \u00e9 um documento importante que contribui para a clarifica\u00e7\u00e3o do debate ideol\u00f3gico insepar\u00e1vel de grandes lutas contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno lembrar que a burguesia francesa n\u00e3o hesitou em se aliar em l871 ao ex\u00e9rcito prussiano ap\u00f3s a derrota da Fran\u00e7a, para massacrar na Paris revolucionaria os comunards comunistas.<\/p>\n<p>Essa alian\u00e7a contra natura, rica em ensinamentos para quantos lutam hoje contra o capitalismo, confirmou ent\u00e3o uma realidade enunciada por Marx: o capital n\u00e3o tem p\u00e1tria.<\/p>\n<p>O comunista grego alertou para uma evid\u00eancia: o Estado burgu\u00eas n\u00e3o pode ser utilizado contra os interesses da classe dominante. Por outras palavras, as institui\u00e7\u00f5es criadas pela burguesia para lhe servir os objectivos n\u00e3o podem funcionar como trampolim para o socialismo.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, em regimes presidencialistas tem sido poss\u00edvel eleger presidentes com programas anti-neoliberais com pendores socializantes. Mas o resultado desses processos n\u00e3o permite optimismo. No Chile \u00aba via pacifica para o socialismo\u00bb terminou num golpe sanguin\u00e1rio. No Brasil, na Argentina e no Uruguai, Lula, os Kirchner e Tabar\u00e9 Vasquez arquivaram compromissos assumidos com o povo e levaram adiante pol\u00edticas que favoreceram o grande capital, aprovadas pelo imperialismo. E na Venezuela, na Bol\u00edvia e no Equador, o desfecho das corajosas op\u00e7\u00f5es de Hugo Chavez, Evo Morales e Rafael Correa suscita interroga\u00e7\u00f5es sem resposta.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia \u00e9 ilus\u00f3ria a ideia de que possa instalar-se no poder qualquer governo empenhado em aplicar um programa de esquerda ambicioso. A \u00abdemocracia parlamentar\u00bb \u00e9, na pr\u00e1tica, uma ditadura da burguesia de fachada democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>UM LUAR DE ESPERAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>O Partido Comunista da Gr\u00e9cia presta um servi\u00e7o aos trabalhadores de todo o mundo ao sublinhar que o Estado burgu\u00eas tem de ser totalmente destru\u00eddo. Reformas cosm\u00e9ticas n\u00e3o alteram a sua ess\u00eancia de instrumento de opress\u00e3o dos explorados.<\/p>\n<p>As lutas dos trabalhadores por reivindica\u00e7\u00f5es em m\u00faltiplas frentes s\u00e3o n\u00e3o apenas necess\u00e1rias como indispens\u00e1veis. Vit\u00f3rias sectoriais abalam o poder da burguesia e fortalecem a combatividade das massas, mas essas vit\u00f3rias s\u00e3o ineficazes se n\u00e3o se inserirem numa estrat\u00e9gia de ruptura com o sistema. No \u00e2mbito de uma ruptura com a pol\u00edtica de um governo, mas dentro do sistema, s\u00e3o por este neutralizadas.<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer da ac\u00e7\u00e3o dos Movimentos Sociais. O papel desempenhado por muitos deles foi \u00fatil, contribuiu para o desmascaramento e desprest\u00edgio do neoliberalismo. Mas o imperialismo logo se apercebeu de que o car\u00e1cter espontandeista da contesta\u00e7\u00e3o ao sistema n\u00e3o configurava uma amea\u00e7a real. Algumas ONGs s\u00e3o instrumentos da CIA; uma percentagem ponder\u00e1vel \u00e9 dirigida por social-democratas anti-comunistas.A evolu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio F\u00f3rum Social Mundial -alias rapidamente infiltrado por pol\u00edticos a servi\u00e7o do capital (at\u00e9 M\u00e1rio Soares!) &#8211; demonstrou precisamente isso. Em breve, controlado por social-democratas, passou a defender a imposs\u00edvel humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>A mensagem transmitida ao mundo pelo Partido Comunista da Gr\u00e9cia no Rio de Janeiro vale por um convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre o papel decisivo e insubstitu\u00edvel do partido revolucion\u00e1rio marxista-leninista nas grandes lutas sociais do nosso tempo.<\/p>\n<p>O seu representante nos lembrou que na Gr\u00e9cia houve mais de 20 greves gerais desde 2010 e muitas sectoriais. A mobiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a dos trabalhadores foi poss\u00edvel devido ao elevado n\u00edvel da consci\u00eancia de classe e de consci\u00eancia pol\u00edtica de uma parcela important\u00edssima do povo grego. Uma frente muito ampla de organiza\u00e7\u00f5es e for\u00e7as progressistas &#8211; o PAME \u2013 uniu partidos, sindicatos, federa\u00e7\u00f5es e comit\u00e9s de orienta\u00e7\u00e3o classista em torno de objectivos consensuais.<\/p>\n<p>A luta permanente das massas travada em condi\u00e7\u00f5es dific\u00edlimas sob uma repress\u00e3o violenta n\u00e3o visou uma ruptura imediata orientada para a tomada do poder a curto prazo.<\/p>\n<p>O Partido Comunista- o KKE \u2013 sabe que tal meta \u00e9 inating\u00edvel na actual conjuntura. A reafirma\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia da destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas n\u00e3o significa que esse objectivo tenha data no calend\u00e1rio.<\/p>\n<p>Numa atmosfera de tens\u00e3o di\u00e1ria, de den\u00fancia da pol\u00edtica de vassalagem perante as imposi\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia e do imperialismo estadounidense, o KKE, sem medo das palavras, defende h\u00e1 anos um programa revolucion\u00e1rio. Sustenta com firmeza que a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o b\u00e1sicos \u00e9 na Gr\u00e9cia uma exig\u00eancia da Historia, assim como a da banca e a das telecomunica\u00e7\u00f5es e transportes. Exige a gratuidade total da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e da previd\u00eancia. E, agora, defende a sa\u00edda da Uni\u00e3o Europeia, da NATO e do euro.<\/p>\n<p>Reivindica\u00e7\u00f5es essas inaceit\u00e1veis para o Estado burgu\u00eas. Mas justas, traduzindo aspira\u00e7\u00f5es profundas de um povo que n\u00e3o esquece a repress\u00e3o selvagem do exercito brit\u00e2nico, em 1945,quando, no final da guerra, expulsos o nazis alem\u00e3es, os trabalhadores estavam prestes a conquistar o poder para construir uma sociedade progressista e livre.<\/p>\n<p>Foi essa tenacidade e lucidez na luta do KKE que viabilizou o surgimento do PAME, como organiza\u00e7\u00e3o frentista de perfil revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Enquanto de Washington a Berlim os governos do capital, alarmados com a crise pantanosa em que est\u00e3o atolados, apresentam da Gr\u00e9cia a imagem de uma sucursal do inferno, mundo afora milh\u00f5es de oprimidos acompanham com admira\u00e7\u00e3o e respeito o combate dos trabalhadores revolucion\u00e1rios do pais que foi ber\u00e7o de uma civiliza\u00e7\u00e3o que marcou indelevelmente o rumo da humanidade.<\/p>\n<p>A arrog\u00e2ncia e o poder do imperialismo desencorajam hoje, \u00e9 um facto, milh\u00f5es de pessoas. Mas a maioria das grandes revolu\u00e7\u00f5es antigas e contempor\u00e2neas irrompeu contra a l\u00f3gica aparente da Hist\u00f3ria. Os povos, quando destru\u00edram uma ordem social que para eles se havia tornado n\u00e3o somente ileg\u00edtima como insuport\u00e1vel, nem sempre pensaram no futuro imediato.<\/p>\n<p>Acumulada, a opress\u00e3o, ao ultrapassar determinado limite, gera nas v\u00edtimas uma quase indiferen\u00e7a perante a morte. E chega um momento em que o desespero, ao generalizar-se, em efeito epid\u00e9mico, disponibiliza as massas para lutas que conduzem a rupturas revolucion\u00e1rias. Isso aconteceu com o Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789,com as Revolu\u00e7\u00f5es Russas de Fevereiro e Outubro de 1917, e na segunda metade do s\u00e9culo passado no Vietnam, em Cuba, na Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Em Portugal era imprevis\u00edvel que o golpe militar do 25 de Abril fosse o pr\u00f3logo de uma revolu\u00e7\u00e3o que iria abalar o Mundo, a mais profunda na Europa Ocidental pelas suas conquistas desde a Comuna de Paris.<\/p>\n<p>Manter a esperan\u00e7a firme n\u00e3o \u00e9 uma atitude rom\u00e2ntica; \u00e9 um dever comunista. O representante do KKE admitiu no Brasil que \u00abo s\u00e9culo XXI ser\u00e1 marcado por uma nova onda de revolu\u00e7\u00f5es socialistas.\u00bb<\/p>\n<p>Fa\u00e7o minha a sua convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Vila Nova de Gaia, 20 de Setembro de 2011<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2214\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2214<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1894\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-1894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-uy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1894\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}