{"id":1895,"date":"2011-09-23T21:01:03","date_gmt":"2011-09-23T21:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1895"},"modified":"2017-10-14T00:09:28","modified_gmt":"2017-10-14T03:09:28","slug":"o-lula-secreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1895","title":{"rendered":"O Lula Secreto"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/_PaeGFK5b1uQ\/SjQtgUtSi7I\/AAAAAAAAc3U\/PuGyhq06Bd0\/s400\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><em>Nota do Editores:<\/em><\/p>\n<p><em>Reproduzimos abaixo o conjunto de textos organizado na publica\u00e7\u00e3o &#8220;O Lula secreto&#8221;, pelo blogueiro Hugo Studart, no Internacional Press &#8211; Informa\u00e7\u00e3o independente do Brasil e do mundo (http:\/\/internacionalpress.wordpress.com).<\/em><\/p>\n<p><em>O conte\u00fado pode ser originalmente encontrado em: http:\/\/internacionalpress.wordpress.com\/2011\/01\/09\/o-lula-secreto\/<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Segue colet\u00e2nea de artigos sobre o j\u00e1 m\u00edtico presidente Lula.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio Garnero, testa de ferro do Bar\u00e3o Rothschild no Brasil conta sobre o \u201cLula Secreto\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Mist\u00e9rio (e suspeita) na g\u00eanese desse lider politico<\/p>\n<p>\u201cUm dos grandes mist\u00e9rios da hist\u00f3ria politica brasileira \u00e9 compreender por que, afinal, os pr\u00f3ceres do regime militar deixaram um jovem e desconhecido metal\u00fargico Lu\u00eds In\u00e1cio da Silva, sem origem partid\u00e1ria e sem refer\u00eancia, sem grandes articula\u00e7\u00f5es, de repente se transformar em grande l\u00edder. Lula tem estrela? Sorte? \u00c9 um predestinado? Ou teria sido constru\u00eddo, meticulosamente, nos arquivos secretos da ditadura? Fala-se inclusive, entre os militares da repress\u00e3o, que Lula seria inven\u00e7\u00e3o do general Golbery do Couto e Silva, em arma\u00e7\u00e3o com o empres\u00e1rio Mario Garnero. Ser\u00e1? Esta \u00faltima possibilidade, a de haver um \u201cLula Secreto\u201d, sempre foi aventada, mas nunca provada.<\/p>\n<p>Recebi tempos atr\u00e1s (de Alfredo Pereira dos Santos) c\u00f3pia do capitulo de um livro de autoria do pr\u00f3prio M\u00e1rio Garnero, \u201cJOGO DURO\u201d, relatando sua rela\u00e7\u00e3o com Lula nos anos 70. O livro, j\u00e1 esgotado, foi editado pela Best Seller em 1988. O depoimento em quest\u00e3o vai da p\u00e1gina 130 \u00e0 135. \u201cAlgu\u00e9m j\u00e1 estranhou o fato do Lula jamais ter contestado o que o Garnero disse no livro nem t\u00ea-lo processado?\u201d, indaga Alfredo Pereira Santos, autor da digitaliza\u00e7\u00e3o do trecho. Seria essa recusa decorrente da afirma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Garnero, segundo a qual\u2026<\/p>\n<p>\u201cLonge de mim querer acus\u00e1-lo de ser o Cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contr\u00e1rio do que ocorre com o pr\u00f3prio Lula, eu s\u00f3 acuso com as devidas provas. S\u00f3 me reservo o direito de achar estranho\u201d (\u2026) \u201cLula foi a pe\u00e7a sindical na estrat\u00e9gia de distens\u00e3o tramada pelo Golbery \u2013 o que n\u00e3o sei dizer \u00e9 se Lula sabia ou n\u00e3o sabia que estava desempenhando esse papel\u201d, escreve ainda Garnero.<\/p>\n<p>Procurei o pr\u00f3prio M\u00e1rio Garnero para conversar sobre o assunto. Ele me recebeu com toda defer\u00eancia, na sede do Brazilinvest, na av. Faria Lima, S\u00e3o Paulo. Em almo\u00e7o com talheres de prata. \u201cN\u00e3o quero mais falar sobre isso\u201d, desconversou Garnero. Sobre o livro, ele disse que j\u00e1 passou, que os tempos s\u00e3o outros (escreveu-o depois de ser preso, quando ainda guardava muitas m\u00e1goas), e que hoje n\u00e3o tem qualquer inten\u00e7\u00e3o de ressuscitar o assunto. Insisti daqui, perguntei das mais diversas formas. Sempre muito gentil, nada de novo informou. Mas o essencial est\u00e1 registrado em livro. Fiquem com o depoimento do Garnero, vale \u00e0 pena ler at\u00e9 o fim e a fim de tirar as pr\u00f3prias conclus\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/internacionalpress.wordpress.com\/2011\/01\/09\/o-lula-secreto\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hugo_Studart\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hugo Studart<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>Um dos motivos para a recusa de Garnero em comentar o assunto pode se dar ao fato de que quase 20 anos depois de ter sido banido do mercado financeiro, M\u00e1rio Garnero voltou ao centro do poder abra\u00e7ado ao governo Lula. \u00c0 frente dos presidentes do Senado, Jos\u00e9 Sarney, e do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, dos ministros Dilma Rousseff e Ciro Gomes e de sete governadores, foi anfitri\u00e3o das autoridades e dos 300 empres\u00e1rios presentes em semin\u00e1rio no ano de 2004.<\/p>\n<p>Foi em 2002 que Garnero entrou em a\u00e7\u00e3o e ofereceu seus servi\u00e7os para aproximar o PT e os banqueiros internacionais. Uma resposta ao tal \u201clulometro\u201d, um \u00edndice de desconfian\u00e7a do capital estrangeiro com a poss\u00edvel elei\u00e7\u00e3o de Lula a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Garnero at\u00e9 articulou uma viagem de Jos\u00e9 Dirceu aos Estados Unidos que incluiu desde palestras para investidores no banco Morgan Stanley at\u00e9 visitas a gabinetes de altos funcion\u00e1rios em plena Casa Branca.<\/p>\n<p>Eis a transcri\u00e7\u00e3o de seu livro de 1988:<\/p>\n<p>\u201cEu me vi obrigado, no final do ano passado, a enviar um bilhetinho pessoal a um velho conhecido, dos tempos das jornadas sindicais do ABC. Esse meu conhecido tinha ido a um programa de tev\u00ea e, de passagem, fez coment\u00e1rios a meu respeito e sobre o Brasilinvest que n\u00e3o correspondem \u00e0 verdade e n\u00e3o fazem jus \u00e0 sua intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Sentei e escrevi: \u201cLula\u2026\u201d Achei que tinha suficiente intimidade para cham\u00e1-lo assim, embora, no envelope, dirigido ao Congresso Nacional, em Bras\u00edlia, eu tenha endere\u00e7ado, solenemente: \u201cA Sua Excel\u00eancia, Sr. Luiz Ign\u00e1cio Lula da Silva\u201d. Espero que o portador o tenha reconhecido, por tr\u00e1s daquelas barbas.<\/p>\n<p>No bilhete, tentei recordar ao constituinte mais votado de S\u00e3o Paulo duas ou tr\u00eas coisas do passado, que dizem respeito ao mais ativo l\u00edder metal\u00fargico de S\u00e3o Bernardo: ele pr\u00f3prio, o Lula. N\u00e3o sei como o nobre parlamentar, investido de novas preocupa\u00e7\u00f5es, anda de mem\u00f3ria. N\u00e3o custa, portanto, lembrar-lhe. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o justific\u00e1vel, pois o grande l\u00edder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo li\u00e7\u00f5es de sindicalismo da <a href=\"http:\/\/www.jhu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Johns Hopkins University<\/a>, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber l\u00e1, um dia. Na universidade americana at\u00e9 hoje todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos fatos que passarei a narrar, sinto-me no direito de externar minha estranheza quanto \u00e0 facilidade com que se procedeu \u00e0 ascens\u00e3o irresist\u00edvel de Lula, nos anos 70, \u00e9poca em que outros advers\u00e1rios do governo, \u00e0s vezes muito mais inofensivos, foram tratados com impiedade. Lula, n\u00e3o \u2013 foi em frente, progrediu. Longe de mim querer acus\u00e1-lo de ser o Cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contr\u00e1rio do que ocorre com o pr\u00f3prio Lula, eu s\u00f3 acuso com as devidas provas. S\u00f3 me reservo o direito de achar estranho..<\/p>\n<p>Lembro-me do primeiro Lula, l\u00e1 por 1976, sendo apresentado por seu patr\u00e3o Paulo Villares ao Werner Jessen, da Mercedes-Benz, e, de repente, eis que aparece o tal Lula \u00e0 frente da primeira greve que houve na ind\u00fastria automobil\u00edstica durante o regime militar, ele que at\u00e9 ent\u00e3o era apenas o amigo do Paulo Villares, seu patr\u00e3o. Recordo-me de a imprensa cobrir Lula de elogios, estimulando-o, num momento em que a distens\u00e3o apenas come\u00e7ava, e de um epis\u00f3dio que \u00e9 capaz de deixar qualquer um, mesmo os desatentos, com um p\u00e9 atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Foi em 1978, in\u00edcio do m\u00eas de maio. Os metal\u00fargicos tinham cruzado os bra\u00e7os, a ind\u00fastria automobil\u00edstica estava parada e n\u00f3s, em Bras\u00edlia, em nome da Anfavea , conversando com o governo sobre o que fazer. Era manh\u00e3 de domingo e estive com o ministro M\u00e1rio Henrique Simonsen. Ele estivera com o presidente Geisel, que recomendou modera\u00e7\u00e3o: tentar negociar com os grevistas, sem alarido. Imagine: era um passo que nenhum governo militar jamais dera, o da negocia\u00e7\u00e3o com oper\u00e1rios em greve. Geisel devia ter alguma coisa a mais na cabe\u00e7a. Ele e, tenho certeza, o ministro Golbery.<\/p>\n<p>Simonsen apenas comentou, de passagem, que Geisel tinha recomendado que Lula n\u00e3o falasse naquela noite na televis\u00e3o, como estava programado. Ele era o convidado do programa Vox Populi, que ia ao ar na TV Cultura-o canal semi-oficial do governo de S\u00e3o Paulo. Seria uma situa\u00e7\u00e3o melindrosa. \u201cNem ele, nem ningu\u00e9m mais que fale em greve\u201d, ordenou Geisel.<\/p>\n<p>Sa\u00ed de Bras\u00edlia naquela manh\u00e3 mesmo, reconfortado pela not\u00edcia de que ao governo interessava negociar. Desci no Rio com as malas e me preparei para embarcar naquela noite para uma longa viagem de neg\u00f3cios que come\u00e7ava nos Estados Unidos e terminava no Jap\u00e3o. Sa\u00ed de Bras\u00edlia tamb\u00e9m com a informa\u00e7\u00e3o de que Lula n\u00e3o ia ao ar naquela noite.<\/p>\n<p>Mas foi, e, no auge da conflagra\u00e7\u00e3o grevista, disse o que queria dizer, numa televis\u00e3o sustentada pelo governo estadual. Fiquei sabendo da surpreendente reviravolta da hist\u00f3ria num telefonema que dei dos Estados Unidos, no dia seguinte. Senti, ali, o dedo do general Golbery. Mais tarde, tive condi\u00e7\u00f5es de reconstituir melhor o epis\u00f3dio e apurei que Lula s\u00f3 foi ao ar naquele domingo porque no vai-n\u00e3o-vai que precedeu o programa, at\u00e9 uma hora e meia antes do hor\u00e1rio, prevaleceu a opini\u00e3o de Golbery, que achava importante, por alguma raz\u00e3o, que Lula aparecesse no v\u00eddeo. O general Dilermando Monteiro, comandante do II Ex\u00e9rcito, aceitou a argumenta\u00e7\u00e3o, e o governador Paulo Egydio Martins, instrumentado pelo Planalto, deu o <em>nihil obsta<\/em>t final ao Vox Populi.<\/p>\n<p>Lula foi a pe\u00e7a sindical na estrat\u00e9gia de distens\u00e3o tramada pelo Golbery \u2013 o que n\u00e3o sei dizer \u00e9 se Lula sabia ou n\u00e3o sabia que estava desempenhando esse papel. S\u00f3 isso pode explicar que, naquele mesmo ano, o governo Geisel tenha cassado o deputado Alencar Furtado, que falou uma ou outra besteira, e uns pol\u00edticos inofensivos de Santos, e tenha poupado o Lula, que levantava a massa em S\u00e3o Bernardo. \u00c9 prov\u00e1vel que, no ABC, o governo quisesse experimentar, de fato, a distens\u00e3o. Lula fez a sua parte.<\/p>\n<p>Mais tarde, ele chegou a ser preso, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, enfrentou a amea\u00e7a de helic\u00f3pteros do Ex\u00e9rcito voando rasantes sobre o est\u00e1dio de Vila Euclides, mas tenho um outro testemunho pessoal que demonstra o tratamento respeitoso, eu diria quase especial, conferido pelo governo Geisel ao Lula- por governo Geisel eu entendo, particularmente, o general Golbery. Dois ex-ministros do Trabalho- Almir Pazzianotto e Murilo Macedo \u2013 podem dar f\u00e9 ao que vou narrar.<\/p>\n<p>A\u00ed, j\u00e1 est\u00e1vamos na greve de 1979, que foi especialmente tumultuada. O movimento se prolongava, a ind\u00fastria estava parada havia quinze dias, e todos n\u00f3s, exaustos, empres\u00e1rios e trabalhadores, tent\u00e1vamos uma solu\u00e7\u00e3o. Marcamos, no fim de semana, uma reuni\u00e3o na casa do ministro do Trabalho, Murilo Macedo, aqui em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Domingo , 8 da noite. O ministro, mais o Theobaldo de Nigris, presidente da Fiesp, dois ou tr\u00eas representantes de sindicatos patronais, eu, pela ind\u00fastria automobil\u00edstica, e a diretoria dos tr\u00eas sindicatos oper\u00e1rios, o de S\u00e3o Bernardo, o de S\u00e3o Caetano e o de Santo Andr\u00e9. Reuni\u00e3o sigilosa. Coisas do Brasil: como era um encontro reservado, a imprensa ficou sabendo. Chegou antes de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Muita tens\u00e3o, muito cansa\u00e7o. E como o u\u00edsque do ministro era generoso, por volta das 2 da manh\u00e3 tivemos a primeira queda. Literalmente, desabou sobre a mesa de negocia\u00e7\u00f5es o deputado federal Benedito Marc\u00edlio, presidente do Sindicato de S\u00e3o Caetano, continuamos sem ele. Por volta das 4 e meia da madrugada , fechamos o acordo com Lula e com o outro (Pazzianotto servia como assessor jur\u00eddico do Sindicato de S\u00e3o Bernardo). Saem todos. Lula assume o compromisso de ir direto para a assembl\u00e9ia permanente em Vila Euclides, e desmobilizar a greve. O ministro do Trabalho, aliviado, ainda teve tempo de confidenciar: \u201cOlha, se n\u00e3o sa\u00edsse esse acordo, teria interven\u00e7\u00e3o nos sindicatos\u201d. Fomos dormir.<\/p>\n<p>Quando acordei, disposto a saborear os frutos do trabalhoso entendimento, sou informado de que, de fato, Lula tinha ido direto para a assembl\u00e9ia. Como prometera. Chegou l\u00e1 e botou fogo na massa. A greve iria continuar. Acho dif\u00edcil que ele tenha feito de m\u00e1 f\u00e9. Sujeito male\u00e1vel, sens\u00edvel, ele deve ter percebido que o seu poder de persuas\u00e3o sobre a assembl\u00e9ia n\u00e3o era t\u00e3o amplo assim. Cedeu. Mesmo sabendo que as conseq\u00fc\u00eancias se voltariam contra ele, como havia dito o ministro Murilo Macedo: interven\u00e7\u00e3o no sindicato, ele afastado. Foi o que se deu.<\/p>\n<p>Gostaria de lembrar ao Lula \u2013 que me trata como um desafeto \u2013 que sua volta ao sindicato, em 1979, come\u00e7ou a acontecer num escrit\u00f3rio da Avenida Faria Lima, n\u00famero 888, um dia depois da interven\u00e7\u00e3o decretada. Ocorre que esse escrit\u00f3rio era o meu e que ainda guardo uma imagem bastante n\u00edtida do Lula e do Almir Pazzianotto, sentadinhos nesse mesmo sof\u00e1 que eu ainda tenho sob meus olhos, enquanto eu ligava alternadamente para o Murilo Macedo e para o M\u00e1rio Henrique Simonsen, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8211; Se a interven\u00e7\u00e3o acabar no ato, eu paro a greve \u2013 dizia Lula.<\/p>\n<p>Eu transmitia o recado aos dois ministros que negociavam em nome do governo.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, o governo n\u00e3o pode fazer isso. P\u00e1ra a greve que, em quinze, vinte dias, o sindicato estar\u00e1 livre \u2013 me respondiam, de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Lula foi cedendo, aconselhado pelo Pazzianotto. Mas o acordo empacou num ponto:<\/p>\n<p>&#8211; Como \u00e9 que vou l\u00e1 propor isso \u00e0 pe\u00e3ozada, se n\u00e3o tenho nenhuma garantia de que o governo vai cumprir a promessa de acabar com a interven\u00e7\u00e3o? \u2013 observou ele, cauteloso.<\/p>\n<p>Confesso que tamb\u00e9m empaquei. Mas decidi arriscar:<\/p>\n<p>&#8211; E se for eu o fiador? \u2013 perguntei. Era a \u00fanica garantia que poderia oferecer.<\/p>\n<p>&#8211; Como assim? \u2013 quis saber Pazzianotto.<\/p>\n<p>&#8211; O seguinte: se o Lula n\u00e3o voltar ao sindicato, eu, na qualidade de presidente da Anfavea, vou ao p\u00fablico e conto esta hist\u00f3ria, dizendo que eu tamb\u00e9m fui ludibriado. Entro nisso com voc\u00eas.<\/p>\n<p>Lula pensou um minuto:<\/p>\n<p>&#8211; Aceito.<\/p>\n<p>Liguei para o ministro Simonsen, para o Murilo Macedo, e, depois, para o Golbery, que prometeu: \u201cN\u00f3s suspendemos a interven\u00e7\u00e3o dentro de um m\u00eas e ele volta\u201d.<\/p>\n<p>A greve terminou. A interven\u00e7\u00e3o foi suspensa em dez dias. Lula voltou \u00e0 presid\u00eancia do Sindicato de Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo e Diadema, para se preparar para v\u00f4os mais ambiciosos, que eu ainda acompanho, \u00e0 dist\u00e2ncia, com bastante interesse.<\/p>\n<p>No programa de tev\u00ea que citei, Lula reclamava de o Brasilinvest n\u00e3o ter pago seus d\u00e9bitos. O Brasilinvest nunca deveu aos trabalhadores, nem aos contribuintes brasileiros. Naquele momento em que Lula falava, os \u00fanicos credores com os quais os Brasilinvest ainda n\u00e3o tinha resolvido todas as suas pend\u00eancias eram uns poucos bancos estrangeiros. <strong>Curioso que o presidente do Partido dos Trabalhadores tomasse as dores de banqueiros internacionais.<\/strong>\u201c<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dora Kramer fragmento de artigo publicado no Jornal do Brasil, 18 de agosto de 2004:<\/p>\n<p>\u201cO sindicalista Lula \u2013 ao contr\u00e1rio do que parece &#8211; n\u00e3o se absteve de estudar. H\u00e1 relatos \u2013 nunca desmentidos \u2013 de sua prepara\u00e7\u00e3o em cursos de AFL CIO, as centrais sindicais norte-americanas, quintess\u00eancia do peleguismo e do anti-esquerdismo em geral e na John Hopkins University, em Baltimore, Estados Unidos (em 1972 ou 73), onde teria feito um curso de lideran\u00e7a sindical, desenhado sob medida para parecer de esquerda, apenas parecer, mas servir ao sistema dominante. Merece um doutorado honoris causa, ou seria horroris causa? E, al\u00e9m disso, j\u00e1 como diretor do sindicato dos Metal\u00fargicos, cursou o Instituto Interamericano para o Sindicalismo Livre, (Iadesil), sustentado pela CIA e passou a adotar sua pr\u00f3pria \u201cagenda\u201d, livrando-se do pr\u00f3prio irm\u00e3o, o Frei Chico, quadro do Partido Comunista.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p>Da entrevista do ex-deputado Sinval Boaventura ao <a href=\"http:\/\/www.jornalopcao.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal Op\u00e7\u00e3o<\/a> na edi\u00e7\u00e3o de 22 a 28 de janeiro de 2006. (Foto: Golbery)<\/p>\n<p>\u201c<strong>Rep\u00f3rter: \u00c9 verdadeira a hist\u00f3ria de uma reuni\u00e3o na casa do ent\u00e3o deputado Sim\u00f5es da Cunha, na qual a deputada Ivete Vargas teria contado que sa\u00edra de um encontro com o general Golbery e este revelou que ia projetar o sindicalista Lula para ser o anti-Brizola ?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sinval Boaventura:<\/strong> A Ivete Vargas* disse que tinha estado com o ministro Golbery, na ch\u00e1cara dele, e que ele dissera que precisava trazer o Brizola para o Brasil, porque ele estava se tornando um mito muito forte fora do pa\u00eds. Que era melhor ele voltar e disputar elei\u00e7\u00e3o, porque assim perderia o prestigio politico. Fui ao Golbery e ele confirmou a conversa com a Ivete. Explicou que sua estrat\u00e9gia era estimular a imprensa para projetar o Luiz In\u00e1cio da Silva, o Lula, um grande lider metal\u00fargico de S\u00e3o Paulo como uma lideran\u00e7a inteligente expressiva, para ser preparado como o anti-Brizola. Sou testemunha deste tese do general Golbery. \u201c<\/p>\n<p><em>*Ivete Vargas cujo marido trabalhava para Golbery, em 1979 presidiu uma das fac\u00e7\u00f5es que disputaram o controle da sigla do PTB, com o grupo de Leonel Brizola, e finalmente, em 1980, por decis\u00e3o do TSE, ganhou a disputa, e se tornou a Presidente Nacional do Novo PTB. Um novo PTB, governista, criado exclusivamente para enfraquecer Brizola.<\/em><\/p>\n<p>Da entrevista de Jarbas Passarinho de 2008 na Terra Magazine:<\/p>\n<p><strong>Terra Magazine \u2013 As vit\u00f3rias de FHC e Lula, um intelectual e um oper\u00e1rio, podem ser consideradas uma heran\u00e7a de 68?<\/strong><\/p>\n<p>Jarbas Passarinho \u2013 Do Fernando Henrique, sim. Porque, como disse o Delfim (Netto), ele foi auto-exilado. Ele saiu do Brasil como o Delfim dizia: com passaporte e bagagem despachada (risos).<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 um julgamento suspeito. FHC e Delfim n\u00e3o se d\u00e3o bem\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Tanto ele como o (Jos\u00e9) Serra. Todos os dois depois ficaram meus amigos. Esse (FHC) eu considero um subproduto direto. O Lula, n\u00e3o. Lula pode constar como do Golbery (do Couto e Silva, 1911-1987, general e fundador do SNI).<\/p>\n<p><strong>Golbery, por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Golbery fez tudo para conquistar o Lula. E a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Figueiredo foi quando Lula come\u00e7ou a fazer as greves. Entendia que ele fosse um \u00eamulo de Gandhi, j\u00e1 que ele n\u00e3o tinha lido o (Henry David) Thoreau, mestre da desobedi\u00eancia civil. Ele n\u00e3o leu nada, ent\u00e3o \u00e9 isto. Mas Gandhi ele devia saber\u2026 Me lembro quando ele deu uma declara\u00e7\u00e3o \u00e0 TV, n\u00e3o aceitando a decis\u00e3o do Tribunal do Trabalho de S\u00e3o Paulo sobre a reposi\u00e7\u00e3o salarial dos trabalhadores. Lula disse: \u201cN\u00e3o reconhe\u00e7o esse tribunal\u201d. Me lembro bem. Era desobedi\u00eancia civil! Coloco bem diferente do resto, at\u00e9 porque a rea\u00e7\u00e3o dele j\u00e1 foi quando todas as liberdades fundamentais estavam restabelecidas.<\/p>\n<p><strong>O senhor conversou com Golbery, alguma vez, sobre Lula?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Minhas rela\u00e7\u00f5es com Golbery foram dif\u00edceis. No final, como eu fa\u00e7o muito no meu estilo, quando ele se demitiu do governo, eu era ministro e fui visit\u00e1-lo. Ali\u00e1s, fiquei impressionado porque era um s\u00edtio cheio de animais, a esposa dele gostava muito. E as estantes dele eram muito prec\u00e1rias do ponto de vista da madeira. Mas eram enormes, um pavilh\u00e3o inteiro de livros. Com a vantagem de que eram livros que eu tamb\u00e9m tinha lido (risos). Ele n\u00e3o comprava a coisa por metro.<\/p>\n<p><strong>O governo militar estimulou a lideran\u00e7a de Lula?<\/strong><\/p>\n<p>Creio que a pol\u00edtica sindical \u00e9 tipicamente isso. Agora, cada vez mais, o l\u00edder sindical trabalha sempre pra ter as melhorias imediatas. Aqui e agora. Saiu numa publica\u00e7\u00e3o a\u00ed de S\u00e3o Paulo que os colegas do Lula ficaram decepcionados com as ades\u00f5es ao governo. Foi todo mundo pescar na represa Billings (risos). Lula, do ponto de vista original, iludiu demais. E tem esse grupo da esquerda burocr\u00e1tica, ao mesmo tempo uma esquerda suave, como a do intelectual Fernando Henrique, que pediu pra esquecerem o que ele escreveu; porque o mundo mudou. Realmente, mudou muita coisa. O Fernando Henrique, pra chegar ao poder, veio apoiado pelo que hoje \u00e9 o DEM.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u2018N\u00e3o sabia que Lula tinha derrotado os comunistas\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Em 1975, antes mesmo de tomar posse como governador, <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Egydio_Martins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Egydio<\/a> deu posse a Luiz In\u00e1cio Lula da Silva como presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n<p>\u201cIsso provocou uma rea\u00e7\u00e3o da chamada comunidade de informa\u00e7\u00f5es\u201d, diz. Geisel teria perguntado \u201co que deu na cabe\u00e7a\u201d de Paulo Egydio. Ele explicou que Lula era advers\u00e1rio dos comunistas. Geisel relaxou: \u201cMas eu n\u00e3o sabia que ele tinha derrotado os comunistas\u201d. Segundo Egydio, Golbery do Couto e Silva, da Casa Civil, manobrou para \u201catrair\u201d Lula para a pol\u00edtica.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil, 2008<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa comemora\u00e7\u00e3o dos 60 anos do grupo p\u00e3o de a\u00e7\u00facar [eu estive presente], a \u00fanica coisa que se ouviu da \u2018direita conservadora\u2019 \u00e9 a uni\u00e3o do Brasil grande com Lula.<\/p>\n<p>Est\u00e1 se formando na elite empresarial brasileira um pensamento de que o Lula \u00e9 um homem que a elite pode confiar com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios, banqueiros e ruralistas demonstraram ao Lula, pessoalmente, suas inten\u00e7\u00f5es e projetos de que o PT continue no governo por mais 8 anos.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio <strong>Ab\u00edlio Dinis<\/strong>, presidente do Grupo P\u00e3o de A\u00e7ucar, foi pessoalmente se desculpar ao Lula pelo seu seq\u00fcestro em 1989 atribu\u00eddo ao Lula e ao PT (o pedido de desculpa foi p\u00fablico). A imprensa de hoje j\u00e1 d\u00e1 sinais de que o pedido de desculpas foi aceito e que, agora, v\u00e3o em frente como aliados empres\u00e1rios e Lula].<\/p>\n<p>O golpe que muitos temiam neste grupo da resist\u00eancia e de militares n\u00e3o vir\u00e1 da esquerda e sim da direita e das elites corporativas.<\/p>\n<p>Detalhe:<\/p>\n<p>Havia muita gente da <a href=\"http:\/\/internacionalpress.wordpress.com\/2011\/01\/09\/o-lula-secreto\/www.udr.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>UDR<\/strong> <\/a>e dos frigor\u00edficos de carne bovina [setor a que eu perten\u00e7o] presente no encontro e todos, quase por unanimidade, est\u00e3o embarcando neste projeto de \u2018Lula mais 8 anos\u2019,[DILMA!] no maior e mais rico estado da federa\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 um bom sinal do que poder\u00e1 acontecer no futuro.<\/p>\n<p>Rui Vicentini\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>O que os empres\u00e1rios acham de Lula:<\/strong><\/p>\n<p>O mundo j\u00e1 deu tantas voltas nestes quase vinte anos que separam <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/multimidia\/blogs\/blog-na-rede\/em-1989-sequestro-de-abilio-diniz-foi-relacionado-ao-pt-e-desmentido-logo-apos-eleicoes-mostra-pesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o seq\u00fcestro da festa dos Diniz<\/a>que o dono do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar n\u00e3o apenas convida Lula para ser uma das estrelas de seu jantar como lidera um grupo de empres\u00e1rios para um projeto p\u00f3s-2010 em torno do presidente. De acordo com um interlocutor de Diniz, o grupo, do qual fariam parte tamb\u00e9m o empreiteiro Em\u00edlio Odebrecht, da <strong>Odebrecht<\/strong>, e Beto Sicupira, da <strong>InBev<\/strong> e amigo de Diniz, quer aproximar o presidente da gest\u00e3o e do dia-a-dia das grandes empresas brasileiras depois que ele deixar o cargo.<\/p>\n<p>\u201cEsse grupo de empres\u00e1rios critica o h\u00e1bito que os pol\u00edticos brasileiros t\u00eam de deixar os cargos e fazer cursos nos EUA, ficando l\u00e1 como bobos, sem nem entender direito ingl\u00eas\u201d, diz o amigo de Diniz. Eles acreditariam que Lula, mesmo tendo dirigido o pa\u00eds por oito anos, ainda teria o que aprender com as empresas brasileiras, muitas delas hoje multinacionais. A coluna tenta conversar com Diniz sobre o \u201cprojeto Lula p\u00f3s-2010\u2033. Ele sorri. A coluna insiste. E Diniz, sempre sorrindo: \u201cN\u00e3o posso comentar nada.\u201d<\/p>\n<p>O jantar do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar reuniu tantos empres\u00e1rios e autoridades, como os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Dilma Roussef, da Casa Civil, entre outros -que foram mobilizados 30 agentes de seguran\u00e7a da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 20 batedores do aeroporto at\u00e9 o local do jantar, 20 agentes do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e mais seguran\u00e7as da Casa Fasano para zelar pela tranq\u00fcilidade dos convidados. Cerca de 200 funcion\u00e1rios do Fasano serviam guloseimas como tartare de salm\u00e3o envolto em papel de arroz, camar\u00e3o em crosta de gergelim e vieiras com perfume de gengibre sobre risoto de pistache, mini-folhado de perdiz e papoula, vol-au-vent de camembert e damasco; para beber, espumante Valentim, nacional, feito em homenagem ao patriarca do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Valentim Diniz, que morreu em mar\u00e7o, aos 94 anos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Lula j\u00e1 deu aos banqueiros 75 bilh\u00f5es em duas semanas<\/strong><\/p>\n<p>O governo Lula j\u00e1 tirou mais de R$ 75 bilh\u00f5es das reservas brasileiras, ou seja, dinheiro p\u00fablico, para aliviar os bancos da fal\u00eancia<\/p>\n<p>9 de outubro de 2008<\/p>\n<p>Apesar da imunidade fict\u00edcia criada pelo governo Lula, da interfer\u00eancia da crise financeira sobre o Brasil, somente nas duas \u00faltimas semanas foram despejados nos cofres dos banqueiros, nada mais, nada menos que R$ 75 bilh\u00f5es. Este valor \u00e9 o que j\u00e1 foi entregue para conter as fal\u00eancias dos bancos privados, mas a tend\u00eancia \u00e9 que a transfer\u00eancia de dinheiro p\u00fablico para os bancos seja ainda maior, pois o governo est\u00e1 preparando novas medidas para dar liberdade total para o Banco Central atuar na defesa incondicional de bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 prevendo repasse de R$ 5 bilh\u00f5es para o setor da Agricultura. S\u00e3o outros R$ 10 bilh\u00f5es para o Fundo da Marinha Mercante e R$ 15 bilh\u00f5es a mais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) poder disponibilizar na forma de linhas de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O governo tirou a obriga\u00e7\u00e3o dos bancos de realizar os dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios, dep\u00f3sitos realizados no Banco Central, diariamente, pelas institui\u00e7\u00f5es. Com esta isen\u00e7\u00e3o, os bancos possuem mais dinheiro em caixa para assim evitar falta de liquidez. Foi aumentada de R$ 100 milh\u00f5es para R$ 300 milh\u00f5es o valor que os bancos podem deixar de depositar a t\u00edtulo de dep\u00f3sito compuls\u00f3rio. Somente esta medida fez com que os bancos tivessem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para gastar, R$ 5,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda sobre os dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios o governo deu aos bancos a isen\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito em 40% para os bancos que comprarem carteiras de empr\u00e9stimos de institui\u00e7\u00f5es que estiverem em crise. Com esta medida ser\u00e3o repassados para os bancos, mais R$ 23,4 bilh\u00f5es. Ainda h\u00e1 a medida que adia o prazo de aumento da al\u00edquota do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio para as empresas que trabalham com leasing. Isso elevou o montante em mais R$ 8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Jos\u00e9 de Souza Martins*<\/p>\n<p>Quem viu as fotografias e leu o notici\u00e1rio sobre a visita do presidente Luiz In\u00e1cio a Palmeira dos \u00cdndios, em Alagoas, deve ter estranhado exuberantes elogios (al\u00e9m da carona no Aerolula) ao ex-presidente Collor, extensivos a Renan Calheiros, que teve problemas na presid\u00eancia do Senado. A que se pode juntar os elogios e o empenhado apoio que nestes dias deu a Jos\u00e9 Sarney, presidente do Senado, enrolado na quest\u00e3o dos atos secretos de nomea\u00e7\u00f5es para fun\u00e7\u00f5es naquela casa do Congresso.<\/p>\n<p>REABILITA\u00c7\u00c3O \u2013 Em Alagoas, o presidente fala de Collor com \u00eanfase, ap\u00f3s lhe dar carona no Aerolula<\/p>\n<p>O Lula e o PT de hoje s\u00e3o irreconhec\u00edveis em face do que disseram que seriam, no manifesto de funda\u00e7\u00e3o do partido, em 1980. Eles se tornaram interessantes enigmas para a compreens\u00e3o dos nossos impasses pol\u00edticos, os de uma hist\u00f3ria pol\u00edtica que avan\u00e7a recuando. Em discurso de 1980, na Escola Superior de Guerra, o general Golbery do Couto e Silva, militar culto, ide\u00f3logo do regime instaurado pelo golpe de Estado de 1964, deu indica\u00e7\u00f5es sobre a arma\u00e7\u00e3o do futuro pol\u00edtico do Pa\u00eds e do lugar que nele vislumbrara para Lula. O discurso est\u00e1 centrado nos requisitos da seguran\u00e7a nacional e se refere ao \u00e2mbito da liberdade pol\u00edtica que romperia a depend\u00eancia de fac\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Para ele, a redu\u00e7\u00e3o da liberdade pol\u00edtica criara uma rede de organiza\u00e7\u00f5es extrapol\u00edticas de oposi\u00e7\u00e3o ao regime. A abertura se justificava como meio de fazer com que os partidos renascessem \u201cna plenitude de sua fun\u00e7\u00e3o de partidos\u201d, para que a pol\u00edtica retornasse ao seu leito natural, forma de manter as oposi\u00e7\u00f5es divididas. Dedica umas poucas palavras \u00e0 \u201cala esquerdista da Igreja\u201d, e \u00e9 quando cita Lula enquanto membro de uma elite sindical de l\u00edderes aut\u00eanticos, \u201csem revanchismo ideol\u00f3gico\u201d. Lula \u201cpoderia ter sido\u201d um desses l\u00edderes, diz Golbery, que se confessa desapontado com ele porque fora atra\u00eddo \u201cpara as atividades mais pol\u00edticas do que propriamente sindicais\u201d.<\/p>\n<p>Intuitivo e pr\u00e1tico, tudo sugere que Lula aos poucos compreendeu o plano de Golbery melhor do que o pr\u00f3prio Golbery. Era evidente a orfandade das esquerdas, que culminaria com a queda do Muro de Berlim no fim de 1989. No Brasil essa orfandade se traduzia numa fragmenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o extensa que Paulo Vannuchi, hoje secret\u00e1rio de Direitos Humanos, chegou a escrever util\u00edssimo manual que mapeia e lista todos os grupos partid\u00e1rios da esquerda clandestina, indicando a origem de cada um como fragmento de outro. Sem passar pela aglutina\u00e7\u00e3o de ao menos parte dessa esquerda fragment\u00e1ria, Lula nunca teria conseguido a legitimidade propriamente pol\u00edtica que o tornaria a personagem que \u00e9.<\/p>\n<p>Assim como Golbery, Lula tamb\u00e9m compreendeu que a Igreja Cat\u00f3lica estava dividida em consequ\u00eancia das inova\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II e que nela havia uma importante fac\u00e7\u00e3o, que ia de leigos a bispos, ansiosa por aliar-se \u00e0s esquerdas com base no capital pol\u00edtico das comunidades eclesiais de base. A Igreja tinha seus motivos, temerosa de ver-se repudiada por ponder\u00e1veis parcelas da popula\u00e7\u00e3o, vitimadas por not\u00f3rias car\u00eancias sociais. A primeira manifesta\u00e7\u00e3o da Igreja em favor da reforma agr\u00e1ria fora em 1950 e viera de um bispo conservador da diocese de Campanha (MG), dom Inoc\u00eancio Engelke, que alude em sua carta pastoral ao risco de que o \u00eaxodo de trabalhadores rurais para a cidade os colocasse \u00e0 merc\u00ea do proselitismo comunista. \u00c9 evidente que essa Igreja tamb\u00e9m compreendeu que Lula era um personagem politicamente \u00e0 deriva ao qual poderia aliar-se, como se aliou.<\/p>\n<p>Oper\u00e1rio qualificado e bem pago de multinacional, Lula compreendia que o sindicalismo da era Vargas se tornava obsoleto e agonizava, impr\u00f3prio para a nova milit\u00e2ncia do entendimento e da mesa de negocia\u00e7\u00e3o. O sindicalismo lulista era apenas o instrumento da nova realidade das rela\u00e7\u00f5es laborais, divorciadas da concep\u00e7\u00e3o de classes sociais, tendente ao fortalecimento das categorias profissionais e setoriais. Longe, portanto, do mito da greve geral, a greve pol\u00edtica, mais de confronto com o Estado do que com o capital, que era a estrat\u00e9gia dos comunistas, fortes no ABC oper\u00e1rio. Lula e o PT ser\u00e3o decisivos na demoli\u00e7\u00e3o da esquerda caracter\u00edstica e hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>O carisma crescente de Lula, a figura m\u00edtica buscada pelas esquerdas \u00f3rf\u00e3s e pelo catolicismo social, foi fundamental para o salto de moderniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica representado pelo surgimento do PT (e tamb\u00e9m pelo PSDB, entre outros partidos), com a abertura pol\u00edtica promovida pela ditadura no marco das concep\u00e7\u00f5es de Golbery. Lula e o PT cresceram, aglutinando o que nem sempre corretamente se autodefine como esquerda. O manifesto de 2002, pelo qual o PT realinha suas orienta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas a favor de uma generosa alian\u00e7a com o capital e com as multinacionais, bem como com os grupos pol\u00edticos de origem olig\u00e1rquica, representa o cume na constru\u00e7\u00e3o de esquerda do partido e o in\u00edcio do processo de sua desconstru\u00e7\u00e3o de direita. Ainda antes das elei\u00e7\u00f5es presidenciais daquele ano, Lula, falando a usineiros de a\u00e7\u00facar e fornecedores de cana de Pernambuco e da Para\u00edba, fez a cr\u00edtica do socialismo e lhes prometeu benef\u00edcios de pol\u00edtica econ\u00f4mica, o que resultou na imediata ades\u00e3o de todos a sua candidatura.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, Lula no poder e o pr\u00f3prio PT foram descartando pessoas e fac\u00e7\u00f5es internas \u00e0 esquerda de sua op\u00e7\u00e3o conservadora. Foram descartando tamb\u00e9m as organiza\u00e7\u00f5es que atuam como movimentos sociais, abandonando ou atenuando programas e projetos. Inicialmente, para trazer o apoio do latif\u00fandio e do grande capital a sua pessoa e a seu governo. Depois, para agregar a sua base pol\u00edtica o que de mais representativo h\u00e1 do remanescente oligarquismo brasileiro e da obsoleta, e n\u00e3o raro corrupta, domina\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/p>\n<p>O solid\u00e1rio e empolgado abra\u00e7o de Lula, com sorrisos, nesses tr\u00eas aliados, emblem\u00e1ticos senadores da Rep\u00fablica, \u00e9 sobretudo um fraterno e decisivo abra\u00e7o no retrocesso hist\u00f3rico e nos reacion\u00e1rios arca\u00edsmos da pol\u00edtica brasileira. O general Golbery achou que se enganara. N\u00e3o se enganou.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.livreimprensa.com.br\/\">http:\/\/www.livreimprensa.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nNota do Editores:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1895\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-1895","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-uz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1895\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}