{"id":18966,"date":"2018-03-08T19:50:44","date_gmt":"2018-03-08T22:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18966"},"modified":"2018-03-08T19:50:44","modified_gmt":"2018-03-08T22:50:44","slug":"mulher-e-o-trabalho-no-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18966","title":{"rendered":"A mulher e o trabalho no capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"A mulher e o trabalho no capitalismo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/b2b3ce7bf5f9fa5a9452ab6e938f8eff_XL.jpg\" alt=\"A mulher e o trabalho no capitalismo\" \/><!--more-->Fernanda Mateus<\/p>\n<p>Di\u00e1rio Liberdade &#8211; Fonte: PCP<\/p>\n<p>Camaradas e amigos, \u00e9 de Marx a afirma\u00e7\u00e3o de que \u00abpela rela\u00e7\u00e3o entre o homem e a mulher se pode avaliar todo o n\u00edvel da civiliza\u00e7\u00e3o humana\u00bb, evidenciando as ra\u00edzes hist\u00f3ricas em que se moldam essas rela\u00e7\u00f5es e a estreita liga\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como se tem feito historicamente o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a divis\u00e3o social do trabalho.<\/p>\n<p>Na sua obra\u00a0<i>O Capital<\/i>, no que concerne ao trabalho das mulheres e das crian\u00e7as \u00e9 destacado que o capitalismo destruiu a base da atividade da mulher no lar, dissolvendo desse modo a fam\u00edlia tradicional, dando \u00e0 mulher a sua autonomia econ\u00f4mica fora da fam\u00edlia e criando assim um terreno s\u00f3lido para a igualdade de direitos, enquanto esposa, m\u00e3e e cidad\u00e3. Ao mesmo tempo que esclarece que s\u00f3 o proletariado \u00e9 a classe revolucion\u00e1ria que fundando a ordem social socialista est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de criar, e \u00e9 obrigada a criar, as premissas sociais indispens\u00e1veis para a completa solu\u00e7\u00e3o do problema feminino.<\/p>\n<p>Fazendo uma breve retrospectiva sobre a condi\u00e7\u00e3o da mulher ao longo da hist\u00f3ria da humanidade podem-se destacar cinco aspectos:<\/p>\n<p><b>Primeiro\u00a0<\/b>\u2013 Nas sociedades primitivas a mulher tinha, em geral, uma condi\u00e7\u00e3o semelhante ao homem e participava de forma id\u00eantica na vida comunit\u00e1ria. No interior dessas comunidades estabelece-se uma primeira e elementar divis\u00e3o de trabalho entre o homem e a mulher, diretamente ligada \u00e0 diferente fun\u00e7\u00e3o dos dois dos sexos na forma\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie: entre o homem, com maior for\u00e7a f\u00edsica, e a mulher, sujeita \u00e0 gravidez e aos encargos do aleitamento e da maternidade. Esta divis\u00e3o acentua-se quando a humanidade passa da fase da colheita\/<b>recoletora\u00a0<\/b>para o homem ca\u00e7ador, pastor, agricultor.<\/p>\n<p><b>Segundo\u00a0<\/b>\u2013 A fam\u00edlia organiza-se como unidade de produ\u00e7\u00e3o, sendo um elemento essencial das for\u00e7as produtivas. O homem det\u00e9m a propriedade, det\u00e9m a autoridade suprema sobre a mulher e os filhos. Cada membro da fam\u00edlia \u00e9 um bem, que faz parte da sua propriedade. Com a forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia patriarcal a condi\u00e7\u00e3o da mulher sofre uma profunda altera\u00e7\u00e3o. \u00c9 ditada a \u00abinferioridade\u00bb da mulher, indissoci\u00e1vel da salvaguarda da propriedade privada e assumida como concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dominante. A pr\u00f3pria B\u00edblia traduz exemplarmente esta realidade quando diz: \u00ab<i>N\u00e3o cobi\u00e7ar\u00e1s a casa do teu pr\u00f3ximo, nem a sua mulher, o seu boi, o seu asno, ou qualquer outra coisa que lhe perten\u00e7a.<\/i>\u00bb.<\/p>\n<p><b>Terceiro<\/b>\u00a0\u2013 O desenvolvimento da ind\u00fastria, a ru\u00edna da economia agr\u00edcola patriarcal, as emigra\u00e7\u00f5es em massa, o crescimento acelerado dos aglomerados urbanos e a consequente proletariza\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres produziram profundas altera\u00e7\u00f5es na condi\u00e7\u00e3o da mulher, foram quebrados os la\u00e7os entre a fam\u00edlia e a propriedade. Com o pai, m\u00e3e e filhos proletarizados e a trabalhar em locais diferentes, a fam\u00edlia esvaziou-se das suas fun\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Ela tornou-se, fundamentalmente, uma unidade de consumo.<\/p>\n<p><b>Quarto\u00a0<\/b>\u2013 As mulheres com o capitalismo s\u00e3o chamadas a assumir uma nova condi\u00e7\u00e3o, a de trabalhadoras, passando a ser parte integrante da grande massa dos trabalhadores assalariados e a constituir uma for\u00e7a social incontorn\u00e1vel, tanto na luta contra a explora\u00e7\u00e3o que sobre elas recai como na luta do conjunto dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A sua condi\u00e7\u00e3o de trabalhadoras permite-lhes ganhar consci\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 do seu papel na cria\u00e7\u00e3o de riqueza, do seu direito ao trabalho como condi\u00e7\u00e3o da sua autonomia econ\u00f4mica e social e igualmente para a conquista de novos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o na vida social, pol\u00edtica e cultural.<\/p>\n<p>Em\u00a0<i>O Capital<\/i>, Marx analisa, por um lado, que o trabalho feminino e infantil foi a primeira palavra de ordem do emprego capitalista, sujeitando-o a desumanas jornadas de trabalho, a sal\u00e1rios de mis\u00e9ria, e por outro, que o trabalho das mulheres destruiu a base da atividade da mulher no lar, dissolvendo deste modo a fam\u00edlia tradicional, dando \u00e0 mulher a sua autonomia econ\u00f4mica fora da fam\u00edlia e criando um terreno s\u00f3lido para a igualdade de direitos, enquanto esposa, m\u00e3e e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Nesta obra, Marx esclarece, analisando aprofundadamente o capitalismo, que este n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de garantir essa igualdade para as mulheres apontando: \u00abS\u00f3 o proletariado \u00e9 a classe revolucion\u00e1ria que fundando a ordem social socialista est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de criar as premissas sociais indispens\u00e1veis para a completa solu\u00e7\u00e3o do problema feminino\u00bb.<\/p>\n<p>Clara Zetkin, destacada dirigente do Partido Comunista Alem\u00e3o e do movimento comunista internacional, num artigo publicado a 25 mar\u00e7o de 1903 \u2013 \u00abO que devem as mulheres a Karl Marx\u00bb \u2013 destaca o que considera particularmente valioso para o movimento feminino. Cito apenas duas afirma\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 certo que Marx nunca se ocupou da quest\u00e3o das mulheres enquanto tal e em si. Contudo, a sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 insubstitu\u00edvel, \u00e9 inteiramente essencial na luta que as mulheres conduzem para conquistar os seus direitos. Com a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, Marx n\u00e3o nos forneceu f\u00f3rmulas acabadas sobre a quest\u00e3o feminina, ele deu-nos uma coisa melhor: um m\u00e9todo justo, seguro, para estudar e compreender.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abS\u00f3 a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria nos permitiu situar, com clareza, a luta das mulheres no fluxo do desenvolvimento hist\u00f3rico geral, de a\u00ed ver a justifica\u00e7\u00e3o e os limites hist\u00f3ricos \u00e0 luz das rela\u00e7\u00f5es sociais gerais, de reconhecer as for\u00e7as que a animam e conduzem, os objetivos que persegue, as condi\u00e7\u00f5es nas quais os problemas levantados podem encontrar solu\u00e7\u00e3o.\u00bb (fim de cita\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Na verdade, se a quest\u00e3o feminina, como quest\u00e3o espec\u00edfica expressa em reivindica\u00e7\u00f5es emancipadoras<b>,\u00a0<\/b>est\u00e1 ligada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas operadas com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e \u00e0 ascens\u00e3o da burguesia como classe dominante, a emancipa\u00e7\u00e3o concreta das mulheres est\u00e1 ligada ao movimento oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio, \u00e0 luta libertadora dos povos, ao socialismo, que assume como tarefa hist\u00f3rica libertar a mulher de todas as formas de explora\u00e7\u00e3o e de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>O ideal comunista, considerando que o grau de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 a medida natural do grau de emancipa\u00e7\u00e3o geral e que o desenvolvimento livre de cada um \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do desenvolvimento de todos, liga de forma indissol\u00favel a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher \u00e0 luta por profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais, \u00e0 luta pela liquida\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista, em que a riqueza de uns se acumula \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de outros seres humanos.<\/p>\n<p><b>Quinto e \u00faltimo aspecto que situa aspectos do presente e do futuro:<\/b><\/p>\n<p>O sistema capitalista n\u00e3o d\u00e1 resposta \u00e0s seculares aspira\u00e7\u00f5es das mulheres \u00e0 igualdade e emancipa\u00e7\u00e3o. Recorrendo a uma gigantesca ofensiva pol\u00edtica e ideol\u00f3gica \u00e0 escala mundial, o grande capital exige para si todas as liberdades, impondo retrocessos e liquidando conquistas civilizacionais, arduamente conquistadas pela prolongada luta do movimento oper\u00e1rio e comunista, com importante contribui\u00e7\u00e3o da luta das mulheres, designadamente no s\u00e9culo XIX e XX.<\/p>\n<p>Animado de tais objetivos, o sistema capitalista procura extinguir as liberdades e os direitos de quem vive do rendimento do trabalho \u2013 pela viol\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o laboral, pela agudiza\u00e7\u00e3o das escandalosas injusti\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento entre capital e trabalho, por graves limita\u00e7\u00f5es ao direito de organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, perseguindo quem se op\u00f5e, branqueando o fascismo e o nazismo, lan\u00e7ando campanhas de deturpa\u00e7\u00e3o dos ideias comunistas, fomentando focos de conflito e de guerra, atacando a soberania de Estados e povos.<\/p>\n<p>Por mais que o tentem ocultar, no sistema capitalista o processo progressista da integra\u00e7\u00e3o da mulher na vida profissional n\u00e3o conduz ao fim das discrimina\u00e7\u00f5es no trabalho, tampouco as que penalizam as trabalhadoras na fam\u00edlia, na maternidade e na sociedade em geral, porque o trabalho das mulheres, e elas pr\u00f3prias, foi e \u00e9 convertido em objeto de explora\u00e7\u00e3o. E sendo verdade que os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o das mulheres s\u00e3o anteriores ao capitalismo, n\u00e3o \u00e9 menos verdade que este sistema manteve e mant\u00e9m a perpetua\u00e7\u00e3o destes mecanismos como parte integrante da sua natureza exploradora e opressora.<\/p>\n<p>A ofensiva ideol\u00f3gica emanada de inst\u00e2ncias internacionais e europeias, a que sucessivos governos em Portugal se subordinam, converge na tentativa de ocultar as verdadeiras causas e respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o de desigualdade da mulher no trabalho e pelas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que as atingem n\u00e3o s\u00f3 na fam\u00edlia como no trabalho e na sociedade.<\/p>\n<p>Tomemos, como exemplo, a campanha da Comiss\u00e3o Europeia sobre as disparidades salariais entre mulheres e homens, cuja brochura promocional foi amplamente divulgada em Portugal, em 2013. Partindo da avalia\u00e7\u00e3o de diversas discrimina\u00e7\u00f5es entre mulheres e homens \u2013 quanto a sal\u00e1rios, profiss\u00f5es, progress\u00e3o na carreira e \u00e0 maior dificuldade das trabalhadoras em conciliar o trabalho e as responsabilidades familiares \u2013 centra as suas causas em \u00abfatores hist\u00f3ricos e culturais\u00bb, nos pap\u00e9is sociais de g\u00eanero e nas tradi\u00e7\u00f5es que determinam e moldam os pap\u00e9is das mulheres e dos homens na sociedade.<\/p>\n<p>Ocultam que o\u00a0<b>trabalho das mulheres \u00e9 intensamente explorado<\/b>\u00a0para garantir a apropria\u00e7\u00e3o privada de riqueza por parte do grande capital: desemprego, precariedade laboral, trabalho a tempo parcial, mais baixos sal\u00e1rios e discrimina\u00e7\u00e3o salarial, degrada\u00e7\u00e3o do estatuto profissional das trabalhadoras, concentra\u00e7\u00e3o do emprego feminino no setor terci\u00e1rio, retrocessos na legisla\u00e7\u00e3o laboral, crescente desregula\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho e do n\u00famero de mulheres que trabalham ao s\u00e1bado e ao domingo, crescente dificuldade e desgaste na necess\u00e1ria articula\u00e7\u00e3o entre a vida profissional, familiar e pessoal, viola\u00e7\u00e3o dos direitos laborais e sociais, repress\u00e3o nas empresas, limita\u00e7\u00e3o ou proibi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o sindical dos trabalhadores nos locais de trabalho e em empresas.<\/p>\n<p>Nesta brochura, cujo t\u00edtulo \u00e9:\u00a0<i>A igualdade de G\u00eanero, um Bom Neg\u00f3cio!<\/i>, s\u00e3o dados argumentos, aos designados \u00abempregadores\u00bb, ou seja ao grande capital, para acabarem com as \u00abdisparidades salariais\u00bb tirando partido da utiliza\u00e7\u00e3o dos talentos e aptid\u00f5es das mulheres de uma forma mais eficaz, aumentando o desempenho e efic\u00e1cia do neg\u00f3cio, procedendo \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o profissional sem preconceitos de g\u00eaneros, criando r\u00f3tulos de igualdade como marca da empresa, entre outras das solu\u00e7\u00f5es apontadas<sup><a href=\"http:\/\/www.pcp.pt\/node\/299031#fn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.pcp.pt\/node\/299031%23fn1&amp;source=gmail&amp;ust=1520624749964000&amp;usg=AFQjCNEqNH1zGzAPv6Xrd89L9yCVyZDfVg\">1<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Criam a ilus\u00e3o de que, mudando a mentalidade dos tais \u00abempregadores\u00bb, ser\u00e1 dada efic\u00e1cia ao combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es salariais entre mulheres e homens no trabalho, ocultando que a causa de fundo se encontra no conflito de classes que op\u00f5e o capital ao trabalho. Uma matriz ideol\u00f3gica assentada na velha teoria da substitui\u00e7\u00e3o da luta de classes por uma coopera\u00e7\u00e3o entre as classes dominantes e as dominadas.<\/p>\n<p>Ocultam que as desigualdades salariais entre mulheres e homens s\u00e3o um instrumento de redu\u00e7\u00e3o dos custos de trabalho de todos para a maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros inerentes ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Este \u00e9 um combate que s\u00f3 pode ser travado pela luta dos trabalhadores e pelo refor\u00e7o da sua organiza\u00e7\u00e3o sindical de classe, na defesa da contrata\u00e7\u00e3o colectiva, na revoga\u00e7\u00e3o das normas gravosas do C\u00f3digo Laboral e na exig\u00eancia de uma igualdade salarial entre mulheres e homens, alicer\u00e7ada na valoriza\u00e7\u00e3o e aumento dos sal\u00e1rios de todos os trabalhadores.<\/p>\n<p>Se tomarmos como exemplo o grupo Auchan que, integrava o grupo de empresas para a igualdade (2013), e que tem recebido v\u00e1rios pr\u00eamios neste dom\u00ednio, podemos testemunhar qual \u00e9 o verdadeiro conte\u00fado de classe que est\u00e1 subjacente \u00e0 igualdade entre mulheres e homens.<\/p>\n<p>\u00c9 constante a viola\u00e7\u00e3o ao Contrato Colectivo de Trabalho no que respeita \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de trabalho, quando o cumprimento deste \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 salvaguarda dos direitos. Os trabalhadores, na sua esmagadora maioria mulheres, t\u00eam hor\u00e1rios de trabalho completamente desregulados. Continuam as discrimina\u00e7\u00f5es salariais, em que, nalguns casos, \u00e9 mais de 80\u20ac, entre trabalhadores com a mesma categoria profissional e exercendo as mesmas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma ofensiva ideol\u00f3gica que oculta que as desigualdades sociais e as discrimina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas das mulheres em idade ativa, a trabalhar ou no desemprego, repercutem-se na falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em in\u00fameros pa\u00edses, \u00e0 seguran\u00e7a social, \u00e0 cultura, \u00e0 justi\u00e7a, entre outros. Desigualdades que se repercutem na pobreza que atingem trabalhadoras em situa\u00e7\u00e3o de desemprego ou sujeitas a sal\u00e1rios muito baixos. Desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es que no nosso pa\u00eds atingem de forma violenta as jovens mulheres, uma gera\u00e7\u00e3o com mais qualifica\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o do que as gera\u00e7\u00f5es que lhe antecederam, mas que est\u00e3o sujeitas a uma intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da sua m\u00e3o-de-obra, fortemente penalizadas pelo risco de engravidarem, a quem o capital limita a sua liberdade de decidir ser m\u00e3e e viola os seus direitos de maternidade. Intensa explora\u00e7\u00e3o laboral das trabalhadoras, que se repercute na sua passagem \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de reformadas, sujeitas a mais baixas pens\u00f5es e penalizadas pelo aumento da idade legal de reforma, como acontece no nosso pa\u00eds. Uma realidade indissoci\u00e1vel do processo de degrada\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o de importantes servi\u00e7os p\u00fablicos e importantes fun\u00e7\u00f5es sociais. Que resultam da natureza de classe das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tomadas e que s\u00e3o contr\u00e1rias aos interesses nacionais, porque subordinadas ao grande capital e \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Entretanto, a abordagem do uso dos tempos das mulheres com as tarefas dom\u00e9sticas por parte das inst\u00e2ncias p\u00fablicas oculta que este problema n\u00e3o \u00e9 igual para todas as mulheres. S\u00e3o as trabalhadoras que sentem este problema, em especial as que usufruem baixos rendimentos, e que, por isso, n\u00e3o podem aceder a solu\u00e7\u00f5es alternativas que as aliviem desta carga. Ocultam, igualmente, que a solu\u00e7\u00e3o deste problema n\u00e3o depende exclusivamente da maior partilha de responsabilidades entre homens e mulheres na fam\u00edlia, ainda que ela seja necess\u00e1ria, antes exige que o Estado assuma a sua quota<b>&#8211;<\/b>parte de responsabilidades visando a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de rendimentos dos trabalhadores, na garantia de hor\u00e1rios de trabalho que assegurem mais tempo dispon\u00edvel para a fam\u00edlia, para si, para o descanso, para o divertimento e para actividades culturais, a par da cria\u00e7\u00e3o de uma rede p\u00fablica de servi\u00e7os de apoio \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 inf\u00e2ncia e aos idosos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que as inst\u00e2ncias europeias e os governos em Portugal convergem numa agenda pol\u00edtica e ideol\u00f3gica assentada na igualdade de g\u00eanero como concep\u00e7\u00e3o de Estado, despida de qualquer perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o social das mulheres. Trata-se de uma nova roupagem ideol\u00f3gica para prosseguir com a pol\u00edtica ao servi\u00e7o dos interesses do grande capital, mantendo inalter\u00e1veis os mecanismos de explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e viol\u00eancia sobre as mulheres, que s\u00e3o inerentes \u00e0 natureza do pr\u00f3prio sistema capitalista.<\/p>\n<p>Trata-se de fragilizar, e mesmo impedir, a identifica\u00e7\u00e3o de dois tipos de problemas que devem estar no centro da luta organizada das mulheres, e em particular das trabalhadoras: os problemas da mulher enquanto problema comum a todos os que est\u00e3o submetidos \u00e0 domina\u00e7\u00e3o do grande capital que deve unir a luta de todos e os problemas espec\u00edficos das mulheres que exigem igualmente a sua organiza\u00e7\u00e3o e luta espec\u00edfica. Uma e outra, s\u00e3o indispens\u00e1veis e necessariamente convergentes.<\/p>\n<p>Acresce, ainda, a forte ofensiva ideol\u00f3gica que procura expurgar do exerc\u00edcio do poder o seu conte\u00fado de classe. \u00c9 disso que se trata quando \u00e9 dada centralidade a medidas de imposi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio num\u00e9rico entre mulheres e homens nas tomadas de decis\u00e3o do poder empresarial e de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica o que atribuindo ao poder masculino e ao poder feminino formas de exerc\u00edcio do poder pr\u00f3prias, ocultando que determina o poder \u00e9 a natureza de classe de quem o exerce.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o se pense que subestimamos a import\u00e2ncia da altera\u00e7\u00e3o das mentalidades. Mas tamb\u00e9m esta tem um conte\u00fado de classe bem preciso.<\/p>\n<p>Camaradas e Amigos,<\/p>\n<p>Aproximando-se as comemora\u00e7\u00f5es do Dia Internacional da Mulher, duas observa\u00e7\u00f5es devem ser feitas:<\/p>\n<p>Desde logo para destacar que a sua proclama\u00e7\u00e3o em 1910, teve uma estreita rela\u00e7\u00e3o com a luta das trabalhadoras e do movimento comunista contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, pela conquista de direitos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais, pela transforma\u00e7\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o social e pela emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Uma data que assume uma grande for\u00e7a na luta emancipadora das mulheres, tantas vezes proibida, como aconteceu em Portugal no fascismo. Uma data cada vez mais usada e instrumentalizada por for\u00e7as pol\u00edticas e sociais, que no plano internacional e nacional se movem por objetivos opostos, aos que deram origem \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o desta data e da sua comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos que querem levar a luta das mulheres para \u201cbecos sem sa\u00edda\u201d, a resposta que tem de ser dada em Portugal \u00e9 comemorar o 8 de Mar\u00e7o, no presente e nos anos vindouros para dar confian\u00e7a \u00e0s mulheres na sua justa luta em defesa dos seus direitos e pela sua emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Notas:<\/em><\/p>\n<p>1. Igualdade de g\u00eanero um bom neg\u00f3cio, F\u00f3rum Empresas para a Igualdade \u2013 o nosso compromisso \u2013 Relat\u00f3rio de 2013, edi\u00e7\u00e3o da CITE<\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/221518-a-mulher-e-o-trabalho-no-capitalismo.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18966\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[226],"class_list":["post-18966","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4VU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}