{"id":19020,"date":"2018-03-13T15:28:52","date_gmt":"2018-03-13T18:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19020"},"modified":"2018-03-13T15:28:52","modified_gmt":"2018-03-13T18:28:52","slug":"118-anos-de-gregorio-bezerra-o-homem-feito-de-ferro-e-flor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19020","title":{"rendered":"118 anos de Greg\u00f3rio Bezerra, o homem &#8220;feito de ferro e flor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"118 anos de Greg\u00f3rio Bezerra, o homem \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/2.bp.blogspot.com\/-i_N2C5utTsE\/UP1uL3BRzVI\/AAAAAAAABGw\/jmNNKXGRwLE\/s400\/8797.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"118 anos de Greg\u00f3rio Bezerra, o homem \" \/><!--more-->Ele nasceu em 13 de mar\u00e7o de 1900. Encantou-se em outubro de 1983. Continua at\u00e9 hoje nos esperan\u00e7ando, nos inspirando a luta e a construir o Poder Popular e o Socialismo. Como dizia o poeta Ferreira Gullar: &#8220;Feito de ferro e flor&#8221;.<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado em 2013 no Blog do camarada Roberto Arrais<\/p>\n<p>Alguns escritores e poetas definiram a quest\u00e3o da morte relacionada com as pessoas que lideram e lutam por causas justas e coletivas de uma forma muito especial. O poeta e escritor Guimar\u00e3es Rosa disse que pessoas assim, de fibra, \u201cn\u00e3o morrem, elas se encantam\u201d; para os \u00edndios, segundo Ant\u00f4nio Callado disse no Quarup, as pessoas que t\u00eam essas caracter\u00edsticas \u201cnunca morrem, pois o seu pensamento entra em outras cabe\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio Bezerra nasceu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em 13 de mar\u00e7o de 1900, no Munic\u00edpio de Panelas. Sofreu todas as dificuldades para sobreviver na inf\u00e2ncia, come\u00e7ando a trabalhar com 4 anos de idade, ficou \u00f3rf\u00e3o aos 6 anos, trabalhou como dom\u00e9stico aos 10 anos em Recife, carregou frete, foi vendedor de jornais, mesmo sendo analfabeto at\u00e9 os 25 anos. Foi preso quando era ajudante de pedreiro porque apoiava a luta dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, quando tinha apenas 16 anos, e cumpriu quase cinco anos de pris\u00e3o, na Casa de Deten\u00e7\u00e3o do Recife. N\u00e3o desistiu diante de tudo que enfrentou e que sofreu.<\/p>\n<p>Foi para o ex\u00e9rcito, viajou para o Rio de Janeiro, aprendeu a ler e a escrever, fez curso de sargento, foi um dos mais destacados do Pa\u00eds, andou pelo Brasil e depois veio servir em Pernambuco, como sargento instrutor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e de tiro ao alvo.<\/p>\n<p>Nos anos de 1930 come\u00e7ou a ter contato com o Partido Comunista (PCB) atrav\u00e9s de trabalhadores que viajavam com ele de trem, pela literatura dos jornais e livros que destacavam a luta pelo socialismo no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Em 1935 participou do levante armado contra o fascismo que assolava o mundo e se espalhava pelo Brasil, participando da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL), movimento liderado por Luiz Carlos Prestes, denominado de o Cavaleiro da Esperan\u00e7a. Ficou preso dez anos e s\u00f3 saiu com a Anistia em 1945. Foi eleito deputado federal constituinte, sendo o segundo mais votado de Pernambuco, se integrando a uma das mais expressivas e combativas bancadas da hist\u00f3ria do parlamento brasileiro, que foi a bancada comunista liderada pelo senador Luiz Carlos Prestes.<\/p>\n<p>Teve cassado seu mandato com nova pris\u00e3o em 1947. Foi solto, seguiu para a clandestinidade pelos diversos estados da federa\u00e7\u00e3o, participando de lutas camponesas pela reforma agr\u00e1ria e nos comit\u00eas pela paz mundial.<\/p>\n<p>Em 1957, nova pris\u00e3o; solto, voltou para Pernambuco e participou das campanhas de Cid Sampaio para Governador, de Miguel Arraes para Prefeito e para Governador e de Pel\u00f3pidas Silveira para Prefeito. Desenvolveu um grandioso trabalho de articula\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos camponeses na funda\u00e7\u00e3o dos sindicatos de trabalhadores rurais da zona canavieira de Pernambuco e do Partido Comunista Brasileiro, o PCB.<\/p>\n<p>Em 1964 Greg\u00f3rio foi arrastado com tr\u00eas cordas no pesco\u00e7o, depois de ter sido submetido a todo tipo de viol\u00eancia e tortura, pelas ruas do Recife, numa das cenas mais hediondas do s\u00e9culo XX. Mas n\u00e3o se deu por vencido e continuou lutando pelo soerguimento do PCB, mesmo dentro da pris\u00e3o, novamente na Casa de Deten\u00e7\u00e3o do Recife, hoje transformada na Casa da Cultura. Foi um dos presos pol\u00edticos trocados pelo embaixador americano em 1969. Seguiu para o ex\u00edlio na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e voltou em 1979, atrav\u00e9s de nova anistia.<\/p>\n<p>Voltou com 79 anos, mas continuou sua luta, j\u00e1 trazendo na bagagem seu livro de mem\u00f3rias, publicado, \u00e0 \u00e9poca, em dois volumes, e seguindo sua vida pol\u00edtica, agora como membro do Comit\u00ea Central do PCB.<\/p>\n<p>Acompanhou Prestes em sua Carta aos Comunistas, participando ativamente da luta pela \u201cReconstru\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria do Partido\u201d, apoiando a convoca\u00e7\u00e3o para \u201cTomar o Partido em suas m\u00e3os\u201d, atrav\u00e9s das bases, andando pelo Pa\u00eds, e especialmente pelo Nordeste, na organiza\u00e7\u00e3o dos \u201cComit\u00eas de Defesa do Partido\u201d.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio Bezerra foi sintetizado pelo poeta Ferreira Gullar, como um homem \u201cFeito de Ferro e de Flor\u201d, porque, mesmo diante de todos os problemas, da fome, do analfabetismo na juventude, das diversas pris\u00f5es, da moradia nas ruas, da clandestinidade, em nenhum momento ele se lamentava, muito pelo contr\u00e1rio, estava sempre de bom humor, disposto a participar dos eventos, da reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do Partido, da conquista de novos quadros, corroborando com a for\u00e7a da luta por um ideal revolucion\u00e1rio e socialista, pelo fortalecimento das lutas do povo, pela defesa dos direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes como prioridade absoluta, tendo a coragem de enfrentar sempre os desafios impostos pelo sistema capitalista, com \u00e9tica, honestidade, firmeza, e, tudo isso, com muita ternura e carinho com todas as pessoas que estavam presentes em seus caminhos.<\/p>\n<p>Por tudo isso, Greg\u00f3rio \u201cn\u00e3o morreu, se encantou\u201d, como dizia o poeta Guimar\u00e3es Rosa, se encantou nas lutas dos trabalhadores rurais, dos movimentos sociais de luta pela terra, nas crian\u00e7as abandonadas pelas ruas, nas pessoas que s\u00e3o exploradas e esmagadas em seus direitos. Como tamb\u00e9m, Greg\u00f3rio n\u00e3o morreu, como diziam os \u00edndios no Quarup de Antonio Callado, porque figuras da dimens\u00e3o heroica dele, continuam povoando \u201cas cabe\u00e7as das pessoas com seus pensamentos\u201d de esperan\u00e7a e luta de construir um outro mundo, um outro modo de vida onde as riquezas, a ci\u00eancia e tudo que se produza possa ser compartilhado com todos.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio Bezerra, Presente!<\/p>\n<p>Divulgamos abaixo entrevista hist\u00f3rica realizada com Greg\u00f3rio Bezerra no ano de 1976, quando completava 76 anos, ainda no ex\u00edlio. Trata-se de document\u00e1rio produzido por Luiz Alberto Sanz, Lars Safstrom, Leonardo Cespedes e Staffan Lindqvist. Nesta parte da entrevista o bravo dirigente comunista, que foi um dos primeiros presos pol\u00edticos do regime ditatorial instalado em 1964 e barbaramente torturado, lembra das lutas travadas pelos camponeses e trabalhadores rurais nos anos de 1960, muitos dos quais militantes comunistas, e do momento do golpe, em que, segundo ele, havia homens dispostos a resistir com armas ao assalto fascista em Pernambuco.<\/p>\n<p>Assista a entrevista na \u00edntegra:<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xDhwI9cUfYw?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19020\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[234],"class_list":["post-19020","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4WM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19020\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}