{"id":19028,"date":"2018-03-14T20:37:41","date_gmt":"2018-03-14T23:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19028"},"modified":"2018-03-14T20:37:41","modified_gmt":"2018-03-14T23:37:41","slug":"direito-a-saude-a-critica-sempre-atual-de-marx-a-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19028","title":{"rendered":"Direito \u00e0 Sa\u00fade: a cr\u00edtica sempre atual de Marx \u00e0 desigualdade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Direito \u00e0 Sa\u00fade: a cr\u00edtica sempre atual de Marx \u00e0 desigualdade\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinpermiso.info\/sites\/default\/files\/styles\/adaptive\/public\/frida.jpg?itok=ovWTo-pR\" alt=\"Direito \u00e0 Sa\u00fade: a cr\u00edtica sempre atual de Marx \u00e0 desigualdade\" \/><!--more-->por\u00a0St\u00e9phane Barbas*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resumen Latinoamericano<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sinpermiso.info\/textos\/derecho-a-la-salud-la-vigencia-del-analisis-critico-de-marx-ante-las-desigualdades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinpermiso.info<\/a><\/p>\n<p>A formid\u00e1vel pel\u00edcula de Raoul Peck,<em>\u00a0O Jovem Marx<\/em>, reaviva o interesse pelo pensamento de Marx e convida \u00e0 sua (re)leitura.Desde a crise de 2008, com as amea\u00e7as que ela apresentou ao planeta, o capitalismo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 visto como o fim da Hist\u00f3ria. O interesse pelo marxismo se estende tamb\u00e9m a terrenos como o da medicina e da sa\u00fade, incluindo aqueles que est\u00e3o a l\u00e9guas de dist\u00e2ncia dos c\u00edrculos militantes. A revista\u00a0<em>The Lancet<\/em>, antiga e prestigiada revista de medicina brit\u00e2nica, publicou em um recente n\u00famero, uma contribui\u00e7\u00e3o de seu diretor de reda\u00e7\u00e3o, Richard Horton, sob o t\u00edtulo \u00abMedicina e Marx\u00bb (vol. 390, 4 novembro de 2017).<\/p>\n<p>O autor assinala que, em que pese o descr\u00e9dito provocado pela queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o pensamento de Marx \u00e9 de uma atualidade irrefut\u00e1vel. O anivers\u00e1rio de nascimento de Marx, que ser\u00e1 comemorado em 5 de maio de 2018, ser\u00e1 um momento prop\u00edcio para avaliar de novo seus apontamentos. As ideias marxistas voltam a impregnar o debate pol\u00edtico, em particular sobre os problemas de sa\u00fade, aos quais o capitalismo e os mercados s\u00e3o incapazes de responder.<\/p>\n<p>As privatiza\u00e7\u00f5es, o poder das elites m\u00e9dicas, a cren\u00e7a euf\u00f3rica nos progresos t\u00e9cnicos, o capitalismo filantr\u00f3pico, as tend\u00eancias neo-imperialistas da pol\u00edtica sanit\u00e1ria mundial, as enfermidades inventadas por laborat\u00f3rios ou a exclus\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es inteiras s\u00e3o alguns dos problemas aos quais o marxismo pode aportar uma an\u00e1lise cr\u00edtica.<\/p>\n<p>O marxismo constitui tamb\u00e9m um chamado \u00e0 luta por valores como o da igualdade social, o fim da explora\u00e7\u00e3o e para lutar contra a sa\u00fade considerada como mais uma mercadoria. O crescimento das desigualdades em escala planet\u00e1ria confere sua verdadera atualidad ao debate sobre os pontos mencionados. Tal como demonstra o epidemi\u00f3logo ingl\u00eas Richard Wilkinson, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser marxista para apreciar o que a medicina pode ainda aprender de Marx.<\/p>\n<p>Recorda tamb\u00e9m que as preocupa\u00e7\u00f5es pela sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o contempor\u00e2neas ao nascimento do marxismo com o livro de Engels,\u00a0<i>A situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na Inglaterra<\/i>\u00a0(1845). Marx fez especial refer\u00eancia a este livro de seu amigo.<\/p>\n<p>No livro I de\u00a0O<em>\u00a0Capital<\/em>, em particular no cap\u00edtulo sobre a jornada de trabalho, Marx denuncia com veem\u00eancia as consequ\u00eancias das viol\u00eancias da explora\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade dos trabalhadores. O problema do trabalho infantil \u00e9 o exemplo mais significativo dessas viol\u00eancias. H\u00e1 em Marx um interesse real tanto pelos problemas de sa\u00fade como pela prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o cita numerosos testemunhos de m\u00e9dicos que denunciam em sues informes o estado de sa\u00fade dos trabalhadores e a explora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Segundo o doutor ingl\u00eas Arledge, por exemplo, os oleiros t\u00eam \u00abuma altura atrofiada, s\u00e3o an\u00eamicos, est\u00e3o sujeitos \u00e0 dispepsia, problemas hep\u00e1ticos, renais e a reumatismos\u201d. Havia inclusive uma asma e uma tuberculose pr\u00f3pia dos trabalhadores que lidavam com barro.<\/p>\n<p>Nas f\u00e1bricas de palitos de f\u00f3sforo trabalham crian\u00e7as de 5 e 6 anos, em uma atmosfera saturada de f\u00f3sforo. \u00c9 o inferno de Dante, disse Marx. O m\u00e9dico chefe do hospital de Worcester escreve que \u201ccontrariamente \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es interessadas de alguns patr\u00f5es, eu declaro e certifico que a sa\u00fade das crian\u00e7as sofre muito nessas condi\u00e7\u00f5es\u201d. isso n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo para que aqueles que Marx chama ironicamente \u201cos amigos do com\u00e9rcio\u201d justifiquem o trabalho infantil invocando muitas vezes a moral e a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marx destacava o seguinte: \u201cO capital usurpa o tempo exigido pelo crescimento, o desenvolvimento assim como \u00e9 necess\u00e1rio para manter o corpo com boa sa\u00fade\u2026 Rouba o tempo que deveria ser utilizado para respirar o ar livre e gozar da luz do sol\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA antropolog\u00eda capitalista (agrega Marx) decreta que a inf\u00e2ncia deveria durar at\u00e9 os dez anos, no m\u00e1ximo, onze\u201d. Hoje, no s\u00e9culo XXI, \u201ca antropologia capitalista\u201d decreta a idade na qual podemos nos aposentar.<\/p>\n<p>Marx gostava de outorgar ao capital a imagem de um vampiro. \u201cO capital \u00e9 trabajo morto que, como um vampiro, s\u00f3 ganha vida chupando o trabalho vivo\u201d.<\/p>\n<p>A sa\u00fade \u00e9 o sangue da for\u00e7a de trabalho com que se alimenta o capital. Por\u00e9m, se a sa\u00fade dos trabalhadores \u00e9 a fonte da riqueza, o capitalista n\u00e3o necessita cuidar dela, ocupar-se dela. Conta com \u201co ex\u00e9rcito industrial de reserva\u201d que aportar\u00e1 sempre m\u00e3o de obra gra\u00e7as \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e ao desemprego. O direito \u00e0 sa\u00fade tem sido sempre uma conquista da classe trabalhadora contra o capital.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, hoje mais do que nunca, lembrar que os sistemas de Seguran\u00e7a Social s\u00e3o financiados com a parte dos sal\u00e1rios retirados do capital para garantir a sa\u00fade dos trabalhadores no longo prazo e n\u00e3o apenas para a sa\u00fade que \u00e9 imediatamente \u00fatil para a produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deve surpreender ningu\u00e9m, ent\u00e3o, que esta parte distinta do sal\u00e1rio que permite &#8220;respirar o ar fresco e desfrutar da luz do sol&#8221; \u00e9 renomeada como &#8220;fardo social&#8221; e vergonhosamente acusada de aumentar &#8220;o custo do trabalho&#8221;, de provocar a histeria dos &#8220;amigos do com\u00e9rcio&#8221;. Para os \u00faltimos, seus lucros sempre ser\u00e3o muito mais valiosos do que a sa\u00fade de homens e mulheres.<\/p>\n<p>A riqueza pr\u00f3pria da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o \u00e9 explicada atrav\u00e9s da fisiologia ou algum misterioso princ\u00edpio vital secretamente mantido pela medicina, mas atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A medicina, por outro lado, permitir\u00e1 tomar muito mais em conta ao ser social no que determina a sa\u00fade.<\/p>\n<p>*St\u00e9phane Barbas \u00e9 psiquiatra infantil. Artigo publicado em L&#8217;Humanit\u00e9, 5 de janeiro de 2018.<\/p>\n<p>http:\/\/www.sinpermiso.info\/textos\/derecho-a-la-salud-la-vigencia-del-analisis-critico-de-marx-ante-las-desigualdades<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19028\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[228],"class_list":["post-19028","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4WU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19028\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}