{"id":1905,"date":"2011-09-28T15:29:56","date_gmt":"2011-09-28T15:29:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1905"},"modified":"2011-09-28T15:29:56","modified_gmt":"2011-09-28T15:29:56","slug":"o-dia-em-que-a-esquerda-sionista-morreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1905","title":{"rendered":"O dia em que a esquerda sionista morreu"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 exatos 11 anos, a esquerda sionista morreu, ao ser capturada pelo ent\u00e3o primeiro ministro trabalhista Ehud Barak. Vimos muitas mortes ao longo desses 11 anos passados, juntamente \u00e0 expans\u00e3o dos assentamentos e a sua consolida\u00e7\u00e3o. E vimos a total debilidade da esquerda sionista que, de um ponto de vista hist\u00f3rico, deveria estar na linha de frente pela paz. Nesta semana n\u00f3s precisamos lembrar da desonra desse per\u00edodo. O artigo \u00e9 de Yitzhak Laor*.<\/p>\n<p>Yitzhak Laor &#8211; Haaretz<\/p>\n<p>H\u00e1 exatos 11 anos, a esquerda sionista morreu, ao ser capturada pelo ent\u00e3o primeiro ministro Ehud Barak. At\u00e9 outubro de 2000, Israel violou os Acordos de Oslo, continuando a atividade de constru\u00e7\u00e3o de assentamentos, rodovias de desvio ao redor dos assentamentos e a consolida\u00e7\u00e3o dos assentamentos existentes. Isso se passou com uma separa\u00e7\u00e3o maior \u2013 embora ainda n\u00e3o uma cerca de separa\u00e7\u00e3o \u2013 entre os territ\u00f3rios, desprovidos de fontes de emprego e o pr\u00f3prio territ\u00f3rio de Israel, que preferiu contratar trabalhadores estrangeiros. Sete anos ap\u00f3s Oslo, a c\u00fapula de Camp David terminou em fracasso, e as lideran\u00e7as de Israel, tanto civis como militares, energicamente prepararam-se para as futuras manifesta\u00e7\u00f5es ao longo da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Quem quer que atualmente esteja orgulhoso da democracia israelense em compara\u00e7\u00e3o com a repress\u00e3o aos protestos na S\u00edria, deveria se lembrar desses dias \u2013 n\u00e3o apenas a jun\u00e7\u00e3o da autoestrada na cidade \u00e1rabe de UMM AL-Fahm, em Israel, onde estouraram tumultos, mas tamb\u00e9m dos confrontos nos territ\u00f3rios entre militantes desarmados e o ex\u00e9rcito israelense. S\u00f3 na Cisjord\u00e2nia, nas primeiras tr\u00eas semanas de levantes, em torno de meio milh\u00e3o de balas foram atiradas. E isso antes de come\u00e7arem os ataques terroristas.<\/p>\n<p>A tentativa constante de obscurecer essa disparidade e de misturar diferentes per\u00edodos de tempo diante dos protestos n\u00e3o apenas enterrou a esquerda sionista, como tamb\u00e9m deu origem ao atual Knesset que \u2013 com poucas exce\u00e7\u00f5es \u2013, \u00e9 todo de direita. Outubro de 2000 foi o marco.<\/p>\n<p>A luta anticolonialista dos palestinos est\u00e1 de acordo com uma interpreta\u00e7\u00e3o israelense que denega, como sempre, a natureza anticolonialista do movimento nacional palestino. A vers\u00e3o israelense era \u201cO Presidente da Autoridade Nacional Palestina Yasser Arafat estava voltando aos seus velhos tempos\u201d, como se o l\u00edder do movimento palestino tivesse concordado em aceitar a recusa israelense em se retirar da Cisjord\u00e2nia. E, como sempre, a estupidez venceu. O \u00fanico l\u00edder palestino que poderia trazer a paz, transigindo, era pintado como um dem\u00f4nio, com a assist\u00eancia da esquerda sionista.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a levou os israelenses a acreditarem que os palestinos tinham declarado guerra, embora se pudesse a olhos nus ver que a verdade era o oposto. Naquele novembro, os ataques terroristas diretamente sobre n\u00f3s come\u00e7aram, na sequ\u00eancia dos assassinatos e mortes de palestinos ao longo da Cisjord\u00e2nia. Sabemos como os assassinatos, do ponto de vista palestino, eram justificativas para a guerra. Hoje, est\u00e1 claro que a comunidade de intelig\u00eancia sabia que eles eram justificativas para guerra.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m que reveja os acontecimentos da \u00e9poca pode ainda levar a s\u00e9rio o que era ent\u00e3o dito. \u201cEles querem a guerra\u201d. Eles n\u00e3o queriam a guerra. Eles queriam um estado e n\u00e3o consideravam a hip\u00f3tese de desistir disso. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o queriam exatamente aceitar a armadilha que lhes foi proposta pelo Primeiro Ministro Barak, e pelo chefe de Estado Maior das For\u00e7as de Defesa Israelense, Shaul Mofaz e o general maior Moshe Ya\u2019alon, do Comando Central das For\u00e7as de Defesa de Israel.<\/p>\n<p>Foi o per\u00edodo mais feio para a esquerda israelense, que foi r\u00e1pida em mostrar suas \u201cang\u00fastias\u201d. A revista do Haaretz rapidamente reuniu o discursos, juntou apoiadores do Partido Trabalhista e do Meretz, um atr\u00e1s do outro, tomando o cuidado de s\u00f3 entrevistar aqueles que se caracterizassem como \u201cperplexos\u201d, permitindo-lhes que culpassem as v\u00edtimas. Esse discurso nunca saiu da agenda p\u00fablica.<\/p>\n<p>O ataque militar massivo sobre os territ\u00f3rios ocupados que continuaram e escalaram, com ataques terroristas terr\u00edveis, que culminaram na reconquista da Cisjord\u00e2nia, deram-se sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o israelense, al\u00e9m de poucas dezenas de membros da esquerda radical. Eles j\u00e1 tinham tomado as ruas naquele outubro. Seu n\u00famero aumentou, mais tarde, para poucas centenas. Eles erraram em dar prefer\u00eancia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es na Cisjord\u00e2nia, em vez de, aqui, tomarem as ruas de Israel.<\/p>\n<p>Vimos muitas mortes ao longo desses 11 anos passados, juntamente \u00e0 expans\u00e3o dos assentamentos e a sua consolida\u00e7\u00e3o. E vimos a total debilidade da esquerda sionista que, de um ponto de vista hist\u00f3rico, deveria estar na linha de frente pela paz. Nesta semana n\u00f3s precisamos lembrar da desonra desse per\u00edodo, particularmente porque tudo o que est\u00e1 agora come\u00e7ando de novo caminha para fechar os olhos para uma das \u00faltimas empreitadas coloniais no mundo.<\/p>\n<p><em>*Yitzhak Laor \u00e9 um poeta e jornalista israelense, nascido em 1948. \u00c9 um dos editores do jornal Haaretz, e escritor de livros premiado. \u00c9 autor de v\u00e1rios livros, entre eles:Night in a Foreign Hotel (Berenstein Prize em 1993), The People, Food Fit for Kings (Israeli Literature Prize em 1994) e And With My Spirit, My Corpse (Moses Prize). Publicou, pouco depois, um livro de poesia, as nothing (1999), e um romance, Ecce Homo [ambos traduzidos para alem\u00e3o]. Em 2004, publicou Leviatahn City, que lhe valeu o Pr\u00e9mio Yehuda Amichai 2007. Em 2006, saiu Vered, um livro de contos e, em 2007, My son shall stand up (poemas). Durante este per\u00edodo, Yitzhak Laor tomou parte na resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios palestinos e na solidariedade aos palestinos. Perdeu o seu emprego na Universidade de Tel Aviv.<\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Katarina Peixoto<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.haaretz.com\/\">http:\/\/www.haaretz.com<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: hkw.de\n\n\n\n\n\n\n\n\nHaaretz\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1905\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1905","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-uJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1905\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}