{"id":19104,"date":"2018-03-19T22:08:15","date_gmt":"2018-03-20T01:08:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19104"},"modified":"2018-03-19T22:08:15","modified_gmt":"2018-03-20T01:08:15","slug":"a-rotina-de-violencia-policial-em-acari-denunciada-por-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19104","title":{"rendered":"A rotina de viol\u00eancia policial em Acari, denunciada por Marielle"},"content":{"rendered":"<p>z<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/A-rotina-de-violencia-policial-em-Acari-denunciada-por-Marielle\/marielle\/%40%40images\/09a212dc-54cb-49b3-9ff3-c54943482239.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Tiros, invas\u00f5es de casas, port\u00f5es quebrados fazem parte do dia a dia de quem vive na favela da zona norte do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Tatiana Merlino, publicada por <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/A-rotina-de-violencia-policial-em-Acari-denunciada-por-Marielle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CartaCapital<\/a>, 17-03-2018.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 vamos embora quando tiver dois ou tr\u00eas corpos no ch\u00e3o!\u201d. \u201cViemos tocar o terror\u201d, gritavam os policiais do 41\u00b0 Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar (BPM) na manh\u00e3 do dia 10 em uma incurs\u00e3o \u00e0 comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A favela foi cercada por tr\u00eas caveir\u00f5es. Em meio tiros para o alto, na dire\u00e7\u00e3o das pessoas, os policiais invadiram casas, quebraram port\u00f5es e fotografaram a identidades de moradores apavorados.<\/p>\n<p>\u201cFoi desesperador e durou o dia inteiro. Ningu\u00e9m conseguia sair de casa. Eram muitos homens, muita viol\u00eancia\u201d, relata uma integrante do Coletivo Fala Akari, que conversou com a CartaCapital sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato. \u201cEles n\u00e3o queriam saber se a pessoa era bandido ou trabalhador, falavam que iam matar quem aparecesse. E tamb\u00e9m disseram que de noite n\u00e3o ia ter baile\u201d.Dias antes, na segunda-feira, 5, dois jovens foram assassinados, denunciam os moradores. Os corpos s\u00f3 foram retirados um dia depois, pelos pr\u00f3prios habitantes quando ent\u00e3o puderam ser velados.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es em Acari foram denunciadas em pela vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros na quarta-feira (14), junto com seu motorista, Anderson Gomes, na regi\u00e3o central do Rio de Janeiro. Ela escreveu em sua p\u00e1gina do Facebook: \u201cPrecisamos gritar para que todos saibam o que est\u00e1 acontecendo em Acari neste momento.<\/p>\n<p>O 41\u00b0 Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro est\u00e1 aterrorizando e violentando moradores do Acari. Nessa semana, dois jovens foram mortos e colocados em um val\u00e3o. Hoje a pol\u00edcia andou pelas ruas amea\u00e7ando os moradores. Acontece desde sempre e com a interven\u00e7\u00e3o ficou pior. Compartilhem essa imagem nas suas linhas do tempo e na capa do perfil\u201d.<\/p>\n<p>A integrante do Coletivo Fala Akari relatou que a opera\u00e7\u00e3o do dia 10 foi uma das muitas incurs\u00f5es que o Batalh\u00e3o vem fazendo na comunidade. \u201cElas acontecem a qualquer hora\u201d. Nas madrugadas, acorda-se ao som de tiros, e \u00e0s vezes nem h\u00e1 tempo de moradores soltarem fogos, forma de comunica\u00e7\u00e3o utilizada para informar que a PM est\u00e1 na comunidade.<\/p>\n<p>As invas\u00f5es de domic\u00edlio tamb\u00e9m ocorrem com frequ\u00eancia, feitas por meio de mandados de apreens\u00e3o e busca coletivos. A integrante do coletivo \u00e9 uma das pessoas que teve sua casa invadida. Certo dia, uma vizinha lhe telefonou contando que havia policiais em sua casa. Quando retornou, os policiais n\u00e3o estavam mais l\u00e1, mas suas coisas estavam reviradas e quebradas. \u201cEles queriam um documento do coletivo\u201d, conta a militante.<\/p>\n<p>Ela revela que os integrantes do grupo, que denuncia viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na comunidade, j\u00e1 sofreram amea\u00e7as via mensagens em redes sociais e at\u00e9 sequestros rel\u00e2mpagos. \u201cQuerem nos calar, querem fechar nossa p\u00e1gina\u201d.<\/p>\n<p>A jovem afirma que o Batalh\u00e3o tem \u201chist\u00f3rico de viol\u00eancia\u201d, mas que ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o militar, as viola\u00e7\u00f5es se tornaram mais intensas. \u201cSabemos que n\u00e3o vamos conseguir tirar o batalh\u00e3o daqui, mas queremos ao menos uma \u2018redu\u00e7\u00e3o de danos\u2019, que as incurs\u00f5es n\u00e3o sejam feitas nos hor\u00e1rios que crian\u00e7as est\u00e3o saindo de casa, que n\u00e3o cheguem atirando, nem nas madrugadas\u201d, afirma. Segundo ela, os coletivos do Acari v\u00e3o dar continuidade ao trabalho de defesa dos direitos humanos de Marielle Franco.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), nos \u00faltimos cinco anos, 430 pessoas foram mortas em a\u00e7\u00f5es desse batalh\u00e3o, o maior n\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o policial no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Procurada pela Carta Capital, a Pol\u00edcia Militar do Estado do Rio de Janeirodisse, em nota:<\/p>\n<p>&#8220;Na segunda-feira (05\/03), o 41\u00ba BPM (Iraj\u00e1) realizou opera\u00e7\u00e3o em Acari, quando foram recebidos a tiros, na localidade conhecida como \u201cFim do Mundo\u201d. Na a\u00e7\u00e3o houve apreens\u00e3o de um r\u00e1dio transmissor, sete carregadores de pistola, 280 pinos de drogas e muni\u00e7\u00f5es. N\u00e3o houve registros de mortos e\/ou feridos. A ocorr\u00eancia foi encaminhada \u00e0 39\u00aa DP. Na mesma data, o batalh\u00e3o foi acionado pelo Hospital de Acari, dando conta que uma pessoa ferida deu entrada na unidade hospitalar, mas n\u00e3o resistiu aos ferimentos. Tamb\u00e9m na segunda-feira (05\/03), o 41\u00b0 BPM foi chamado para uma ocorr\u00eancia de encontro de cad\u00e1ver, na rua Padre Lima, onde o fato foi constatado e a per\u00edcia da Delegacia de Homic\u00eddios da Capital foi acionada.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que o comando do batalh\u00e3o abriu um Inqu\u00e9rito Policial Militar para apurar as circunst\u00e2ncias dos fatos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s denuncias, o comando do batalh\u00e3o informa que todas que chegam \u00e0quela unidade s\u00e3o investigadas e informa ainda que as mesmas poder\u00e3o ainda ser enviadas ou comunicadas \u00e0 Corregedoria Interna da Corpora\u00e7\u00e3o pelos canais: WhatsApp atrav\u00e9s do n\u00famero (21) 97598-4593, por telefone pelo n\u00famero (21) 2725-9098 ou ainda pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br&#8221;<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/A-rotina-de-violencia-policial-em-Acari-denunciada-por-Marielle<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"z\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19104\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[223],"class_list":["post-19104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Y8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}