{"id":19123,"date":"2018-03-22T10:24:04","date_gmt":"2018-03-22T13:24:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19123"},"modified":"2018-03-22T10:24:04","modified_gmt":"2018-03-22T13:24:04","slug":"italia-a-terceira-republica-nasceu-sem-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19123","title":{"rendered":"It\u00e1lia: A Terceira Rep\u00fablica nasceu sem governo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"It\u00e1lia: A Terceira Rep\u00fablica nasceu sem governo\" title=\"It\u00e1lia: A Terceira Rep\u00fablica nasceu sem governo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.romagnanoi.it\/resizer\/670\/-1\/true\/UpkPfA5XLjitygm97RZyIRQDvZ7UyoxRQS+SJm\/D5dQ=--.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>Achille Lollo<\/b><\/p>\n<p>O pleito eleitoral do dia 4 de mar\u00e7o complicou, ainda mais, a dif\u00edcil conjuntura pol\u00edtica italiana, porque os resultados das urnas foram devidamente complexos e emblem\u00e1ticos, a partir do momento em que nenhum partido e nenhuma coaliz\u00e3o partid\u00e1ria alcan\u00e7aram os necess\u00e1rios 40% para formar o novo governo e ter a maioria no Parlamento. Al\u00e9m disso, no centro-esquerda, registrou-se a surpreendente queda do PD (Partido Democr\u00e1tico) de Matteo<\/p>\n<p>Renzi, enquanto o partido de Berlusconi perdeu a hist\u00f3rica\u00a0lideran\u00e7a da Direita. Um contexto conjuntural onde somente o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Lega tiveram um desempenho eleitoral positivo. Por isso os analistas afirmam que o novo ciclo pol\u00edtico, que a m\u00eddia etiquetou \u201cTerceira Rep\u00fablica&#8221;, vai alimentar a instabilidade, ampliando os vetores da crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Depois de uma semana de frio e de muita neve, 73% dos eleitores italianos (30.196.742) foram \u00e0s urnas para renovar os deputados, os senadores e alguns governadores regionais, utilizando, para isso, um sistema eleitoral chamado \u201cRosatellum\u201d (1), que \u00e9 uma mistura &#8211; mal feita \u2013 dos modelos usados no passado. De fato, o eleitor, depois de votar em um candidato inscrito na lista do seu partido, teve que assinalar, tamb\u00e9m, a prefer\u00eancia para o partido. Esta cl\u00e1usula foi introduzida para permitir a \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d dos candidatos que n\u00e3o alcan\u00e7aram os percentuais para serem eleitos diretamente.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do anterior sistema eleitoral, chamado \u201cItalicum\u201d, para o \u201cRosatellum\u201c,\u00a0foi determinada pela Corte Constitucional, que, em 2015, proibiu a aplica\u00e7\u00e3o do chamado \u201cpr\u00eamio majorit\u00e1rio\u201d, com o qual o partido ou a coaliz\u00e3o que ganhava as elei\u00e7\u00f5es, sem alcan\u00e7ar 40% dos pleitos, era premiado com a \u201crecupera\u00e7\u00e3o de candidatos n\u00e3o eleitos\u201d, com a qual o partido premiado alcan\u00e7ava a maioria no Parlamento. Assim, em 2013, em virtude do \u201cpr\u00eamio majorit\u00e1rio\u201d e da absten\u00e7\u00e3o de quase 35% dos eleitores, o PD ganhou as elei\u00e7\u00f5es e Matteo Renzi recebeu do Presidente Giorgio\u00a0Napolitano a tarefa de formar o novo governo.<\/p>\n<p>De fato, nestes \u00faltimos cinco anos a conjuntura italiana mudou substancialmente, com o aumento da pobreza absoluta (6 milh\u00f5es), do desemprego (12 milh\u00f5es), dos imigrantes (4 milh\u00f5es), da d\u00edvida publica (2.281 bilh\u00f5es de Euro), da criminalidade (28.612 assaltos e 1.198.892 roubos) e da redu\u00e7\u00e3o da qualidade de vida. Por isso tudo, o voto de protesto foi a principal caracter\u00edstica pol\u00edtica destas elei\u00e7\u00f5es, que consagraram dois novos sujeitos pol\u00edticos: o \u201cMovimento 5 Estrelas (M5S)\u201d, criado em outubro de 2009 por Beppe Grillo e Gianroberto Casaleggio e a \u201cLega\u201d de Matteo Salvini, que reflete, em n\u00edvel nacional, a proje\u00e7\u00e3o populista da antiga \u201cLega Padana\u201d, fundada em 1989 por Ugo Bossi.<\/p>\n<p><b>M5S \u00e9 a nova Democracia Crist\u00e3 italiana?<\/b><\/p>\n<p>Uma pergunta come\u00e7ou a ser feita por alguns analistas depois do \u201cdiplom\u00e1tico\u201d afastamento do fundador do \u201cMovimento 5 Estrelas\u201d, Beppe Grillo, acontecido pouco antes de iniciar a campanha eleitoral. Em seguida, os grandes jornais da imprensa italiana, \u201cLa Repubblica\u201d, \u201cIl Corriere della Sera\u201d e \u201cIl Fatto Quotidiano\u201d voltaram a questionar o l\u00edder do movimento M5S, Luigi Di Maio, que depois do seu encontro com os empres\u00e1rios em Londres, declarou \u00ab&#8230;<i>o Movimento Cinco Estrelas n\u00e3o \u00e9 nem de direita e nem de esquerda, ali\u00e1s estes s\u00e3o termos do passado!<\/i>\u00bb<\/p>\n<p>Um conceito, bastante confuso, que Beppe Grillo tentou de esclarecer afirmando: \u00ab&#8230;<i>o M5S n\u00e3o \u00e9 um partido, mas um movimento um bocado democrata-crist\u00e3o, um bocado de direita e um bocado de esquerda. Seu DNA \u00e9 o interclassismo. Sua estrat\u00e9gia prev\u00ea estar no centro dos acontecimentos para representar as exig\u00eancias dos diferentes setores sociais. O movimento n\u00e3o depende de uma ideologia, mas apenas do seu programa!<\/i>\u00bb<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que este programa foi elaborado pela empresa \u201cCasaleggio&amp;Associados\u201d (web system) de Gianroberto Casaleggio, para depois ser aprovado por uma quantidade indefinida de \u201cusu\u00e1rios da rede\u201d, que entraram no Blog de Beppe Grillo. Em seguida, Gianroberto Casaleggio, para blindar o movimento, criou com o filho David a \u201cAssocia\u00e7\u00e3o Rousseau\u201d, que, na realidade, \u00e9 o c\u00e9rebro pensante e sobretudo oculto do M5S. Com a morte de Gianroberto, o filho David centralizou na sua pessoa propriedade da empresa e da referida associa\u00e7\u00e3o. Por isso, Beppe Grillo foi afastado e transformado em uma solit\u00e1ria iconografia do M5S, enquanto David Casaleggio monitora diretamente o operado e o trabalho de Luigi Di\u00a0Maio e dos novos parlamentares.<\/p>\n<p>Talvez tenha sido\u00a0por isso que Luigi Di Maio, Alessandro Di Battista, Vito Crimi, Roberta Lombardi e tantos outros l\u00edderes do M5S nunca questionaram o sistema capitalista limitando-se a criticar \u201c&#8230;a excessiva ajuda financeira do governo italiano aos bancos&#8230;\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos problemas da It\u00e1lia com a Uni\u00e3o Europeia (Emigra\u00e7\u00e3o, Reforma do Trabalho, Liquidez financeira, Or\u00e7amento do Estado etc. etc.) eles preferiram aderir \u00e0s posi\u00e7\u00f5es dos partidos euro-c\u00e9ticos, no lugar de denunciar a exist\u00eancia do eixo imperialista franco-alem\u00e3o, que sempre condicionou o desenvolvimento e a pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia.\u00a0Tamb\u00e9m, o M5S nunca questionou o bloco da OTAN e quando os jornais, em 2015, publicaram a habitual \u201cfake news\u201d especulando que a participa\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia na OTAN estaria amea\u00e7ada caso o M5S ganhasse as elei\u00e7\u00f5es, imediatamente Luigi Di Maio, bem instru\u00eddo por Gianroberto Casaleggio , tranquilizou o embaixador estadunidense, John Philips, negando todas as especula\u00e7\u00f5es da imprensa, que nunca entendeu os motivos do r\u00e1pido crescimento do M5S que, em apenas cinco anos, passou do 4,5% do eleitorado a 32,3%.<\/p>\n<p>Excluindo \u201cIl Fatto Quotidiano\u201d e \u201cIl Manifesto\u201d todos os jornais e as televis\u00f5es italianas tentaram demonizar o M5S, dando a entender que a dire\u00e7\u00e3o do M5S, por ser de esquerda, era pouco recomend\u00e1vel, enquanto, em termos organizativos, o Movimento era ainda mais desqualificado e comparado aos partidos piratas do Norte da Europa, ao movimento estadunidense \u201cOcupy\u201d e ao espanhol \u201cIndignados\u201d. Por \u00faltimo, houve a provoca\u00e7\u00e3o de \u201cLa Stampa\u201d e de \u201cIl Messaggero\u201d que, em 2016, inventaram a exist\u00eancia de uma liga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre os deputados do M5S, Alessandro Di Battista, Carlo Sibilia e Manlio Distefano e o governo russo de Putin. Por isso, juntamente aos fascistas, encenaram uma escandalosa campanha contra o web-jornal \u201cL\u2019Antidiplomatico\u201d, dizendo que seu editor, Alessandro Bianchi, por ser ligado ao M5S, teria sido o elo de contato com o governo russo!<\/p>\n<p>Mesmo assim e apesar de uma verdadeira censura praticada pelos canais televisivos da RAI e os de Mediaset (3), o M5S se tornou cada vez mais popular por cinco motivos : 1) a dura oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cclasse pol\u00edtica tradicional\u201d, demonstrada na pr\u00e1tica com a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio de todos os parlamentares do M5S; 2) em 2013 rejeitou participar no governo de centro-esquerda do Partido Democr\u00e1tico, na \u00e9poca liderado por Pierluigi Bersani; 3) a proposta de criar o \u201cRenda do Cidad\u00e3o\u201d dando um sal\u00e1rio de 780 Euro aos pobres, aos desempregados e aos aposentados; 4) a anula\u00e7\u00e3o da impopular Lei Fornero, que modificou o sistema de aposentadoria aumentando tamb\u00e9m o tempo necess\u00e1rio para se aposentar; 5) a aboli\u00e7\u00e3o do \u201cJob Acts\u201d\u00a0(Reforma d Trabalho) que foi imposto pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, prejudicando ainda mais as rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho; 6) a redu\u00e7\u00e3o dos impostos para as empresas e as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Propostas que, garantiram ao M5S o voto de 32,3% dos italianos, em particular os do Centro-Sul e do Sul, muitos dos quais acreditam que em abril receber\u00e3o do INPS o cheque\u00a0de 780 euros! Na realidade, as promessas eleitorais ser\u00e3o um verdadeiro problema para Luigi Di Maio, porque, se o M5S conseguir fazer o novo governo, dificilmente poder\u00e1 cumprir com as promessas eleitorais. De fato o programa do M5S n\u00e3o explica onde o governo vai encontrar, em cada ano, 19 bilh\u00f5es de Euro, se em 2019, em fun\u00e7\u00e3o do Fiscal Compact\u00a0(4), dever\u00e1 realizar cortes or\u00e7ament\u00e1rios de 40 at\u00e9 50 bilh\u00f5es de euros, para equilibrar a d\u00edvida, do momento que j\u00e1 em 2017 a mesma equivalia a 134% do PIB.<\/p>\n<p>Alguns analistas admitiram que o Clube de Paris ou o FMI poder\u00e3o abrir uma linha de cr\u00e9dito especial para a It\u00e1lia, porque, com o pagamento da \u201cRenda do Cidad\u00e3o\u201d, o governo, liderado por Luigi Di Maio, poder\u00e1 evitar uma explos\u00e3o social, sobretudo no Sul do pa\u00eds. Outros lembram que Luigi Di\u00a0Maio, em menos de dez dias, recuou v\u00e1rias vezes, \u201cflexibilizando\u201d o programa eleitoral do M5S. Por isso, os mesmos sublinham que todas as propostas do M5S, que se chocam com as r\u00edgidas regras do Banco Central Europeu e com as orienta\u00e7\u00f5es impostas pela Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia receber\u00e3o a lenta itera\u00e7\u00e3o legislativa que governo do &#8220;PD&#8221; usou no caso das chamadas reformas sociais.<\/p>\n<p>Por exemplo, o PD, quando Matteo Renzi era primeiro-ministro, em 10 de abril de 2013, apresentou o Projeto de Lei \u201cRenda M\u00ednima de Cidadania Ativa\u201d, que permanece nas gavetas da Comiss\u00e3o Financeira da C\u00e2mara dos Deputados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outro projeto parecido com o do M5S, chamado \u201cRenda M\u00ednima Garantida\u201d, que desde 14 de outubro de 2013 permanece engavetado. Por isso tudo, Vincenzo Boccia, presidente da poderosa Confedera\u00e7\u00e3o dos Empres\u00e1rios (Confindustria), que um m\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es lan\u00e7ava an\u00e1temas contra o M5S, chamando de incompetente Luigi Di Maio, no dia 8 de mar\u00e7o mudou por completo dizendo \u201c&#8230;<i>O M5S \u00e9 um partido que respeita as regras da democracia, portanto n\u00e3o haver\u00e1 problemas com ele<\/i>\u00a0&#8230;\u201d Tamb\u00e9m Sergio Marchionne, o poderoso Administrador Delegado da Fiat-Chrysler, dando a entender que j\u00e1 houve uma aproxima\u00e7\u00e3o por parte do M5S, logo disse \u201c&#8230;<i>N\u00e3o h\u00e1 problemas, no passado algu\u00e9m foi bem pior!<\/i>\u201d. At\u00e9 dia 30 de mar\u00e7o, o clima pol\u00edtico italiano continuar\u00e1 cheio de mist\u00e9rios, porque se o PD decide ficar na oposi\u00e7\u00e3o, o M5S de Luigi Di Maio, seguindo o apelo do Presidente da Republica, Sergio Mattarella, poder\u00e1 fazer o governo somente com o direitista Salvini da \u201cLega\u201d!<\/p>\n<p><b>Salvini o novo l\u00edder da Direita?<\/b><\/p>\n<p>Com Matteo Salvini, a \u201cLega\u201d passou de 4,8% para 17,6%, recebendo consensos em toda a It\u00e1lia do Norte, mas tamb\u00e9m no Sul e no Centro sul. Por isso, a dire\u00e7\u00e3o do partido decidiu retirar o adjetivo \u201cPadana\u201d e apresentar-se como um partido nacional, chamado apenas \u201cLega\u201d.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o que permitiu a uma parte do eleitorado acreditar em um partido que prometeu acabar com a chegada dos imigrantes \u00e1rabes e os africanos. De fato, na It\u00e1lia, em dezembro de 2013, havia 4 milh\u00f5es de estrangeiros regularmente registrados. Por\u00e9m, desde 2014, a chegada dos migrantes africanos e \u00e1rabes, vindos em pequenos barcos da L\u00edbia, da Tun\u00edsia e da Gr\u00e9cia, quadruplicou. Assim, em 2014 chegaram 170.00; em 2015 foram 196.000; em 2016 desembarcaram 185.000, que em 2017 baixaram para 119.000. No total, em quatro anos, chegou meio milh\u00e3o de pessoas, na maioria africanos, que provocaram o curto-circuito das estruturas criadas para acolher apenas os estrangeiros que fogem de seus pa\u00edses por motivos pol\u00edticos. Na realidade, a grande maioria dos migrantes africanos s\u00e3o jovens da classe m\u00e9dia que emigram por motivos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Desde dezembro de 2015, esta situa\u00e7\u00e3o ficou fora de controle, o que permitiu a Matteo Salvini iniciar a campanha pol\u00edtica para o fechamento das fronteiras e a expuls\u00e3o dos imigrantes \u201cclandestinos\u201d. Ao mesmo tempo, Salvini denunciava a\u00a0degrada\u00e7\u00e3o das periferias das grandes cidades italianas, em particular as da capital Roma, acusando os emigrantes africanos, os \u00e1rabes e as comunidades de ciganos de serem os respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o de bairros inteiros.<\/p>\n<p>Alguns eventos violentos (mulheres violadas ou assassinadas por africanos), juntamente \u00e0s manifesta\u00e7oes contra a entrega de casas populares aos estrangeiros, refor\u00e7aram a campanha racista e xen\u00f3foba de Salvini, cujos slogans principais foram: \u00ab..<i>A It\u00e1lia aos italianos!&#8230;Devemos resolver primeiro os problemas dos italianos!\u201d\u00a0<\/i>Por isso<i>, a\u00a0<\/i>expuls\u00e3o dos imigrantes se tornou o principal argumento da campahna eleitoral da \u201cLega\u201d, dando a Salvini um resultado que ningu\u00e9m havia previsto. De fato, a \u201cLega\u201d, ao receber 17,5% dos votos, tornou-se o principal partido da coaliz\u00e3o de centro-direita, formado pela\u201d Lega\u201d, o partido de Berlusconi, \u201cFor\u00e7a Italia\u201d e o novo partido dos p\u00f3s-fascistas de Giorgia Meloni, \u201cIrm\u00e3os Italianos\u201d.<\/p>\n<p>Agora, Salvini \u00e9 considerado o novo l\u00edder da Direita e por isso foi indicado para tentar de formar o novo governo, aliciando (ou comprando!!!) o apoio de 85 deputados dos outros partidos, para compor a maioria absoluta do seu governo. Uma opera\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 vis\u00edvel no dia 23 de mar\u00e7o, quando\u00a0os parlamentares eleitos dever\u00e3o votar a nomea\u00e7\u00e3o dos Presidentes da\u00a0C\u00e2mara\u00a0dos Deputados e do Senado.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar que o sucesso de Matteo Salvini ofuscou o retorno de Silvio Berlusconi na pol\u00edtica ativa, que, desta vez, n\u00e3o conseguiu igualar o brilhante resultado das elei\u00e7\u00f5es europeias de 1994, quando seu partido foi votado por 30,1% dos eleitores. Um resultado que Berlusconi esperava de obter com as mirabolantes promessas eleitorais, que convenceram apenas 14,1% dos votos. De fato, Berlusconi voltou a garantir que seu governo criar\u00e1 um milh\u00e3o de novos empregos, introduzir\u00e1 a \u201cFlex-Tax\u201d para reduzir o valor do IVA e todo o sistema de taxa\u00e7\u00e3o e, no final, prometeu tamb\u00e9m a revis\u00e3o do Tratado de Mastrich!<\/p>\n<p>Na realidade, foram as mentiras de Berlusconi que provocaram a queda de popularidade do partido \u201cFor\u00e7a It\u00e1lia\u201d, de fato 8,6% dos seus eleitores votaram por Salvini e la \u201cLega\u201d!<\/p>\n<p><b>O PD de Renzi permanece na oposi\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es europeias de 2014, o \u201cPD\u201d (Partido Democr\u00e1tico) de Matteo Renzi alcan\u00e7ou 40,82%, por\u00e9m, desta vez minguou para miser\u00e1veis 19,1%, concluindo assim um ciclo pol\u00edtico que come\u00e7ou em 7 de mar\u00e7o de 1990, quando Achille Occhetto enterrou o Partido Comunista Italiano para dar mais visibilidade \u00e0 linha socialdemocrata de Berlinguer, com a forma\u00e7\u00e3o do PDS (Partido Democr\u00e1tico de Esquerda). Depois , em 1998, Massimo D\u2019Alema e Romano Prodi, na onda da \u201cTerceira Via\u201d do brit\u00e2nico Tony Blair, transformaram o PDS em um partido social-liberal denominado \u201cL\u2019Ulivo\u201d, que em 2007, Walter Veltroni, unificou com os herdeiros da antiga Democracia Crist\u00e3 (Renzi, Franceschini, Serrachiani e outros) para fazer o Partido Democr\u00e1tico (PD). Um partido autenticamente neoliberal,\u00a0europe\u00edsta e euroc\u00eantrico\u00a0que rejeitou o passado \u201ccomunista\u201d e trocou a qualificada \u201cesquerda\u201d para a \u201ccentro-esquerda\u201d, tornando-se, assim, o partido da classe m\u00e9dia italiana.<\/p>\n<p>Uma metamorfose que \u00e9 igual ao que se passou com outros partidos comunistas e socialistas europeus. De fato, ao perder a sua liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com o proletariado e a classe oper\u00e1ria e optando pelo interclassismo, aos poucos perderam sua influ\u00eancia no eleitorado somando derrotas hist\u00f3ricas na Fran\u00e7a, na Espanha, na B\u00e9lgica, na Alemanha e agora na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Nesse percurso o Partido Democrata consagrou a op\u00e7\u00e3o neoliberal, que o pr\u00f3prio Renzi definiu \u201csocial-liberal\u201d perdendo quase dez milh\u00f5es de votos , que, em sua maioria, permanecem no limbo da absten\u00e7\u00e3o. Por isso, a nova dire\u00e7\u00e3o do \u201cPD\u201d, que foi eleita no dia19 de mar\u00e7o, decidiu ficar na oposi\u00e7\u00e3o, rejeitando a alian\u00e7a pol\u00edtica com o Movimento 5 Estrelas para sustentar o novo governo de Luigi Di Maio. A este prop\u00f3sito, o presidente Orfino reiterou: \u00ab<i>Se a nova dire\u00e7\u00e3o do Partido Democr\u00e1tico decidir apoiar o governo do M5S deLuigi Di Maio, vai enterrar o PD, que diante disso pode implodir!\u00bb<\/i><\/p>\n<p>De fato, na reuni\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o, realizada no dia 12 de mar\u00e7o, 90% dos membros apoiaram a posi\u00e7\u00e3o de Matteo Renzi, que, mesmo apresentando as dimiss\u00f5es, desenhou a linha pol\u00edtica que o PD dever\u00e1 exercer no futuro voltando \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. De fato, na confer\u00eancia de imprensa Renzi afirmou: \u00ab<i>O M5S recebeu 32% e portanto deve ser considerado o vencedor das elei\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o que fa\u00e7a o governo. O PD teve apenas 19%, ent\u00e3o perdeu e por isso vamos para a oposi\u00e7\u00e3o, porque\u00a0<\/i><i>n\u00e3o temos a voca\u00e7\u00e3o de ser a muleta do M5S e muito menos de Salvini!\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Apenas o governador da Puglia, Michele Emiliano, sustentou a ideia de garantir o apoio externo ao governo de Luigi Di Maio, com maioria relativa formado unicamente pelo M5S.<\/p>\n<p>Com esta decis\u00e3o, a Dire\u00e7\u00e3o do \u201cPD\u201d blindou o partido e os novos parlamentares, uma vez que Luigi Di Maio e outros dirigentes do M5S acreditavam que com as demiss\u00f5es de Renzi haveria novas divis\u00f5es no PD. Por isso Di Maio declarou : \u00ab&#8230;<i>os insatisfeitos do PD<\/i>\u00a0<i>deveriam convergir em dire\u00e7\u00e3o ao Movimento 5 Estrelas, que est\u00e1 pronto para receb\u00ea-los, como recebemos os dois milh\u00f5e de votos de eleitores que em 2013 haviam votado pelo PD!..<\/i>.\u00bb<\/p>\n<p><b>Crise institucionaal ou governo do Presidente?<\/b><\/p>\n<p>A poss\u00edvel forma\u00e7\u00e3o de um \u201cgoverno de responsabilidade interino\u201d, formado pelo Presidente da Rep\u00fablica, Sergio Mattarella, come\u00e7a a ser a solu\u00e7\u00e3o ideal para chegar at\u00e9 maio de 2019, quando se realizar\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es europeias. Ser\u00e1, portanto, um governo de t\u00e9cnicos que dever\u00e1 repetir a experi\u00eancia de 2012, quando o ent\u00e3o presidente Giorgio Napolitano chamou o professor Mario Monti para fazer \u201c&#8230;<i>um governo de amplo entendimento&#8230;\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o institucional que o presidente dever\u00e1 propor no dia 30 de mar\u00e7o, depois da elei\u00e7\u00e3o no Parlamento dos Presidentes da C\u00e2mara dos Deputados e do Senado, cujos candidatos dever\u00e3o ser eleitos com uma parcentual majorit\u00e1ria (50% +1).<\/p>\n<p>Por este motivo, as negocia\u00e7\u00f5es entre os partidos continuam sendo dific\u00edlimas, porque o M5S reivindica a presid\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados, enquanto na coaliz\u00e3o de centro direita ainda n\u00e3o h\u00e1 acordo, j\u00e1 que a\u201d Lega \u201cde Salvini aceita a divis\u00e3o dos cargos com o M5S, por\u00e9m, reivindica a nomea\u00e7\u00e3o do senador Calderoli na presid\u00eancia do Senado. Contra isso insurgiu o partido de Berlusconi, \u201cFor\u00e7a Italia\u201d, que rejeita qualquer compromisso com o M5S e exige que o presidente da C\u00e2mara seja da Lega enquanto o do Senado deveria ser de For\u00e7a Italia, com o senador Romano. Na pr\u00e1tica, a guerra pelas duas nomea\u00e7\u00f5es come\u00e7ar\u00e1 no dia 23 de mar\u00e7o e continuar\u00e1 at\u00e9 o dia 30, quando se realizar\u00e1 a ultima vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a elei\u00e7\u00e3o para os presidentes da C\u00e2mara e do Senado ser\u00e1 o teste definitivo para quebrar o atual empate para a forma\u00e7\u00e3o do novo governo. Entretanto, a maior parte dos analistas pol\u00edticos n\u00e3o acreditam em um acordo entre Di Maio e Salvini. Tamb\u00e9m acham muito dif\u00edcil que Salvini e Berlusconi consigam o \u201capoio externo\u201d de 123 deputados em favor do governo de centro-direita liderado por Salvini.<\/p>\n<p>Consequentemente, para evitar novas elei\u00e7\u00f5es e uma crise institucional, o presidente da Rep\u00fablica, Sergio Mattarella, dever\u00e1 intervir anunciando a forma\u00e7\u00e3o de um \u201cgoverno de responsabilidade interino\u201d, formado por t\u00e9cnicos. Uma solu\u00e7\u00e3o que visualiza claramente a crise do parlamentarismo italiano, onde o principal partido recebeu 32% dos sufr\u00e1gios, por\u00e9m, 40% dos eleitores n\u00e3o votaram!<\/p>\n<p><b>Achille Lollo, \u00e9 jornalista italiano diretor de ADIATV e comentarista do jornal on line \u201cContropiano\u201d.<\/b><\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Beppe Grillo e Davide Casaleggio (foto da Twitter)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19123\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[101],"tags":[233],"class_list":["post-19123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c114-italia","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Yr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}