{"id":19125,"date":"2018-03-22T19:21:46","date_gmt":"2018-03-22T22:21:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19125"},"modified":"2018-03-22T19:21:46","modified_gmt":"2018-03-22T22:21:46","slug":"revisitacao-a-perversidade-da-avaliacao-de-desempenho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19125","title":{"rendered":"Revisita\u00e7\u00e3o \u00e0 perversidade da &#8216;avalia\u00e7\u00e3o de desempenho&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Revisita\u00e7\u00e3o \u00e0 perversidade da 'avalia\u00e7\u00e3o de desempenho'\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/portugal\/imagens\/avaliacao.jpg\" alt=\"Revisita\u00e7\u00e3o \u00e0 perversidade da 'avalia\u00e7\u00e3o de desempenho'\" \/><!--more--><br \/>\npor Jorge Seabra*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ir.info\/portugal\/avaliacao_07mar18.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resistir.info<\/a><\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o se revoltam por serem avaliados. Revoltam-se contra crit\u00e9rios que servem apenas de pretexto para excluir os menos bem aceites pelas chefias. O atual &#8220;sistema avaliador&#8221;, perverso e empapado de ideologia neoliberal, serve para tudo \u2013 menos para avaliar.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil precisar a data em que a sociedade portuguesa foi atingida pelo novo paradigma &#8220;da avalia\u00e7\u00e3o do desempenho&#8221;, que se infiltrou por todos os poros, por todas as frinchas da atividade laboral, extravasando os prolet\u00e1rios do campo e da ferrugem, atingindo trabalhadores de escolas, hospitais e centros de Sa\u00fade infectando investigadores de humanidades ou de ci\u00eancias exatas, artistas, empregados dos shopping&#8217;s, de ag\u00eancias imobili\u00e1rias ou de viagens, vendedores de autom\u00f3veis ou de latas de conserva.<\/p>\n<p>Uma nova mentalidade dita moderna e empresarial, pr\u00f3pria de gente vi\u00e7osa e empreendedora, com pinceladas de arrog\u00e2ncia e um confuso paleio ideol\u00f3gico mal aprendido nas universidades de Ver\u00e3o dos &#8220;jotas&#8221;, come\u00e7ou a enviar para o caixote do lixo toda a experi\u00eancia j\u00e1 acumulada no campo laboral, impondo como natural uma vida sempre sob press\u00e3o, avaliada em metas, objetivos,\u00a0<i>rankings\u00a0<\/i>e comportamentos, aumentando a submiss\u00e3o do trabalho \u00e0s cada vez maiores exig\u00eancias dos &#8220;donos do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>No terreno, as &#8220;avalia\u00e7\u00f5es de desempenho&#8221;, apresentadas sob a capa de rigor t\u00e9cnico, passaram a estimular a concorr\u00eancia individual, empurrando os trabalhadores uns contra os outros, isolando-os perante as arbitrariedades do ass\u00e9dio (designa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00f5es e maus tratos por parte das chefias), que passaram a atingir formas desumanas e doentias, muitas vezes disfar\u00e7adas.<\/p>\n<p><b>O inimagin\u00e1vel acontece: treinar &#8220;avaliadores&#8221; como psicopatas\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Abordando o tema na sua vertente cl\u00ednica,\u00a0<a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Christophe_Dejours\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Christophe Dejours<\/a>, psiquiatra, psicanalista e diretor do Laborat\u00f3rio de Psicologia do Trabalho e da A\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Conservatoire National des Arts et M\u00e9tiers,\u00a0<\/i>de Paris, que analisou maus tratos graves passados na Renault e na France Telecom, numa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2010\/02\/01\/sociedade\/noticia\/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal-1420732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista dada ao\u00a0<i>P\u00fablico<\/i>\u00a0de 1\/2\/2010<\/a>\u00a0[1]\u00a0(em plena &#8220;crise&#8221; financeira que acentuou a desregula\u00e7\u00e3o do trabalho em Portugal), falou do sofrimento da avalia\u00e7\u00e3o, do ass\u00e9dio, do suic\u00eddio nas empresas:<\/p>\n<p><i>&#8220;A avalia\u00e7\u00e3o individual \u00e9 uma t\u00e9cnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho porque p\u00f4s em concorr\u00eancia os servi\u00e7os, as empresas, as sucursais \u2013 e tamb\u00e9m os indiv\u00edduos. E se estiver associada a pr\u00eamios ou promo\u00e7\u00f5es, quer a amea\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas est\u00e3o agora competindo entre elas, o \u00eaxito dos colegas constitui uma amea\u00e7a, o que altera completamente as rela\u00e7\u00f5es de trabalho: o que quero \u00e9 que os outros n\u00e3o consigam fazer bem o seu trabalho!&#8230;&#8221;.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Quanto ao perfil dos que s\u00e3o alvo preferencial da agress\u00e3o das chefias, Christophe Dejours, precisa:<\/p>\n<p><i>&#8220;S\u00e3o justamente pessoas que acreditam no seu trabalho, que est\u00e3o envolvidas e que quando come\u00e7am a ser censuradas de forma injusta, s\u00e3o muito vulner\u00e1veis. Por outro lado, s\u00e3o pessoas muito honestas e algo ing\u00eanuas. Portanto, quando lhes pedem coisas que v\u00e3o contra as regras da profiss\u00e3o, contra a lei e os regulamentos, contra o c\u00f3digo do trabalho, recusam a faz\u00ea-lo\u2026&#8221;.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Segundo Dejours, h\u00e1 t\u00e9cnicas organizadas com o apoio de psic\u00f3logos para ensinar chefias e respons\u00e1veis de recursos humanos a fazerem o ass\u00e9dio. E cita um exemplo:<\/p>\n<p><i>&#8220;No in\u00edcio de um est\u00e1gio de forma\u00e7\u00e3o em Fran\u00e7a, cada um dos quinze participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O est\u00e1gio durou uma semana e cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. No fim, o diretor do est\u00e1gio deu a todos a ordem\u2026 de matar o seu gato&#8221;.\u00a0<\/i>Catorze mataram o gatinho, e a \u00fanica participante que se recusou adoeceu e foi tratada por Christophe Dejours, que, assim, ficou conhecendo o caso.\u00a0<i>&#8220;O est\u00e1gio era para ser impiedoso, uma aprendizagem de ass\u00e9dio&#8221;,\u00a0<\/i>explica o psiquiatra.<\/p>\n<p>Nesta guerra de dom\u00ednio do capital, para os que vivem do seu trabalho \u2013 mesmo tendo fun\u00e7\u00f5es superiores \u2013 n\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7os gr\u00e1tis. Falar de um ambiente fascistizante n\u00e3o ser\u00e1 exagero. O caminho da demiss\u00e3o est\u00e1 aberto pelo desgaste moral causado por processos de ass\u00e9dio em que a &#8220;avalia\u00e7\u00e3o do desempenho&#8221; representa uma das formas mais usadas de viol\u00eancia e submiss\u00e3o, sob o disfarce do rigor.<\/p>\n<p>Na realidade, nada disto tem a ver com reais preocupa\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o, no seu verdadeiro sentido, mas com uma estrat\u00e9gia de dom\u00ednio e fragmenta\u00e7\u00e3o profissional e social. Os trabalhadores n\u00e3o se revoltam por serem avaliados. Revoltam-se contra regras sem credibilidade, impostas com falsa superioridade moral por quem muitas vezes \u00e9 reconhecidamente incompetente e tudo ignora do trabalho realizado, seguindo crit\u00e9rios que servem apenas de pretexto para excluir os menos bem aceitos pelas chefias.<\/p>\n<p>E ver dirigentes pol\u00edticos, com licenciaturas domingueiras inventadas ou alcan\u00e7adas com rid\u00edculas equival\u00eancias, a encherem o peito com exig\u00eancias de rigor, denuncia a pouca credibilidade das propostas.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de um debate s\u00e9rio sobre o conte\u00fado e a imposi\u00e7\u00e3o de &#8220;avalia\u00e7\u00f5es&#8221; irracionais \u2013 pela forma aleat\u00f3ria, pouco coerente ou at\u00e9 displicente como s\u00e3o aplicadas \u2013 tem mostrado o seu car\u00e1cter instrumental ao servi\u00e7o de objetivos alheios \u00e0 justa valoriza\u00e7\u00e3o do trabalhador e \u00e0 sua progress\u00e3o e aperfei\u00e7oamento profissionais.<\/p>\n<p><b>O exemplar caso da &#8220;avalia\u00e7\u00e3o&#8221; (ou n\u00e3o) dos professores\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O que se passou com os professores no tempo do governo S\u00f3crates e da ministra Maria de Lurdes Rodrigues (Portugal) retrata, em tra\u00e7os coloridos, todo esse enviesado processo que come\u00e7ou por dividir os professores em &#8220;titulares&#8221; e &#8220;n\u00e3o titulares&#8221;, atrav\u00e9s de crit\u00e9rios inaceit\u00e1veis e at\u00e9 a\u00ed desconhecidos, pondo depois uns a avaliar os outros, subvertendo a hierarquia naturalmente reconhecida.<\/p>\n<p>Alguns dos piores engulhos dessa avalia\u00e7\u00e3o sem sentido, que acentuou a desautoriza\u00e7\u00e3o dos professores e estimulou a aus\u00eancia de rigor pedag\u00f3gico, foram travados pela enorme contesta\u00e7\u00e3o, com greves e protestos constantes que culminaram em duas gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es, cada uma com mais de cem mil professores, que se deslocaram \u00e0 capital, um espantoso acontecimento, in\u00e9dito no pa\u00eds e na Europa.<\/p>\n<p>O tema monopolizou totalmente o debate nacional, e foi assumido pela comunica\u00e7\u00e3o social como se s\u00f3 dele dependesse o futuro do pa\u00eds e nada houvesse mais decisivo para a na\u00e7\u00e3o do que &#8220;a recusa dos professores em se deixarem avaliar&#8221;, o que, de resto, constitu\u00eda uma flagrante mentira.<\/p>\n<p>Dez anos depois, contudo, e segundo afirma\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria Maria de Lurdes Rodrigues, o que na altura a ex-ministra considerava absolutamente essencial para o avan\u00e7o do pa\u00eds, afinal tinha pouca import\u00e2ncia: &#8220;Os resultados mostram que conseguimos melhorar [o ensino] em todos os n\u00edveis, apesar de n\u00e3o termos conseguido fazer a avalia\u00e7\u00e3o&#8221; (\u00a0<i>Lusa,\u00a0<\/i>10\/2\/2017).<\/p>\n<p>Melhoria do ensino gra\u00e7as a ela? N\u00e3o! Gra\u00e7as aos professores? Sim, seguramente\u2026<\/p>\n<p><b>Voltemos ao conceito da tal &#8220;avalia\u00e7\u00e3o&#8221;\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Segundo o jornalista V\u00edtor Malheiros (\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/02\/04\/jornal\/a-avaliacao-individual-de-desempenho-como-instrumento-de-repressao-27792827\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>P\u00fablico,<\/i><\/a>\u00a04\/2\/2014 ), &#8220;o recurso \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o individual de desempenho estandardizada serve apenas para que empres\u00e1rios, gestores ou capatazes possam tomar decis\u00f5es para demiss\u00e3o ou recompensa de trabalhadores motivadas por raz\u00f5es pessoais ou pol\u00edticas e as possam justificar com ar inocente apontando para uma tabela\u00a0<i>Excel\u00a0<\/i>&#8220;.<\/p>\n<p>O jornalista explicita que a &#8220;avalia\u00e7\u00e3o&#8221; pune o absente\u00edsmo &#8220;mesmo quando ele \u00e9 justificado por raz\u00f5es legais, como uma licen\u00e7a maternidade ou a redu\u00e7\u00e3o de horas concedidas aos trabalhadores-estudantes&#8221;, e &#8220;n\u00e3o faz apenas uma an\u00e1lise quantitativa e qualitativa do trabalho realizado (o que n\u00e3o seria f\u00e1cil s\u00f3 por si), mas inclui tamb\u00e9m uma componente comportamental&#8221;.<\/p>\n<p>Na verdade, segundo diz, &#8220;\u00e9 importante ser &#8220;positivo&#8221; (o que significa oferecer as suas ideias mas nunca criticar as ideias do chefe), ser &#8220;construtivo&#8221; (o que significa nunca criticar as ideias da organiza\u00e7\u00e3o), estar &#8220;dispon\u00edvel&#8221; (o que significa fazer horas extras sem compensa\u00e7\u00e3o)\u2026&#8221;.<\/p>\n<p>Fausto Leite,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.almedina.net\/mais\/fausto_leite.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">advogado e especialista de Direito do Trabalho<\/a>\u00a0[2]\u00a0, tamb\u00e9m concorda que &#8220;a avalia\u00e7\u00e3o tem sido usada para dividir os trabalhadores e expurgar os inc\u00f4modos. No tempo da escravid\u00e3o, os que tinham menos desempenho eram chicoteados. Agora pretende-se conden\u00e1-los \u00e0 pobreza, ainda que haja raz\u00f5es para a diminui\u00e7\u00e3o da produtividade, como a doen\u00e7a ou as responsabilidades familiares (\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/03\/02\/economia\/opiniao\/os-novos-criterios-discriminatorios-do-despedimento-1626710\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>P\u00fablico,<\/i>2-3-2014<\/a>\u00a0)&#8221;.<\/p>\n<p>Entre outras empresas e institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m os institutos superiores de investiga\u00e7\u00e3o foram avaliados pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia de forma t\u00e3o incompetente e pouco cient\u00edfica que despertou um coro de protestos. &#8220;Dos tr\u00eas avaliadores que visitaram o Centro de Arquitetura do Porto, nenhum era arquiteto, nem conhecia Siza Vieira&#8221;, escandalizou-se o conhecido f\u00edsico Carlos Fiolhais, em artigos publicados no\u00a0<i>P\u00fablico\u00a0<\/i>em<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/09\/03\/ciencia\/opiniao\/uma-avaliacao-destruidora-1668441\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3\/9\/2014<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/11\/11\/ciencia\/opiniao\/ainda-a-ciencia-diluida-1675748\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11\/11\/<wbr \/>2014<\/a>. Segundo o f\u00edsico, havia uma cota escondida de 50% de institui\u00e7\u00f5es que podiam ser aprovadas (e financiadas). As outras eram para fechar. De resto, as regras tamb\u00e9m tinham sido mudadas durante o decorrer do processo\u00a0[3]\u00a0.<\/p>\n<p>As Sociedades de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica, Filosofia, o Conselho de Laborat\u00f3rios Associados (2500 laborat\u00f3rios), os reitores das universidades, os sindicatos, as associa\u00e7\u00f5es de bolsistas, enfim, quase todos os que puderam pronunciar-se e n\u00e3o estavam envolvidos no crime, manifestaram-se contra, sem que isso conseguisse impedir totalmente o desastre.<\/p>\n<p>Para muitos, a recusa de uma proposta de &#8220;avalia\u00e7\u00e3o de desempenho&#8221; para a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica coloca-os numa presumida posi\u00e7\u00e3o de inferioridade moral, fazendo-os cair na armadilha de aceitarem acriticamente as condi\u00e7\u00f5es propostas, desejando ingenuamente mostrar que n\u00e3o t\u00eam receio de a ela se sujeitarem.<\/p>\n<p>Foi o caso de algumas organiza\u00e7\u00f5es sindicais que, postas perante formas redutoras de &#8220;avalia\u00e7\u00e3o&#8221; \u2013 que separam o trabalhador do contexto em que desenvolve a sua atividade e se mostram totalmente desadaptadas \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, incluindo at\u00e9, por vezes, cl\u00e1usulas abusivas \u2013 decidiram enveredar pela via do seu aperfei\u00e7oamento o que, possibilitando o aparar de algumas arestas, as colocou do lado dos manhosos promotores do vicioso processo.<\/p>\n<p><b>O paradoxal caso dos m\u00e9dicos: quando a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 objetiva, descarta-se\u00a0<\/b><\/p>\n<p>No caso dos m\u00e9dicos, desprezou-se a longa e rica experi\u00eancia j\u00e1 alcan\u00e7ada dentro do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) com as celebradas Carreiras M\u00e9dicas, que obrigavam a que qualquer lugar ou gradua\u00e7\u00e3o s\u00f3 pudesse ser ocupado ap\u00f3s concurso p\u00fablico com avalia\u00e7\u00e3o por um j\u00fari de pares qualificados.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es que desde logo essa experi\u00eancia tornou evidente foi a import\u00e2ncia e a complexidade de julgar os diversos passos e aspectos de toda uma carreira e, t\u00e3o ou mais importante do que isso, as graves repercuss\u00f5es profissionais e psicol\u00f3gicas que podiam resultar de uma classifica\u00e7\u00e3o injusta.<\/p>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o levou a que os problemas, detectados em anos e anos de provas e recursos, fossem progressivamente corrigidos, procurando anular os fatores mais subjetivos, estabelecendo procedimentos concursais mais claros e aperfei\u00e7oadas as regras e crit\u00e9rios a seguir.<\/p>\n<p>Paradoxalmente (ou talvez n\u00e3o) foi no cume da onda de &#8220;avalia\u00e7\u00f5es&#8221; que as Carreiras M\u00e9dicas foram substitu\u00eddas por contrata\u00e7\u00f5es individuais sem concurso, bastando uma carta do diretor do Servi\u00e7o e o carimbo da Administra\u00e7\u00e3o (que nada percebia da parte t\u00e9cnica eventualmente fornecida) para que o escolhido pudesse ocupar o lugar dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Culminando a arbitrariedade e prepot\u00eancia do toda a press\u00e3o &#8220;avaliadora&#8221;, os governos da troika, que encheram a boca com pomposas tiradas sobre a incontorn\u00e1vel necessidade de &#8220;premiar o m\u00e9rito&#8221; de cada um, mandaram \u00e0s urtigas todos os pr\u00eamios e progress\u00f5es que tinham prometido aos trabalhadores pela &#8220;avalia\u00e7\u00e3o do desempenho&#8221;, roubando os \u00fanicos est\u00edmulos que tinham estabelecido para o &#8220;progresso&#8221; para gastar o dinheiro a salvar a Banca dos seus buracos.<\/p>\n<p>\u00c9 pois o momento de, para al\u00e9m de se exigir que sejam pagas as promessas e que se reponha tudo o que \u00e9 devido com os acr\u00e9scimos que os trabalhadores merecem, come\u00e7ar a p\u00f4r termo a este &#8220;sistema avaliador&#8221; perverso e empapado de ideologia neoliberal, que serve para tudo, menos\u2026 para avaliar!<\/p>\n<p><a name=\"m_3661757807275928354_notas\"><\/a>[1] Sobre o mesmo tema, tamb\u00e9m vale a pena ler a entrevista dada em maio de 2016 \u00e0 revista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.psychologies.com\/Travail\/Souffrance-au-travail\/Stress-au-travail\/Interviews\/Christophe-Dejours-Souffrir-au-travail-n-est-pas-une-fatalite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Psychologies<\/i><\/a>\u00a0(Maio de 2016)<br \/>\n[2] O leitor que queira aprofundar o ponto de vista deste especialista pode ver e ouvir a sua interven\u00e7\u00e3o no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1kamW_vZlvM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">debate sobre &#8220;Justi\u00e7a e Direito do Trabalho&#8221;, realizado em Lisboa a 25\/2\/2015<\/a><br \/>\n[3] O blogue\u00a0<a href=\"http:\/\/dererummundi.blogspot.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>De Rerum Natura<\/i><\/a>\u00a0, animado por Carlos Fiolhais e outros investigadores na \u00e1rea da ci\u00eancia, com particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pseudo-ci\u00eancia e aos inimigos da ci\u00eancia, denunciou \u2013 a n\u00edvel nacional e internacional \u2013 a incompet\u00eancia da &#8221;\u00a0<a href=\"http:\/\/dererummundi.blogspot.pt\/search\/label\/Avalia%C3%A7%C3%A3oUnidadesFCT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">avalia\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0&#8221; e as suas nebulosas motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>07\/Mar\u00e7o\/2018<\/p>\n<p><b>*M\u00e9dico.<\/b><\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abrilabril.pt\/trabalho\/revisitacao-perversidade-da-avaliacao-de-desempenho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.abrilabril.pt\/trabalho\/<wbr \/>revisitacao-perversidade-da-<wbr \/>avaliacao-de-desempenho<\/a><\/p>\n<p>ir.info\/portugal\/avaliacao_07mar18.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19125\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[227],"class_list":["post-19125","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Yt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19125\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}