{"id":19134,"date":"2018-03-22T19:46:55","date_gmt":"2018-03-22T22:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19134"},"modified":"2018-03-22T19:46:55","modified_gmt":"2018-03-22T22:46:55","slug":"como-ficou-facil-invadir-terras-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19134","title":{"rendered":"Como ficou f\u00e1cil invadir terras ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Como ficou f\u00e1cil invadir terras ind\u00edgenas\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/180319-Karipuna.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Como ficou f\u00e1cil invadir terras ind\u00edgenas\" \/><!--more-->Grupo de Karipuna contatados durante constru\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9, nos anos 1910. Etnia ficou reduzida a cinco indiv\u00edduos, ap\u00f3s ciclo da borracha do s\u00e9culo passado<\/p>\n<p><em>Madeireiros avan\u00e7am sobre territ\u00f3rio dos Karipuna em Rond\u00f4nia, amea\u00e7am \u00edndios isolados e preparam-se para tomar posse da terra. Sucateada ap\u00f3s o golpe, Funai cala-se. Den\u00fancia chegar\u00e1 \u00e0 ONU<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>No site do\u00a0<strong>Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (<a href=\"https:\/\/www.cimi.org.br\/\">CIMI<\/a>)<\/strong><\/p>\n<p>Um povo ind\u00edgena contatado recentemente, pressionado pela invas\u00e3o de madeireiros, garimpeiros e, agora, pela venda de lotes dentro de sua terra j\u00e1 demarcada: esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do povo Karipuna, de Rond\u00f4nia, cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9 definida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF)\u00a0como de \u201c<a href=\"https:\/\/www.cimi.org.br\/2017\/09\/povo-karipuna-vive-iminencia-de-genocidio-em-rondonia\/\">iminente genoc\u00eddio<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Entre 5 e 9 de mar\u00e7o, lideran\u00e7as Karipuna estiveram em Bras\u00edlia para denunciar, mais uma vez, a grave situa\u00e7\u00e3o em sua terra e pressionar por respostas dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Os recorrentes vest\u00edgios da presen\u00e7a de \u00edndios livres ou isolados dentro da Terra Ind\u00edgena (TI) Karipuna, no norte de Rond\u00f4nia, tamb\u00e9m foram apontados como motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, pois se trata de um grupo ainda mais vulner\u00e1vel \u00e0s investidas dos invasores.<\/p>\n<p>Na capital federal, as lideran\u00e7as Adriano e Andr\u00e9 Karipuna representaram seu povo em reuni\u00f5es com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), a Sexta C\u00e2mara do MPF e o ministro da Justi\u00e7a, Torquato Jardim.<\/p>\n<p>\u201cForam v\u00e1rias as den\u00fancias j\u00e1 feitas sobre a invas\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Karipuna. A resposta \u00e9 sempre a mesma: dizem que n\u00e3o tem recurso. Enquanto isso, o desmatamento continua\u201d, afirmou Andr\u00e9 Karipuna durante a reuni\u00e3o com o general presidente da Funai, Franklimberg Ribeiro de Freitas.<\/p>\n<p>As \u00e1reas desmatadas ficam a uma hora de caminhada da aldeia, em uma regi\u00e3o do territ\u00f3rio onde j\u00e1 foram encontrados vest\u00edgios de ind\u00edgenas isolados. \u201cToda a madeira que abastece as serrarias da regi\u00e3o sai da Terra Ind\u00edgena\u201d, denuncia Adriano Karipuna. \u201cAs \u00e1reas do entorno da TI j\u00e1 est\u00e3o todas desmatadas. Algu\u00e9m est\u00e1 dando aval para esquentar essa madeira, para poder vender isso para fora do estado\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Ainda mais grave que a retirada de madeira, a venda de lotes dentro da TI, sem nenhuma fiscaliza\u00e7\u00e3o, gera preocupa\u00e7\u00e3o nos Karipuna. As regi\u00f5es que circundam a TI s\u00e3o ocupa\u00e7\u00f5es de terra p\u00fablica, e eles receiam que o mesmo aconte\u00e7a com sua terra.<\/p>\n<p>\u201cTemos medo que os invasores consigam se estabelecer a partir da invas\u00e3o e depois busquem legalizar essa posse. Encontramos postes com numera\u00e7\u00f5es dos lotes\u201d, relata Adriano. \u201cA conversa que ronda nas cidades pr\u00f3ximas \u00e9 que a Terra Ind\u00edgena n\u00e3o tem dono, que \u00e9 do governo e por isso \u00e9 f\u00e1cil lotear\u201d.<\/p>\n<p>Abandono do Estado<\/p>\n<p>Com a presen\u00e7a cada vez maior de invasores, aos danos ambientais na TI soma-se tamb\u00e9m o receio de viol\u00eancia contra os Karipuna, que j\u00e1 v\u00eam sofrendo amea\u00e7as diretas e indiretas. Em fevereiro, no que foi entendido pelos ind\u00edgenas como uma intimida\u00e7\u00e3o, o \u00fanico posto de vigil\u00e2ncia da Funai no interior da TI Karipuna foi incendiado pelos invasores.<\/p>\n<p>A unidade de prote\u00e7\u00e3o encontrava-se desativada desde maio de 2017, devido ao corte de verbas na Funai. Uma recomenda\u00e7\u00e3o do MPF, em setembro daquele ano, determinou a elabora\u00e7\u00e3o de um plano emergencial para assegurar a prote\u00e7\u00e3o do povo Karipuna e a integridade da Terra Ind\u00edgena. \u201cNos sentimos desprotegidos f\u00edsica e territorialmente sem um posto de vigil\u00e2ncia. N\u00e3o temos a presen\u00e7a do Estado\u201d, aponta Adriano Karipuna.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o se refletiu tamb\u00e9m no aumento das invas\u00f5es. Em apenas quatro meses \u2013 de junho a setembro de 2017 \u2013, dados do Sipam apontam que uma \u00e1rea de 1400 hectares \u2013 o equivalente a aproximadamente dois mil campos de futebol \u2013 foi assolada dentro da Terra Ind\u00edgena Karipuna.<\/p>\n<p>Apesar da recente intensifica\u00e7\u00e3o, as invas\u00f5es v\u00eam sendo denunciadas ano ap\u00f3s ano, especialmente a partir de 2015, quando aumentaram significativamente. Os retrocessos institucionais em rela\u00e7\u00e3o aos direitos dos povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m se refletem na sanha dos posseiros e invasores.<\/p>\n<p>\u201cEm 2015, quando a PEC [Proposta de Emenda Constitucional] 215 foi aprovada na comiss\u00e3o especial, houve um avan\u00e7o das invas\u00f5es em todas as terras ind\u00edgenas do Brasil. Com os Karipuna n\u00e3o foi diferente\u201d, explica Laura Vicu\u00f1a Pereira Manso, coordenadora do Cimi Rond\u00f4nia, que acompanhou os Karipuna nas audi\u00eancias em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Um mapa com o registro do desmatamento na TI e em seu entorno desde 1997 foi entregue \u00e0s autoridades. Utilizando dados p\u00fablicos, o material permite visualizar a situa\u00e7\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o no entorno da terra ind\u00edgena e o aumento das invas\u00f5es em seu interior a partir de 2015.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) sobrepostos \u00e0 TI tamb\u00e9m foi denunciada pelos ind\u00edgenas, como evid\u00eancia da ofensiva dos invasores. Obrigat\u00f3rio para os im\u00f3veis rurais, o registro eletr\u00f4nico do CAR vem sendo utilizado na Amaz\u00f4nia por grileiros que buscam \u201ccomprovar\u201d suas posses sobre \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cRetiram a madeira e vendem. Ateiam fogo no que resta para lotear ou plantam pasto para o gado\u201d, denuncia Adriano Karipuna.<\/p>\n<p>O contato dos n\u00e3o ind\u00edgenas com os Karipuna de Rond\u00f4nia ocorreu na d\u00e9cada de 1970. Na \u00e9poca, o povo estava reduzido a apenas cinco pessoas. Sobreviventes da viol\u00eancia durante o ciclo da borracha na Amaz\u00f4nia, buscaram se reconstruir, cresceram e conquistaram a demarca\u00e7\u00e3o de sua terra. Agora, com as invas\u00f5es e o abandono do Estado, enfrentam mais uma vez a amea\u00e7a do genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201cO caso Karipuna \u00e9 emblem\u00e1tico. Ali os ruralistas tentam enraizar a posse ilegal na terra ind\u00edgena fazendo uso da estrat\u00e9gia do fato consumado. Caso consigam se estabelecer na Terra Ind\u00edgena Karipuna, certamente buscar\u00e3o expandir essa estrat\u00e9gia para outras terras ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas nas demais regi\u00f5es do pa\u00eds. Tamb\u00e9m por esse motivo \u00e9 fundamental que o Estado brasileiro promova a retirada dos invasores desta terra\u201d, avalia Cleber Buzatto, secret\u00e1rio Executivo do Cimi.<\/p>\n<p>Por sua gravidade, o caso dever\u00e1 ser levado ao conhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) ainda em 2018.<\/p>\n<p>\u201cViemos para Bras\u00edlia para fazer a den\u00fancia. Em Rond\u00f4nia, continuaremos falando sobre as invas\u00f5es, pressionando at\u00e9 que alguma provid\u00eancia seja tomada. Ficaremos pressionando sempre at\u00e9 que d\u00ea algum resultado\u201d, afirma Andr\u00e9 Karipuna.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da clara omiss\u00e3o do Estado em cumprir seu dever constitucional de proteger as terras ind\u00edgenas e seus povos, os Karipuna de Rond\u00f4nia v\u00eam se articulando com uma rede de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, a exemplo do Cimi e do Greenpeace, capazes de gerar informa\u00e7\u00f5es e garantir assessoria ao amplo esfor\u00e7o feito pelo povo para proteger seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>ILustra\u00e7\u00e3o:\u00a0Grupo de Karipuna contatados durante constru\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9, nos anos 1910. Etnia ficou reduzida a cinco indiv\u00edduos, ap\u00f3s ciclo da borracha do s\u00e9culo passado<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"IjThKDR9jr\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/karipuna-enfrentam-invasoes\/\">Como ficou f\u00e1cil invadir terras ind\u00edgenas<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/karipuna-enfrentam-invasoes\/embed\/#?secret=IjThKDR9jr\" data-secret=\"IjThKDR9jr\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Como ficou f\u00e1cil invadir terras ind\u00edgenas&#8221; &#8212; Outras M\u00eddias\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19134\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[221],"class_list":["post-19134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4YC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}