{"id":19181,"date":"2018-03-27T12:00:58","date_gmt":"2018-03-27T15:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19181"},"modified":"2018-03-26T21:08:54","modified_gmt":"2018-03-27T00:08:54","slug":"o-partido-do-trabalho-da-belgica-ptb-sacode-a-politica-belga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19181","title":{"rendered":"O Partido do Trabalho da B\u00e9lgica (PTB) sacode a pol\u00edtica belga"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/G9LPXM0EtG9yoy6W0IUIGCaMu4mxJZX_7Ktt9UIdpHNNPANURS5nsXVPwoLwRtQdGGEBNyzCUJoRP_hH6obki3TtAljeCL2VD5NFCzgjLcXjLeTjvoH4ZABuLo8KPs0IUF_dheayI-bBO309PuXvl1mk-SVl70bIDd4StphYtCrY8SQQRwT9hys5X4V1sjaEt7AqtvM78Gw2t5XR4qdzu9MZEkFPslsCZEb8jnzI9JqAS6Na_HOfNy91oJV5uz5lJt9RFYEs0KezpIB3NKkjl6r_LfCc-W_XVX5kcF8ktwzXAriCjmOYp-1050YrFKpwG9Sp4Y1IPNPEkcLgGP-jHwo8nZMiztBjVD0Fpty6ZV7mLSAVcRZKFE6ApyGeKj9zoi53Cjr8FDeBBbYskjLkG_QUCHYDeQ3wbnErlGkfG9rrJ2Kq3QvZkMWZrMCtNzKhsLOjYtMPuQcN4hwUP71SmYgMlSbyj6pI983atPjN9ZYATfcyZxbxtMEiUGt2ZXBlLtoOf0E0KzN93VEldsLdKdhbDL2-2phjBWRlBxGXTVOEBKNtGSJ_OB_mks9gY8uw-9wuxoM-_OCKQK49B4RhK37V2S1QCyT_qjHbOSle=w458-h346-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->OLHAR COMUNISTA \u2013 27\/03\/2018<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 alguns meses, a cena pol\u00edtica belga parece ferver com o crescimento recente do PTB, de tradi\u00e7\u00e3o Marxista-Leninista, que quadruplicou o n\u00famero de militantes nos \u00faltimo anos, elegeu dois deputados para o parlamento federal nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es &#8211; al\u00e9m de dois na Val\u00f4nia e quatro em Bruxelas &#8211; e tem uma presen\u00e7a forte nos movimentos populares e sindicais. As previs\u00f5es apontam para um resultado, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, entre 15 e 19%, na regi\u00e3o da Val\u00f4nia, amea\u00e7ando a hegemonia do Partido Socialista. Em entrevista \u00e0 revista francesa Le Vent Se L\u00e8ve, David Pestieau, vice-presidente do PTB, fala sobre o crescimento do Partido, o sucesso eleitoral recente e as perspectivas para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es comunais e federais no pa\u00eds, em 2018 e 2019.<\/p>\n<p>&#8211; O crescimento \u00e9 o resultado de um trabalho de longo prazo iniciado em 2008, quando o PTB muda a estrat\u00e9gia de aproxima\u00e7\u00e3o com as massas, com as palavras de ordem &#8220;As pessoas em primeiro lugar, n\u00e3o o lucro&#8221;, diz o vice-presidente.<\/p>\n<p>O Partido vem sendo criticado por, supostamente, ter abandonado a an\u00e1lise de classes para construir o que \u00e9 conhecido como &#8220;nova lateralidade&#8221;. Indagado sobre essa quest\u00e3o, Pestieau responde:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s n\u00e3o abandonamos a an\u00e1lise de classes: quando voc\u00ea l\u00ea os documentos de nosso Congresso de Renova\u00e7\u00e3o, em 2008, e do Congresso de Solidariedade, de 2015, a classe dos trabalhadores est\u00e1 no centro do debate, \u00e9 para n\u00f3s a classe de todas as pessoas que vendem sua for\u00e7a de trabalho para viver. Na B\u00e9lgica, h\u00e1 4 milh\u00f5es de trabalhadores. Claro que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma de 50 anos atr\u00e1s, mas, em alguns aspectos, talvez surpreendentemente para alguns, a classe de trabalhadores \u00e9 ainda maior do que antes, mais diversificada e dispersa. N\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o estamos enfrentando apenas as grandes empresas do passado. Hoje, estas s\u00e3o grandes cadeias de produ\u00e7\u00e3o com subcontratados e subcontratantes, da\u00ed a interdepend\u00eancia entre as empresas e um maior desmembramento de coletivos de trabalho. Basicamente, a contradi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho est\u00e1 l\u00e1, mas \u00e9 menos vis\u00edvel, menos concentrada.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, n\u00f3s nos definimos como um partido marxista. A quest\u00e3o colocada para a esquerda radical \u00e9 como estimular a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores que est\u00e3o dispersos e inseguros. N\u00f3s n\u00e3o concordamos com a ideia de que as classes desapareceriam em um conjunto chamado &#8220;o povo&#8221;. Por outro lado, concordamos que a classe trabalhadora n\u00e3o est\u00e1 ciente de que \u00e9 uma classe ou que \u00e9 capaz de mudar a sociedade. \u00c9, portanto, uma quest\u00e3o de reconquista, de fazer um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o desta classe. Devemos vir com palavras que nos tragam de volta a essa contradi\u00e7\u00e3o. Quando escolhemos o slogan &#8220;As pessoas primeiro, n\u00e3o o lucro&#8221;, colocamos as &#8220;pessoas&#8221; no centro e denunciamos o lucro. Nosso trabalho tem sido o de combinar uma comunica\u00e7\u00e3o que permita atingir a todos, e por isso n\u00e3o \u00e9 uma linguagem de iniciados. Mas n\u00e3o queremos que as pessoas se limitem ao slogan: queremos que as pessoas pensem, para ir mais al\u00e9m. N\u00f3s estamos no processo de constru\u00e7\u00e3o de um partido marxista moderno, que est\u00e1 tentando ver como hoje, no s\u00e9culo 21, em um per\u00edodo em que as for\u00e7as de esquerda est\u00e3o na defensiva, \u00e9 poss\u00edvel retomar a luta para conquistar novamente a hegemonia cultural sobre um n\u00famero de conceitos, palavras, consci\u00eancias.<\/p>\n<p>O vice presidente segue em sua fala:<\/p>\n<p>&#8211; Eu n\u00e3o sei se esse m\u00e9todo \u00e9 espec\u00edfico, mas \u00e9 pelo menos um m\u00e9todo desenvolvido a partir de nossa pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Descobrimos que n\u00e3o \u00e9ramos ouvidos o suficiente, apesar do fato de termos apresentado uma an\u00e1lise profunda da crise do sistema capitalista. Iniciamos uma reflex\u00e3o sobre este assunto em 2008. Em particular, estudamos como realizar a\u00e7\u00f5es sociais capazes de envolver milhares de pessoas e como levar a nossa mensagem. Anteriormente, reun\u00edamos um conjunto de ideias, conceitos, que lan\u00e7amos para as pessoas, em vez de tentar apresentar essas ideias na medida em que elas podem ser digeridas. N\u00f3s temos uma mensagem, n\u00f3s temos um fundo, temos uma an\u00e1lise global; e a cada passo, em cada per\u00edodo, tentamos ver o que podemos colocar na agenda pol\u00edtica, quais os temas que impulsionar\u00e3o o debate em um contexto particular.<\/p>\n<p>Vejam, por exemplo, a quest\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o das empresas e o fato de as multinacionais pagarem pouco imposto. Procuramos trazer o tema concreto em vez de generaliz\u00e1-lo ou fazer grandes conceitos. Denunciamos, durante o fechamento de uma f\u00e1brica em Li\u00e8ge &#8211; a Arcelor-Mittal -, que a empresa havia pago apenas 476 euros em impostos no ano anterior. Existe ent\u00e3o um confronto entre a injusti\u00e7a das demiss\u00f5es em massa e o fato de uma grande multinacional pagar menos impostos do que cada um dos seus trabalhadores que s\u00e3o demitidos. A ideia n\u00e3o \u00e9 fazer um curso de economia marxista, mas desencadear uma reflex\u00e3o entre dezenas de milhares de trabalhadores. Tamb\u00e9m usamos muito tempo para consultar as pessoas, para descobrir com o que elas est\u00e3o preocupadas. Se voc\u00ea fala sobre coisas que n\u00e3o despertam interesse, voc\u00ea pode falar o quanto quiser, n\u00e3o vai funcionar.<\/p>\n<p>Perguntado sobre o sistema de reembolso adotado para o pagamento dos funcion\u00e1rios e parlamentares do PTB, o dirigente explicou que foi colocado em pr\u00e1tica um sistema pelo qual todos s\u00e3o pagos ao n\u00edvel do sal\u00e1rio m\u00e9dio belga. Para David Pestieau, essa \u00e9 vis\u00e3o do PTB e a sua ideologia. Se voc\u00ea ganha 6000 ou 10.000 euros por m\u00eas, que \u00e9 o sal\u00e1rio de um membro do parlamento ou um ministro, voc\u00ea perde a conex\u00e3o com a realidade. Essa ruptura entre o sistema pol\u00edtico e a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande. \u00c9 necess\u00e1rio viver em bairros da classe oper\u00e1ria, para ter o mesmo sal\u00e1rio e para poder sentir as mesmas coisas. Todos os nossos l\u00edderes vivem com sal\u00e1rio m\u00e9dio, o que tamb\u00e9m permite que o partido tenha alguma independ\u00eancia financeira, pois o excedente \u00e9 devolvido aos cofres do partido. N\u00f3s n\u00e3o queremos ser totalmente dependentes das dota\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que recebemos h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Falando sobre o envolvimento do PTB nas lutas sociais, Pestieau diz que essas s\u00e3o &#8220;o DNA&#8221; do partido, e que, para uma grande mudan\u00e7a na sociedade, deve ser desenvolvido um importante equil\u00edbrio de poder.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o as pessoas, s\u00e3o as massas que fazem a hist\u00f3ria, disse Marx, lembra Pestieau, que prossegue:<br \/>\n&#8211; Atrav\u00e9s de movimentos sociais importantes, podemos provocar profundas mudan\u00e7as e revolu\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria. Temos que investir em trabalho social, seja no n\u00edvel sindical, no n\u00edvel de associa\u00e7\u00f5es, bairros, etc. Os trabalhadores, os jovens, os diversos atores do meio popular, devem aproveitar a coisa p\u00fablica, a coisa pol\u00edtica. Eles devem ser atores da pol\u00edtica e n\u00e3o consumidores de pol\u00edtica. Esta \u00e9 uma vis\u00e3o muito diferente da vis\u00e3o tradicional de representa\u00e7\u00e3o que \u00e9 limitada a elei\u00e7\u00f5es a cada 4, 5 ou 6 anos, sem qualquer outra forma de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, onde se delega o poder aos representantes profissionais que, em seguida, o monopolizam e, na realidade, muitas vezes defendem outras aspira\u00e7\u00f5es distintas daquelas dos que os elegeram.<\/p>\n<p>O segundo elemento \u00e9 que se pensa que o desenvolvimento das lutas sociais tamb\u00e9m est\u00e1 em conjun\u00e7\u00e3o com a luta de ideias. Estamos investindo na Manifiesta, que \u00e9 uma festa que criamos, a exemplo dos festivais mantidos por outros partidos comunistas do mundo, como a Festa do Avante em Portugal, que conseguiram fazer a conjun\u00e7\u00e3o da cultura popular com o debate pol\u00edtico. O objetivo \u00e9 criar uma contra-hegemonia cultural, seja na luta contra a injusti\u00e7a social, contra o racismo, pela paz, o clima, direitos democr\u00e1ticos, os diferentes temas que estamos tentando trabalhar.<\/p>\n<p>O dirigente falou tamb\u00e9m sobre o Movimento &#8220;Medicina para as pessoas&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; Na B\u00e9lgica nos confrontamos com um rem\u00e9dio liberal: as pessoas iam ao m\u00e9dico, muitas vezes pagavam muito dinheiro e nem sempre eram bem tratadas. Quanto mais pacientes os m\u00e9dicos atendiam, mais dinheiro recebiam. Foi feita uma tentativa de botar em pr\u00e1tica outro modelo, com m\u00e9dicos que foram chamados de m\u00e9dicos do povo. A primeira casa m\u00e9dica foi lan\u00e7ada em 1971 pelo PTB. Agora existem 11 casas localizadas em bairros populares. S\u00e3o m\u00e9dicos que decidiram fazer uma medicina social. Outras casas m\u00e9dicas tamb\u00e9m surgiram com outras pessoas que n\u00e3o est\u00e3o no PTB, mas que t\u00eam princ\u00edpios semelhantes. Hoje, existe um sistema que atende 250.000 pacientes, pelo qual se pode receber tratamento gratuito. Quanto aos nossos 11 lares m\u00e9dicos, aproximadamente 25.000 pacientes s\u00e3o tratados por m\u00e9dicos que s\u00e3o membros do PTB.<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o do poder, Pestieau entende que os governos, em geral, n\u00e3o refletem o poder real no capitalismo, e que o poder estatal \u00e9 um todo onde h\u00e1 governo, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a massa extremamente grande de lobbies de multinacionais que est\u00e3o direta ou indiretamente presentes nos gabinetes ministeriais. Na B\u00e9lgica, vemos a interfer\u00eancia do poder financeiro por Alexia Bertrand, chefe de gabinete do Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros. Ela \u00e9 filha de um dos maiores milion\u00e1rios da B\u00e9lgica. Temos representantes da subsidi\u00e1ria GDF-Suez na B\u00e9lgica que se sentam no gabinete do Ministro da Energia. Portanto, h\u00e1 la\u00e7os muito profundos entre as multinacionais e o poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Outro aspecto \u00e9 que h\u00e1 um n\u00famero de funcion\u00e1rios graduados que representam os interesses das organiza\u00e7\u00f5es tradicionais, e toda uma s\u00e9rie de servi\u00e7os secretos, policiais superiores, militares que tamb\u00e9m defendem os interesses do sistema. O atual jogo eleitoral nos coloca em situa\u00e7\u00f5es nas quais podemos estar no governo sem poder exercer o poder real. Isso \u00e9 muito importante porque determina nossa estrat\u00e9gia como uma for\u00e7a de esquerda. A esquerda radical na Europa viveu essa experi\u00eancia com a Gr\u00e9cia. N\u00f3s t\u00ednhamos um governo do Syriza que foi eleito com quase uma maioria absoluta em assentos, com um programa anti-austeridade relativamente radical, mas que n\u00e3o poderia colocar em pr\u00e1tica sem confrontar os dogmas neoliberais. O resultado pr\u00e1tico \u00e9 que eles tinham o governo, mas n\u00e3o o poder. Nos primeiros dias deste governo, todas as decis\u00f5es eram conhecidas pelo governo de Angela Merkel e pela Comiss\u00e3o Europeia. Teriam que sair da Uni\u00e3o Europeia ou aceitar os ditames e as inclina\u00e7\u00f5es de Angela Merkel, que foi o que fizeram, aplicando o programa oposto ao programa pelo qual foram eleitos. \u00c9 a hist\u00f3ria de 2015.<\/p>\n<p>S\u00f3 podemos ver a realidade se quisermos ter uma estrat\u00e9gia que aborde as quest\u00f5es do nosso tempo, isto \u00e9, a grande crise do capitalismo, uma crise pol\u00edtica, uma crise clim\u00e1tica, uma crise democr\u00e1tica, uma crise das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Teremos que questionar o poder como um todo, ter um contrapoder forte, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente ter um bom resultado nas elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m ter um movimento na sociedade e uma organiza\u00e7\u00e3o, uma capacidade de influenciar uma hegemonia ideol\u00f3gica, a fim de ter posi\u00e7\u00f5es fortes nas ruas se houver chantagem econ\u00f4mica, sendo capazes de recorrer a meios alternativos aos meios de comunica\u00e7\u00e3o privados pertencentes ao bilion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na B\u00e9lgica h\u00e1 um sistema de governo de coaliz\u00e3o e n\u00e3o vemos nenhuma mudan\u00e7a nas outras for\u00e7as que afirmam estar \u00e0 esquerda no momento. Temos um partido social-democrata que tem dominado o cen\u00e1rio pol\u00edtico h\u00e1 d\u00e9cadas e um partido ecologista, que est\u00e3o presos aos grilh\u00f5es que seguiram por 30 anos. H\u00e1 dois partidos socialistas na B\u00e9lgica, um partido de l\u00edngua holandesa e outro de l\u00edngua francesa. O de l\u00edngua francesa ainda \u00e9 bastante influente. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, alcan\u00e7ou 32% dos votos no sul do pa\u00eds, mas, como todos os partidos social-democratas de toda a Europa, sofre uma queda desta influ\u00eancia. Isso est\u00e1 ligado ao fato de que a social democracia fez sucesso na conjun\u00e7\u00e3o de dois fen\u00f4menos desde 1945: um movimento trabalhista muito importante que foi capaz de obter ganhos sociais, e o fato de que a burguesia europeia foi confrontada com uma outra realidade, o socialismo na URSS e no Oriente, que a obrigou a fazer concess\u00f5es para evitar que a classe trabalhadora se voltasse para esse outro sistema. Enzo Traverso disse que, de certo modo, a social-democracia \u00e9 um subproduto da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p>Nos anos 1990, a mudan\u00e7a para o liberalismo social permitiu que os partidos social-democratas mudassem por algum tempo, com a chamada pol\u00edtica &#8220;menos malvada&#8221; (&#8220;sem n\u00f3s, seria pior&#8221;). Ent\u00e3o, com a crise de 2008, vimos que as pessoas procuraram a sua salva\u00e7\u00e3o nos partidos tradicionais (na Fran\u00e7a, Sarkozy, depois Hollande) que n\u00e3o deixaram as classes populares fora da crise e vemos hoje, h\u00e1 algum tempo, uma grande crise pol\u00edtica dessas for\u00e7as pol\u00edticas tradicionais. Por isso, era l\u00f3gico que esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m afetasse a B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo congresso, o PS reagiu claramente \u00e0 presen\u00e7a do PTB. Ele nunca foi seriamente voltado para a sua esquerda, sempre teve uma base eleitoral de 25 a 40% dos votos. Hoje, parte dessa base \u00e9 orientada para o PTB. O PS retoma ou at\u00e9 mesmo copia algumas ideias do PTB, mas, basicamente, n\u00e3o mudou seu foco de adapta\u00e7\u00e3o ao sistema atual. Eles dizem n\u00e3o quando perguntados se v\u00e3o lutar contra as pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia, como na liberaliza\u00e7\u00e3o do transporte ferrovi\u00e1rio de passageiros, prevista para 2023, ou seja, amanh\u00e3, e na n\u00e3o a\u00e7\u00e3o contra grandes empresas que n\u00e3o fazem nada s\u00e9rio sobre o aquecimento global.<\/p>\n<p>Indagado quanto \u00e0 dificuldade de haver na B\u00e9lgica tr\u00eas l\u00ednguas oficiais, o holand\u00eas, o alem\u00e3o e o franc\u00eas, Pestieau responde que o PTB \u00e9 o \u00fanico partido nacional na B\u00e9lgica:<\/p>\n<p>&#8211; Existe a mesma situa\u00e7\u00e3o em outro pa\u00eds na Europa, a Su\u00ed\u00e7a. A divis\u00e3o lingu\u00edstica na B\u00e9lgica serve os interesses das classes propriet\u00e1rias. possuidoras. Todos os grandes industriais falam todas as l\u00ednguas, mas obviamente lhes interessa aplicar a divis\u00e3o para melhor governar quando se dirigem \u00e0s classes populares.<\/p>\n<p>Pestieau descreve tamb\u00e9m o movimento nacionalista, que cresceu ao longo dos anos e desenvolveu-se em dois partidos: um partido &#8220;tradicional&#8221; e um movimento nacionalista de extrema-direita. A partir dos anos 1980, esse movimento nacionalista de extrema direita, o Vlaams Belang, foi um dos precursores de um fen\u00f4meno que tem sido visto em outros lugares da Europa, em que parte do voto popular se afastou dos partidos social-democratas para ir para a extrema direita, como em Flandres, onde o voto anti-establishment e o protesto contra as elites s\u00e3o capturados pela extrema-direita. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma batalha para reconquistar o voto popular contra partidos de extrema direita. Na Val\u00f4nia \u00e9 mais f\u00e1cil trabalhar porque a extrema direita \u00e9 mais fraca e dividida.<\/p>\n<p>Para o dirigente comunista, o fen\u00f4meno do medo do vermelho que hoje se alastra na m\u00eddia belga deriva-se de dois fatores que se sobrep\u00f5em: o tradicional medo da imprensa de direita, que exagera de modo a caricaturar os comunistas para a luta pol\u00edtica, divulgando todos os poss\u00edveis crimes imagin\u00e1veis \u200b\u200bdo socialismo real etc. Em segundo lugar, se voc\u00ea luta e questiona os dogmas neoliberais, voc\u00ea ser\u00e1 atacado. Todos os l\u00edderes de greves e os movimentos sociais s\u00e3o, em um momento ou outro, difamados e caricaturados. Eu acho que um medo real do PTB est\u00e1 agora se manifestando al\u00e9m da caricatura usual. Tivemos o chefe dos patr\u00f5es da Val\u00f4nia que disse que era imperativo que o PTB n\u00e3o governasse ou influenciasse decis\u00f5es pol\u00edticas. O PTB est\u00e1 subindo e poderia influenciar outros partidos pol\u00edticos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19181\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[223],"class_list":["post-19181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Zn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}