{"id":19193,"date":"2018-03-28T15:58:36","date_gmt":"2018-03-28T18:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19193"},"modified":"2018-03-28T15:58:36","modified_gmt":"2018-03-28T18:58:36","slug":"manifestacoes-brandas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19193","title":{"rendered":"Manifesta\u00e7\u00f5es brandas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pascualserrano.net\/media\/nodes\/images\/thumbnails\/movilizaciones_1_340x226.77734375.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/pascualserrano.net\/es\/noticias\/movilizaciones-blandas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pascual Serrano<\/a><\/p>\n<p>Publicado em Mundo Obrero, 20\/03\/2018<\/p>\n<p>O problema das manifesta\u00e7\u00f5es de aluvi\u00e3o, isto \u00e9, sem estrutura organizativa, sem objetivo definido e sem ativismo est\u00e1vel, \u00e9 duplo. Por um lado, a pouca efic\u00e1cia; com o mesmo \u00edmpeto com que \u00e9 criada, a manifesta\u00e7\u00e3o acaba e se dilui. A ambiguidade dos objetivos, a ren\u00fancia \u00e0 \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d com organiza\u00e7\u00f5es previamente existentes, a indefini\u00e7\u00e3o nos assuntos mais pol\u00eamicos permitem despertar simpatia em uma base social maior. Mas isso, por sua vez, sup\u00f5e uma coes\u00e3o mais fraca e uma imaturidade para come\u00e7ar a tempo ou enfrentar o debate ou a complexidade de implementar uma organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1vel. S\u00e3o como esses grupos de Facebook, que s\u00e3o criados para causas pontuais, crescem de forma exponencial e esfriam com a mesma velocidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, se os setores reacion\u00e1rios percebem que a reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o massiva quanto amb\u00edgua e abstrata, v\u00e3o se somar para n\u00e3o ficar fora da foto e assim colaborar, ainda mais, para sua desmobiliza\u00e7\u00e3o e sua inofensividade para o sistema.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou com os chamados F\u00f3runs Sociais no in\u00edcio dos anos 2000. Toda uma gal\u00e1xia de coletivos de diversas naturezas, que negavam os partidos pol\u00edticos (especialmente na Europa), que inclusive tinham como princ\u00edpio, n\u00e3o tomar o poder, mas criar uma sociedade desde baixo, que se reunia de tempos em tempos sem uma grande estrutura formal, sem l\u00edderes e sem hierarquia. Depois de alguns anos, as ONGs financiadas por f\u00e1bricas de pensamento (\u201cthink thanks\u201d) conservadoras estavam presentes com a palavra de ordem \u201coutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. \u201cO que tem de errado dizer que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel?\u201d, pensaram muitos poderosos, \u201cse nem querem derrubar os governos\u201d. Hoje n\u00e3o resta nada disso.<\/p>\n<p>Veio o 15M na Espanha, vieram as primaveras em outros pa\u00edses. Concentra\u00e7\u00f5es massivas sob os gritos de indignados. Horizontalidade, heterogeneidade, diversidade, pluralidade, cirandas, sauda\u00e7\u00f5es ao sol&#8230; Avers\u00e3o a partidos pol\u00edticos e sindicatos, n\u00e3o importava de qual campo pol\u00edtico eram. Houve umas elei\u00e7\u00f5es e um gesto era pintar um nariz de palha\u00e7o nos candidatos de todos os cart\u00f5es eleitorais, a todos, sem distin\u00e7\u00e3o. Nas assembleias, o marionetista e o jovem gerente indignado e frustrado, com tr\u00eas idiomas e outros tr\u00eas mestrados, eram mais aplaudidos que o sindicalista veterano. Proclamavam a indefini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a rejei\u00e7\u00e3o aos parlamentos e deputados, proibiram as bandeiras sob as quais lutaram para que hoje eles possam ser livres. N\u00e3o pediram a estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos nem a expropria\u00e7\u00e3o dos latif\u00fandios, mas sim que n\u00e3o houvesse subs\u00eddio para os partidos pol\u00edticos nem para os sindicatos. Eles j\u00e1 s\u00e3o passado.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas vivemos a greve feminista. \u00c9 verdade que havia um documento de quase 30 p\u00e1ginas de reivindica\u00e7\u00f5es, mas quase nada foi lido. O clamor era que as mulheres recebessem o mesmo que os homens, que seus parceiros n\u00e3o as agredissem ou matassem, que n\u00e3o fossem coisificadas, que tivessem mais representa\u00e7\u00e3o em todos os setores e esferas da sociedade. N\u00e3o foram apresentar concretamente quais medidas legais seriam necess\u00e1rias para executar tudo isso, ou quais leis deveriam ser revogadas, quem deve renunciar por n\u00e3o trabalhar para estes objetivos (come\u00e7ando com a ministra da Igualdade, que manifestou ser contra o feminismo), quais normas os meios de comunica\u00e7\u00f5es devem cumprir para combater o machismo, como deve terminar a arbitrariedade empresarial para realizar a igualdade&#8230; Novamente, falta de especificidade, de estabilidade organizativa, de escalada de mobiliza\u00e7\u00f5es. Sem essas medidas concretas, com uma mera declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es e com todo clamor para sustent\u00e1-las, era inevit\u00e1vel que se convertessem em campe\u00e3s do feminismo a Rainha Letizia, Albert Rivera, as emissoras de TV que alardeavam a greve das mulheres em suas reda\u00e7\u00f5es (nunca visto, uma empresa orgulhosa de exibir uma greve entre seus trabalhadores), Ana Rosa Quintana e at\u00e9 mesmo Rajoy desaprovando seus ministros que criticaram a greve. Com a exce\u00e7\u00e3o de quatro reacion\u00e1rios da direita, todos terminaram o dia satisfeitos. As pesquisas disseram que 85% dos espanh\u00f3is concordaram com as reivindica\u00e7\u00f5es, ou seja, incluindo os empres\u00e1rios que pagam menos para as mulheres, homens que se beneficiam de desigualdade e os publicit\u00e1rios que usam o corpo da mulher como uma isca.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso: os cientistas pol\u00edticos falam de golpes de Estado brandos, para aqueles em que chegam a derrubar governos leg\u00edtimos. Por outro lado, n\u00f3s acreditamos que estamos fazendo fortes revolu\u00e7\u00f5es, mas deixamos o sistema intacto. Eu acho que o inimigo nunca age de forma branda e n\u00f3s nunca agimos com for\u00e7a suficiente.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio de At\u00edlio Boron: \u201c[As manifesta\u00e7\u00f5es brandas] podem ser qualificadas como protestos cat\u00e1rticos que n\u00e3o modificam, a n\u00e3o ser no plano teatral da vida pol\u00edtica, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as existentes\u201d.<\/p>\n<p>Texto Original:\u00a0http:\/\/pascualserrano.net\/es\/noticias\/movilizaciones-blandas\/<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio At\u00edlio Boron &lt;https:\/\/www.facebook.com\/permalink.php?story_fbid=1829313343787588&amp;id=158512757534330&gt;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Colombo &#8211; Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB de Piracicaba<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19193\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[234],"class_list":["post-19193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Zz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19193\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}