{"id":19197,"date":"2018-03-28T16:02:46","date_gmt":"2018-03-28T19:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19197"},"modified":"2018-03-28T16:02:46","modified_gmt":"2018-03-28T19:02:46","slug":"a-mulher-trabalhadora-e-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19197","title":{"rendered":"A mulher trabalhadora e a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/L6snbY-iEBqxN62q7CdOSQ_z2sSWQjNS-laqtouVTz4j3kUmAPLLbNR54lSRSzMbpfhAj7Jk86SEOHStgquiOKlLRgVbS6vSwe9F-k5QzlEPKr0zFTs8ohvmfuHCJVQ9LHRMHPQN8ctid0vmJuqf6N6NMchmBZWALZ1v56-939dQM2otu5XzNYtLXr5Furm7WbfFvnbsisAqsGOIrXT87pTLtQFYdoBUudGKcYzJscdyB0bkclSA8zpzpF9LaJwVsGgUEz777odorLgC9QfxYqGfBivQTM3tFrAfD0xKhZ3UNxIYRtRPaqhQA87el1Hpylnu9me7-LzVvjKH9zdcCtG-vbeX9BvE0zyFe_7SaojoO9pjbjt0punkhnbaVxpnbf53-_MHqQEWvrqGIQKypszxCkrh_K7XpGm_a1iFMxTEqZmxfOc9wL5YB4mg8VYVaXZpzxih-Kki6HdnolhV-GdhsfB-L9XEQHJC68aZcajr8GfRT1xPd81jHTldl5mImwzMyCDLXeIL3tn3E1tYerWYwJRohaRSd4b9-S0-Prqp5CcAwRDXtGEfncFbTs9vTuLnrogJiNhKADFYOsme1Fdb8S0En8DRAvCRJ36Hdho_XQE2Usm8wRJEDvV6DU05GGEYDmKHOar3AmYJz3iN3Gc6drtDpvkK0g=s300-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Um breve hist\u00f3rico sobre a educa\u00e7\u00e3o e o papel da mulher no \u00e2mbito educacional<\/strong><\/p>\n<p>Por Mary Ferreira e Wanubya Menezes*<\/p>\n<p>Militantes do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro Alagoas<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o nas sociedades primitivas configurava-se como instrumento de rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos com a sociedade. Nesse per\u00edodo, a educa\u00e7\u00e3o era constitu\u00edda pela aprendizagem atrav\u00e9s dos costumes referendados pelos grupos, a educa\u00e7\u00e3o era fun\u00e7\u00e3o social de todos os integrantes daquelas comunidades, n\u00e3o havia diferencia\u00e7\u00e3o por idade, g\u00eanero e classe social, pois nesse momento as rela\u00e7\u00f5es sociais ocorriam de acordo com o regime comunal, assim, a unanimidade entre os membros e as atividades de produ\u00e7\u00e3o eram desenvolvidas por todos, at\u00e9 mesmo por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o fim da era primitiva e a constitui\u00e7\u00e3o da sociedade de classes, ocorreu a divis\u00e3o social do trabalho, onde os interesses que prevaleciam j\u00e1 n\u00e3o contemplavam mais as necessidades de todos os membros da comunidade.<\/p>\n<p>De acordo com An\u00edbal Ponce (2007; p.26), \u201ccom o desaparecimento dos interesses comuns a todos os membros iguais de um grupo e a sua substitui\u00e7\u00e3o por interesses distintos, pouco a pouco antag\u00f4nicos, o processo educativo, que at\u00e9 ent\u00e3o era \u00fanico, sofreu uma participa\u00e7\u00e3o: a desigualdade econ\u00f4mica entre os \u201corganizadores\u201d \u2013 cada vez mais exploradores \u2013 e os \u201cexecutores\u201d \u2013 cada vez mais explorados \u2013 trouxe, necessariamente, a desigualdade na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o passou a ser configurada segundo os interesses econ\u00f4micos. Deste modo, o papel social da mulher tamb\u00e9m foi modificado de acordo com as necessidades econ\u00f4micas. A inser\u00e7\u00e3o da mulher nos espa\u00e7os educativos formais iniciou-se a partir da sociedade de classes, e ela passou a ser educada, desde seus primeiros anos de vida, para a dedica\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e0s tarefas familiares e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o brasileira, o trabalho docente escolar nasceu como um prolongamento do trabalho materno e, assim como o trabalho dom\u00e9stico, visto como improdutivo e incapaz de gerar capital. Nesse processo, a doc\u00eancia se materializou de forma desvalorizada e precarizada. Muitas mulheres professoras, assim como seus companheiros de trabalho, s\u00e3o empurradas pelo capital a uma jornada de trabalho abusiva, trabalhando em duas ou mais escolas e, de forma cada vez mais frequente, vendendo sua for\u00e7a de trabalho para o ensino privado, onde se aprofunda ainda mais as contradi\u00e7\u00f5es do capital trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, vivendo sob a l\u00f3gica patriarcal, essas companheiras do ensino s\u00e3o tamb\u00e9m as respons\u00e1veis pelo \u00e1rduo trabalho dom\u00e9stico, cuidando dos filhos, da casa, dos diversos afazeres dom\u00e9sticos e ainda dos estudos, j\u00e1 que \u00e9 cada vez mais exigido uma forma\u00e7\u00e3o continuada dessas profissionais.<\/p>\n<p>As necessidades de sobreviv\u00eancia da mulher na sociedade capitalista obrigam-na a submeter-se \u00e0s v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es constrangedoras no ambiente de trabalho, tais como: o ass\u00e9dio, a baixa remunera\u00e7\u00e3o, a dupla (e \u00e0s vezes triplas!) jornada de trabalho, algo extremamente exaustivo, pois al\u00e9m de exercer uma atividade remunerada, a mulher \u00e9 submetida, ao retornar \u00e0 casa, a realizar os trabalhos dom\u00e9sticos n\u00e3o remunerados.<\/p>\n<p>Nos espa\u00e7os educativos, em espec\u00edfico na educa\u00e7\u00e3o infantil e nas s\u00e9ries iniciais, a mulher ainda \u00e9 vista como cuidadora das crian\u00e7as, por isso ainda lhe \u00e9 atribu\u00edda, de forma muito romantizada, a fun\u00e7\u00e3o de cuidar e educar, onde devemos \u201cnos doar ao trabalho por amor\u201d, como se as nossas necessidades de subsist\u00eancia n\u00e3o fossem gritantes. Cotidianamente, nos deparamos com discursos de que a mulher deve exercer sua profiss\u00e3o de educadora por ser uma \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d, algo que dizem ser \u201cintr\u00ednseco\u201d \u00e0 mulher, que est\u00e1 em sua \u201cnatureza feminina\u201d, e que por isso s\u00f3 ela saberia exercer bem esse papel. Sabemos bem que esse discurso que naturaliza a hierarquia de papeis, n\u00e3o passa de uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do patriarcado, arraigada em nossos ombros. Por isso, se faz necess\u00e1rio cada dia mais lutar contra o sistema patriarcal, pelo fim deste sistema de produ\u00e7\u00e3o parasit\u00e1rio, que acaba com os nossos anseios por dias melhores e nos fazem pensar que n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o radical para essas opress\u00f5es sentidas cotidianamente.<\/p>\n<p>A nossa luta pela supera\u00e7\u00e3o desse modelo de sociedade deve ser di\u00e1ria. N\u00f3s n\u00e3o nascemos para ser submissas aos homens nem passivas \u00e0 l\u00f3gica deste mundo injusto, opressor e desigual. A nossa luta \u00e9 pela liberdade, o nosso norte \u00e9 o ideal de um mundo justo e igualit\u00e1rio para todas n\u00f3s!<\/p>\n<p>Mulheres trabalhadoras do mundo inteiro, uni-vos!<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>PONCE, An\u00edbal. Educa\u00e7\u00e3o e Luta de Classes. S\u00e3o Paulo: Cortez, 22\u00ba Edi\u00e7\u00e3o, 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19197\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60,180],"tags":[233],"class_list":["post-19197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-feminista","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4ZD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19197\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}