{"id":1920,"date":"2011-10-04T01:37:10","date_gmt":"2011-10-04T01:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1920"},"modified":"2011-10-04T01:37:10","modified_gmt":"2011-10-04T01:37:10","slug":"o-camarada-ze-raymundo-partiu-mas-ficou-seu-exemplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1920","title":{"rendered":"O CAMARADA Z\u00c9 RAYMUNDO PARTIU, MAS FICOU SEU EXEMPLO"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste s\u00e1bado, despedimo-nos de Z\u00e9 Raymundo, que foi assistente da Base dos Banc\u00e1rios do PCB no Rio de Janeiro, em que militei durante muitos anos, a partir do final dos anos 1970.<\/p>\n<p>O texto que transcrevo abaixo, de autoria de seu filho Fred, me libera de narrar a rica biografia de seu pai.<\/p>\n<p>Quero ressaltar duas marcas do legado do camarada Z\u00e9 Raymundo.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 n\u00e3o levar opini\u00e3o para casa, omitindo-a nas reuni\u00f5es. Se discordasse do comportamento de algum camarada, Z\u00e9 fazia a cr\u00edtica na sua frente. Mas nunca levantou a voz com qualquer camarada.<\/p>\n<p>Outra qualidade de Jos\u00e9 Raymundo era o respeito quase sagrado ao centralismo democr\u00e1tico, \u00e0 dire\u00e7\u00e3o coletiva, ou seja, ao car\u00e1ter leninista do Partido. N\u00e3o admitia grupos internos e nem que vaidades ou interesses pessoais se sobrepusessem aos objetivos maiores do Partido.<\/p>\n<p>Z\u00e9 ensinou li\u00e7\u00f5es que devem ser exemplo para todo militante que, em nome do Partido, exer\u00e7a qualquer cargo ou fun\u00e7\u00e3o em outra institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por orienta\u00e7\u00e3o do PCB, fui presidente do Sindicato dos Banc\u00e1rios do RJ, numa \u00e9poca em que a entidade tinha uma dimens\u00e3o nacional, n\u00e3o apenas na quest\u00e3o sindical, mas nas lutas gerais do povo brasileiro. Eu dirigia o Sindicato dos Banc\u00e1rios, com base nas decis\u00f5es da Assembl\u00e9ia. Mas quem dirigia a minha atua\u00e7\u00e3o era a organiza\u00e7\u00e3o do PCB na categoria, sob a assist\u00eancia vigilante do Z\u00e9 Raymundo, em nome do Comit\u00ea Regional. Quantas vezes me enquadrou, como dizemos em nossos jarg\u00f5es.<\/p>\n<p>Z\u00e9 n\u00e3o era autorit\u00e1rio, como parecia a alguns. Ele tinha \u00e9 autoridade. N\u00e3o uma autoridade burocr\u00e1tica. N\u00e3o dava \u201ccarteirada\u201d; levava a discuss\u00e3o \u00e0 exaust\u00e3o. Dirigia pelo convencimento.<\/p>\n<p>Na sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Z\u00e9 n\u00e3o era o Raymundo; era o Partido.<\/p>\n<p>Quando, em 1962, o PCB se dividiu em dois, Z\u00e9 Raymundo n\u00e3o deve ter pensado um segundo: ficou com a maioria leg\u00edtima. Mas quando, em 1992, novamente o Partido se dividiu em dois, Z\u00e9 se afastou de ambos, como grande parte dos que vivemos aqueles momentos dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Pelo que conhe\u00e7o de seus princ\u00edpios, neste caso Z\u00e9 Raymundo deve ter ficado em d\u00favida sobre que centralismo acompanhar. Da maioria manipulada pelos que renegavam o PCB ou da minoria que, em verdade, era a maioria dos que continuavam comunistas. Desde ent\u00e3o, Z\u00e9 n\u00e3o se ligou a qualquer partido. Mas morreu comunista. Nos \u00faltimos anos, tornou-se um grande amigo do PCB, prestigiando muitos dos nossos eventos. Era uma forma de milit\u00e2ncia, mesmo que informal.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira, quando Rico e Fred me comunicaram o falecimento do pai, fui tomado de profunda emo\u00e7\u00e3o, sobretudo quando ambos exigiram que eu levasse uma bandeira do PCB para cobrir o corpo rec\u00e9m inerte do camarada Z\u00e9 Raymundo. Diante de minha d\u00favida se este gesto poderia criar constrangimento numa homenagem que seria politicamente ecum\u00eanica, os dois filhos responderam com a firmeza que herdaram do pai: n\u00e3o vacile, nosso pai nunca saiu do PCB!<\/p>\n<p>Em meio aos parentes, camaradas e amigos que foram se despedir de Z\u00e9 Raymundo, tive a honra de marcar com a foice e o martelo um cora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o mais batia, mas que partia para a hist\u00f3ria do PCB.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Jos\u00e9 Raymundo da Silva *<\/p>\n<p>Banc\u00e1rio do Banco do Brasil, Jos\u00e9 Raymundo da Silva era casado com a professora Terezinha do Menino de Jesus Pessoa da Silva h\u00e1 63 anos, m\u00e3e de seus seis filhos: Frederico, Alexandre, Ana C\u00e9lia, Ricardo, Agliberto e Carmem L\u00facia. Nasceu no dia 30 de dezembro de 1924 em S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito, agreste pernambucano.<\/p>\n<p>Em 1950 ingressou na Juventude Comunista e a seguir no Partido Comunista Brasileiro ao qual dedicou o melhor de sua vida como militante e dirigente. Militante e dirigente sindical banc\u00e1rio a partir de 1955 fundou e foi o primeiro presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Banc\u00e1rios do Norte e Nordeste que \u00e0 \u00e9poca reunia os sindicatos da categoria da Bahia ao Amazonas. Junto com sindicalistas banc\u00e1rios de todo o Brasil fundou a Confedera\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores nas Empresas de Cr\u00e9dito \u2013 CONTEC, em 1958.<\/p>\n<p>No mesmo ano integrou a Frente do Recife que reunia partidos e personalidades democr\u00e1ticas que possibilitaram as vit\u00f3rias de Cid Sampaio e Miguel Arraes de Alencar governadores de Pernambuco. Frente igualmente patrocinadora das vit\u00f3rias de Miguel Arraes, Pel\u00f3pidas da Silveira e Artur Lima Cavalcante para a Prefeitura de Recife.<\/p>\n<p>Junto com Clodomir Moraes e outros militantes foi brutalmente espancado, torturado e preso em 1954 no Com\u00edcio do Zumbi, organizado pelo PCB. Em 1961 foi preso (junto com David Capistrano da Costa, Gilberto Azevedo, Jo\u00e3o Barbosa de Vasconcelos e C\u00edcero Targino Dantas) e enviado para o Pres\u00eddio de Fernando de Noronha por ordem dos militares golpistas que tentavam impedir a posse do presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>O golpe militar de 1964 o encontrou na Secretaria Geral do Conselho Sindical dos Trabalhadores \u2013 CONSINTRA, a intersindical pernambucana. Perseguido e condenado a 19 anos de pris\u00e3o Jos\u00e9 Raymundo mergulhou na clandestinidade para, inicialmente, reorganizar o PCB em Pernambuco e, em 1965, integrar a Se\u00e7\u00e3o Sindical do Comit\u00ea Central do PCB.<\/p>\n<p>Membro da Executiva do Comit\u00ea Estadual do PCB na Guanabara foi preso em outubro de 1970 pelo DOI-CODI\/RJ quando outra vez foi submetido a b\u00e1rbaras torturas, recusando-se a prestar qualquer depoimento. Transferido para Recife (onde deveria cumprir a Senten\u00e7a dos 19 anos) foi absolvido pelo STM e retornou ao Pres\u00eddio Militar da Ilha das Flores (mantido pela Marinha) onde permaneceu at\u00e9 1973.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 vida legal dedicou-se \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o do PCB no antigo Estado da Guanabara at\u00e9 o final dos anos 80 quando foi eleito para o Comit\u00ea Central do PCB em seu VII Congresso. Integrou o Secretariado Nacional do PCB, ao mesmo tempo que desenvolvia intensa milit\u00e2ncia entre os banc\u00e1rios do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Aposentado, nos \u00faltimos anos atuava no Departamento dos Aposentados do Sindicato dos Banc\u00e1rios do Rio de Janeiro e\u00a0na Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios Aposentados do Banco do Brasil.<\/p>\n<p>(*) por seu filho, o jornalista Frederico Pessoa da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nIvan Pinheiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1920\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1920","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-uY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1920"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1920\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}