{"id":19239,"date":"2018-04-02T19:54:32","date_gmt":"2018-04-02T22:54:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19239"},"modified":"2018-04-02T19:54:32","modified_gmt":"2018-04-02T22:54:32","slug":"ditadura-e-ferida-que-nao-cicatriza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19239","title":{"rendered":"&#8216;Ditadura \u00e9 ferida que n\u00e3o cicatriza&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr1.img.sputniknews.com\/images\/1087\/16\/10871642.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/2018033110863298-ditadura-tortura-1964-golpe-militar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sputnik News<\/a><\/p>\n<p>No dia 31 de mar\u00e7o, o Brasil revisita um cap\u00edtulo sangrento de sua hist\u00f3ria: o golpe de Estado de 1964. Ele dep\u00f4s o presidente Jo\u00e3o Goulart e inaugurou nossa mais recente ditadura civil-militar, deixando um saldo de censura, tortura e morte.<br \/>\nA interven\u00e7\u00e3o militar era defendida como uma solu\u00e7\u00e3o moderada em tempos de guerra fria e foi advogada por setores da elite econ\u00f4mica e da imprensa. Eles acreditavam que as\u00a0For\u00e7as Armadas poderiam ajudar em uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e que novas elei\u00e7\u00f5es poderiam ser realizadas em pouco tempo. O golpe que surgiu como uma solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, entretanto, abriu uma ditadura que s\u00f3 acabou em 1985\u00a0\u2014 quando o pa\u00eds voltou a ter um presidente civil (Jos\u00e9 Sarney, ap\u00f3s a morte de Tancredo Neves), ainda que eleito de forma indireta.<\/p>\n<p>A Sputnik Brasil entrevistou o advogado e capit\u00e3o reformado Carlos Roberto Pittoli. Militar e de esquerda durante o regime militar, ele faz parte de um setor das For\u00e7as Armadas que foi preso e torturado pelos seus pr\u00f3prios companheiros de farda.<br \/>\nNatural de Ava\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo, Pittoli entrou no Ex\u00e9rcito Brasileiro como soldado em 1965 e diz que o clima entre os militares logo ap\u00f3s a tomada do poder era de &#8220;sil\u00eancio&#8221;. Integrante da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), ele chegou a planejar o resgate de militantes de esquerda presos na 2\u00aa Companhia de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, local onde servia em Osasco.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o, todavia, precisou ser abortada ap\u00f3s o capit\u00e3o Carlos Lamarca, tamb\u00e9m da VPR, roubar rifles e muni\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito e entrar para a clandestinidade. A repercuss\u00e3o da a\u00e7\u00e3o colocou os militares em estado de alerta.<\/p>\n<p>Ainda assim, Pittoli foi preso porque outro militante contou sob tortura sobre sua participa\u00e7\u00e3o na resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Pittoli ent\u00e3o foi alvo de espancamentos, choques el\u00e9tricos e teve cigarros apagados em seu corpo.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A tortura \u00e9 medonha. A gente sabe, os companheiros que foram torturados na nossa frente. Filhos sendo torturados para o pai falar. Voc\u00ea fica em maus len\u00e7\u00f3is.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo torturado, Pittoli n\u00e3o entregou seus companheiros.<br \/>\nEm quase tr\u00eas anos de deten\u00e7\u00e3o, ele chegou a ficar preso por 10 meses em uma solit\u00e1ria no 6\u00ba Grupo de Artilharia de Costa, na Praia Grande, e depois foi levado para o Pres\u00eddio Tiradentes e o Carandiru.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Fui levado a auditorias diversas vezes e montavam processos que voc\u00ea tem que assinar. Se n\u00e3o assinar, \u00e9 torturado. Voc\u00ea passa por uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e constrangedora.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao fim do tr\u00e2mite judicial, Pittoli foi absolvido e afirma: &#8220;Voc\u00ea sabe o que \u00e9 sua fam\u00edlia te procurar e n\u00e3o saber se voc\u00ea est\u00e1 vivo? Mesmo que eu tivesse cometido algum crime horr\u00edvel, n\u00e3o justificaria em nenhum lugar do mundo judiar de meu pai e minha m\u00e3e, pessoas semi-alfabetizadas, e da minha esposa, meu irm\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O ex-militar diz que \u00e9 preciso combater a no\u00e7\u00e3o de que o golpe &#8220;organizou o pa\u00eds&#8221; e foi um per\u00edodo livre de corrup\u00e7\u00e3o, citando o caso Coroa-Brastel e esc\u00e2ndalos na constru\u00e7\u00e3o da ponte Rio-Niter\u00f3i e a Ferrovia do A\u00e7o. Para Pittoli, a ditadura \u00e9 uma ferida que n\u00e3o passa:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o cicatriza. Voc\u00ea tem uma casca seca por cima, mas tem um pus debaixo dessa casca. Por que? O que \u00e9 esse pus? \u00c9 muita coisa que passa pelo atual Judici\u00e1rio, \u00e9 n\u00e3o julgar, n\u00e3o prender quem cometeu crime de lesa humanidade reconhecido pela ONU. Os militares torturadores do Brasil n\u00e3o foram punidos, o pessoal do DOPS em todos os Estados, ningu\u00e9m foi punido.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, a ditadura militar foi respons\u00e1vel por 434 mortes e desaparecimentos. Os corpos de 210 destas v\u00edtimas nunca foram encontrados.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de pa\u00edses vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile, os militares brasileiros nunca foram levados \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0SPUTNIK NEWS<\/p>\n<p>https:\/\/br.sputniknews.com\/brasil\/2018033110863298-ditadura-tortura-1964-golpe-militar\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19239\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[228],"class_list":["post-19239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-50j","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}