{"id":19322,"date":"2018-04-10T16:21:08","date_gmt":"2018-04-10T19:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19322"},"modified":"2018-04-10T16:21:08","modified_gmt":"2018-04-10T19:21:08","slug":"lula-preso-politico-do-novo-ciclo-da-direita-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19322","title":{"rendered":"Lula, preso pol\u00edtico do novo ciclo da direita no\u00a0Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2018\/04\/lula-preso-polc3adtico-blog.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->&#8220;No limiar do s\u00e9culo XXI, o ex-presidente se transformou em um preso pol\u00edtico do novo ciclo da direita no Brasil. Portanto, a defesa da sua liberdade e dos seus direitos pol\u00edticos pode ser um passo inicial para a constru\u00e7\u00e3o da frente \u00fanica contra as contrarreformas, pelos direitos dos trabalhadores\/as, argamassa necess\u00e1ria para derrotar as pautas regressivas, o obscurantismo e avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma de lutas que movimente a classe trabalhadora com toda as suas especificidades.&#8221;<\/p>\n<p>Por\u00a0Milton Pinheiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2018\/04\/09\/lula-preso-politico-do-novo-ciclo-da-direita-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog da Boitempo<\/a><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 passando por um longo e movimentado processo de ruptura institucional, qualificado como golpe pol\u00edtico, articulado e desenvolvido por ag\u00eancias situadas na ordem do capital, nos aparelhos privados de hegemonia e no aparato de Estado. Trata-se da mais severa, deliberadamente confusa, e bem-sucedida a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica incentivada pela m\u00eddia conservadora e reacion\u00e1ria; fomentada pela leni\u00eancia militante do poder judici\u00e1rio; pela pr\u00e1tica de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Minist\u00e9rio P\u00fablico e por uma conduta seletiva\/dirigida dos aparatos de repress\u00e3o: Pol\u00edcia Federal e o bra\u00e7o \u201cescravocrata\u201d do Estado capitalista no Brasil, a PM.<\/p>\n<p>Essa conjuntura adv\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es que romperam a cena pol\u00edtica brasileira em 2013, elencadas, por um lado, a partir das necessidades b\u00e1sicas e falta de prioridades na pol\u00edtica p\u00fablica brasileira diante dos investimentos na Copa do Mundo entre n\u00f3s; e por outro, conformados nas hordas conservadoras e reacion\u00e1rias da pequena burguesia que alimentavam, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, o fascismo cotidiano e que identificavam nos direitos sociais em disputa o problema da sua decad\u00eancia. Esse segmento social conseguiu abrir um novo ciclo da direita no Brasil. Contudo, esse escaldante fen\u00f4meno social n\u00e3o foi rapidamente identificado, portanto, tergiversou-se sobre o papel dos conflitos e quem estava em disputa pelas ruas do pa\u00eds, permitindo que a \u201caberra\u00e7\u00e3o\u201d obscurantista tomasse conta do espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a quadra da luta de classes impactada pelo apassivamento governista, e por uma imensa dificuldade em desvelar a cena pol\u00edtica brasileira por parte da esquerda socialista, confundiu o sentido das contradi\u00e7\u00f5es em curso numa conjuntura cada vez mais turva e com uma r\u00e1pida modifica\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a entre os blocos em disputa: a direita em seu novo ciclo, o governo burgo-petista, a esquerda socialista e o revolucionarismo pequeno-burgu\u00eas de algumas organiza\u00e7\u00f5es do campo da esquerda.<\/p>\n<p>Durante esse longo per\u00edodo, quando a conjuntura estava em chamas, o processo da concilia\u00e7\u00e3o de classe foi reafirmado no velho estilo do pacto da autocracia burguesa t\u00e3o presente na hist\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil, n\u00e3o permitindo que o PT e a CUT entendessem qual era a contradi\u00e7\u00e3o principal e secund\u00e1ria das lutas em curso. Esperou-se nas mesas palacianas que os acordos realizados pela c\u00fapula, estabelecidas no balc\u00e3o da pequena pol\u00edtica, solucionassem os graves problemas pol\u00edticos e seus vetores econ\u00f4micos (incentivados ou n\u00e3o). O lapso temporal, na c\u00e9lere conjuntura, foi domado pelo impactado da presen\u00e7a de massa das hordas proto-fascistas; o balc\u00e3o da pol\u00edtica avan\u00e7ou com o comportamento de lumpesinato do parlamento; as principais fra\u00e7\u00f5es da burguesia, embora desarticuladas dos neg\u00f3cios da pol\u00edtica no parlamento, perceberam que o governo ileg\u00edtimo e o Parlamento de com\u00e9rcio aprovavam ao toque das a\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o o mais genu\u00edno produto dos seus interesses. Criou-se a zona de conforto para que a burguesia interna, consorciada ao imperialismo, mesmo com muitas contradi\u00e7\u00f5es entre suas fra\u00e7\u00f5es, pudesse criar condi\u00e7\u00f5es para ampliar e revalorizar as taxas de lucro no curto prazo. O bloco burgu\u00eas conseguiu o que queria: acelerar a conquista do Estado para a nova formata\u00e7\u00e3o da sua ordem jur\u00eddica. Constru\u00edram a ruptura dentro da ruptura e est\u00e3o \u201caprimorando\u201d a democracia formal para \u201clegalizar\u201d as suas a\u00e7\u00f5es de classe e criminalizar a luta social.<\/p>\n<p>A conjuntura em curso, de alto impacto pelas contradi\u00e7\u00f5es da disputa pol\u00edtica, tem \u201crenovado\u201d a caracteriza\u00e7\u00e3o do fascismo. Dentro da sua pr\u00e1tica cotidiana, o fascismo se apresenta a partir da xenofobia, do ataque aos sujeitos sociais que s\u00e3o enquadrados no campo das opress\u00f5es, em um novo pentecostalismo que centrou-se na adora\u00e7\u00e3o ao deus Manon (culto ao dinheiro), com ideias e pr\u00e1ticas regressivas na vida social, no comportamento obscurantista e na influ\u00eancia dentro da disputa ideol\u00f3gica que tem movimentado a m\u00eddia burguesa. Estamos vivendo sob o ataque de hordas que querem a regressividade nas artes, na cultura, nas ci\u00eancias e que tentam avan\u00e7ar para construir uma cultura reacion\u00e1ria que colocar\u00e1 em risco as rela\u00e7\u00f5es humanas ao se consolidar seu projeto de barb\u00e1rie capitalista. Contudo, permanece ainda muito v\u00e1lido a diversa caracteriza\u00e7\u00e3o do fascismo apresentado pela teoria social marxista. Portanto, a partir dessa l\u00f3gica categorial, e sua ader\u00eancia na realidade concreta, ainda n\u00e3o estamos vivendo um ciclo cl\u00e1ssico do fascismo entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>O campo da disputa de classe apresenta uma rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a favor\u00e1vel ao bloco burgu\u00eas e seus agentes. Essa correla\u00e7\u00e3o, em aberto, demonstra a necessidade hist\u00f3rica de constru\u00e7\u00e3o de um bloco prolet\u00e1rio que precisa movimentar os trabalhadores, os pobres da periferia e os oprimidos de v\u00e1rias conforma\u00e7\u00f5es para tirar o protagonismo pol\u00edtico da burguesia interna e derrotar as a\u00e7\u00f5es do fascismo cotidiano. \u00c9 dentro dessa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a que se colocou, de forma decisiva, o papel do judici\u00e1rio e do minist\u00e9rio p\u00fablico na criminaliza\u00e7\u00e3o do ex-presidente Lula. Agindo de forma seletiva, orientados por um profundo preconceito de classe, alargando as balizas da autocracia burguesa, essas ag\u00eancias do Estado capitalista operaram com as diversas manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas para criar o \u00e1pice do processo de reconfigura\u00e7\u00e3o da ordem capitalista e sua democracia formal: a pris\u00e3o de Lula.<\/p>\n<p>Esse confronto promovido pelo aparato de Estado, a servi\u00e7o da disputa ideol\u00f3gica, n\u00e3o previa que a classe trabalhadora, os pobres e oprimidos movimentassem a esquerda brasileira para agir de forma unit\u00e1ria, possibilitando a constru\u00e7\u00e3o da mais ampla unidade em defesa das liberdades democr\u00e1ticas e dos interesses populares. Est\u00e1 sendo constru\u00eddo o necess\u00e1rio enfrentamento. Trabalhadores e movimentos populares come\u00e7aram a desvelar a cena pol\u00edtica; cercaram Lula de solidariedade de classe, afirmaram que podemos resistir e enfrentar o inimigo onde ele se encontrar. A batalha de S\u00e3o Bernardo, em S\u00e3o Paulo, elevou a pol\u00edtica para um novo patamar da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. Contudo, uma li\u00e7\u00e3o se mostrou muita viva: as pra\u00e7as e as ruas teriam sido os lugares mais qualificados para enfrentar o bloco burgu\u00eas em vez da concilia\u00e7\u00e3o de classe e da promiscuidade da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A burguesia, com seu aparelho de Estado, nunca informou que est\u00e1 prendendo os divergentes por quest\u00f5es pol\u00edticas. No Brasil do s\u00e9culo XXI, o discurso da corrup\u00e7\u00e3o tem sido o combust\u00edvel mais explosivo que a l\u00f3gica corrupta do Estado capitalista encontrou para tergiversar sobre a pol\u00edtica e construir novos ciclos de poder, colocando o cabresto nos lugares comuns como nova roupagem para domina\u00e7\u00e3o dos subalternos. Todavia, dessa vez, abre-se a possibilidade para que os trabalhadores e o povo pobre possam entender que o combate a promiscuidade do Estado capitalista n\u00e3o tem fim dentro da ordem do capital, precisamos avan\u00e7ar na autoconstru\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A ordem do capital burlou a constitui\u00e7\u00e3o, feriu a democracia formal, construiu a ruptura dentro da ruptura institucional e golpeou o chamado Estado de direito do fetiche capitalista. A contradi\u00e7\u00e3o de classe est\u00e1 afirmando que precisamos tirar as devidas li\u00e7\u00f5es desse processo. Temos muitas hip\u00f3teses, contudo, algumas foram desveladas: a primeira, \u00e9 que o Estado capitalista \u00e9 uma ditadura de classe; a segunda, \u00e9 que o processo de exce\u00e7\u00e3o das regras da ordem burguesa se constr\u00f3i de forma paulatina e que a concilia\u00e7\u00e3o de classes fermentou a amplia\u00e7\u00e3o desse quadro; a terceira, Lula, agora descartado, foi identificado como inimigo de classe. Portanto, no limiar do s\u00e9culo XXI, o ex-presidente se transformou em um preso pol\u00edtico do novo ciclo da direita no Brasil. Portanto, a defesa da sua liberdade e dos seus direitos pol\u00edticos pode ser um passo inicial para a constru\u00e7\u00e3o da frente \u00fanica contra as contrarreformas, pelos direitos dos trabalhadores\/as, argamassa necess\u00e1ria para derrotar as pautas regressivas, o obscurantismo e avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma de lutas que movimente a classe trabalhadora com todas as suas especificidades.<\/p>\n<p>A possibilidade da unidade das for\u00e7as populares que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o no Brasil, em especial a partir do processo de pris\u00e3o do ex-presidente, tem que levar em conta o projeto dos trabalhadores\/as, a situa\u00e7\u00e3o dos oprimidos\/as e o campo de luta que queremos construir. Afinal, abre-se uma possibilidade a partir desses momentos de condensa\u00e7\u00e3o de crises que estamos vivendo, para que o bloco prolet\u00e1rio possa despertar para lutar pelas pautas progressistas, agindo com firmeza e determina\u00e7\u00e3o. No primeiro momento, dentro dos marcos da desobedi\u00eancia civil e no segundo momento, lutando pelo Poder Popular.<\/p>\n<p>Milton Pinheiro \u00e9\u00a0pesquisador da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira, professor da Universidade do Estado da Bahia e autor\/organizador, entre outros, do livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-novo-tempo-do-mundo-480\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Ditadura: o que resta da transi\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>\u00a0(Boitempo, S\u00e3o Paulo, 2014).\u00a0\u00c9 membro do Comit\u00ea Central do PCB.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2018\/04\/09\/lula-preso-politico-do-novo-ciclo-da-direita-no-brasil\/\">Lula, preso pol\u00edtico do novo ciclo da direita no&nbsp;Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19322\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[228],"class_list":["post-19322","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-51E","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19322\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}