{"id":19340,"date":"2018-04-12T20:57:35","date_gmt":"2018-04-12T23:57:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19340"},"modified":"2018-04-12T20:57:35","modified_gmt":"2018-04-12T23:57:35","slug":"e-preciso-ocupar-latifundios-e-transferir-terras-aos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19340","title":{"rendered":"\u00c9 preciso ocupar latif\u00fandios e transferir terras aos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1572\/24684668271_59fd9d87c0_b.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Em entrevista, Marina dos Santos, do MST, fala da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agr\u00e1ria, que acontece neste m\u00eas de abril de 2018<\/p>\n<p><em>Por Webert da Cruz<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/2018\/04\/09\/e-preciso-ocupar-latifundios-e-transferir-terras-aos-trabalhadores-para-transformar-o-campo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Da P\u00e1gina do MST<\/a><\/em><\/p>\n<p>Cortes or\u00e7ament\u00e1rios, asfixia da pol\u00edtica agr\u00e1ria, fim de programas e o aumento da viol\u00eancia, s\u00e3o algumas consequ\u00eancias do Estado de recess\u00e3o em que vive o campon\u00eas brasileiro. \u00c9 frente a esse contexto pol\u00edtico, que o MST realizar\u00e1 a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agr\u00e1ria 2018.<\/p>\n<p>Com o objetivo de resistir frente ao descaso sobre o direito \u00e0 terra no Brasil, a jornada acontece nesse m\u00eas, fazendo luta e mem\u00f3ria contra a impunidade dos 22 anos do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, quando 21 trabalhadores Sem Terra foram mortos pela for\u00e7a p\u00fablica no estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Para falar sobre a Reforma Agr\u00e1ria e a atual conjuntura, Marina dos Santos, da Dire\u00e7\u00e3o Nacional do MST, rememora a luta em Caraj\u00e1s, a viol\u00eancia no campo e os desafios da luta no m\u00eas de abril. Confira:<\/p>\n<p><strong>22 anos do massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, por que lembrar \u00e9 resistir?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 22 anos, no dia 17 de Abril de 1996, n\u00f3s \u00e9ramos muito jovens. Lut\u00e1vamos contra as pol\u00edticas neoliberais do governo de Fernando Henrique Cardoso, contra o \u00eaxodo rural e por um Brasil sem latif\u00fandios.<\/p>\n<p>No estado do Par\u00e1, com uma Marcha pac\u00edfica para Bel\u00e9m, a PM assassinou 21 trabalhadores rurais, camponeses, companheiros que marchavam rumo ao di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o com o governo do estado em sua capital.<\/p>\n<p>Foi uma trag\u00e9dia que girou o mundo. Um massacre de camponeses num pa\u00eds com tanta terra, tanta \u00e1gua e tantos bens da natureza, de extens\u00e3o continental, mas tamb\u00e9m, com tanta concentra\u00e7\u00e3o e m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, em que o latif\u00fandio e o agroneg\u00f3cio utilizam apenas com a inten\u00e7\u00e3o de aumentar seus lucros.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante a juventude de hoje, nossa milit\u00e2ncia, conhecer essa hist\u00f3ria, saber quem est\u00e1 por tr\u00e1s dessa manobra macabra, todos os autores envolvidos \u2013 desde os policiais que fizeram tanta crueldade, ao governo do estado do Par\u00e1 e as empresas da regi\u00e3o que financiaram o massacre.<\/p>\n<p>A juventude deve homenagear todos os nossos m\u00e1rtires da luta pela terra, em especial, lembrar Oziel Alves, um jovem de 17 anos, que aprendeu ler e escrever em nossas escolas, debaixo das lonas dos acampamentos do MST e que foi assassinado de joelhos na frente de todos gritando: \u201cviva a Reforma Agr\u00e1ria!\u201d<\/p>\n<p><strong>O massacre de Eldorado segue com impunidade e agora testemunhamos a celeridade arbitr\u00e1ria da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e condena\u00e7\u00e3o de Lula. Que justi\u00e7a \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n<p>O sistema de justi\u00e7a do Brasil \u00e9 uma farsa. Nos causa vergonha em todos os lugares que frequentamos, desde o povo mais simples e humilde at\u00e9 os organismos internacionais. O mundo todo nos pede para explicar tanta injusti\u00e7a no Brasil com o nosso poder judici\u00e1rio. O porqu\u00ea dos operadores do judici\u00e1rio, especialmente os ju\u00edzes, s\u00e3o uns chupa cabras de dinheiro do povo, sustentados com o dinheiro p\u00fablico, no qual at\u00e9 seus alugu\u00e9is e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o para refor\u00e7ar a desigualdade social que h\u00e1 no pa\u00eds. \u00c9 uma justi\u00e7a cega quando se trata dos pobres, dos que lutam, dos negros, das comunidades urbanas, mas muito \u00e1gil e c\u00e9lere quando se trata de defender os neg\u00f3cios, empresas, empres\u00e1rios e lucros da corja.<\/p>\n<p>Essa condena\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao Lula, significa uma condena\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros pobres e lutadores. Mas n\u00f3s n\u00e3o vamos nos calar frente a tanta injusti\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria da viol\u00eancia no campo \u00e9 de longa data. De acordo com dados parciais da CPT, foram 65 pessoas assassinadas em conflitos no campo em 2017, muitos com requintes de crueldade, \u00edndice que deu ao Brasil o t\u00edtulo de pa\u00eds mais violento para os camponeses no mundo. Quais as a\u00e7\u00f5es o MST tem feito para denunciar e exigir o fim da continuidade desse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que tamb\u00e9m segundo os dados da CPT, somente nesses dois anos do per\u00edodo golpista, foram assassinados mais de 100 trabalhadores do campo, lideran\u00e7as camponesas e ind\u00edgenas no Brasil.<\/p>\n<p>A \u00fanica forma do MST enfrentar e denunciar essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ocupando os latif\u00fandios improdutivos, organizar o povo Sem Terra para lutar por seus direitos, enfrentar o governo e as pol\u00edticas golpistas que est\u00e3o sendo impostas no campo e na cidade.<\/p>\n<p>E denunciar que o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds no mundo que mais concentra terra. Segundo dados do \u00faltimo senso agropecu\u00e1rio, de 2006, 1% de propriet\u00e1rios concentram 44% das terras produtivas desse pa\u00eds. Esse processo de concentra\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumenta, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o a terra, mas tamb\u00e9m aos outros elementos da natureza, como a \u00e1gua. Vejamos o exemplo da reuni\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es que aconteceu em Bras\u00edlia, de 19 a 21 de mar\u00e7o, como o objetivo de privatizar os reservat\u00f3rios de \u00e1gua doce que temos no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul, como o Aqu\u00edfero Guarani.<\/p>\n<p>Com essa pol\u00edtica, \u00e9 claro que vai haver conflitos porque o povo e os movimentos sociais n\u00e3o v\u00e3o aceitar tudo isso de forma pac\u00edfica. \u00c9 preciso enfrentar o poder do agroneg\u00f3cio, das transnacionais e das pol\u00edticas golpistas. \u00c9 preciso construir uma resist\u00eancia ativa frente \u00e0 tudo isso e lutar com for\u00e7a por outras pol\u00edticas para o campo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que estamos falando sobre viol\u00eancia, um tema atual que tem mobilizado milhares de trabalhadores \u00e9 a Interven\u00e7\u00e3o Militar no Rio de Janeiro e a execu\u00e7\u00e3o da Marielle Franco. O que isso representa em tempos de recess\u00e3o, abandono e desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas sociais?<\/strong><\/p>\n<p>A Interven\u00e7\u00e3o Militar no Rio de Janeiro e a execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco e seu motorista Anderson, nos mostra que estamos vivendo um momento de ofensiva conservadora no Brasil e em diversos lugares do mundo, que liderou o impeachment contra a presidenta Dilma, provocou seu assassinato e de centenas de trabalhadores pobres, jovens e negros, e se manifesta tamb\u00e9m na pris\u00e3o do ex-presidente Lula.<\/p>\n<p>\u00c9 clara a pol\u00edtica de maldades em detrimento \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de gera\u00e7\u00e3o de emprego, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e seguran\u00e7a. Essas pol\u00edticas abrem um novo ciclo do golpe e nos desafia a ampliar nossa capacidade de luta e resist\u00eancia, com persist\u00eancia e unidade do conjunto das for\u00e7as pol\u00edticas. Precisamos tomar as ruas e fazer um grande processo de assenso das lutas de massas e construir um processo em que o povo possa de fato participar das tomadas de decis\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as principais quest\u00f5es apontadas pela Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agr\u00e1ria 2018?<\/strong><\/p>\n<p>A Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agr\u00e1ria, que tem o 17 de Abril, definido pela Via Campesina Internacional, como o dia mundial de luta pela terra, em mem\u00f3ria ao massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, n\u00e3o pode estar desconectada do conjunto das lutas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, e nesse tamb\u00e9m, a Jornada estar\u00e1 inserida nas bandeiras de defesa dos direitos dos trabalhadores, contra as reformas, por democracia e pela liberdade do Lula para enfrentarmos juntos o golpe que est\u00e1 em curso contra a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Dentro disso, apontamos como principal quest\u00e3o da Jornada o \u201cMassacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s: 22 anos de impunidade. Reforma agr\u00e1ria nas terras dos corruptos!\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de dizer e denunciar que grande parte dos corruptos deste pa\u00eds s\u00e3o detentores de muitas terras, de forma ilegal, com grilagem, com uso de dinheiro lavado, com trabalho escravo e deteriora o meio ambiente e a natureza. Utilizam de grandes extens\u00f5es de terras para a monocultura de exporta\u00e7\u00e3o baseado no uso intensivo de agrot\u00f3xicos e sementes transg\u00eanicas, causando muitas doen\u00e7as para a natureza e as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ocupar esses latif\u00fandios e transferir essas terras aos trabalhadores, \u00e0s camponesas e camponeses para transformar o campo em outro projeto. Num projeto de produ\u00e7\u00e3o de alimentos fartos, saud\u00e1veis e baratos para o conjunto da sociedade pobre e de recupera\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Com agroind\u00fastria e educa\u00e7\u00e3o para o povo.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as demandas espec\u00edficas do MST para a Jornada neste ano? Quais a\u00e7\u00f5es e atividades ser\u00e3o realizadas?<\/strong><\/p>\n<p>As demandas espec\u00edficas do MST para a Jornada v\u00e3o desde nossa \u201cpauta amarela\u201d, que s\u00e3o demandas antigas, n\u00e3o resolvidas pelos governos at\u00e9 \u00e0s quest\u00f5es emergenciais de terra para os acampados, que s\u00e3o em torno de 90 mil fam\u00edlias e pol\u00edticas de desenvolvimento para os assentamentos, que dialogam desde cr\u00e9dito para as mulheres, \u00e0 moradia, per\u00edmetro irrigado, o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA), programa para a educa\u00e7\u00e3o do campo e o Contrato de Concess\u00e3o de Uso (CCU).<\/p>\n<p>Estaremos tamb\u00e9m nos somando as atividades pol\u00edticas de den\u00fancias das injusti\u00e7as do STF em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o sem provas do Lula. Queremos Lula livre como forma de fazer justi\u00e7a ao povo e \u00e0 sociedade brasileira.<\/p>\n<p><strong>Por que a Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 uma pauta da sociedade como um todo?<\/strong><\/p>\n<p>A Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 uma bandeira importante para o conjunto da sociedade, porque estamos falando de uma Reforma Agr\u00e1ria Popular. De uma luta que desconcentre\u00a0e distribua a terra, que gere empregos no campo, recupere e preserve o meio ambiente, que produza alimentos org\u00e2nicos, agroecol\u00f3gicos e saud\u00e1veis para toda classe trabalhadora. Os benefici\u00e1rios da Reforma Agr\u00e1ria Popular n\u00e3o \u00e9 somente\u00a0quem mora e trabalha no campo, mas tamb\u00e9m o\u00a0conjunto da sociedade e \u00e0 natureza. Por isso, deve ser uma bandeira de todos!<\/p>\n<p><em>*Editado por Wesley Lima<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.mst.org.br\/2018\/04\/09\/e-preciso-ocupar-latifundios-e-transferir-terras-aos-trabalhadores-para-transformar-o-campo.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19340\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[118],"tags":[234],"class_list":["post-19340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c131-reforma-agraria","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-51W","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}