{"id":19345,"date":"2018-04-12T21:09:58","date_gmt":"2018-04-13T00:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19345"},"modified":"2018-04-12T21:09:58","modified_gmt":"2018-04-13T00:09:58","slug":"o-mundo-do-trabalho-em-um-contexto-de-uberizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19345","title":{"rendered":"O mundo do trabalho em um contexto de uberiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/04\/10_04_2018_cepat_trabalho_ludmila.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por\u00a0Jonas Jorge da Silva<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/577779-o-mundo-do-trabalho-em-um-contexto-de-uberizacao\">IHU<\/a><\/p>\n<p>Com um olhar atento \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho, a pesquisadora\u00a0Ludmila Costhek Ab\u00edlio, doutora em Ci\u00eancias Sociais pela\u00a0UNICAMP, desmistifica o que vem sendo chamado de moderniza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, discurso que aparece na boca daqueles que defendem a reforma trabalhista, por exemplo. Pesquisadora atenta ao modo como vivem milhares de brasileiros, acostumados a lutar de diferentes formas para sobreviver, enxerga na reforma trabalhista e no que vem analisando como a\u00a0uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho\u00a0a continuidade e atualiza\u00e7\u00e3o do que historicamente sempre marcou o mercado de trabalho brasileiro: informalidade, precariza\u00e7\u00e3o, instabilidade, rotatividade, etc., ou seja, rela\u00e7\u00f5es de trabalho nada novas.<\/p>\n<p>Ab\u00edlio\u00a0foi a convidada do\u00a0CEPAT\u00a0para a abertura do ciclo de debates\u00a0Cen\u00e1rios para o Brasil contempor\u00e2neo, no \u00faltimo s\u00e1bado, 7 de abril, para discorrer sobre o tema:\u00a0O mundo do trabalho em um contexto de uberiza\u00e7\u00e3o. A atividade conta com a parceria do\u00a0N\u00facleo de Direitos Humanos da PUCPR,\u00a0C\u00e1ritas &#8211; Regional Paran\u00e1,\u00a0Comunidades de Vida Crist\u00e3\u00a0(CVX) &#8211; Regional Sul\u00a0e\u00a0Instituto Humanitas Unisinos (IHU).<\/p>\n<p>O\u00a0IHU\u00a0disp\u00f5e de importantes contribui\u00e7\u00f5es de\u00a0Ludmila Ab\u00edlio\u00a0a respeito da tem\u00e1tica abordada. Em\u00a0entrevista ao IHU, em dezembro de 2017,\u00a0Ab\u00edlio\u00a0definiu o processo de uberiza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho da seguinte forma:<\/p>\n<p>\u201cA uberiza\u00e7\u00e3o se refere a um processo que tomou grande visibilidade com a entrada da empresa\u00a0Uber\u00a0no mercado e seus milh\u00f5es de motoristas cadastrados pelo mundo (sabemos que no Brasil j\u00e1 s\u00e3o ao menos 500 mil). Mas, em realidade, trata-se de um processo que vai para muito al\u00e9m do\u00a0Uber\u00a0e da economia digital, que \u00e9 novo, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma atualiza\u00e7\u00e3o que conferiu visibilidade a caracter\u00edsticas estruturais do mercado de trabalho brasileiro, assim como a processos que est\u00e3o em jogo no mundo do trabalho h\u00e1 d\u00e9cadas (e que agora, no caso brasileiro, culminam na reforma trabalhista)\u201d. Sendo assim, \u201ca uberiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um novo passo tanto nas terceiriza\u00e7\u00f5es quanto na redu\u00e7\u00e3o do trabalhador \u00e0 pura for\u00e7a de trabalho, dispon\u00edvel, desprotegida, utilizada na exata medida das demandas do mercado\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 constitutivo do neoliberalismo os processos de\u00a0precariza\u00e7\u00e3o no mundo trabalho\u00a0e no caso brasileiro h\u00e1 que se ter em mente que ao menos 50% dos trabalhadores e trabalhadoras sobrevivem na informalidade. Diante desse quadro, para\u00a0Ludmila Ab\u00edlio\u00e9 assustador perceber que a reforma trabalhista tenha passado com pouqu\u00edssima resist\u00eancia. Ao que parece, a grande maioria ainda ignora o impacto dessa reforma na vida de todos os trabalhadores. A reforma trabalhista vai ao encontro do que alguns j\u00e1 t\u00eam chamado de capitalismo de plataforma, o que tem sedimentado cada vez mais um paradigma que fragiliza intensamente a luta pelos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O neoliberalismo, a partir de um discurso de gest\u00e3o econ\u00f4mica e moderniza\u00e7\u00e3o, considera os direitos do trabalho custos a ser suprimidos para que o capital n\u00e3o seja obstru\u00eddo e atue sem limites. Nesse sentido, o conceito de uberiza\u00e7\u00e3o traz \u00e0 tona uma forma de gerenciamento do trabalho que se casa muito bem com aquilo que sempre foi constitutivo do mercado de trabalho brasileiro: a chamada \u201cvira\u00e7\u00e3o\u201d. Para\u00a0Ab\u00edlio, ainda citando a entrevista que concedeu, \u201cgrande parte da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora brasileira \u00e9 feita de um tr\u00e2nsito entre formal e informal, em arranjos cotidianos que envolvem empreendimentos familiares, trajet\u00f3rias profissionais inst\u00e1veis que s\u00e3o tra\u00e7adas pelas oportunidades que envolvem participar de um programa social, acionar a rede de oportunidades que a igreja oferece, lidar com o trabalho no tr\u00e1fico de drogas, ser v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA uberiza\u00e7\u00e3o em realidade quer dizer a forma\u00e7\u00e3o de uma multid\u00e3o de trabalhadores aut\u00f4nomos que deixam de ser empregados, que se autogerenciam, que arcam com os custos e riscos de sua profiss\u00e3o. E que, ao mesmo tempo, se mant\u00eam subordinados, que t\u00eam seu trabalho utilizado na exata medida das necessidades do capital. S\u00e3o nanoempreendedores de si, subordinados e gerenciados por meios e formas mais dif\u00edceis de reconhecer e mapear, por empresas j\u00e1 dif\u00edceis de localizar &#8211; ainda que estas atuem cada vez mais de forma monopol\u00edstica\u201d, amplia a pesquisadora.<\/p>\n<p>Com esta configura\u00e7\u00e3o,\u00a0Ludmila Ab\u00edlio\u00a0chama a aten\u00e7\u00e3o para \u201cuma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o, de controle e gerenciamento do trabalho, a qual conta com o par autogerenciamento\/elimina\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos empregat\u00edcios e regula\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Desse modo, no modelo\u00a0Uber, a empresa se apresenta como uma mediadora entre o trabalhador e o cliente, terceirizando todos os elementos poss\u00edveis considerados custos do trabalho, inclusive deixando para a multid\u00e3o de consumidores o trabalho de avaliar e, automaticamente, controlar a qualidade do servi\u00e7o prestado. \u00c9 uma forma de controle do trabalho que j\u00e1 n\u00e3o passa mais pela regula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas, sim, pela rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a da multid\u00e3o de consumidores.<\/p>\n<p>O que se assiste atualmente \u00e9 uma intensifica\u00e7\u00e3o das formas de explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano, extens\u00e3o do tempo de trabalho e a transfer\u00eancia dos riscos e custos para os trabalhadores, em um cen\u00e1rio de aceleradas mudan\u00e7as e de dif\u00edcil leitura. Na conjuntura atual, em que tal processo de uberiza\u00e7\u00e3o \u00e9 global, cabe aos que procuram resistir \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista do trabalho reler a trajet\u00f3ria de milhares de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, com foco no que est\u00e1 em jogo no s\u00e9culo atual. Aos que olharem atentamente, perceber\u00e3o que, infelizmente, o atual processo de uberiza\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho apenas amplia o que no Brasil j\u00e1 \u00e9 realidade para uma multid\u00e3o que, desde sempre, aprendeu a viver na precariza\u00e7\u00e3o e na inseguran\u00e7a, tendo que fazer malabarismos para sobreviver.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/577779-o-mundo-do-trabalho-em-um-contexto-de-uberizacao<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19345\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[15],"tags":[233],"class_list":["post-19345","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-521","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19345\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}