{"id":1938,"date":"2011-10-07T17:14:37","date_gmt":"2011-10-07T17:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1938"},"modified":"2011-10-07T17:14:37","modified_gmt":"2011-10-07T17:14:37","slug":"o-que-a-copa-e-as-olimpiadas-fazem-pelas-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1938","title":{"rendered":"O que a Copa e as Olimp\u00edadas fazem pelas cidades"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cBilh\u00f5es de d\u00f3lares foram gastos em est\u00e1dios e outras obras, mas n\u00f3s permanecemos em barracos sem energia. Eles pediram para a gente \u201csentir a Copa\u201d [express\u00e3o usada no slogan oficial do evento], mas n\u00f3s n\u00e3o sentimos nada al\u00e9m da dor da pobreza piorada pela dor da repress\u00e3o. O dinheiro que deveria ser gasto urbanizando as comunidades mais pobres foi desperdi\u00e7ado. A Copa do Mundo vai terminar no domingo e n\u00f3s ainda seremos pobres.\u201d<\/p>\n<p>Essa foi a fala de um jovem de Johannesburgo durante a Copa do Mundo de 2010. Reflete o sentimento de muitos sul-africanos em rela\u00e7\u00e3o ao evento.<\/p>\n<p>Eu estive na \u00c1frica do Sul alguns meses antes do in\u00edcio da Copa. Encontrei um pa\u00eds em obras e muita gente reclamando. Mas, quando os jogos come\u00e7am, os problemas costumam ser esquecidos. Passada a euforia do momento, come\u00e7am as discuss\u00f5es sobre os impactos do evento, o uso dos recursos, quem se beneficiou realmente\u2026 e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o n\u00e3o termina, porque acaba emendando nas discuss\u00f5es daqueles que j\u00e1 est\u00e3o preocupados com o futuro das suas cidades que ser\u00e3o sede das pr\u00f3ximas Copas e Olimp\u00edadas. J\u00e1 existem muitas informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e que merecem aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2010, as Na\u00e7\u00f5es Unidas lan\u00e7aram um relat\u00f3rio sobre o impacto das Olimp\u00edadas nas cidades-sede. Os n\u00fameros s\u00e3o chocantes. Seul (1988): 15% da popula\u00e7\u00e3o foi desalojada, 48 mil edif\u00edcios foram destru\u00eddos. Pequim (2008): Um milh\u00e3o e meio de pessoas foram removidas. Atlanta (1996): 15 mil pessoas removidas. E essas remo\u00e7\u00f5es e despejos, na maior parte das vezes, foram feitos de forma violenta e desrespeitando direitos b\u00e1sicos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto direto das obras e de como elas s\u00e3o feitas, tamb\u00e9m h\u00e1 o ponto importante de quem realmente se beneficia com a realiza\u00e7\u00e3o destes eventos. Na \u00c1frica do Sul, por exemplo, muitos homens e mulheres artes\u00e3os, comerciantes, vendedores, trabalhadores, etc, acreditaram que poderiam se beneficiar e aumentar um pouco sua renda durante os jogos. Mas n\u00e3o foi assim. Os pequenos comerciantes e artes\u00e3os n\u00e3o tiveram acesso aos est\u00e1dios e arredores. Um per\u00edmetro de exclusividade foi criado ao redor dos est\u00e1dios. Ali, apenas as grandes redes e marcas poderiam comercializar seus produtos. Resultado: quem lucrou foram as grandes empresas, n\u00e3o os sul africanos.<\/p>\n<p>E falando em est\u00e1dio\u2026 hoje, apenas um ano depois da Copa, j\u00e1 se discute na \u00c1frica do Sul a demoli\u00e7\u00e3o de alguns dos est\u00e1dios constru\u00eddos. O custo da manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 alto demais, n\u00e3o justifica manter o \u201celefante branco\u201d em p\u00e9.<\/p>\n<p>E o que falar dos gastos? A Copa da \u00c1frica do Sul acabou custando 17 vezes mais do que o previsto inicialmente. Cidades que foram sede de mega eventos se endividaram al\u00e9m de suas capacidades e passaram muitos anos pagando a conta. \u00c8 o caso de Atenas (2004) e Montreal (1976) que sediaram os Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>Quanto mais investigamos, mais vemos cen\u00e1rios desanimadores. Mas, como disse o cientista pol\u00edtico Antonio Gramsci, n\u00e3o devemos ficar apenas no pessimismo da raz\u00e3o. Devemos ter o otimismo da vontade.<\/p>\n<p>O otimismo da minha vontade diz que \u00e9 poss\u00edvel trilhar outros caminhos em que a realiza\u00e7\u00e3o de megaeventos esportivos promova inclus\u00e3o social, gere renda e diminua desigualdades. Mas o caminho que leva a esse legado \u00e9 o caminho da participa\u00e7\u00e3o popular, da transpar\u00eancia, do controle social sobre as pol\u00edticas e uso de recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O Brasil e o Rio de Janeiro podem aprender muito com outras experi\u00eancias e escolher um caminho melhor para a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo em 2014 e das Olimp\u00edadas em 2016.<\/p>\n<p>Extra\u00eddo do blog do Juca Kfouri:<\/p>\n<p><a href=\"about:blank\">http:\/\/blogdojuca.uol.com.br\/2011\/10\/o-que-copa-e-olimpiadas-fazem-pelas-cidades\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: perlbal.hi-pi.com\/\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor RENATA NEDER, da ONG Action Aid\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1938\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[123],"tags":[],"class_list":["post-1938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c136-copa-para-quem"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-vg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}