{"id":19389,"date":"2018-04-17T16:06:13","date_gmt":"2018-04-17T19:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19389"},"modified":"2018-04-17T16:06:13","modified_gmt":"2018-04-17T19:06:13","slug":"em-10-anos-numero-de-negros-assassinados-na-bahia-cresce-118","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19389","title":{"rendered":"Em 10 anos, n\u00famero de negros assassinados na Bahia cresce 118%"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.almapreta.com\/images\/2018\/04\/Bahia_Genocidio_negro_Corpo.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->MTST &#8211; 10\/04\/2018<\/p>\n<p>Estado tem o \u00edndice mais elevado, em n\u00fameros absolutos, de negros assassinados no pa\u00eds, quantia que chega ao o dobro da de S\u00e3o Paulo. Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia diz que n\u00e3o utiliza o marcador racial na preven\u00e7\u00e3o dos crimes e na contagem das v\u00edtimas de homic\u00eddio<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia de 2017, 5.446 negros foram v\u00edtimas de homic\u00eddio na Bahia, em 2015. Os dados por ra\u00e7a apresentados ao\u00a0Alma Preta\u00a0pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostram que a quantidade de pretos e pardos assassinados no estado da regi\u00e3o Nordeste representa 13% do total de negros assassinados no Brasil naquele ano, quando o n\u00famero chegou a 41.592.<\/p>\n<p>Em 2005, quando os n\u00fameros come\u00e7aram a ser contabilizados, a Bahia ficava atr\u00e1s em n\u00famero de negros v\u00edtimas de homic\u00eddio de estados como Rio de Janeiro, com 4.658 assassinatos, S\u00e3o Paulo, 3.734, Pernambuco, 3.517, e Minas Gerais, com 2.870.<\/p>\n<p>Os dados na Bahia daquele ano foram de 2.380 pretos e pardos assassinados, quem comp\u00f5em o grupo racial negro, segundo o IBGE. A marca de 5.446 assassinatos representa um crescimento de 118%, entre 2005 e 2015, no n\u00famero de negros v\u00edtimas de homic\u00eddio na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Rosalina Ad\u00e3o, autora da obra \u201c<em>Territ\u00f3rios de Morte: Homic\u00eddio, Ra\u00e7a e Vulnerabilidade Social na Cidade de S\u00e3o Paulo<\/em>\u201d, descreve poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para o aumento das taxas no estado da Bahia tanto no campo da seguran\u00e7a quanto na esfera das pol\u00edticas p\u00fablicas governamentais a n\u00edvel regional e federal.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>O acesso \u00e0s armas de fogo, o tr\u00e1fico de drogas il\u00edcitas e as disputas pelo controle dos pontos de distribui\u00e7\u00e3o e venda de drogas, o aumento de policiamento violento e repressivo; a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia e seguran\u00e7a p\u00fablica s\u00e3o fatores que contribuem para o aumento dos \u00edndices de homic\u00eddio<\/em>\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Eduardo Ribeiro, coordenador da Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica sobre Drogas (INNPD), tamb\u00e9m cr\u00edtica a inefic\u00e1cia no registro de casos de morte no Brasil, o que pode implicar na subnotifica\u00e7\u00e3o de diversas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma dificuldade de organiza\u00e7\u00e3o desses dados. Isso tem a ver com o n\u00edvel de relev\u00e2ncia das mortes negras para o Estado brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>A autora do livro, Cl\u00e1udia Rosalina Ad\u00e3o, tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a dificuldade de conhecer, de mais maneira mais aprofundada, a viol\u00eancia contra a comunidade negra na regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAinda s\u00e3o escassos os estudos sobre as condicionantes da evolu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios na regi\u00e3o Nordeste com recorte racial\u201d.<\/p>\n<p>A Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia, em resposta ao\u00a0Alma Preta\u00a0sobre o assassinato de negros, disse que \u201cas investiga\u00e7\u00f5es das mortes ocorridas no estado, bem como as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia s\u00e3o adotadas independentemente da cor da pele das v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o de seguran\u00e7a aponta o tr\u00e1fico de drogas como o respons\u00e1vel por grande parte dessas execu\u00e7\u00f5es e afirma que o governo do estado desenvolve projetos sociais nas comunidades.<\/p>\n<p>\u201cA SSP promove in\u00fameras a\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de projetos sociais e prote\u00e7\u00e3o aos jovens, como o Programa Educacional de Resist\u00eancias \u00e0s Drogas e \u00e0 Viol\u00eancia (PROERD), presente em boa parte dos munic\u00edpios baianos, ampliando a discuss\u00e3o sobre o assunto nas escolas\u201d.<\/p>\n<p>A Secretaria tamb\u00e9m reitera que \u201cdezenas de projetos s\u00e3o desenvolvidos nas Bases Comunit\u00e1rias de Seguran\u00e7a, oferecendo lazer, esporte, educa\u00e7\u00e3o e conhecimento em localidades carentes de servi\u00e7os b\u00e1sicos e comumente utilizados pelo tr\u00e1fico de drogas para a conquista dos jovens\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Viol\u00eancia destacada na regi\u00e3o Nordeste<\/strong><\/h4>\n<p>A Bahia, apesar de ser onde h\u00e1 a maior taxa de negros assassinados em n\u00fameros absolutos, n\u00e3o \u00e9 o estado que registrou o maior crescimento no n\u00famero de negros assassinados.<\/p>\n<p>O estado com o aumento mais alarmante foi o Rio Grande do Norte, que saiu dos 275 casos em 2005, para 1.283, em 2015, crescimento de 366% do \u00edndice.<\/p>\n<p>Outros estados que lideram o aumento nas taxas de homic\u00eddio de negros s\u00e3o o Cear\u00e1, com o crescimento de 198%, saindo de 760 para 2.272 negros assassinados, o Maranh\u00e3o, com 173%, saindo de 774 para 2.118 negros executados, e Sergipe, com 253%, saindo de 345 para 1.221 afrodescendentes v\u00edtimas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>Ana Cl\u00e1udia Rosalina cr\u00edtica a exist\u00eancia de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de fortalecimento do mercado e sucateamento do servi\u00e7o p\u00fablico como uma ferramenta de exclus\u00e3o da comunidade negra no campo social.<\/p>\n<p>\u201cA ado\u00e7\u00e3o do neoliberalismo, al\u00e9m de enfraquecer as pol\u00edticas p\u00fablicas, aumentou o processo de exclus\u00e3o que j\u00e1 existia e acentuou as condi\u00e7\u00f5es que levam a produ\u00e7\u00e3o da morte nas periferias. H\u00e1 nesse contexto a crescente necessidade de exclus\u00e3o social e elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos grupos que n\u00e3o se adaptam \u00e0 agenda neoliberal. As imagens e os n\u00fameros que cercam as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o negra na regi\u00e3o nordeste estampam essa din\u00e2mica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Quedas no Sudeste<\/strong><\/h4>\n<p>Estados com destaque na regi\u00e3o Sudeste tiveram aumentos mais t\u00edmidos ou at\u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00fameros com rela\u00e7\u00e3o a 2005.<\/p>\n<p>Minas Gerais teve um crescimento da ordem de 14%, com 3.300 mortes negras em 2015, enquanto o Rio de Janeiro apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de 24,5%, com 3.517 assassinatos em 2015, e S\u00e3o Paulo uma redu\u00e7\u00e3o de 32%, com 2.537 homic\u00eddios de negros.<\/p>\n<p>A queda mais acentuada, em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o pode ser creditada ao governo estadual, segundo Cl\u00e1udia Rosalina Ad\u00e3o. Ela enxerga no per\u00edodo um enfraquecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social, fatores que costumam ser respons\u00e1veis pela queda das taxas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>Com base no pesquisador canadense Graham Willis, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, Cl\u00e1udia apresenta outra resposta.<\/p>\n<p>\u201cEle argumenta que em geral, a queda de 73% nos homic\u00eddios no estado desde 2001, \u00e9 muito brusca para ser explicada por fatores de longo prazo como avan\u00e7os socioecon\u00f4micos e mudan\u00e7as na pol\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>Para Graham Wills, n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas nas periferias de S\u00e3o Paulo no in\u00edcio dos anos 2000. O pesquisador canadense afirma que \u00e9 nesse per\u00edodo que o PCC ramifica sua atua\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo, e se estabiliza como presente no cotidiano das periferias do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Rosalina acredita que essa diminui\u00e7\u00e3o se deve mais por a\u00e7\u00e3o \u201cdo crime organizado, do que por pol\u00edticas efetivas do Estado. O PCC atua como um regulador da viol\u00eancia, da vida e da morte nas periferias\u201d.<\/p>\n<p>Questionada sobre a exist\u00eancia de um genoc\u00eddio negro tamb\u00e9m no estado de S\u00e3o Paulo, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) preferiu destacar a diminui\u00e7\u00e3o da letalidade policial no territ\u00f3rio paulista.\u00a0O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m informa que o combate aos crimes contra a vida faz S\u00e3o Paulo ter a menor taxa de homic\u00eddios do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas de combate aos crimes contra a vida permitiram que o Estado atingisse o \u00edndice de 7,86 casos por 100 mil habitantes, patamar mais baixo da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2001, com redu\u00e7\u00e3o de 76,4% desde ent\u00e3o. A m\u00e9dia do pa\u00eds \u00e9 de 25,7 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, de acordo como anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>No que tange \u00e0 seletividade racial, a assessoria de imprensa tamb\u00e9m ressalta a queda da vitimiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra por conta da a\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>\u201cDe acordo com o estudo, houve redu\u00e7\u00e3o de 72% da vitimiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra por armas de fogo em S\u00e3o Paulo, sendo que em 2014, a taxa chegou a 10,3 pessoas negras por grupo de 100 mil. Em 2003, o patamar era de 36,2 indiv\u00edduos. O Atlas da Viol\u00eancia 2017, divulgado em junho pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e pelo Ipea, mostra que S\u00e3o Paulo \u00e9 o Estado com menor taxa de homic\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o negra do pa\u00eds: a taxa, em 2015, foi de 15,4 pessoas por 100 mil habitantes, patamar 59% abaixo da m\u00e9dia nacional\u201d.<\/p>\n<p><em>Por Pedro Borges<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.almapreta.com\/editorias\/realidade\/em-10-anos-numero-de-negros-assassinados-na-bahia-cresce-118<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19389\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[244],"tags":[222],"class_list":["post-19389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-52J","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}