{"id":19392,"date":"2018-04-17T16:09:17","date_gmt":"2018-04-17T19:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19392"},"modified":"2018-04-18T20:49:50","modified_gmt":"2018-04-18T23:49:50","slug":"assassinatos-no-campo-subiram-105-desde-2003","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19392","title":{"rendered":"Assassinatos no campo subiram 105% desde 2003"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/835\/41506456101_bfe372f9c6_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Mais um ativista foi assassinado enquanto a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra se preparava para divulgar o relat\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>Por Vin\u00edcius Mansur<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/04\/16\/assassinatos-no-campo-subiram-105-desde-2003-aponta-cpt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil de Fato<\/a>. Rio de Janeiro (RJ)<\/p>\n<p>Enquanto a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) se preparava para divulgar, nesta segunda-feira (16), os n\u00fameros de assassinatos por conflitos no campo no Brasil em 2017, mais um corpo foi encontrado.<\/p>\n<p>No \u00faltimo domingo (15), o l\u00edder quilombola Nazildo dos Santos Brito, 33 anos, foi encontrado morto com tiros na cabe\u00e7a e na costela, na Comunidade de Remanescentes de Quilombo Tur\u00ea III, na divisa dos munic\u00edpios de Tom\u00e9-A\u00e7u e Acar\u00e1, no nordeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia investiga o caso e suspeita que o crime tenha motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nazildo era amea\u00e7ado de morte por denunciar crimes ambientais.<\/p>\n<p><strong>Aumentam as mortes<\/strong><\/p>\n<p>Os dados da CPT, divulgados nesta segunda-feira (16), demonstram que essa realidade s\u00f3 se agrava desde 2013, quando foram registrados 34 assassinatos. Em 2017, esses n\u00fameros cresceram 105%, chegando a 70 execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com 2016, houve crescimento de 16%. Os dados ainda podem ser ainda piores, j\u00e1 que as mortes de 10 ind\u00edgenas isolados do Vale do Javari (AM), em julho e agosto de 2017, ainda n\u00e3o foram confirmadas como assassinatos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Amazonas e Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).O coordenador nacional da CPT, Ruben Siqueira, destaca que a viol\u00eancia no campo brasileiro \u00e9 uma constante, conforme demonstram os levantamentos que a entidade faz desde 1985.<\/p>\n<p><strong>Ofensiva empresarial<\/strong><\/p>\n<p>Siqueira avalia que a curva ascendente de assassinatos a partir de 2013 est\u00e1 relacionada com a ofensiva empresarial por terras no Brasil. \u201cA gente est\u00e1 interpretando como uma nova corrida \u00e0 terra. A terra como meio de produ\u00e7\u00e3o, como reserva de valor, como madeira, \u00e1gua, min\u00e9rio, possibilidades de agroneg\u00f3cio, de expans\u00e3o do neg\u00f3cio em torno da terra. Isso tem a ver com a crise econ\u00f4mica, cuja origem em 2008 foi o estouro da bolha especulativa. De l\u00e1 pra c\u00e1, eles, o setor hegem\u00f4nico do capitalismo hoje, que \u00e9 o capital financeiro, procura um lastro, uma base que d\u00ea um m\u00ednimo de garantia para essa banca do jogo internacional de especula\u00e7\u00e3o\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Entre os mortos computados pela CPT est\u00e3o trabalhadores rurais sem-terra, ind\u00edgenas, quilombolas, posseiros, pescadores e assentados da reforma agr\u00e1ria. O estado do Par\u00e1 lidera o ranking com 21 pessoas assassinadas em 2017. Em segundo vem Rond\u00f4nia, com 17, seguido por Bahia, com 10, e Mato Grosso, com 9.<\/p>\n<p>O levantamento da CPT tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para o retorno dos massacres. Em 2017, foram registrados quatro, que resultaram em 28 mortes ou 40% do total daquele ano. Eles aconteceram em Colniza (MT), Vilhena (RO), Pau D`Arco (PA) e Len\u00e7\u00f3is (BA).<\/p>\n<p>Siqueira afirma que a CPT n\u00e3o registrava um n\u00famero t\u00e3o grande de assassinatos em escala desde 1987, quando foram registrados seis massacres.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/854\/41464781012_9e75e32117_o.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p><strong>Licen\u00e7a para matar<\/strong><\/p>\n<p>Em 2016, por exemplo, nenhum crime deste tipo ocorreu. A CPT classifica como massacres os casos em que pelo menos 3 pessoas s\u00e3o mortas, na mesma ocasi\u00e3o e pelos mesmos motivos.<\/p>\n<p>\u201cA volta e a grande incid\u00eancia desse n\u00famero, 28 massacrados em quatro chacinas, t\u00eam a ver com esse clima que n\u00f3s vivemos no pa\u00eds de que tudo \u00e9 poss\u00edvel. Ou\u00a0Estado est\u00e1 ausente, ou ele \u00e9 indutor de uma liberdade, que n\u00e3o \u00e9 liberdade, na verdade, \u00e9 uma licen\u00e7a para matar e fazer o que quiser\u201d, opinou Siqueira.<\/p>\n<p>Os registros feitos pela CPT desde 1985 apontam a ocorr\u00eancia de 1.438 casos de conflito no campo que deixaram 1.904 v\u00edtimas at\u00e9 2017. Destes, apenas 113 foram julgados, o que corresponde a 8% dos casos.<\/p>\n<p>Ruben Siqueira informou, ainda, que os dados completos do relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2017 n\u00e3o puderam ser lan\u00e7ados nesta semana, em que se comemora o Dia Internacional de Luta Camponesa, porque os servidores da CPT foram atacados por hackers no final do ano passado. A Pol\u00edcia Federal est\u00e1 investigando o caso e o relat\u00f3rio completo dever\u00e1 ser lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Katarine Flor<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: A impunidade \u00e9 um dos fatores que fortalece a continuidade de crimes a lideran\u00e7as rurais. \/ Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/04\/16\/assassinatos-no-campo-subiram-105-desde-2003-aponta-cpt\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19392\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[118],"tags":[222,219],"class_list":["post-19392","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c131-reforma-agraria","tag-2b","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-52M","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19392\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}