{"id":19435,"date":"2018-04-21T20:53:11","date_gmt":"2018-04-21T23:53:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19435"},"modified":"2018-04-21T20:53:11","modified_gmt":"2018-04-21T23:53:11","slug":"a-mulher-negra-e-a-luta-organizada-contra-o-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19435","title":{"rendered":"A mulher negra e a luta organizada contra o capital"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NGbF99nDLvs?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><!--more--><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/anamontenegrobahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Via Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro- Bahia<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A mulher negra sente na pele o que h\u00e1 de pior no capitalismo. Estamos nos piores empregos, temos os sal\u00e1rios mais baixos, mesmo realizando trabalhos iguais. Somos tamb\u00e9m a maioria que morre por viol\u00eancia dom\u00e9stica e pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es do sistema de sa\u00fade. O machismo e o racismo se juntam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>ORGANIZE-SE!<br \/>\nVENHA CONHECER O COLETIVO FEMINISTA CLASSISTA ANA MONTENEGRO.<\/p>\n<p>Confira nossa nota:<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual das mulheres negras no Brasil e nas Am\u00e9ricas traz as marcas da escravid\u00e3o moderna, a qual foi submetida parte da popula\u00e7\u00e3o africana. Tirados for\u00e7osamente de suas terras, trazidos em navios negreiros onde muitos morreram, comercializados para trabalhos pesados e obrigat\u00f3rios nas grandes planta\u00e7\u00f5es, as mulheres e homens negros eram vistos e tratados como animais. Para os donos de escravos, n\u00e3o haviam distin\u00e7\u00f5es entre sexos para a realiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos e eram cobrados das mulheres escravizadas a mesma quantidade de trabalho que os homens, mesmo quando gr\u00e1vidas. Enquanto nos castigos, as mulheres al\u00e9m de sofrerem toda forma de viol\u00eancia f\u00edsica, ainda sofriam viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s ser abolida a escravid\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o teve nenhuma garantia ou mudan\u00e7a efetiva da sua condi\u00e7\u00e3o de vida. Viviam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, sem direito a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradias dignas e qualquer prote\u00e7\u00e3o social. Continuaram submetidos aos trabalhos mais subalternos e penosos.<\/p>\n<p>No Brasil, com o crescimento das cidades, as mulheres e homens negros foram expulsos para as periferias, ficando expostos \u00e0 falta de infraestrutura urbana, servi\u00e7os b\u00e1sicos e com maiores dificuldades para acesso \u00e0 trabalho. Essa ainda \u00e9 uma realidade do pa\u00eds: negras e negros formam fileiras nos postos de trabalhos mais precarizados e nas filas do desemprego. Hoje 63,7% dos desempregados no Brasil fazem parte da popula\u00e7\u00e3o negra, o que representa 8,3 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>A mulher negra continua ocupando os trabalhos que se assemelham aos j\u00e1 desempenhados nos anos de escravid\u00e3o, como limpeza, alimenta\u00e7\u00e3o e cuidados. E com o pacote de contrarreformas do governo golpista de Temer, as mulheres negras ser\u00e3o as mais atingidas. Elas recebem cerca de 60% menos que homens brancos, est\u00e3o nos postos de trabalho precarizados e informais e, possuem hoje a expectativa de vida de 60 anos. Se aprovada a PEC 287 da Reforma da Previd\u00eancia, mulheres negras n\u00e3o ir\u00e3o se aposentar!<\/p>\n<p>N\u00e3o bastando, segundo pesquisas do Mapa da Viol\u00eancia, as mulheres negras s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de viol\u00eancia. A vida e o corpo das mulheres negras s\u00e3o diariamente golpeados pela viol\u00eancia, como podemos ver pelas taxas de feminic\u00eddio aumentaram em 20%, por\u00e9m as mulheres negras s\u00e3o as que mais morrem, atingindo um aumento de 54%. S\u00e3o tamb\u00e9m as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia dom\u00e9stica representando cerca 58,68% e s\u00e3o as mais atingidas pela viol\u00eancia obst\u00e9trica com 65,4% com morte da m\u00e3e em 53,6% dos casos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ataques acima citados, voltando nosso olhar para o sistema carcer\u00e1rio, cerca de 61,6% de sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por negros. Isso representa a pol\u00edtica antidrogas racista que v\u00eam sendo imposta \u00e0 classe trabalhadora jovem, matando diariamente nossa popula\u00e7\u00e3o. Essa realidade tamb\u00e9m \u00e9 vista para as mulheres, pois no ano de 2014, 92% das mulheres presas na Bahia eram negras. Estudos mostram que 78,9% que mais tem chance de serem v\u00edtimas de homic\u00eddio \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o jovem e negra. Segundo o atlas da viol\u00eancia de 2017, a cada 100 pessoas assassinadas, 71 s\u00e3o negras. Isso somente aqui no Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso combater o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre que atinge o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>As mulheres negras representam hoje a maior parte da classe trabalhadora brasileira. As pautas contra o racismo e machismo devem caminhar lado a lado com a luta contra o capitalismo. Pois \u00e9 o capitalismo que, assegurado pelo Estado burgu\u00eas, legitima a explora\u00e7\u00e3o do trabalho e a viol\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>\u201cQuando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo \u00e9 desestabilizado a partir da base da pir\u00e2mide social onde se encontram as mulheres negras, muda-se a base do capitalismo\u201d.<br \/>\nAngela Davis<\/p>\n<p>Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro &#8211; Bahia<\/p>\n<p>http:\/\/<wbr \/>anamontenegro.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19435\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[221],"class_list":["post-19435","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-53t","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19435\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}