{"id":19437,"date":"2018-04-22T16:52:12","date_gmt":"2018-04-22T19:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19437"},"modified":"2018-04-23T03:50:09","modified_gmt":"2018-04-23T06:50:09","slug":"capital-produtivo-e-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19437","title":{"rendered":"&#8220;Capital produtivo&#8221; e imperialismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zun.com.br\/fotos\/2011\/10\/Logos-de-empresas.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Jones Manoel*<\/p>\n<p>&#8220;Meu governo vai apoiar o capital produtivo, de qualquer porte, para desenvolver o pa\u00eds. Tenho prefer\u00eancia ideol\u00f3gica pelo pequeno capital, mas no meu governo, vamos tratar todos de forma igual, combatendo o rentismo que est\u00e1 matando o pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Esse trecho acima \u00e9 de uma entrevista de Ciro Gomes ao Canal Livre da Rede Band. Ciro repete, insistentemente, que o maior problema do Brasil \u00e9 o &#8220;rentismo&#8221; e por isso \u00e9 necess\u00e1ria uma grande uni\u00e3o nacional entre &#8220;o Brasil que produz e o Brasil que trabalha&#8221; para desenvolver o pa\u00eds em um grande projeto nacional. Esse discurso \u00e9 um c\u00f3pia e cola do programa petista de 2002, mas isso n\u00e3o \u00e9 o mais importante. Vamos pensar um pouco sobre esse argumento.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o &#8220;capital produtivo de qualquer porte&#8221; no Brasil? Como todo pa\u00eds dependente e perif\u00e9rico, nossa economia \u00e9 dominada pelos monop\u00f3lios imperialistas chamados, normalmente, de multinacionais. Em basicamente todos os setores da economia o capital estrangeiro \u00e9 presen\u00e7a forte e com tend\u00eancias de crescimento. Nos ramos da economia ditas de &#8220;capital produtivo&#8221;, qual seja, ind\u00fastria, qu\u00edmica, minera\u00e7\u00e3o, sider\u00fargica, produ\u00e7\u00e3o de alimentos, t\u00eaxteis, bebidas etc, o ritmo da desnacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 absurdo.<\/p>\n<p>Pois bem, para adensar ainda mais o argumento, o anu\u00e1rio da revista Exame (dispon\u00edvel no site para assinantes), listando as 100 maiores empresas do Brasil, afirma que &#8220;45 s\u00e3o multinacionais (portanto 100% estrangeiras) e 31 empresas s\u00e3o de capital nacional associadas com multinacionais e bancos estrangeiros. Apenas 18 empresas privadas do total s\u00e3o 100% de capital nacional&#8221;. A maioria dessas empresas 100% nacionais est\u00e3o no ramo da constru\u00e7\u00e3o civil &#8211; Odebrecht, Camargo Correia etc. &#8211; porque, nos anos 60, o ditador Costa e Silva implementou decreto-lei (v\u00e1lido at\u00e9 hoje) criando uma reserva de mercado para as construtoras como um dos principais pr\u00eamios por sua participa\u00e7\u00e3o no golpe militar.<\/p>\n<p>O &#8220;capital produtivo&#8221; funcionando no Brasil \u00e9 a Volkswagen, Ford, Fiat, Nestl\u00e9, Nokia, Sony etc. Pois bem, qual \u00e9 a agenda pol\u00edtica e econ\u00f4mica dessas multinacionais? Destrui\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios e das regula\u00e7\u00f5es ambienteis, liberaliza\u00e7\u00e3o da economia (garantindo, dentre outras coisas, sua livre remessa de lucros para fora), fragiliza\u00e7\u00e3o da soberania nacional, aus\u00eancia de tributa\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica dos pa\u00edses perif\u00e9ricos etc. Nunca \u00e9 demais lembrar que todos esses monop\u00f3lios imperialistas tiveram papel destacado nos golpes militares que sangraram a Am\u00e9rica Latina d\u00e9cadas atr\u00e1s. A Volkswagen, por exemplo, era t\u00e3o fan\u00e1tica pela ditadura empresarial-militar que emprestava ao regime brasileiro suas instala\u00e7\u00f5es para realiza\u00e7\u00e3o de se\u00e7\u00f5es de tortura.<\/p>\n<p>Ainda segundo o anu\u00e1rio da Revista Exame, &#8220;de cada R$ 10 faturados no Brasil em 2016, R$ 4 ficaram com estas 100 maiores empresas&#8221;. Isso significa que as decis\u00f5es de investimento, prioridades produtivas, uso de ci\u00eancia e tecnologia &#8211; para ficar em apenas alguns exemplos \u2013 est\u00e3o, majoritariamente, nas m\u00e3os dos monop\u00f3lios estrangeiros sobre os quais o Estado brasileiro tem baix\u00edssimo n\u00edvel de controle.<\/p>\n<p>Esses monop\u00f3lios apoiam um &#8220;projeto nacional de desenvolvimento&#8221;? De forma alguma. Dizer ao contr\u00e1rio \u00e9, no melhor dos casos, uma ilus\u00e3o ing\u00eanua e, no pior, um del\u00edrio reacion\u00e1rio. Qualquer projeto nacional tem que enfrentar a quest\u00e3o da remessa de lucros (impondo limites) e obrigar as multinacionais aqui instaladas a fazer transfer\u00eancia de tecnologia \u2013 como a China, muito citada por Ciro Gomes, o faz de maneira exemplar. O \u00faltimo presidente brasileiro que lutou por isso foi Jo\u00e3o Goulart e sabemos qual foi a rea\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios nacionais e estrangeiros. Ou se enfrentam esses monop\u00f3lios, combatendo seu dom\u00ednio sobre a economia, ou n\u00e3o existe projeto de soberania nacional cr\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 concilia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel nesse terreno.<\/p>\n<p>Muitos amigos\/as elogiam a capacidade de debate de Ciro Gomes. Considerando a mis\u00e9ria da pol\u00edtica brasileira, ele realmente se destaca, mas n\u00e3o resiste a um debate s\u00f3lido. Sua compreens\u00e3o da estrutura de classes e da din\u00e2mica econ\u00f4mica do capitalismo brasileiro est\u00e1 totalmente equivocada.<\/p>\n<p>*Militante do PCB de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19437\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[226],"class_list":["post-19437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-53v","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}