{"id":19458,"date":"2018-04-24T20:42:27","date_gmt":"2018-04-24T23:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19458"},"modified":"2018-04-24T20:42:27","modified_gmt":"2018-04-24T23:42:27","slug":"guerra-social-e-guerra-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19458","title":{"rendered":"Guerra social e guerra imperialista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/IqnjTFW4sy1T0Nujwl5V_DBHbbQG9vthVi4RgsOlRa6xCwcVtlJ1TWM_H-lkFWN5G8BaUBq1IHlTmcZguU2OqpYhEgccLvckgLTWs12HP-Fd4nSjSYBJiBbelKo8vr1kDHDuzOEPGlb52JPROOEB4AWPOOEG5-DyPmwPXiWnIu7PRl-S31tZ_isJLARgx2lQhcYWOFq4rSFwemPVK6rrnYvQYPwgkQqFfb0bRmmH2BtPoSKuUbWMAIfpXTlPSwe9rhdTUNEXbYlBIHMPDD2zf8dcb1a7vTSxYDudjtnYSYyk6aqeQP3gX2NKvl0Dl5r2KnXYCrh0fIlvHuCeru62Gpd_MFdCSZsb0gXXI1eyEiagjGCLyDBt11jzN29Jtx15JKKithDGZoB8UD080ybtR5Hx_TH56M4eKksv8DLAbQLgzygA8MfF7ung3auelEwTIuPOfxPHvg1UbT4xcvx4dTNopVmQZpffev4nC49KrqgGlRSPt1Of17S0-9b16eMx6iS5alw5lGcgS1dGyy3Z9k7oBTjkTVg3fzTxpCmpwx_XB3lAfb3mSB0ReNpP2xT4CqLaJWyJeHCpMB_EiIIHAvAkRI0IsQ8krz8HcZd9jvsDTa89PWnu66rKitu9CpUd-CqLEzch1FJvcSXzeG1khG8s2b9hrIFsJg=w944-h629-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->R\u00e9my Herrera<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.odiario.info\/guerra-social-e-guerra-imperialista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ODiario.info<\/a><\/p>\n<p>Um novo ponto da situa\u00e7\u00e3o em Fran\u00e7a. As lutas prosseguem em v\u00e1rias frentes, e pode abrir-se alguma perspectiva da sua converg\u00eancia. Macron responde com a repress\u00e3o e com a tentativa de encena\u00e7\u00e3o de um \u00abdi\u00e1logo direto com o povo\u00bb. Ao mesmo tempo que promove a guerra social contra trabalhadores e estudantes, interv\u00e9m ativamente na agress\u00e3o imperialista contra a S\u00edria. Duas faces da mesma moeda.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a est\u00e1 habituada a greves e manifesta\u00e7\u00f5es. Mas neste in\u00edcio de primavera a atmosfera est\u00e1 invulgarmente pesada, tensa. Os discursos presidenciais e midi\u00e1ticos afirmando que a ordem est\u00e1 em vias de ser restabelecida s\u00e3o demasiado frequentes para que possamos estar seguros de que nada de s\u00e9rio esteja em prepara\u00e7\u00e3o. Os descontentamentos subiram de tom nas \u00faltimas semanas. Gra\u00e7as a Macron, principalmente, que diz estar ouvindo os protestos e aparece dialogando com os que o interpelam em particular, mas que faz espancar tudo o que mexe.<\/p>\n<p>Em meados de abril, enviou 2.500 militares para evacuar uma centena de ativistas da \u00abzona a defender\u00bb (ZAD) em Notre-Dame-des-Landes, no oeste do pa\u00eds. Esses militantes, ligados a movimentos ecologistas e aut\u00f4nomos (extrema-esquerda) tinham a\u00ed impedido a constru\u00e7\u00e3o de um aeroporto e permaneciam no local, transformado em ocupa\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, procurando espa\u00e7os agr\u00edcolas alternativos, coletivos, e recusando a propriedade individualizada. No dia seguinte \u00e0 interven\u00e7\u00e3o, os \u00abzadistas\u00bb tinham multiplicado por cinco o n\u00famero dos que afrontavam as for\u00e7as da ordem. Na mesma altura, Macron lan\u00e7ava a pol\u00edcia de choque para desalojar os estudantes que ocupavam a Sorbonne e Tolbiac para protestar contra a \u00abreforma educativa\u00bb. Foram de imediato ocupadas, ou reocupadas, outras universidades, como em Nanterre \u2013 e mesmo Sciences Po, grande escola em que o Presidente da Rep\u00fablica se diplomou. Em Lille, os estudantes tiveram que encaminhar-se para os exames entre duas alas de pol\u00edcias.<\/p>\n<p>Os manifestantes parisienses da jornada de a\u00e7\u00e3o interprofissional de 19 de abril \u2013 organizada pela CGT e mobilizando 300.000 pessoas em todo o pa\u00eds \u2013 tiveram direito a canh\u00f5es de \u00e1gua e granadas lacrimog\u00e9neas quando nada de grave o justificava. \u00c0 falta de apoio popular, o Presidente entende demonstrar a sua for\u00e7a enviando a tropa contra as resist\u00eancias pacifistas. Apoiado pela alta finan\u00e7a, tem raz\u00f5es para se sentir forte. T\u00e3o forte que p\u00f4de declarar a guerra social. E pode desafiar o povo, em nome das \u00abreformas necess\u00e1rias\u00bb, e desprezando o di\u00e1logo social. Hoje o que Macron quer \u00e9 quebrar a coluna vertebral do movimento oper\u00e1rio; a come\u00e7ar pelos ferrovi\u00e1rios, na primeira linha de defesa do servi\u00e7o p\u00fablico, e que proporcionaram uma cristaliza\u00e7\u00e3o das contesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tal como Thatcher, na sua altura, tinha quebrado os mineiros. Entretanto, no 3 de abril passado, primeiro dos 36 dias de \u00abgreve intermitente\u00bb na SNCF anunciados em n\u00edvel nacional pelos sindicatos de ferrovi\u00e1rios, a dire\u00e7\u00e3o da Eurostar (empresa ferrovi\u00e1ria anglo-francesa que tem a seu cargo os comboios de alta velocidade entre a Fran\u00e7a e o Reino Unido, atrav\u00e9s do t\u00fanel sob a Mancha), tentou deslocar funcion\u00e1rios do dep\u00f3sito de Leyton (leste de Londres) para Paris. Por meio de uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre a CGT e o RMT (sindicato brit\u00e2nico dos transportes), os oper\u00e1rios franceses e brit\u00e2nicos organizaram-se e impediram os patr\u00f5es de quebrar \u2013 ilegalmente \u2013 a greve em Fran\u00e7a com recurso a trabalhadores brit\u00e2nicos. Ficou feita a demonstra\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia da solidariedade internacional entre trabalhadores.<\/p>\n<p>No momento presente o que est\u00e1 em causa \u00e9 de vulto. Confrontam-se duas vis\u00f5es da sociedade: uma, apresentada como \u00abultrapassada\u00bb, \u00e9 a da solidariedade, da justi\u00e7a social, da esperan\u00e7a reencontrada para a juventude, de um futuro em comum; a outra, neoliberal, estrat\u00e9gia das elites, tem o fracasso garantido e lan\u00e7a a maioria da popula\u00e7\u00e3o num beco sem sa\u00edda. Por quanto mais tempo ir\u00e1 esta maioria \u2013 o mundo do trabalho \u2013 recuar face a esta minoria de privilegiados que a esmaga?<\/p>\n<p>No dia 19 os setores da qu\u00edmica, da eletricidade e do g\u00e1s entraram na batalha. Ser\u00e1 uma guerra de resist\u00eancia. A quest\u00e3o colocada neste 19 de abril \u00e9 a que \u00e9 necess\u00e1ria: como encontrar nas lutas as condi\u00e7\u00f5es para a sua converg\u00eancia? Apesar das divis\u00f5es sindicais \u2013 nas quais as jovens gera\u00e7\u00f5es descobrem aquilo que os mais velhos sabem h\u00e1 muito: que as franjas social-democratas traem os trabalhadores \u2013 est\u00e1 em vias de se desenhar uma frente do trabalho. \u00c9 certo que, de momento, as for\u00e7as da esquerda pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura dos desafios. Para todos, a recusa de discutir ou colocar em causa o euro e o colete-de-for\u00e7as europeu entrava o futuro. Apenas esta inorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda permite ainda aos burgueses dormir mais ou menos tranquilamente. Emboscada, a extrema-direita observa.<\/p>\n<p>E, tal como a Fran\u00e7a mon\u00e1rquica conquistou a Arg\u00e9lia esmagando as suas revolu\u00e7\u00f5es de 1830 e 1848, faltava uma guerra imperialista para acompanhar a guerra social. Cantando-nos a can\u00e7\u00e3o das \u00abarmas qu\u00edmicas\u00bb antes entoada por Bush, Macron foi para a guerra, docilmente, atr\u00e1s de Trump e May, para bombardear a S\u00edria. As duas faces guerreiras do capitalismo.<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/guerra-social-e-guerra-imperialista\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19458\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[225],"class_list":["post-19458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-53Q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}