{"id":19470,"date":"2018-04-25T21:48:44","date_gmt":"2018-04-26T00:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19470"},"modified":"2018-04-25T21:48:44","modified_gmt":"2018-04-26T00:48:44","slug":"comunidades-tradicionais-cada-vez-mais-ameacadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19470","title":{"rendered":"Comunidades tradicionais cada vez mais amea\u00e7adas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/04\/23-04-2018-violencia-campo-morte-assassinatos.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/578215-incendios-pistolas-e-sangue-violencia-no-campo-brasileiro-cresce-e-ameaca-comunidades-tradicionais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU-UNISINOS<\/a><\/p>\n<p>Em 2017 foram registrados 70 homic\u00eddios em conflitos territoriais segundo a\u00a0Comiss\u00e3o Pastoral da Terra: nove a mais que em 2016 e mais que o dobro do registrado em 2013. Mais pobres e minorias \u00e9tnicas s\u00e3o as principais v\u00edtimas.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0Tom C. Avenda\u00f1o, publicada por\u00a0El Pa\u00eds, em 22-04-2018.<\/p>\n<p>F\u00e1tima Barros, de 42 anos, \u00e9 antes de tudo\u00a0quilombola. \u00c9 a primeira coisa que diz, com uma voz que normalmente \u00e9 aguda, mas que hoje, depois de horas expondo injusti\u00e7as em uma\u00a0reuni\u00e3o de comunidades tradicionais do\u00a0Cerrado, emBalsas (Maranh\u00e3o), est\u00e1 rouca: \u201cEu constru\u00ed minha identidade em torno da causa\u00a0quilombola\u201d. Essa\u00a0mulher negra, de fei\u00e7\u00f5es arredondadas e olhar duro, poderia ter constru\u00eddo sua identidade em torno de, por exemplo, o fato de ser a primeira mulher de sua fam\u00edlia, descendente de escravos do\u00a0Tocantins, a ir \u00e0 universidade. Mas, em 2010, um fazendeiro queimou o\u00a0quilombo\u00a0de S\u00e3o Vicente, que tinha sido o lar de sua fam\u00edlia desde que seu tatarav\u00f4 foi libertado daescravid\u00e3o\u00a0em 1888, e depois entendeu que sua vida seria uma luta onde quer que estivesse. \u201cEu n\u00e3o podia escolher n\u00e3o lutar porque sou mulher, negra e\u00a0quilombola: sou o que o\u00a0Brasil\u00a0n\u00e3o quer ver\u201d, disse.<\/p>\n<p>Assim,\u00a0F\u00e1tima Barros\u00a0\u00e9 uma l\u00edder\u00a0quilombola. Assim como tamb\u00e9m era seu companheiro\u00a0Gabriel Pacifico dos Santos, de um\u00a0quilombo da Bahia. At\u00e9 que, no dia 19 de setembro, alguns homens desceram de um carro branco e lhe deram 10 tiros enquanto ia a um enterro. Assim como tamb\u00e9m eram os outros 12 l\u00edderes assassinados no\u00a0Brasil\u00a0em 2017, um n\u00famero at\u00e9 agora in\u00e9dito, mas que sugere ser a nova norma no campo brasileiro. \u201cNo\u00a0Congresso, as bancadas mais fortes s\u00e3o as ligadas ao agroneg\u00f3cio e aos latifundi\u00e1rios. Esse fato favorece a cria\u00e7\u00e3o de projetos de leis que fortalecem os que t\u00eam interesse em explorar as nossas terras\u201d, explica\u00a0F\u00e1tima. \u201cO uso da for\u00e7a outrora executado pelos pistoleiros agora tamb\u00e9m est\u00e1 sendo refor\u00e7ado pelas mil\u00edcias do campo que, em algumas regi\u00f5es, servem como seguran\u00e7as armadas particulares para os fazendeiros e empreendedores.\u201d No dia 15 de abril,\u00a0Nazildo dos Santos Brito, l\u00edder dosquilombos do Alto Acar\u00e1, foi encontrado com tr\u00eas tiros na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>As zonas rurais brasileiras sempre foram lugares violentos, onde os problemas, sobretudo territoriais, s\u00e3o resolvidos com pistolas, inc\u00eandios e sangue, e n\u00e3o com uma senten\u00e7a judicial. Mas fazia tempo que n\u00e3o corria tanto sangue quanto agora. De acordo com o\u00a0relat\u00f3rio rec\u00e9m-publicado pelo observat\u00f3rio da\u00a0Comiss\u00e3o Pastoral da Terra\u00a0(CPT), em 2017 foram registrados 70 homic\u00eddios em conflitos territoriais: nove a mais que em 2016 e mais que o dobro do registrado em 2013. Embora os n\u00fameros gerais de viol\u00eancia tenham aumentado no maior pa\u00eds da\u00a0Am\u00e9rica Latina, em poucos lugares ela cresceu como no campo. Devemos recuar a 2003 para encontrar um n\u00famero t\u00e3o alto. As piores matan\u00e7as aconteceram nos estados do\u00a0Par\u00e1,\u00a0Rond\u00f4nia\u00a0e\u00a0Bahia.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas s\u00e3o geralmente pobres e de alguma minoria \u00e9tnica. A\u00a0CPT\u00a0calcula que os mortos que inflam os n\u00fameros s\u00e3o, ao menos desde 2015, pessoas sem terra que trabalhavam para outros temporariamente,\u00a0ind\u00edgenas,\u00a0quilombolas, ocupantes de terras abandonadas e pescadores. Alguns enfrentamentos s\u00e3o aut\u00eanticas batalhas, como a chacina contra os\u00a0\u00edndios Gamela\u00a0que aconteceu em\u00a0Viana (Maranh\u00e3o)\u00a0em abril do ano passado: 13 \u00edndios ficaram feridos \u2013 cinco por balas \u2013 e dois tiveram a m\u00e3o decepada. Mas a maioria das v\u00edtimas se deve a enfrentamentos menos dram\u00e1ticos e que, portanto, t\u00eam menos repercuss\u00e3o. Como o que teve a comunidade de\u00a0Aliene Barbosa, uma jovem das margens do\u00a0rio Arrojado (Bahia). Um dia, em 2015, descobriram que sua terra havia sido ocupada por pistoleiros, que tinham at\u00e9 montado barracas durante a noite para ficar de guarda.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9ramos 80 pessoas para enfrent\u00e1-los\u201d, lembra\u00a0Aliene\u00a0agora. \u201cEles amea\u00e7aram atirar e quebraram o bra\u00e7o de um companheiro, mas n\u00e3o fomos embora. Ficamos e batemos neles\u201d, diz, encolhendo os ombros na l\u00f3gica cristalina entre uma a\u00e7\u00e3o e outra. \u201cQuase todos fugiram, menos um. N\u00f3s o capturamos e o amarramos em um poste. Cortamos as cercas que tinham colocado, queimamos seus carros e derrubamos as casas. E ent\u00e3o, com tudo em ordem, j\u00e1 respondemos \u00e0 justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Muitos dos entrevistados concordam que\u00a0a viol\u00eancia \u00e9 consequ\u00eancia do apoio do\u00a0Governo de Michel Temer\u00a0\u00e0 bancada do agroneg\u00f3cio. E a verdade \u00e9 que h\u00e1 v\u00edtimas em ambos os lados. Mas \u00e9 tamb\u00e9m verdade que, quanto mais branco algu\u00e9m for e quanto mais dinheiro tiver, menos possibilidades tem de ser uma v\u00edtima. \u201cGente como eu n\u00e3o \u00e9 bem atendida em hospitais, tamb\u00e9m n\u00e3o ensinam para n\u00f3s nas escolas\u201d, explica\u00a0Cristina, uma das poucas ind\u00edgenas que restam da\u00a0tribo Itay, a\u00a0etnia Guarani-Kaiow\u00e1\u00a0de\u00a0Douradina (Mato Grosso do Sul).<\/p>\n<p>Eles retomaram suas terras quatro vezes desde 2011 e ainda t\u00eam que lidar com os pistoleiros de vez em quando. Vivem em um ciclo de viol\u00eancia e amea\u00e7as do qual suspeitam que n\u00e3o sair\u00e3o. Mas pior seria n\u00e3o lutar.\u00a0F\u00e1tima Barros\u00a0tem isso bem claro. Ela foi amea\u00e7ada de morte, como todos de sua fam\u00edlia. Mas, sentada em sua mesa de pedra, com a voz rouca depois de ter falado a 700 pessoas de\u00a0comunidades tradicionais do Cerrado em Balsas, ela sabe por que est\u00e1 ali: \u201cEssa luta n\u00e3o \u00e9 tanto pela terra, mas pelo respeito pelo passado. A vida que meus ancestrais levaram. O\u00a0quilombo de S\u00e3o Vicente\u00a0foi dado ao meu tatarav\u00f4 por seu dono,\u00a0Vicente Bernardinho, por ser seu escravo preferido. Eles o tiraram de n\u00f3s sem raz\u00e3o alguma. Em 2010, provamos diante dos tribunais que era nosso legalmente, mas se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos conseguido ter\u00edamos perdido tudo. Isso est\u00e1 errado. Nossa hist\u00f3ria \u00e9 importante. O\u00a0povo negro\u00a0\u00e9 bom contando hist\u00f3rias, as mulheres as contam enquanto quebram baba\u00e7u. Temos que conseguir que as escutem\u201d.<\/p>\n<p>Em meio ao maior ataque aos direitos ind\u00edgenas dos \u00faltimos 30 anos, come\u00e7ou o Acampamento Terra Livre<\/p>\n<p>Com o tema \u201cUnificar as lutas em defesa do Brasil Ind\u00edgena \u2013 Pela garantia dos direitos origin\u00e1rios dos nossos povos\u201d, a 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o do\u00a0Acampamento Terra Livre\u00a0(ATL) teve in\u00edcio na segunda-feira (23), no\u00a0Memorial dos Povos Ind\u00edgenas, no\u00a0Eixo Monumental Oeste,\u00a0Pra\u00e7a do Buriti\u00a0(em frente ao Memorial JK), em\u00a0Bras\u00edlia\u00a0(DF). Neste ano, est\u00e1 prevista a participa\u00e7\u00e3o de pelo menos 2,5 mil ind\u00edgenas de mais de cem povos das cinco regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Acesse aqui a Programa\u00e7\u00e3o do ATL.<\/p>\n<p>A reportagem foi publicada por\u00a0Instituto Socioambiental, em 23-04-2018.<\/p>\n<p>Maior mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios do\u00a0Brasil, o\u00a0ATL\u00a0est\u00e1 inserido na semana de\u00a0Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena\u00a0(MNI), e acontece em um contexto de ampla ofensiva sobre os direitos dos povos origin\u00e1rios e de aumento da\u00a0viol\u00eancia\u00a0nos territ\u00f3rios. Com foco no direito territorial, a principal reivindica\u00e7\u00e3o do acampamento \u00e9 a retomada das demarca\u00e7\u00f5es das\u00a0Terras Ind\u00edgenas\u00a0(TI) e a revoga\u00e7\u00e3o do\u00a0Parecer 001\/2017\u00a0da\u00a0Advocacia-Geral da Uni\u00e3o\u00a0(AGU), oficializado pelo presidenteMichel Temer\u00a0e que, na pr\u00e1tica, inviabiliza os procedimentos demarcat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Temer\u00a0tem o pior desempenho nas\u00a0demarca\u00e7\u00f5es\u00a0entre os presidentes desde 1985. Ele n\u00e3o assinou nenhum decreto de homologa\u00e7\u00e3o de\u00a0terras ind\u00edgenas\u00a0e deixou passar em branco o 19 de abril,\u00a0Dia do \u00cdndio, quando, em geral, os governos assinam portarias e decretos relacionados aos\u00a0procedimentos demarcat\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cNunca como hoje, nos \u00faltimos 30 anos, o\u00a0Estado brasileiro\u00a0optou por uma rela\u00e7\u00e3o completamente adversa aos direitos dos\u00a0povos ind\u00edgenas. O governo ileg\u00edtimo de\u00a0Michel Temer\u00a0assumiu uma pol\u00edtica declaradamente\u00a0anti-ind\u00edgena\u00a0pondo fim \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, acarretando a invas\u00e3o dessas terras por empreendimentos governamentais e privados\u201d, afirma a\u00a0Convocat\u00f3ria da Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional. A\u00a0bancada ruralista\u00a0e o\u00a0Judici\u00e1rio\u00a0tamb\u00e9m t\u00eam atuado duramente no sentido de\u00a0vulnerabilizar\u00a0os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Historicamente, a semana do\u00a0ATL\u00a0\u00e9 o per\u00edodo em que os povos ind\u00edgenas pressionam os\u00a0Tr\u00eas Poderes\u00a0para a manuten\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de seus direitos constitucionais e das legisla\u00e7\u00f5es internacionais, como a\u00a0Conven\u00e7\u00e3o 169\u00a0da\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho\u00a0(OIT).<\/p>\n<p>Com encerramento no dia 27, a programa\u00e7\u00e3o prev\u00ea plen\u00e1rias, debates, audi\u00eancias com parlamentares e representantes do Executivo, Legislativo e do Judici\u00e1rio. Tradicionalmente, durante o evento ocorrem protestos, assim como rituais tradicionais e diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>O ATL \u00e9 realizado pela\u00a0Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil\u00a0(Apib) e conta com o apoio de organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e indigenistas.<\/p>\n<p>Acesse aqui a Convocat\u00f3ria do ATL.<\/p>\n<p>Servi\u00e7o<\/p>\n<p>O que \u2013 Acampamento Terra Livre (ATL)<\/p>\n<p>Onde \u2013 no Memorial dos Povos Ind\u00edgenas, no Eixo Monumental Oeste, Pra\u00e7a do Buriti (em frente ao Memorial JK), Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Quando \u2013 De 23 a 27 de abril<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es \u2013 Assessoria de Imprensa do ATL:<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Bonilha \u2013 (61) 9 9643-8307 &#8211;\u00a0patricia.bonilha@greenpeace.org\u00a0\/\u00a0Let\u00edcia Leite \u2013 (61) 9 8112-6258 &#8211;\u00a0leticialeite@socioambiental.org<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/578215-incendios-pistolas-e-sangue-violencia-no-campo-brasileiro-cresce-e-ameaca-comunidades-tradicionais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19470\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[221],"class_list":["post-19470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-542","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}