{"id":19494,"date":"2018-04-27T19:44:48","date_gmt":"2018-04-27T22:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19494"},"modified":"2018-04-27T19:44:48","modified_gmt":"2018-04-27T22:44:48","slug":"manifesto-do-1-parlamento-de-mulheres-originarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19494","title":{"rendered":"Manifesto do 1\u00b0 Parlamento de Mulheres Origin\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/foto-final-PMO-620x400-1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/04\/26\/manifiesto-del-1o-parlamento-de-mujeres-originarias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resumen Latinoameriano<\/a><\/p>\n<p>25 de abril de 2018<\/p>\n<p>As Mulheres Ind\u00edgenas das Na\u00e7\u00f5es Ranquel, Guaran\u00ed, Abya Guaran\u00ed, Mby Guaran\u00ed, Zapoteca Aymara, Quechua, Charr\u00faa, Pilag\u00e1, Diaguita Calchaqu\u00ed, Qom, Wichi, Mapuche \u2013 Tehuelche, Kolla, Tonocote, Chana estiveram presentes no 1\u00b0 Parlamento de Mulheres Origin\u00e1rias, levado a cabo nos dias 21 e 22 de abril em Ensenada, prov\u00edncia de Buenos Aires, Argentina.\u00a0Irmanadas em nossas dores, enraivecidas com tanto despotismo e morte. Fortalecemo-nos reconstruindo nossa mem\u00f3ria a partir da Terra, dos saberes ancestrais, nossas cosmovis\u00f5es e culturas, nossas identidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Desde a invas\u00e3o do Estado a nossos territ\u00f3rios, todas suas tentativas genocidas e de exterm\u00ednio n\u00e3o puderam nos aniquilar nem nos silenciar. Somos mulheres origin\u00e1rias organizadas ante o chamado da Terra para resguardar nossos territ\u00f3rios das sinistras pol\u00edticas extrativistas que enfermam nossos corpos territ\u00f3rios, depredam nossa natureza, exterminam nossas na\u00e7\u00f5es, mercantilizam nossa cultura, coisificam nossas cosmovis\u00f5es.<\/p>\n<p>Organizamo-nos para caminhar pela autodetermina\u00e7\u00e3o de nossos povos. O Estado argentino j\u00e1 n\u00e3o pode oferecer repara\u00e7\u00e3o alguma. Nestes mais de 200 anos de invas\u00e3o, sua conduta foi irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Gerou o desaparecimento de ecossistemas e de in\u00fameras na\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, recentemente o desaparecimento e morte de milhares de pessoas que, por construir uma sociedade mais justa, foram v\u00edtimas da intoler\u00e2ncia e da crueldade.<\/p>\n<p>A autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos nos prop\u00f5e a possibilidade de construir uma nova matriz civilizat\u00f3ria, baseada nos valores do bom viver como direito, isto \u00e9 reconstruir o respeito e a reciprocidade entre os povos e para com o resto da natureza, em suma uma revolu\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que foi necess\u00e1rio nestes dias fazer um diagn\u00f3stico de como estamos como mulheres ind\u00edgenas, e encontramos o seguinte:<\/p>\n<p>Duas realidades que dizimam nossa vida e a dos territ\u00f3rios, os femic\u00eddios e os feminic\u00eddios; o primeiro, gerado pela colonialidade machista que atravessa nossos povos tendo como protagonistas muitos de nossos homens que se levantam como l\u00edderes ind\u00edgenas; o segundo, se trata dos assassinatos cometidos pelas empresas transnacionais saqueadoras e contaminantes que est\u00e3o investindo contra a vida da terra e nossos corpos: violando-nos, mutilando-nos e assassinando-nos. \u00c9 por isso que nos comprometemos a unir nossa for\u00e7a e voz para expulsar de nossos territ\u00f3rios estas empresas assassinas. Conscientes que n\u00e3o tardar\u00e1 o governo criminosos nos julgar, defendendo os interesses dos empres\u00e1rios, tentar\u00e1 nos encarcerar ou talvez, rotular de terroristas.<\/p>\n<p>Declaramos o Modelo Extrativista e as Pol\u00edticas Energ\u00e9ticas como crime de Lesa Humanidade e denunciamos que estas empresas transnacionais e de megaprojetos, como a megaminera\u00e7\u00e3o, o fracking, o avan\u00e7o das petroleiras e hidroel\u00e9tricas, o uso de agrot\u00f3xicos para monocultivo, entre outras, contaminam, destroem e saqueiam nossos territ\u00f3rios; al\u00e9m de ter vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 rede de tr\u00e1fico que trafica nossa meninas e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Enquanto encaminhamos o bom viver como direito e para a autodetermina\u00e7\u00e3o de nossos povos, necessitamos gerar um cen\u00e1rio com garantias legais que nos permitam nos resguardar da voracidade do capitalismo em todas suas express\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que reclamamos a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o de direito ind\u00edgena nacional e internacional e uma justi\u00e7a conforme as perspectivas dos povos origin\u00e1rios nas problem\u00e1ticas que nos atravessam.<\/p>\n<p>Repudiamos a Lei Antiterrorista e exigimos sua revoga\u00e7\u00e3o imediata. N\u00e3o somos terroristas, somos defensoras da vida nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Manifestamos nossa solidariedade e apoio a todas as autoridades espirituais que s\u00e3o perseguidas e encarceradas sob causas judiciais armadas e de duvidosa consist\u00eancia, negando o direito dos Povos Ind\u00edgenas ao livre exerc\u00edcios das pr\u00e1ticas espirituais e culturais.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos que os territ\u00f3rios ind\u00edgenas passem a ser parte de Parques Nacionais porque tememos que sejam posteriormente concessionados a empresas que geram a morte e privatizam o acesso a essas \u00e1reas. Pronunciamos-nos a favor da Propriedade Comunit\u00e1ria dos Territ\u00f3rios. Alertamos ao pa\u00eds das perversas negocia\u00e7\u00f5es que est\u00e1 levando adiante o governo nacional com o Estado de Israel, para envolver soldados israelenses no suposto cuidado das zonas perimetrais dos Parques que se encontram em zona de fronteira, conforme modelo implementado no Chile.<\/p>\n<p>Exigimos o respeito a nossa autonomia econ\u00f4mica, recuperando as atividades produtivas em equil\u00edbrio com a natureza para o desenvolvimento de nossas comunidades. A produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de nossos produtos como tamb\u00e9m nossa medicina tradicional transfronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>Estas economias se veem severamente afetadas por normativas vigentes que cerceiam nossa liberdade, exemplo disso s\u00e3o os programas implementados pelo INTA que confere ao estado o monop\u00f3lio da cria\u00e7\u00e3o de llamas e vicunhas, proibindo as comunidades do norte do pa\u00eds a venda do produto que extraem desses animais. Outra das atividades econ\u00f4micas visivelmente prejudicadas \u00e9 pecu\u00e1ria de caprinos e ovinos na pequena produ\u00e7\u00e3o nas comunidades, j\u00e1 que as normas de sa\u00fade exigidas pelo SENASA excedem as possibilidades do cumprimento de nossas comunidades porque requer uma infraestrutura tanto para frear, como para o transporte da carne, que se torna imposs\u00edvel a partir de nosso empobrecimento resolver.<\/p>\n<p>Em suma, o Estado exige uma obriga\u00e7\u00e3o sem formular um programa que permita o acesso das comunidades a cumpri-lo, j\u00e1 que isto implicaria outorgar-lhe o direito a ter matadouros e frigor\u00edficos comunit\u00e1rios e caminh\u00f5es refrigeradores para o transporte na venda de animais de curral, sequestrando a carne abatida, pondo uma serie de exig\u00eancias que o estado n\u00e3o contribui de igual medida para gerar as possibilidades dos produtores para aceder no cumprimento.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o caso das fibras vegetais e animais para artesanatos, a pesca artesanal, a libre troca de sementes e sua n\u00e3o privatiza\u00e7\u00e3o, entre outras microeconomias que possibilitam abrir m\u00e3o dos trabalhos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Denunciamos o assistencialismo pol\u00edtico e religioso que, se valendo de nossa situa\u00e7\u00e3o de empobrecimento nos cooptam, desvalorizando a autogest\u00e3o de nossos recursos.<\/p>\n<p>Fazemos um chamado a todas as mulheres a unirem-se \u00e0 Campanha por um Encontro Plurinacional de Mulheres, onde seja poss\u00edvel garantir as condi\u00e7\u00f5es para a participa\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s, que considere tradutores para as diferentes l\u00ednguas, que contemple a espiritualidade.<\/p>\n<p>Somos mulheres ind\u00edgenas que despertamos, estamos fartas e dizemos basta de genoc\u00eddio sistem\u00e1tico, basta de criminalizar a recupera\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio ancestral, basta de viol\u00eancia institucional, basta de racismo e xenofobia.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/04\/26\/manifiesto-del-1o-parlamento-de-mujeres-originarias\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19494\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9,163],"tags":[222],"class_list":["post-19494","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","category-movimento-indigena","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-54q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19494\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}