{"id":19568,"date":"2018-05-07T20:04:04","date_gmt":"2018-05-07T23:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19568"},"modified":"2018-05-07T20:04:04","modified_gmt":"2018-05-07T23:04:04","slug":"maio-de-1968-e-o-sentimento-do-inacabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19568","title":{"rendered":"Maio de 1968 e o sentimento do inacabado"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fran%C3%A7a.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><em>Question\u00e1vamos nas ruas o trabalho alienado, o poder piramidal, o controle cotidiano da vida. Capitalismo reciclou-se \u2014 apenas para se tornar mais opressor. Mas a \u00faltima palavra n\u00e3o foi dita\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Concessa Vaz<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/maio-de-1968-e-o-sentimento-do-inacabado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Outras Palavras<\/a><\/p>\n<p>\u201cM\u00e9tro, boulot, dodo\u201d (metr\u00f4, trabalho e cama), resumia o dito popular, extra\u00eddo de um verso de Pierre B\u00e9arn, de 1956, e repetido monotonamente pelos integrantes do movimento estudantil, que, tendo se iniciado na Universidade de Nanterre, naquele in\u00edcio do ano de 1968, se alastrou rapidamente por toda Paris, alcan\u00e7ando a Sorbonne, todo o Quartier Latin, a Cidade Universit\u00e1ria Internacional e, em poucas semanas, as principais prov\u00edncias francesas.<\/p>\n<p>\u201cQue tipo de vida \u00e9 essa?\u201d bradava em eco um jovem oper\u00e1rio mais adiante, acenando aos estudantes e trazendo para seu cortejo milhares de outros oper\u00e1rios e profissionais de todas as \u00e1reas, compartilhando com aqueles suas ang\u00fastias e afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Era a pr\u00f3pria ordem social que estava em jogo e com ela a aliena\u00e7\u00e3o a que todos estavam submetidos \u2014 a falta de significado de uma sociedade capitalista burocratizada, onde a maioria dos cidad\u00e3os levava uma exist\u00eancia trivial, med\u00edocre, repetitiva, repressiva e reprimida. Toda ordem social estava sendo questionada, o estilo de vida, o quotidiano estava sob suspeita. Recusavam-se, todos, e assim clamavam, a serem \u201ctreinados como c\u00e3es policiais\u201d, a se verem convertidos de homens em objetos.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rdua luta foi travada contra os patr\u00f5es e o Estado. \u201cNi Dieu, Ni M\u00e2itre!\u201d (\u201cNem Deus, Nem Senhor!\u201d),\u00a0 exclamavam os anarquistas, relembrando o lema de Auguste Blanqui, de finais do s\u00e9culo XIX. \u201c\u00c0 Bas l\u2019\u00c9tat Policier!\u201d (\u201cAbaixo o Estado Policial!\u201d), gritavam outros rebeldes, selvagemente reprimidos pela for\u00e7a policial \u2014 a viol\u00eancia organizada e concentrada nas m\u00e3os do Estado, detentor do monop\u00f3lio das armas.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio da hierarquia, e da autoridade, prevalecente em todos as inst\u00e2ncias da sociedade era assim questionado \u2013 na f\u00e1brica, na fam\u00edlia, na Universidade \u2013, e a bandeira vermelha tremulava em todos os cantos, seguida da bandeira negra dos anarquistas, n\u00e3o poupando sequer o Teatro da \u00d3pera e o fino cabar\u00e9 Folies Berg\u00e8res. As tricolores bandeiras francesas n\u00e3o estavam \u00e0 vista, indicando claramente a natureza revolucion\u00e1ria do movimento em curso.<\/p>\n<p>Os acontecimentos de maio de 1968 na Fran\u00e7a passam, para sua compreens\u00e3o, pelo filtro do trabalho \u2013 a base material e econ\u00f4mica das ideias desenvolvidas e propagadas por seus protagonistas. Tamanho movimento, que irrompeu de forma in\u00e9dita no centro de uma Europa capitalista altamente industrializada, no apogeu de um crescimento econ\u00f4mico por quase trinta anos ininterruptos (os \u201cTrente Glorieuses\u201d, segundo o economista Jean Fourasti\u00e9), n\u00e3o pode ser reduzido a uma mera agita\u00e7\u00e3o da juventude, a uma contesta\u00e7\u00e3o moral e cultural de estudantes privilegiados e \u201cgat\u00e9s\u201d (mimados), embora tivessem sido eles, os estudantes universit\u00e1rios, o rel\u00e2mpago que anunciava a tormenta por vir. A efervesc\u00eancia estudantil era antes a manifesta\u00e7\u00e3o mais evidente ou o bar\u00f4metro sens\u00edvel de um descontentamento geral e de uma crise maior que j\u00e1 se anunciava a partir de dentro da sociedade francesa, cujas origens mais profundas pertencem ao processo geral de racionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o instaurado na grande ind\u00fastria capitalista em finais do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>O per\u00edodo p\u00f3s-1945 caracteriza-se por um forte crescimento econ\u00f4mico, impulsionado pelas necessidades de reconstru\u00e7\u00e3o de uma Europa, e de uma Fran\u00e7a em particular, mutilada por duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945) e por uma grande crise econ\u00f4mica (1929), que resultou em fal\u00eancias, desemprego em massa e uma severa depress\u00e3o de alcance mundial. Sob a domina\u00e7\u00e3o e financiamento dos Estados Unidos, e os estados nacionais lhes servindo de muleta, a reconstru\u00e7\u00e3o nacional opera-se e os capitalistas rebatizam seus imp\u00e9rios industriais. Abrem-se ent\u00e3o os chamados \u201canos dourados\u201d, anos de um crescimento sem precedentes e cujo combust\u00edvel eram os ganhos de produtividade (produto por trabalhador) assentados no modelo taylorista-fordista de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em finais do s\u00e9culo XIX, o engenheiro mec\u00e2nico Frederic Taylor escreveu os \u201cPrinc\u00edpios de Administra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica\u201c, um monumento a servi\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o das empresas e da racionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e, particularmente, da administra\u00e7\u00e3o industrial e os meios de torn\u00e1-la mais eficiente. Taylor revelou os secretos requisitos educacionais\/intelectuais que deviam ser exigidos dos trabalhadores para que as empresas fossem bem sucedidas competitivamente. Suas contribui\u00e7\u00f5es fundamentais podem ser resumidas em dois pontos, a saber: 1) as pr\u00e1ticas de trabalho devem ser rigorosamente padronizadas a partir da an\u00e1lise do \u201cmelhor m\u00e9todo\u201d de produzir, cobrindo tanto as opera\u00e7\u00f5es manuais quanto o tempo requerido para execut\u00e1-las. Trata-se de um estudo dito cient\u00edfico dos \u201ctempos e movimentos\u201d; 2) o estabelecimento de uma r\u00edgida separa\u00e7\u00e3o entre concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, a partir de uma escala hier\u00e1rquica de ocupa\u00e7\u00f5es rigorosamente planejada, incluindo diversos n\u00edveis de controle e supervis\u00e3o do trabalho. Com Taylor, portanto, n\u00e3o apenas o rel\u00f3gio entrava na f\u00e1brica, mas o cron\u00f4metro, caracterizando uma militariza\u00e7\u00e3o do trabalho, batizada eufemisticamente de \u201corganiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do trabalho\u201d. Os tempos e movimentos, depois de analisados, eram impostos aos trabalhadores para serem cumpridos -e uma forte estrutura hier\u00e1rquica de controle e supervis\u00e3o se lhes sobrevinha para garantir a produ\u00e7\u00e3o planejada.<\/p>\n<p>O salto de qualidade foi dado por Henry Ford na ind\u00fastria automobil\u00edstica, redesenhada por ele a partir de Taylor. Ford incorporou os princ\u00edpios tayloristas de divis\u00e3o do trabalho j\u00e1 estabelecidos e elevou ao m\u00e1ximo a produtividade com a intensifica\u00e7\u00e3o acelerada do trabalho, induzida e viabilizada pela tecnologia da linha de montagem \u2014 ou seja, pela incorpora\u00e7\u00e3o dos procedimentos na pr\u00f3pria m\u00e1quina. Assim, o aumento de produtividade se produzia pelo trabalho coletivo, altamente potencializado. Atrav\u00e9s de uma linha de montagem progressiva, os produtos padronizados e entregues \u00e0 cad\u00eancia de um mecanismo artificial e exterior aos trabalhadores eram elaborados com um grau de precis\u00e3o tal que dispensavam \u201cajustes\u201d. O ritmo r\u00e1pido e est\u00e1vel da linha de montagem garantia a vantagem competitiva do capitalista (e, portanto, a obten\u00e7\u00e3o em um patamar mais elevado de mais-valia relativa).<\/p>\n<p>Com essa tecnologia, que se estendeu rapidamente para outros setores muito al\u00e9m da ind\u00fastria automobil\u00edstica, a produ\u00e7\u00e3o se fazia em massa e em larga escala, de modo a reduzir os custos unit\u00e1rios, dado o elevado investimento em capital fixo (m\u00e1quinas, equipamentos, plantas industriais, etc.) exigido. O fordismo, como veio a ser denominado, foi, assim, um dos motores que permitiu o pleno emprego e um aumento do n\u00edvel de vida dos trabalhadores, via redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das mercadorias necess\u00e1rias \u00e0 sua sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o. Foi este o sistema de produ\u00e7\u00e3o que veio a reger todo o crescimento econ\u00f4mico franc\u00eas no p\u00f3s-guerra, com sua linha de montagem e os princ\u00edpios de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho taylorista. Com uma estrutura centralizada de produ\u00e7\u00e3o, calcada no controle do tempo e dos movimentos do trabalhador na linha de montagem,\u00a0 as f\u00e1bricas absorviam uma massa gigantesca de oper\u00e1rios especializados (OS), receptores de sal\u00e1rio m\u00ednimo (SMIG), sujeitos a uma jornada semanal de trabalho de 45 horas, exercendo tarefas precisas, repetitivas, montando pe\u00e7as uniformizadas que desfilavam diante deles, repetindo ao infinito os mesmos gestos e se submetendo \u00e0 cad\u00eancia infernal da linha de montagem, embrutecidos e alienados. Sob tais condi\u00e7\u00f5es de trabalho e vida, n\u00e3o iam a lugar algum com os sal\u00e1rios que recebiam em troca, reproduzindo-se diariamente, tal como um p\u00eandulo, diante de uma rotina cada vez menos suport\u00e1vel para cada cidad\u00e3o-trabalhador parisiense: \u201cm\u00e9tro, boulot, dodo\u201d,<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o em massa, ademais, deu origem a um consoante consumo de massa e transformou a sociedade, por sua vez, em um mundo de rob\u00f4s, com modos de vida codificados e com rotinas rigidamente demarcadas \u2013 foi a uniformiza\u00e7\u00e3o da vida quotidiana (Henry Lef\u00e8bvre).<\/p>\n<p>O mesmo princ\u00edpio hier\u00e1rquico da produ\u00e7\u00e3o fordista refletia-se em universidades igualmente centralizadas, cujos reitores, tais como marionetes, deviam atender, prioritariamente, \u00e0s necessidades tecnol\u00f3gicas do capitalismo franc\u00eas, \u00e0s exig\u00eancias do sistema produtivo ent\u00e3o implantado e disseminado. N\u00e3o por acaso, os enfurecidos estudantes de Nanterre bradavam, j\u00e1 antes de Maio de 68 que n\u00e3o queriam ser \u201cdes chiens de garde de la bourgeoisie\u201d (\u201cc\u00e3es de guarda da burguesia\u201d).<\/p>\n<p>O governo franc\u00eas, por sua vez, estava nas m\u00e3os de um general \u2013 De Gaulle, que havia posto um fim \u00e0 guerra contra a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Arg\u00e9lia e comandava o pa\u00eds com similar austeridade, sem consultas e governando por decreto, al\u00e9m de exercer um enorme controle pol\u00edtico atrav\u00e9s das m\u00eddias de ent\u00e3o: a televis\u00e3o e o r\u00e1dio. Os limites de seu governo se expressavam claramente no \u201cslogan\u201d j\u00e1 trivial nas manifesta\u00e7\u00f5es de maio: \u201cAdieu, De Gaulle, dix ans, \u00e7a suffit\u201d (\u201cAdeus, De Gaulle, dez anos, basta!\u201d).<\/p>\n<p>Durante os 25 anos que se seguiram \u00e0 Segunda Guerra Mundial, o sistema capitalista franc\u00eas escondera-se atr\u00e1s da embriaguez do progresso econ\u00f4mico. Mas a l\u00f3gica do trabalho, decorrente do regime de produ\u00e7\u00e3o taylorista-fordista ent\u00e3o dominante, controlava toda a vida social e humana.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 1960, esse sistema de produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a perder efic\u00e1cia. A produtividade desacelerou, os capitalistas tentaram compensar a queda reduzindo os sal\u00e1rios reais, degradando ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, promovendo o desemprego parcial e, funestamente, acelerando as j\u00e1 infernais cad\u00eancias da linha de montagem. Os oper\u00e1rios, em particular a massa de especializados, revoltaram-se contra o peso da crise que come\u00e7o a recair sobre seus ombros, e o desequil\u00edbrio instalou-se. Os oper\u00e1rios decidiram juntar-se aos estudantes grevistas e recusaram-se ao jogo de \u201cperdre sa vie \u00e0 la gagner\u201d (\u201cperder a vida para ganh\u00e1-la\u201d). Tal recusa apareceu tamb\u00e9m sob a forma de absente\u00edsmo no trabalho \u2014 o chamado \u201cturn-over\u201d, a recusa do trabalho, ou sob a forma de sabotagem. Mas foram provavelmente as condi\u00e7\u00f5es salariais dos trabalhadores especializados, a maioria absoluta dos trabalhadores fordistas, que levaram os trabalhadores \u00e0 revolta e a se juntarem aos estudantes. Esta ades\u00e3o ficou definitivamente gravada nas bandeirolas que tremulavam por toda parte com os dizeres: \u201c\u00e9tudiants, professeurs, ouvriers\u201d (\u201cestudantes, professores, oper\u00e1rios\u201d. Foi esta jun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre o trabalho intelectual e o trabalho manual que fez do Maio de 1968 na Fran\u00e7a um evento particular e diferenciado em rela\u00e7\u00e3o ao que ocorria no resto do mundo.<\/p>\n<p>Somente no final da d\u00e9cada seguinte a persist\u00eancia dos sintomas depressivos exigiu rea\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de modo a revigorar o crescimento econ\u00f4mico capitalista. A partir dos anos 1980, novas estrat\u00e9gias empresariais de competitividade e de produtividade come\u00e7aram a ser desenhadas, alterando a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e as formas de gest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Um novo padr\u00e3o instaurou-se, a assim chamada \u201cprodu\u00e7\u00e3o flex\u00edvel\u201d. Mas como no taylorismo-fordismo, este sistema de produ\u00e7\u00e3o nasceu igualmente ao processo geral de racionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o instaurado pela grande ind\u00fastria capitalista de finais do s\u00e9culo XVIII. O objetivo continuava sendo o da acumula\u00e7\u00e3o de capital por meio do aumento da produtividade e da competitividade. Logo, numa perspectiva hist\u00f3rica e do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, a rec\u00e9m-chegada \u201cprodu\u00e7\u00e3o flex\u00edvel\u201d, longe de constituir uma novidade, foi antes de tudo uma norma, pois que o processo produtivo, com os seus trabalhadores a\u00ed inseridos, foi permanentemente reorganizado e\/ou reestruturado ao longo do tempo em fun\u00e7\u00e3o da necessidade imperativa de crescimento do capital, que s\u00f3 se viabiliza atrav\u00e9s do aumento constante da produtividade do trabalho e, portanto, da mais-valia.<\/p>\n<p>\u201cA for\u00e7a com a qual a contesta\u00e7\u00e3o estudantil e oper\u00e1ria se afirmou na Fran\u00e7a, em Maio de 1968, confirma a virul\u00eancia dos antagonismos no interior desta sociedade pretensamente est\u00e1vel e a incapacidade da burguesia de super\u00e1-los, ou seja, de conseguir a domestica\u00e7\u00e3o dur\u00e1vel das classes exploradas\u201d (cf. Daniel Bensaid). Os trabalhadores n\u00e3o demoraram a perceber, face \u00e0 recess\u00e3o que se abriu e se estendeu ao longo dos anos que se seguiram, que o capitalismo n\u00e3o se encontra ao abrigo de crises maiores, tendo como resultado um conjunto de reestrutura\u00e7\u00f5es que prejudicam, inevitavelmente, suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Como testemunha ocular dos acontecimentos de Maio de 1968 na Fran\u00e7a, quando eu era apenas uma entre milhares de outras estudantes, francesas e estrangeiras que a\u00ed faziam seus estudos, e no auge de meus 20 anos, termino este texto compartilhando o mesmo sentimento de Christian Laval, t\u00e3o bem expresso em seu depoimento, quando dos 40 anos de Maio de 1968:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c(\u2026) Este movimento, sem chefe, sem dire\u00e7\u00e3o e sem programa \u00e9 o nome daquilo que um dia fez medo e que precisou ser controlado, remetendo-o ao folcl\u00f3rico, ao aned\u00f3tico ou ao banal\u2026Este movimento, e sua for\u00e7a, permaneceu aberto \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es, \u00e0s recupera\u00e7\u00f5es\u202668 \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o gritante de uma recusa que continua a atemorizar\u2026 [\u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o] de que h\u00e1 outra coisa poss\u00edvel. Maio de 68 \u00e9 o nome deste desejo\u2026Nosso tempo passou e \u00e9 preciso dar passagem. N\u00f3s fomos o elo provis\u00f3rio de um tempo igualmente provis\u00f3rio, (\u2026) n\u00f3s somos muitos a ter o sentimento do inacabado\u2026\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>https:\/\/outraspalavras.net\/<wbr \/>destaques\/maio-de-1968-e-o-sentimento-do-inacabado\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19568\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[228],"class_list":["post-19568","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-55C","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19568","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19568\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}