{"id":19603,"date":"2018-05-10T17:30:22","date_gmt":"2018-05-10T20:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19603"},"modified":"2018-05-10T17:30:22","modified_gmt":"2018-05-10T20:30:22","slug":"mais-um-passo-para-militarizar-a-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19603","title":{"rendered":"Mais um passo para militarizar a Seguran\u00e7a P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/interven%C3%A7%C3%A3o-rio-e1525692402567-485x215.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>OUTRAS M\u00cdDIAS<\/p>\n<p><em>Em meio ao desmonte das pol\u00edticas sociais, governo Temer espalhar\u00e1 \u201cassessores\u201d do Ex\u00e9rcito nas PMs em todo o Brasil. Medida desafia a esquerda a dialogar com sentimento de desamparo da popula\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Por\u00a0<strong>Jo\u00e3o Tel\u00e9sforo<\/strong>* no\u00a0<em>Brasil em 5<\/em><\/p>\n<p>O governo federal anunciou, no \u00faltimo dia 2, que disponibilizar\u00e1 R$ 5 milh\u00f5es para o Ex\u00e9rcito assessorar Pol\u00edcias Militares dos estados. \u201cEsse Plano propicia que voc\u00ea possa levar o Ex\u00e9rcito como assessor, como orientador\u201d, segundo o ministro da Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>O or\u00e7amento t\u00edmido indica que a medida \u00e9 mais um\u00a0golpe de marketing, mediante o qual o governo tenta criar popularidade apelando aos sentimentos sociais de inseguran\u00e7a e medo, bem como a anseios populares por ordem e autoridade, diante de um sistema pol\u00edtico em crise e uma sociedade em convuls\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como a Interven\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro, por\u00e9m, a medida n\u00e3o deve ser encarada sob a \u00f3tica exclusiva de seus aspectos marqueteiros e eleitoreiros. Trata-se de um novo passo do\u00a0aprofundamento da militariza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil, e de sua\u00a0submiss\u00e3o ao comando das For\u00e7as Armadas\u00a0\u2013 em clara viola\u00e7\u00e3o ao artigo 144 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que n\u00e3o as inclui no rol de \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis por essa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas n\u00e3o t\u00eam um hist\u00f3rico bem-sucedido de atua\u00e7\u00e3o na seguran\u00e7a p\u00fablica, que as credencie para orientar a produ\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica Brasil afora. Pelo contr\u00e1rio,\u00a0a Interven\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro\u00a0tem sido caracterizada pelo improviso e amadorismo, al\u00e9m das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos (veja-se, a respeito, o qualificado\u00a0relat\u00f3rio\u00a0do Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, coordenado pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania da Universidade Candido Mendes).<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, a\u00a0interven\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas na \u201cguerra contra o narcotr\u00e1fico\u201d, que se prolonga desde 2006, produziu resultados tenebrosos, conforme demonstra a recente publica\u00e7\u00e3o \u201c<em>Perpetuar el falido modelo de seguridad<\/em>\u201c: \u201co \u00edndice de viol\u00eancia triplicou no pa\u00eds entre 2007 e 2011, teve uma pequena redu\u00e7\u00e3o entre 2013 e 2014, mas voltou a subir em 2015; 2017 foi o mais violento dos \u00faltimos 20 anos. \u2018Podemos dizer que o modelo de seguran\u00e7a do M\u00e9xico, de militariza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um modelo falido\u2019, disse o Pesquisador do Instituto de Investiga\u00e7\u00f5es Jur\u00eddicas da Unam (Universidade Aut\u00f4noma de M\u00e9xico), Carlos Silva Forne\u201d. Durante o per\u00edodo de militariza\u00e7\u00e3o, nesses \u00faltimos anos, tamb\u00e9m se produziram mais de 35 mil desaparecidos pol\u00edticos no pa\u00eds, al\u00e9m de \u201cum contexto de tortura generalizado\u201d, conforme o coordenador da \u00e1rea jur\u00eddica do Centro ProDH, Luis Tapias.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o \u00e9 o seu \u00eaxito em garantir redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, o que explica o aprofundamento da\u00a0militariza\u00e7\u00e3o? Por um lado, o\u00a0projeto neoliberal de Estado reduz sua dimens\u00e3o de garantia de direitos sociais e agiganta os instrumentos de repress\u00e3o, orientados \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza racializada (jovens negros de favelas e periferias) e da dissid\u00eancia pol\u00edtica. N\u00e3o surpreende que a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e da espolia\u00e7\u00e3o, a n\u00edveis t\u00e3o brutais, necessite de uma viol\u00eancia pol\u00edtica mais profunda e sistem\u00e1tica, para esmagar a resist\u00eancia popular.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o devemos ignorar que\u00a0a hipertrofia pol\u00edtica das For\u00e7as Armadas responde ainda a outras duas din\u00e2micas: de produ\u00e7\u00e3o de discurso e de disputa institucional no interior do bloco de poder dominante.<\/p>\n<p>No plano\u00a0discursivo, o Estado neoliberal tenta fazer de sua necessidade \u2013 de maior coer\u00e7\u00e3o \u2013 uma virtude, apostando na ideologia da lei e da ordem, oferecendo a imagem de for\u00e7a das botinas e dos tanques como resposta ao sentimento social de desamparo. Por essa raz\u00e3o, a mera den\u00fancia dessa opera\u00e7\u00e3o costuma ser impotente, para al\u00e9m do pequeno c\u00edrculo dos j\u00e1 convencidos; a disputa real exige que ofere\u00e7amos outros sentidos e afetos de cogni\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da vida social.<\/p>\n<p>Do ponto de vista\u00a0institucional, por fim, os generais aproveitam a crise pol\u00edtica, o vazio de legitimidade dos organismos representativos, para se fortalecerem como aparato de dire\u00e7\u00e3o do Estado. Se h\u00e1 elementos sist\u00eamicos que condicionam esse processo, seus contornos concretos s\u00e3o definidos tamb\u00e9m no plano das\u00a0conting\u00eancias da micropol\u00edtica \u2013 caso essa tend\u00eancia continue a se aprofundar, logo assistiremos ao recrudescimento das\u00a0tens\u00f5es entre militares e partidos pol\u00edticos da ordem (assim como as observamos com rela\u00e7\u00e3o ao sistema de justi\u00e7a, e em seu interior).\u00a0De todo modo, a crise ensina que o vazio do aparato de poder vigente cria oportunidades para o fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es alternativas \u2013 sejam da ordem ou contr\u00e1rias a ela. Est\u00e1 posto o desafio \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o e criatividade, tanto para reformar o Estado como para fortalecer e articular institui\u00e7\u00f5es sociais alternativas, de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de garantia efetiva do combate \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"HryFFOhb3O\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/mais-um-passo-para-militarizar-a-seguranca-publica\/\">Mais um passo para militarizar a Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/mais-um-passo-para-militarizar-a-seguranca-publica\/embed\/#?secret=HryFFOhb3O\" data-secret=\"HryFFOhb3O\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Mais um passo para militarizar a Seguran\u00e7a P\u00fablica&#8221; &#8212; Outras M\u00eddias\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19603\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[223],"class_list":["post-19603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-56b","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}