{"id":19781,"date":"2018-05-26T18:57:49","date_gmt":"2018-05-26T21:57:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19781"},"modified":"2018-05-26T18:58:59","modified_gmt":"2018-05-26T21:58:59","slug":"sobre-a-greve-dos-caminhoneiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19781","title":{"rendered":"Sobre a greve dos caminhoneiros"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutosergipe.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/129_3136-caminhoneiros-pablojacob.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Sobre a greve dos caminhoneiros<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o de caminhoneiros, em todo o pa\u00eds, iniciada no \u00faltimo dia 21 de maio, associada ao bloqueio de rodovias como forma de manifesta\u00e7\u00e3o e press\u00e3o, provocou a interrup\u00e7\u00e3o do abastecimento de combust\u00edveis aos postos de servi\u00e7o, gerando dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o da oferta de transporte p\u00fablico e do abastecimento em geral. As reivindica\u00e7\u00f5es do movimento centram-se na redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel.<\/p>\n<p>O governo federal, diante da crise que se instalou em todos os setores da vida social, iniciou negocia\u00e7\u00f5es com entidades que se apresentam como representativas dos caminhoneiros e, como iniciativa para levar adiante os entendimentos, instigou a Petrobras a baixar o pre\u00e7o do diesel nas refinarias &#8211; a diferen\u00e7a ser\u00e1 ressarcida pelo governo &#8211; e sinalizou com a retirada de impostos e contribui\u00e7\u00f5es que incidem sobre o diesel.<\/p>\n<p>O transporte de cargas e passageiros \u00e9 realizado, no Brasil, em sua quase totalidade, pelo modo rodovi\u00e1rio. As ferrovias s\u00e3o escassas e a navega\u00e7\u00e3o de cabotagem &#8211; ao longo da costa &#8211; e fluvial t\u00eam pouca participa\u00e7\u00e3o no volume transportado. S\u00e3o caminh\u00f5es que levam os combust\u00edveis aos postos, os alimentos aos supermercados, os insumos industriais \u00e0s f\u00e1bricas. Esse quadro deve-se \u00e0 op\u00e7\u00e3o feita pelo governo brasileiro, nos anos 1950, pela instala\u00e7\u00e3o, no pa\u00eds, da grande ind\u00fastria automotiva e da consequente constru\u00e7\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria necess\u00e1ria para a circula\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos. O setor automotivo, que inclui diversos outros setores como os fornecedores de pe\u00e7as e de servi\u00e7os em geral, acumulou grande for\u00e7a pol\u00edtica e tem forte influ\u00eancia no processo pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n<p>O transporte por caminh\u00f5es \u00e9 feito por um n\u00famero relativamente pequeno de grandes empresas, que t\u00eam motoristas contratados, trabalhadores, e por um grande n\u00famero de caminhoneiros aut\u00f4nomos e de empresas pequenas, muitas das quais possuem apenas um caminh\u00e3o, que \u00e9 dirigido, tamb\u00e9m em muitos casos, pelo pr\u00f3prio dono. Os pre\u00e7os do diesel &#8211; hoje elevados e que t\u00eam tend\u00eancia de alta &#8211; e a retra\u00e7\u00e3o recente da economia, combinados, fazem com que a margem de lucro dessas pequenas empresas e dos caminhoneiros aut\u00f4nomos baixe muito, levando-os, em muitos momentos, a n\u00e3o respeitar normas de seguran\u00e7a e a n\u00e3o realizar a manuten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. \u00c9 comum que motoristas n\u00e3o durmam para economizar gastos com hotel e poder buscar mais cargas, usando caminh\u00f5es velhos e perigosos.<\/p>\n<p>Os altos pre\u00e7os dos combust\u00edveis est\u00e3o ligados ao mercado internacional do petr\u00f3leo &#8211; hoje em alta &#8211; e tamb\u00e9m ao abandono da pol\u00edtica de controle de pre\u00e7os da Petrobras, mantida ao longo dos \u00faltimos governos para alavancar outros setores da economia. Essa pol\u00edtica foi abandonada por Temer e pelo ultraliberal Pedro Parente, em nome da &#8220;economia de mercado&#8221;, para tornar a empresa mais lucrativa visando \u00e0 sua privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/b6WlHLXyCNpFziAIx5BmGvxK_EyWsVVoG2-WrFn6HkikqnhFuCQ3t9NU1roAmelcFV7IVFCWZp0RrGQKhoyWfXoymdC7aKkRDZJB9iGMu7YjY6Ue0t5dxJDHvO6v3IVJop36Yyu05nm_R8YCnBUdJE-61IAvJszWdMPsu0CTJiQpMqZYtazPIvelEZicPwOYfihht5E_6fFKhKhIldUVKgZEmoNqGkGQww65dyWxxuUPT5Eq0EmEWdGQeY05fHRMjR83H2auo9f7IcXcSKG5wSLSlmRAZk_qSR-URQPHze9Td_-H6jydxjgN1xBrHW41v3B_O7vnniT__tpDkYohgCD4Mc09Qs6_dQmhkfvkITzh9y3ecBBk3RL7eI_FfAXcnyF4Pkffnz8-5ZbauZkyZYq8N63QcsWN2nJgxdp2rcuRjjB0P8-C5X8KLpKepEegHC-THU7SvZKan8u_z00AlOzp2ueP4UaT6sLp9qmk_fQ1rMeygZAxty0QdLjvwjHjvYdzjfq3SB2lauDsEjXeGlSTV6nCEUKQDX3ehWgXwn2iLD5E5hqDGxUpvMSmF_0XPvxopXGkSefvKylvRT2wLzEdQAbyFAYCHhhLX1MR=w600-h453-no\" alt=\"imagem\" \/>O movimento dos caminhoneiros tem sido disputado por diferentes grupos, conforme interesses pol\u00edticos claramente definidos. O primeiro deles \u00e9 o das grandes empresas transportadoras, que lutam para manter ou aumentar suas margens de lucro e que tentam comandar o movimento, na forma de um locaute, uma greve de empres\u00e1rios; o segundo \u00e9 o dos aut\u00f4nomos e micro-empres\u00e1rios caminhoneiros, que lutam para sobreviver no neg\u00f3cio. Setores da direita em geral e parcelas significas das camadas m\u00e9dias, motivados pela oportunidade de refor\u00e7ar a defesa da queda na cobran\u00e7a de impostos como um todo, tamb\u00e9m se aproveitam da oportunidade para manifestar seu apoio \u00e0 causa, tentando sequestr\u00e1-la para a agenda conservadora, que pede inclusive a interven\u00e7\u00e3o militar no pa\u00eds. H\u00e1 ainda um conjunto dos trabalhadores assalariados e contratados por empreitada para conduzir os caminh\u00f5es que trabalham em condi\u00e7\u00f5es as mais duras para garantirem o seu sustento e o de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O governo cedeu para viabilizar o cumprimento do acordo, certamente bem aceito pelas maiores transportadoras. Como a base do movimento n\u00e3o se viu representada pelo grupo empresarial que tramou o acordo por cima, Temer agora auncia fazer uso da for\u00e7a militar contra os que se mantiveram firmes na paralisa\u00e7\u00e3o, com a justificativa de liberar as estradas e fazer com que o Brasil retorne \u00e0 &#8220;normalidade&#8221;.<\/p>\n<p>Devemos seguir sendo solid\u00e1rios aos trabalhadores do setor, centrando o apoio \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o em defesa do controle de pre\u00e7os dos combust\u00edveis, em favor do incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o voltada a atender as necessidades da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o em geral, com maior taxa\u00e7\u00e3o sobre os lucros das grandes empresas. Deve haver uma invers\u00e3o da matriz tribut\u00e1ria, que hoje incide majoritariamente sobre o consumo e n\u00e3o sobre os lucros, penalizando mais a quem ganha menos &#8211; os trabalhadores. As maiores taxa\u00e7\u00f5es devem recair sobre os lucros dos monop\u00f3lios e das grandes empresas, com destaque para o setor financeiro, o agroneg\u00f3cio e a grande ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Defendemos a Petrobras 100% estatal e a revers\u00e3o do quadro atual dos transportes, com investimentos p\u00fablicos em ferrovias e no modo aquavi\u00e1rio, implantando empresas p\u00fablicas no setor e outras medidas associadas e concatenadas a um projeto de desenvolvimento voltado para a constru\u00e7\u00e3o de uma outra sociedade, onde prevale\u00e7a a igualdade e a justi\u00e7a social, no caminho da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<div class=\"fb-video\" data-allowfullscreen=\"true\" data-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/disparadora\/videos\/1020324051454417\" style=\"background-color: #fff; display: inline-block;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19781\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[221],"class_list":["post-19781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-593","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}