{"id":19806,"date":"2018-05-29T19:25:27","date_gmt":"2018-05-29T22:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19806"},"modified":"2018-05-29T19:25:27","modified_gmt":"2018-05-29T22:25:27","slug":"mulheres-indigenas-dizem-basta-a-violencia-e-a-invisibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19806","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas dizem basta \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 invisibilidade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/26-05-2018-mulheres_do_triangulo_tukano-rede-de-comunicadores-indigenas-do-rio-negro.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579358-mulheres-indigenas-dizem-basta-a-violencia-e-a-invisibilidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU<\/a><\/p>\n<p>Encontro no\u00a0Alto Rio Negro\u00a0reuniu cerca de 200 mulheres em uma celebra\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica e intergeracional pela\u00a0equidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A\u00a0Maloca\u00a0da\u00a0Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro\u00a0(Foirn) foi tomada pela for\u00e7a e coragem feminina durante os quatro dias do\u00a0XI Encontro de Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro, na primeira semana de maio. O evento, que reuniu 200 mulheres de 18\u00a0etnias ind\u00edgenas, contou com a presen\u00e7a de convidadas de renome nacional, como a cantora\u00a0Djuena Tikuna\u00a0e\u00a0Nara Bar\u00e9, presidente da\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira\u00a0(Coiab). O encontro discutiu pautas desafiadoras, como o\u00a0feminic\u00eddio, a viol\u00eancia, perspectivas para a juventude nas\u00a0terras demarcadas\u00a0e a participa\u00e7\u00e3o da\u00a0mulher ind\u00edgena\u00a0nos espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0Juliana Radler,\u00a0publicada por\u00a0ISA. 23-05-2018.<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea as mulheres brancas e negras indo \u00e0 luta por direitos, mas as ind\u00edgenas ainda n\u00e3o s\u00e3o vistas. Queremos ter a nossa voz escutada tamb\u00e9m, pois os problemas que as outras mulheres enfrentam, n\u00f3s enfrentamos igualzinho e muitas vezes com mais dificuldade\u201d, ressalta a coordenadora do Departamento de Mulheres da\u00a0Foirn,\u00a0Elis\u00e2ngela da Silva Bar\u00e9, da\u00a0Terra Ind\u00edgena (TI) Cu\u00e9-Cu\u00e9 Marabitanas, pr\u00f3xima da fronteira com a\u00a0Venezuela. Aos 34 anos, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, casada, agricultora, professora e graduada em Ci\u00eancias Sociais,\u00a0Elis\u00e2ngela\u00a0coordenou o encontro. Junto com ela esteve sua parceira de movimento pol\u00edtico,\u00a0Janete Alves Desana, que atua tamb\u00e9m na\u00a0Rede de Comunicadores Ind\u00edgenas do Rio Negro.<\/p>\n<p>\u201cA gente percebe que as jovens querem mudan\u00e7a. E as mais velhas muitas vezes n\u00e3o entendem. Mas, agora, percebemos que o importante \u00e9 ter roda de conversa. Porque sem esses encontros a gente n\u00e3o consegue provocar as mulheres a falarem delas mesmas. N\u00e3o temos espa\u00e7o na nossa rotina\u201d, comenta\u00a0Adelina Sampaio Desana, jovem lideran\u00e7a da\u00a0Foirn. A partir dos debates e encaminhamentos do encontro foi redigido o \u201cManifesto das Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro\u201d. Leia\u00a0aqui.<\/p>\n<p>Luta pol\u00edtica e dedo na ferida<\/p>\n<p>Muitas das lideran\u00e7as presentes foram para\u00a0S\u00e3o Gabriel da Cachoeira\u00a0(AM) \u2013 onde s\u00f3 se chega por via a\u00e9rea ou fluvial \u2013 direto do\u00a0ATL\u00a0(Acampamento Terra Livre), a maior mobiliza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do\u00a0Brasil, em\u00a0Bras\u00edlia.\u00a0Saiba mais.<\/p>\n<p>A cantora e jornalista\u00a0Djuena Tikuna\u00a0foi uma delas. Pela primeira vez na regi\u00e3o,\u00a0Djuena\u00a0chegou das acaloradas discuss\u00f5es na capital federal para debater e deixar suas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0s mulheres rionegrinas. \u201cFiquei muito feliz de poder contribuir tanto como cantora quanto como ativista e jornalista\u201d, comentou a artista, que mora em\u00a0Manaus\u00a0(AM). Al\u00e9m de protagonizar o show de encerramento,\u00a0Djuena\u00a0participou de uma mesa sobre a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o para o\u00a0movimento ind\u00edgena\u00a0ao lado de outras comunicadoras, como\u00a0Mayra Wapichana, do\u00a0Conselho Ind\u00edgena de Roraima\u00a0(CIR) e\u00a0Sany Brasil, da r\u00e1dio FM\u00a0O Dia.<\/p>\n<p>As mulheres do\u00a0Rio Negro\u00a0tamb\u00e9m debateram sobre viol\u00eancia em pequenos grupos de trabalho, onde puderam confidenciar hist\u00f3rias pessoais ou de parentes. \u201cA gente chora sozinha nas ro\u00e7as de tanta dor dentro do peito. A gente passa a noite apanhando do marido e de manh\u00e3 d\u00e1 uma cuia de mingau para ele. Essa \u00e9 a realidade de muitas de n\u00f3s\u00a0mulheres ind\u00edgenas\u00a0aqui no\u00a0Rio Negro\u201d, confidenciou uma jovem participante.<\/p>\n<p>Em outro grupo, uma idosa revelou que sua m\u00e3e dizia: \u201cSe um dia o seu marido bater em voc\u00ea, n\u00e3o conte nada para ningu\u00e9m. Voc\u00ea n\u00e3o pode falar nada para as pessoas porque sen\u00e3o vai provocar briga e intriga\u201d, revelou. Esses e outros depoimentos ainda mais contundentes foram registrados pelas\u00a0mulheres ind\u00edgenas\u00a0que desejam enfrentar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o. Como disse uma senhora\u00a0Yanomami: \u201cNaka\u00a0(mulher, em\u00a0Yanomami), isso n\u00e3o \u00e9 da cultura n\u00e3o. Isso \u00e9 viol\u00eancia contra a mulher mesmo.\u201d<\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m se mostraram preocupadas com o uso abusivo de \u00e1lcool, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e jovens. Elas afirmaram que \u00e9 preciso atuar fortemente na educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as bebidas alco\u00f3licas industrializadas, que fazem mal \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental dos consumidores, e s\u00e3o diferentes das bebidas tradicionais fermentadas a base de mandioca. \u201c\u00c9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e o\u00a0DSEI\u00a0(Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena) do\u00a0Alto Rio Negro\u00a0precisa atuar fortemente nessa quest\u00e3o\u201d, apontou uma lideran\u00e7a de\u00a0Santa Isabel do Rio Negro.<\/p>\n<p>As\u00a0mulheres ind\u00edgenas\u00a0tamb\u00e9m reivindicaram que seja implantada uma\u00a0Delegacia Especializada no Atendimento \u00e0 Mulher\u00a0(DEAM), em\u00a0S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, com uma casa de acolhimento \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia que possa abrigar mulheres dos munic\u00edpios de\u00a0Barcelos,\u00a0Santa Isabel do Rio Negro\u00a0e\u00a0S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, ou seja, do\u00a0Baixo ao Alto Rio Negro.<\/p>\n<p>Temas como o futuro dos adolescentes e jovens, empreendedorismo da\u00a0mulher ind\u00edgena, sa\u00fade e os\u00a0Planos de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental\u00a0(PGTA) tamb\u00e9m foram debatidos pelas participantes. \u201cFoi um evento singular para o movimento ind\u00edgena do\u00a0Rio Negro. Nossas parentes mostraram que s\u00e3o capazes de liderar\u201d, frisou\u00a0Nara Bar\u00e9, presidente da\u00a0Coiab. Nascida em\u00a0S\u00e3o Gabriel,\u00a0Nara\u00a0\u00e9 uma das principais vozes femininas do movimento ind\u00edgena brasileiro, representando a\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0noBrasil\u00a0e no exterior. O encontro teve ainda uma feira de artesanato, cer\u00e2mica e alimentos do\u00a0Sistema Agr\u00edcola Tradicional do Rio Negro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de pausas nos debates para a m\u00fasica de\u00a0Djuena, encena\u00e7\u00f5es, dan\u00e7a e poesias, o evento teve a pr\u00e9-estreia do filme \u201cQuentura\u201d, da cineasta\u00a0Mari Corr\u00eaa, do\u00a0Instituto Catitu. Uma produ\u00e7\u00e3o realizada para a\u00a0Rede de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica(RCA), o filme retrata as\u00a0mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0sob o olhar sens\u00edvel das\u00a0mulheres ind\u00edgenas, entre elas mulheres rionegrinas, representadas pelas\u00a0Yanomami, da regi\u00e3o do\u00a0Pico da Neblina, e pelas mulheres de\u00a0Iauaret\u00ea, lideradas pela ex-presidente e atual diretora da\u00a0Foirn,\u00a0Almerinda Ramos de Lima,\u00a0Tariana, da\u00a0Terra Ind\u00edgena Alto Rio Negro.<\/p>\n<p>No encerramento do XI\u00a0Encontro das Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro, muitos moradores de\u00a0S\u00e3o Gabriel da Cachoeira\u00a0foram comemorar os 31 anos da\u00a0Foirn\u00a0e aproveitar o show da cantora\u00a0Djuena Tikuna, a primeira ind\u00edgena a fazer um espet\u00e1culo solo no famoso Teatro Amazonas, em\u00a0Manaus. O mestre\u00a0Baniwa,\u00a0Luiz Laureano, da\u00a0Maloca de Itacoatiara Mirim, fez uma performance de improviso com\u00a0Djuena\u00a0tocando o seu\u00a0Japurutu\u00a0para fechar o encontro com m\u00fasica instrumental ind\u00edgena da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O evento foi realizado pela\u00a0Foirn\u00a0e teve a parceria do\u00a0Instituto Socioambiental\u00a0(ISA) e da\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio\u00a0(Funai) e contou com apoio da\u00a0Avon Mulheres,\u00a0CESE,\u00a0RCA,\u00a0Uni\u00e3o Europeia\u00a0e da\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Estadual do \u00cdndio\u00a0(FEI).<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579358-mulheres-indigenas-dizem-basta-a-violencia-e-a-invisibilidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19806\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[163],"tags":[222],"class_list":["post-19806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-59s","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}