{"id":19876,"date":"2018-06-05T15:34:23","date_gmt":"2018-06-05T18:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19876"},"modified":"2018-06-05T15:35:10","modified_gmt":"2018-06-05T18:35:10","slug":"metade-dos-assassinatos-no-campo-em-2017-foram-chacinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19876","title":{"rendered":"Metade dos assassinatos no campo em 2017 foram chacinas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1741\/41842582384_23374aa155_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Segundo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, 71 pessoas foram mortas em conflitos pol\u00edticos no campo<\/p>\n<p>Rute Pina<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/06\/04\/metade-dos-assassinatos-no-campo-em-2017-foram-chacinas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT)\u00a0lan\u00e7ou, nesta segunda-feira (4), a\u00a0<a href=\"https:\/\/cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4371-conflitos-no-campo-brasil-2017\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">33\u00aa edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio anual Conflitos no Campo Brasil<\/a>, documento que apresenta balan\u00e7o dos assassinatos ocorridos em decorr\u00eancia de disputas pol\u00edticas no Brasil rural.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, das 71 mortes registradas em 2017, 31 ocorreram em\u00a0massacres; ou seja, 44% das v\u00edtimas\u00a0de conflitos pol\u00edticos no campo foram assassinadas em chacinas no ano passado.<\/p>\n<p>Foram cinco os massacres decorrentes de conflitos por terra, \u00e1gua ou trabalho no campo. Dois deles, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/04\/26\/massacre-de-colniza-no-mato-grosso-segue-impune-ha-mais-de-um-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Colniza (MT)<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/05\/24\/massacre-de-pau-darco-com-dez-camponeses-mortos-pela-policia-completa-1-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pau D\u2019Arco (PA)<\/a>, s\u00f3 n\u00e3o superaram o n\u00famero de mortos do Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, que vitimou pelo menos 19 trabalhadores sem-terra em 1996.<\/p>\n<p>Desde 1988\u00a0a pastoral n\u00e3o registrava, em um \u00fanico ano, mais de dois massacres \u2014 caracterizados, pela metodologia do relat\u00f3rio, como assassinato de tr\u00eas ou mais pessoas em um conflito\u00a0no mesmo dia.<\/p>\n<p>A CPT pondera que n\u00e3o contabilizou o assassinato de pelo menos dez ind\u00edgenas no Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017. Embora haja ind\u00edcios de que as mortes se trataram de ainda mais um\u00a0massacre, nem o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Amazonas, nem a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai)\u00a0confirmaram a motiva\u00e7\u00e3o das mortes.<\/p>\n<p class=\"m_-7694113708221249816gmail-ckeditor-subtitle\">Aumento da viol\u00eancia<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, o n\u00famero de conflitos no campo teve uma pequena redu\u00e7\u00e3o de 6,8% no ano passado, caindo de 1.536 ocorr\u00eancias\u00a0em 2016\u00a0para 1.431, em 2017.<\/p>\n<p>No entanto, as v\u00edtimas aumentaram. O registro de mortos em decorr\u00eancia desses conflitos cresceu 16,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, de 61 pessoas assassinadas em 2016 para 71 em 2017. Foi a maior progress\u00e3o de crimes pol\u00edticos no campo\u00a0desde 2003.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a 2014, ano em que foram registradas 36 v\u00edtimas, os assassinatos praticamente dobraram no ano passado. Isolete Wichinieski, coordenadora da pastoral, atribuiu o aumento da viol\u00eancia ao contexto pol\u00edtico e econ\u00f4mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Essa movimenta\u00e7\u00e3o do capital a partir de 2008 para a quest\u00e3o da terra tem influenciado muito a\u00a0viol\u00eancia. E, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, em que tivemos o processo de impeachment e com o governo ileg\u00edtimo de Temer que assumiu, houve uma autoriza\u00e7\u00e3o para que os pr\u00f3prios fazendeiros e o agroneg\u00f3cio, eles mesmos, possam fazer uma contrarreforma agr\u00e1ria&#8221;, analisou.<\/p>\n<p>Desde que come\u00e7ou o monitoramento da CPT, os assassinatos em decorr\u00eancia de conflitos no campo se concentram nos estados da Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>Par\u00e1 e Rond\u00f4nia, que registraram 22 e 17 mortes respectivamente, lideram a lista dos locais mais violentos. Juntos, os estados s\u00e3o respons\u00e1veis por mais da metade dos assassinatos, quase 55% do total. Em terceiro lugar, est\u00e1 o estado da Bahia, com dez mortos.<\/p>\n<p>As tentativas de assassinatos tamb\u00e9m aumentaram em 2017, passando de 74 para 120 ocorr\u00eancias \u2013 ou seja, uma tentativa a cada tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>Conflitos pela \u00e1gua<\/p>\n<p>Outro destaque do levantamento da CPT \u00e9 o registro de 197 conflitos por \u00e1gua. Este \u00e9 o maior n\u00famero desde 2002, quando a pastoral passou a contabilizar separadamente estes casos. Em rela\u00e7\u00e3o a 2016, os conflitos por recursos h\u00eddricos cresceram 14,5%. Entre 2005 a 2014, a m\u00e9dia anual foi de 73 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cEsses conflitos, principalmente no ano de 2017, est\u00e3o concentrados na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o. Dos 197, 124 foram pela atua\u00e7\u00e3o das mineradoras. Tivemos, inclusive, um caso de morte. Tamb\u00e9m \u00e9 um processo da mercadoriza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e do pr\u00f3prio aumento das commodities, que exigem expropria\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas\u201d, explicou a coordenadora da CPT.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, por exemplo, as comunidades do munic\u00edpio de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/05\/23\/acao-coletiva-pede-que-exploracao-de-bauxita-no-para-seja-suspensa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/05\/23\/acao-coletiva-pede-que-exploracao-de-bauxita-no-para-seja-suspensa\/&amp;source=gmail&amp;ust=1528309196207000&amp;usg=AFQjCNFapmjBbbRICCPfrltDz8dmno1KKg\">Barcarena denunciam os impactos ambientais causados pela Hydro Alunorte<\/a>. A mineradora explora bauxita para a produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O alto consumo de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o de monoculturas tamb\u00e9m \u00e9 uma das causas do aumento destes confrontos, lembra Wichinieski.<\/p>\n<p>\u201cOutro problema na quest\u00e3o das \u00e1guas continua\u00a0sendo as hidrel\u00e9tricas. E, um n\u00famero menor, 26 conflitos, est\u00e3o em \u00e1reas dominadas por fazendeiros, que \u00e9 a expropria\u00e7\u00e3o das \u00e1guas para a grandes produ\u00e7\u00f5es de monoculturas, principalmente a quest\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o. Isso acaba tirando ou reduzindo o acesso \u00e0 \u00e1gua para as comunidades tradicionais\u201d, explicou Isolete.<\/p>\n<p>Minas Gerais concentrou o maior n\u00famero de embates pela \u00e1gua, com 72 ocorr\u00eancias. Em segundo lugar, a Bahia registrou 54 ocorr\u00eancias. O estado foi palco, inclusive, de uma revolta popular causada por um conflito h\u00eddrico. Em novembro do ano passado, aproximadamente 600 pessoas entraram em duas fazendas que consumiam grande volume das \u00e1guas do rio Arrojado, em Correntina (BA), para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A \u00edntegra do relat\u00f3rio anual Conflitos no Campo Brasil\u00a0<a href=\"https:\/\/cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4371-conflitos-no-campo-brasil-2017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 dispon\u00edvel no site da CPT<\/a>.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Diego Sartorato<\/p>\n<p>Foto: G.Miranda\/FUNAI\/Survival. Assassinato de ind\u00edgenas que aguarda apura\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pode elevar n\u00famero de mortes em 2017 a 81.<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/06\/04\/metade-dos-assassinatos-no-campo-em-2017-foram-chacinas\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19876\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[228],"class_list":["post-19876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5aA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}