{"id":19880,"date":"2018-06-05T15:38:58","date_gmt":"2018-06-05T18:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19880"},"modified":"2018-06-05T15:38:58","modified_gmt":"2018-06-05T18:38:58","slug":"ditadura-abafou-apuracao-de-corrupcao-dos-anos-1970","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19880","title":{"rendered":"Ditadura abafou apura\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o dos anos 1970"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/\/images\/ihu\/2018\/06\/04_06_2018_navioditadura_divulcacaomarinha.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579581-ditadura-abafou-apuracao-de-corrupcao-dos-anos-70-revelam-documentos-britanicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU<\/a><\/p>\n<p>Documentos confidenciais hist\u00f3ricos do governo do\u00a0Reino Unido\u00a0revelam que a\u00a0ditadura brasileira\u00a0atuou para abafar uma investiga\u00e7\u00e3o de\u00a0corrup\u00e7\u00e3o\u00a0na compra de fragatas (navios de escolta) constru\u00eddas pelos brit\u00e2nicos nos anos 1970. Os fatos narrados nos pap\u00e9is ocorreram durante os governos dos generais\u00a0Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici\u00a0(1969-1974) e\u00a0Ernesto Geisel\u00a0(1974-1979).<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0Daniel Buarque, publicada por\u00a0Folha de S. Paulo, 02-06-2018.<\/p>\n<p>Segundo os registros, em 1978 o\u00a0Reino Unido\u00a0estava disposto a investigar den\u00fancia de superfaturamento na compra de equipamentos para a constru\u00e7\u00e3o dos navios vendidos ao\u00a0Brasil\u00a0e se ofereceu para pagar indeniza\u00e7\u00e3o de pelo menos 500 mil libras ao\u00a0Brasil\u00a0(o equivalente a quase 3 milh\u00f5es de libras hoje \u2014ou R$ 15 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Em vez de permitir e ajudar no inqu\u00e9rito que seria do interesse do Brasil, o\u00a0regime militar\u00a0abriu m\u00e3o de receber o valor e rejeitou os pedidos brit\u00e2nicos para ajudar na investiga\u00e7\u00e3o \u2014que foi recebido com estranheza em\u00a0Londres.<\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros claramente desejaram manter o assunto de forma discreta\u201d, diz um dos documentos. \u201c\u00c9 evidente que eles n\u00e3o gostariam que mand\u00e1ssemos um time de investigadores e n\u00e3o iriam colaborar com um, se ele fosse. O embaixador concluiu que o risco de s\u00e9rias dificuldades com as autoridades brasileiras, o que poderia ser levantado por uma investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve ser assumido\u201d, diz outro trecho dos despachos diplom\u00e1ticos a que a Folha teve acesso.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um mist\u00e9rio at\u00e9 hoje n\u00e3o resolvido, e s\u00f3 agora revelado. Por que, diante de uma investiga\u00e7\u00e3o detalhada ao\u00a0Brasil, o governo brasileiro resolveu n\u00e3o apenas impedir a vinda de autoridades brit\u00e2nicas, como n\u00e3o quis o dinheiro que tinha l\u00edquido e certo para receber?\u201d, questiona o pesquisador brasileiro\u00a0Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, respons\u00e1vel pela descoberta dos documentos.<\/p>\n<p>Martins Filho\u00a0\u00e9 professor da\u00a0Universidade Federal de S\u00e3o Carlos\u00a0(UFSCar) e desenvolveu pesquisa nos arquivos da diplomacia brit\u00e2nica durante a\u00a0ditadura brasileira\u00a0durante per\u00edodo no\u00a0King\u2019s College\u00a0de\u00a0Londres.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 autor do livro \u201cSegredos de Estado: O Governo Brit\u00e2nico e a Tortura no Brasil (1969-1976)\u201d (Ed. Prismas), em que revela a coniv\u00eancia do governo em\u00a0Londres\u00a0com a\u00a0tortura no Brasil.<\/p>\n<p>O caso dos navios est\u00e1 registrado em uma pasta de documentos diplom\u00e1ticos intitulada \u201c<em>Alleged fraud and corruption by Vosper Thornycraft (UK) with government of Brazil<\/em>\u201d, que cont\u00e9m cont\u00e9m 139 p\u00e1ginas de registros hist\u00f3ricos sobre o caso. A pasta foi fechada em 1978, e inclui documentos a partir de 1977.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Folha,\u00a0Martins Filho\u00a0disse que teve primeiro contato com a pasta de documentos h\u00e1 dois anos, durante pesquisa em\u00a0Londres, mas que s\u00f3 agora conseguiu finalizar a an\u00e1lise detalhada dos documentos. \u201cTem muito historiador que tem documentos que podem ser bombas, mas ningu\u00e9m teve capacidade de analisar tudo at\u00e9 agora\u201d, disse.<\/p>\n<p>A den\u00fancia revelada por ele diz respeito ao acordo firmado entre\u00a0Brasil\u00a0e\u00a0Reino Unido\u00a0em 1970 para a compra de seis fragatas, das quais quatro seriam constru\u00eddas nos estaleiros da firma\u00a0Vosper, no Sul da\u00a0Inglaterra, e duas no\u00a0Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro\u00a0(AMRJ).<\/p>\n<p>O primeiro desses navios, a fragata\u00a0Niter\u00f3i, foi lan\u00e7ada ao mar em 8 de fevereiro de 1974 e incorporada a 20 de novembro de 1976. Ela foi seguida pelas fragatas\u00a0Defensora,\u00a0Constitui\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0Liberal. No\u00a0Brasil, seriam constru\u00eddas as fragatasIndepend\u00eancia\u00a0e a\u00a0Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada uma dessas fragatas tinha pouco mais de 129 metros de comprimento e capacidade para uma tripula\u00e7\u00e3o de 209 pessoas, com raio de a\u00e7\u00e3o de at\u00e9 4.200 milhas n\u00e1uticas. Elas continuam em uso pela\u00a0Marinha brasileira.<\/p>\n<p>For\u00e7a-tarefa no L\u00edbano<\/p>\n<p>Segundo o site da\u00a0Marinha, no fim do ano passado, a\u00a0Fragata Uni\u00e3o, por exemplo, regressou ao\u00a0Brasil\u00a0ap\u00f3s capitanear a\u00a0For\u00e7a-Tarefa Mar\u00edtima da For\u00e7a Interina das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u00a0no\u00a0L\u00edbano. No in\u00edcio deste ano, a fragata\u00a0Independ\u00eanciaassumiu o lugar dela no pa\u00eds. J\u00e1 a fragata\u00a0Liberal\u00a0foi recentemente aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em\u00a0Santa Catarina.<\/p>\n<p>Segundo a investiga\u00e7\u00e3o realizada em\u00a0Londres\u00a0nos anos 1970, o estaleiro brit\u00e2nico contratado para construir os navios pedia desconto aos fornecedores, que entregavam os equipamentos para a constru\u00e7\u00e3o das fragatas, mas as notas fiscais sa\u00edam com o pre\u00e7o sem o desconto. \u201cO equipamento era fornecido, mas n\u00e3o por aquele pre\u00e7o\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>Os documentos mostram que o governo ingl\u00eas ficou preocupado porque depois do contrato se tornou o dono do estaleiro e recebeu a den\u00fancia de fraude.\u00a0Londres\u00a0havia sido avalista de todas as notas do neg\u00f3cio, explicou\u00a0Martins Filho, ent\u00e3o o governo quis evitar ser acusado de ter responsabilidade.<\/p>\n<p>\u201cA coisa foi t\u00e3o s\u00e9ria que chegou ao\u00a0Ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores\u00a0e at\u00e9 mesmo ao primeiro-ministro\u00a0James Callaghan\u201d, disse\u00a0Martins Filho.<\/p>\n<p>Segundo ele, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o com o representante do governo brasileiro em\u00a0Londres, entretanto, os brit\u00e2nicos se mostravam surpresos porque o\u00a0Brasil\u00a0n\u00e3o fez nenhuma men\u00e7\u00e3o de cobrar repara\u00e7\u00e3o pelo que foi desviado. Em determinado trecho, um documento da pasta indica que os brasileiros preferiam que o assunto seja \u201cdeixado de lado\u201d o mais rapidamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cO governo ingl\u00eas fica sem entender por que o governo brasileiro n\u00e3o queria receber de volta o valor numa ordem de 500 mil libras\u201d, diz\u00a0Martins Filho.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579581-ditadura-abafou-apuracao-de-corrupcao-dos-anos-70-revelam-documentos-britanicos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19880\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[227],"class_list":["post-19880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5aE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}