{"id":19904,"date":"2018-06-07T12:37:00","date_gmt":"2018-06-07T15:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19904"},"modified":"2018-06-07T12:37:00","modified_gmt":"2018-06-07T15:37:00","slug":"no-brasil-dois-paises-assassinatos-de-negros-crescem-23-de-brancos-caem-68","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19904","title":{"rendered":"No Brasil, dois pa\u00edses: assassinatos de negros crescem 23%; de brancos caem 6,8%"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/06_06_negros_foto_universo_mt.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579666-no-brasil-dois-paises-para-negros-assassinatos-crescem-23-para-brancos-caem-6-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU<\/a><\/p>\n<p>O alagoano\u00a0J.S, 21, infelizmente tinha contra si dois fatores. Era\u00a0jovem\u00a0e\u00a0negro. Em seu Estado isso significa que ele tinha as mesmas chances de ser\u00a0assassinado\u00a0do que se morasse em\u00a0El Salvador, um dos\u00a0pa\u00edses mais violentos do mundo\u00a0com uma taxa de homic\u00eddio de 60 mortos por 100.000 habitantes. Terminou baleado ca\u00eddo na cal\u00e7ada no bairro\u00a0Ch\u00e3 da Jaqueira, periferia de\u00a0Macei\u00f3. Destino diferente teve\u00a0P. H. Z., 27. Apesar da pouca idade, o conterr\u00e2neo de\u00a0Silva\u00a0foi aprovado em concurso para ser diplomata pelo Itamaraty. Assim como\u00a0Silva, ele \u00e9 alagoano. Mas com uma diferen\u00e7a:\u00a0Zacarias\u00a0\u00e9 branco. Para um homem branco em\u00a0Alagoas, as chances de ser morto s\u00e3o baix\u00edssimas, as mesmas dos\u00a0Estados Unidos: 5,3 homic\u00eddios por 100.000 habitantes. A\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade\u00a0considera epid\u00eamicas taxas acima de 10.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0Gil Alessi, publicada por\u00a0El Pa\u00eds, 05-06-2018.<\/p>\n<p>Os dados sobre\u00a0viol\u00eancia no Brasil\u00a0constam no\u00a0Atlas da Viol\u00eancia 2018, organizado em parceria entre o\u00a0F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica\u00a0e o\u00a0Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). &#8220;\u00c9 como se, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0viol\u00eancia letal, negros e n\u00e3o negros vivessem em pa\u00edses completamente distintos. Em 2016, por exemplo, a\u00a0taxa de homic\u00eddios de negros\u00a0foi duas vezes e meia superior \u00e0 de n\u00e3o\u00a0negros\u00a0(16,0 por 100.000 habitantes contra 40,2)&#8221;, diz o texto. O relat\u00f3rio analisou os dados mais recentes dispon\u00edveis, de 2016, fornecidos pelo\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os casos de\u00a0Silva\u00a0e\u00a0Zacarias\u00a0foram encontrados pela reportagem no notici\u00e1rio local alagoano. O caso de\u00a0Alagoas, destaca o estudo, \u00e9 &#8220;especialmente interessante, pois o Estado teve a terceira maior\u00a0taxa de homic\u00eddios de negros\u00a0(69,7 por 100.000 habitantes) e a menor\u00a0taxa de homic\u00eddios\u00a0de n\u00e3o negros do Brasil (4,1)&#8221;.<\/p>\n<p>Ao compilar uma d\u00e9cada de\u00a0homic\u00eddios de negros, o\u00a0Atlas\u00a0chega a conclus\u00f5es sombrias, que tornam imposs\u00edvel ignorar o racismo existente no pa\u00eds. &#8220;Em um per\u00edodo de uma d\u00e9cada, entre 2006 e 2016, a taxa de homic\u00eddios de negros cresceu 23,1%. No mesmo per\u00edodo, a taxa entre os n\u00e3o negros teve uma redu\u00e7\u00e3o de 6,8%&#8221;, diz o relat\u00f3rio. As maiores taxas de\u00a0assassinatos de negros no Brasil\u00a0se encontra em\u00a0Sergipe\u00a0(79 por 100.000 habitantes) e\u00a0Rio Grande do Norte\u00a0(70,5). As menores\u00a0taxas de homic\u00eddios de negros\u00a0s\u00e3o a de\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0(13,5),\u00a0Paran\u00e1\u00a0(19) e de\u00a0Santa Catarina\u00a0(22). &#8220;A conclus\u00e3o \u00e9 que a\u00a0desigualdade racial no Brasil\u00a0se expressa de modo cristalino no que se refere \u00e0\u00a0viol\u00eancia letal\u00a0e \u00e0s\u00a0pol\u00edticas de seguran\u00e7a&#8221;, afirma o estudo. A situa\u00e7\u00e3o das\u00a0mulheres negras\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 grave: a taxa de homic\u00eddio entre elas &#8220;foi 71% superior \u00e0 de mulheres n\u00e3o negras&#8221;. Os homens, no entanto, continuam sendo as maiores v\u00edtimas da\u00a0viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Em apenas um Estado brasileiro, o\u00a0Paran\u00e1, a\u00a0taxa de homic\u00eddios\u00a0entre n\u00e3o negros foi maior do que a de negros: 30,6 por 100.000 habitantes e 19, respectivamente. O\u00a0Atlas\u00a0tamb\u00e9m aponta que S\u00e3o Paulo se desta &#8220;por ser o Estado no qual as taxas de homic\u00eddios de negros e de n\u00e3o negros mais se aproximavam (13,5 e 9,1, respectivamente)&#8221;.<\/p>\n<p>Juventude morta a bala<\/p>\n<p>Al\u00e9m da cor da pele, outro fator contribui (e muito) para que uma pessoa seja\u00a0assassinada no Brasil. A idade. &#8220;A vitimiza\u00e7\u00e3o por\u00a0homic\u00eddio de jovens\u00a0(entre 15 e 29 anos) no pa\u00eds \u00e9 fen\u00f4meno denunciado ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, mas que permanece sem a devida resposta em termos de\u00a0pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0que efetivamente venham a enfrentar o problema&#8221;, diz o estudo. No pa\u00eds, 33.590 jovens foram assassinados em 2016, sendo 94,6% do sexo masculino. Esse n\u00famero representa um aumento de 7,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O dado \u00e9 p\u00e9ssimo especialmente porque em 2015 houve uma pequena redu\u00e7\u00e3o ante 2014, de -3,6%.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia nos Estados<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia nos Estados, onze deles apresentaram crescimento gradativo da\u00a0viol\u00eancia letal\u00a0nos \u00faltimos 10 anos. Com exce\u00e7\u00e3o do\u00a0Rio Grande do Sul, todos ficam nas regi\u00f5es Norte e Nordeste do pa\u00eds.\u00a0Sergipe\u00a0lidera como o mais violento, com 64,7 homic\u00eddios por 100.000 habitantes em 2016, seguido pelo\u00a0Acre, com 54,2. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o,\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0teve taxa de 10,9. Em n\u00fameros absolutos a\u00a0Bahia\u00a0fica em primeiro lugar: foram 7171 homic\u00eddios em 2016, mais do que o\u00a0Rio de Janeiro, que teve 6.053.<\/p>\n<p>Os destaques positivos do\u00a0Atlas\u00a0v\u00e3o para a\u00a0Para\u00edba\u00a0e o\u00a0Esp\u00edrito Santo, Estados que &#8220;mostraram diminui\u00e7\u00f5es gradativas nas\u00a0taxas de homic\u00eddios&#8221;. Segundo o Estudo, isso se deve ao lan\u00e7amento, em 2011, dos programas \u201cPara\u00edba pela Paz\u201d e o \u201cEstado Presente\u201d. &#8220;Naquele ano, os dois estados ocupavam, nessa ordem, o lugar de 3\u00aa e 2\u00aa Unidades Federais mais violentas do pa\u00eds. Em 2016, eram o 18\u00ba e 19\u00ba mais violentos&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0&#8220;continua numa trajet\u00f3ria consistente de diminui\u00e7\u00e3o das\u00a0taxas de homic\u00eddios, iniciada em 2000, cujas raz\u00f5es ainda hoje n\u00e3o s\u00e3o inteiramente compreendidas pela academia&#8221;. Dentre os poss\u00edveis fatores elencados est\u00e3o o maior controle sobre armas de fogo, melhoria na organiza\u00e7\u00e3o policial, redu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica no n\u00famero de\u00a0jovens\u00a0e at\u00e9 mesmo a a\u00e7\u00e3o do\u00a0Primeiro Comando da Capital, grupo criminoso que teria ajudado a brecar as mortes nas periferias.<\/p>\n<p>Mortos pela pol\u00edcia<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia que mais mata no\u00a0Brasil\u00a0\u00e9 a do\u00a0Rio de Janeiro. Em 2016, 538 pessoas perderam a vida pelas armas das tropas do Estado, quase o dobro do n\u00famero registrado no ano anterior (281). No total, 4.222 brasileiros foram mortos pela pol\u00edcia naquele ano.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579666-no-brasil-dois-paises-para-negros-assassinatos-crescem-23-para-brancos-caem-6-8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19904\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[223],"class_list":["post-19904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5b2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}