{"id":19913,"date":"2018-06-08T02:44:25","date_gmt":"2018-06-08T05:44:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19913"},"modified":"2018-06-08T02:44:18","modified_gmt":"2018-06-08T05:44:18","slug":"o-que-procura-a-colombia-na-otan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19913","title":{"rendered":"O que procura a Col\u00f4mbia na OTAN?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pt.granma.cu\/file\/img\/2018\/06\/medium\/f0014725.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Sergio Alejandro G\u00f3mez<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds latino-americano a se integrar \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), como parceiro global<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds latino-americano a se integrar \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), como parceiro global.<\/p>\n<p>Nesta na\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul j\u00e1 h\u00e1 uma forte presen\u00e7a militar dos Estados Unidos, supostamente com o objetivo de combater o narcotr\u00e1fico. Por\u00e9m, sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 OTAN, s\u00edmbolo do militarismo intervencionista de Washington e dos seus aliados europeus, sup\u00f5e um caminho muito mais controverso.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do presidente Juan Manuel Santos disparou os alarmes na Am\u00e9rica Latina, uma regi\u00e3o com voca\u00e7\u00e3o pac\u00edfica que, no \u00faltimo s\u00e9culo, foi atacada por for\u00e7as militares dos Estados Unidos e da Gr\u00e3-Bretanha, dois membros dessa alian\u00e7a transatl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Esta coaliz\u00e3o militar surgiu em 1949, durante o confronto com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, na etapa da Guerra Fria. Ap\u00f3s se desintegrar o bloco socialista, no come\u00e7o dos anos 90 do s\u00e9culo passado, o bloco descumpriu sua promessa de se espalhar para o leste e atualmente \u00e9 a principal amea\u00e7a militar contra a R\u00fassia, ao passo que faz a\u00e7\u00f5es militares fora de sua \u00e1rea geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia, pela primeira vez, mostrou seu interesse em se integrar em 2006, durante o governo do militarista \u00c1lvaro Uribe, mas foi recusada por descumprir os crit\u00e9rios geogr\u00e1ficos. N\u00e3o obstante, em junho de 2013, Santos assinou um acordou de troca de informa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, que foi ampliado em finais de 2016.<\/p>\n<p>O an\u00fancio dos \u00faltimos dias inclui esta na\u00e7\u00e3o andina na lista de oitos pa\u00edses que s\u00e3o parceiros globais da OTAN: Afeganist\u00e3o, Austr\u00e1lia, Iraque, Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Mong\u00f3lia, Nova Zel\u00e2ndia e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>OLHAR PARA WASHINGTON<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Santos envia uma clara mensagem do interesse de Bogot\u00e1 por manter a alian\u00e7a com Washington e agir como sua ponta de lan\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, os Estados Unidos podem utilizar uma dezena de bases militares colombianas, a partir das quais podem amea\u00e7ar pa\u00edses vizinhos que n\u00e3o s\u00e3o do seu agrado e dominar os abundantes recursos naturais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o de Washington se junta aos or\u00e7amentos multimilion\u00e1rios que se tornaram modelo de vida para o setor militar colombiano. N\u00e3o menos de US$ 9 bilh\u00f5es foram dedicados \u00e0 for\u00e7a p\u00fablica, ap\u00f3s ser assinado o chamado Plano Col\u00f4mbia, em 1999, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Contudo, os dados demonstram o fracasso do plano, supostamente destinado a combater o narcotr\u00e1fico e suas graves consequ\u00eancias sociais.<\/p>\n<p>Nos oito anos de governo de Uribe e em plena execu\u00e7\u00e3o da assessoria estadunidense, entre 2002 e 2010, mais de tr\u00eas milh\u00f5es de colombianos tiveram que se deslocar dos seus territ\u00f3rios, um n\u00famero que equivale a metade dos 6,2 milh\u00f5es registrados no pa\u00eds a partir de 1985, segundo o jornal El Tiempo.<\/p>\n<p>No momento em que come\u00e7ou o Plano Col\u00f4mbia se estimou em 163.289 os hectares plantados de coca. Em 2017, o pr\u00f3prio governo dos Estados Unidos estimou em cerca de 150 mil os hectares ainda dedicados aos entorpecentes na na\u00e7\u00e3o andina, muito longe de diminu\u00edrem em 50% do proposto.<\/p>\n<p>Igualmente, o gasto da ocupa\u00e7\u00e3o militar norte-americana inclui den\u00fancias de abusos e viola\u00e7\u00f5es de 54 meninas, por parte de soldados estadunidenses, nas proximidades das bases militares, em Melgar e Girardot.<\/p>\n<p><strong>SATISFAZER OS SETORES MILITARISTAS<\/strong><\/p>\n<p>O fim do conflito armado permitiu diminuir o n\u00famero de unidades militares e o or\u00e7amento dedicado a combater a guerrilha, fundos que podiam ser empregados em planos de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o contexto de uma Col\u00f4mbia em paz, ap\u00f3s serem assinados os hist\u00f3ricos acordos com as principais for\u00e7as guerrilheiras do pa\u00eds, pode ser o pior pesadelo para aqueles que se enriquecem com o neg\u00f3cio da guerra, h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>A assinatura de um acordo com a OTAN procuraria, tamb\u00e9m, acalmar os \u00e2nimos entre alguns setores militares que sentem perder for\u00e7a com a paz e que t\u00eam grande influ\u00eancia na vida pol\u00edtica do pa\u00eds, que est\u00e1 em pleno processo eleitoral para escolher o sucessor de Santos.<\/p>\n<p>O setor da defesa colombiano, segundo dados do GESI (Grupo de Estudos em Seguran\u00e7a Internacional), assessora a reestrutura\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias de Honduras, Guatemala, Rep\u00fablica Dominicana e Panam\u00e1, e Santos poderia procurar, com seus \u00faltimos atos, capitalizar ainda mais a exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os militares.<\/p>\n<p>Um assunto pol\u00eamico \u00e9 o papel que a Col\u00f4mbia ter\u00e1 no seio da alian\u00e7a transatl\u00e2ntica, caso se envolver em a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas al\u00e9m fronteiras.<\/p>\n<p>\u00abEste programa procura trabalhar para construir a integridade com as for\u00e7as militares\u00bb, disse Santos em 18 de maio, tentando esclarecer o alcance da sua decis\u00e3o. \u00abN\u00e3o vamos participar das opera\u00e7\u00f5es militares da OTAN\u00bb, acrescentou.<\/p>\n<p>Contudo, no ano passado, o comandante do ex\u00e9rcito da Col\u00f4mbia, general Alberto Jos\u00e9 Mej\u00eda, declarou ao jornal El Colombiano que seu pa\u00eds se preparava para fazer parte do treino de tropas no Afeganist\u00e3o, algo que finalmente n\u00e3o aconteceu<\/p>\n<p>Os parceiros globais \u00abdesenvolvem a coopera\u00e7\u00e3o com a OTAN em \u00e1reas de interesse m\u00fatuo, inclu\u00eddos os desafios de seguran\u00e7a emergentes, e alguns contribuintes ativamente nas opera\u00e7\u00f5es da OTAN, isto \u00e9 militarmente ou de alguma outra forma\u00bb, assinalou a organiza\u00e7\u00e3o em seu site.<\/p>\n<p><strong>DE COSTAS \u00c0 AM\u00c9RICA LATINA<\/strong><\/p>\n<p>Santos, no final da sua segunda presid\u00eancia, pretende deixar entre seu legado a entrada da Col\u00f4mbia aos chamados por ele de \u00abl\u00edderes de boas pr\u00e1ticas\u00bb, em n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o inclui a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento (OCDE), o clube dos pa\u00edses mais desenvolvidos que aceitou, h\u00e1 pouco, a inclus\u00e3o colombiana, ap\u00f3s um processo de sete anos.<\/p>\n<p>\u00abFazer parte da OCDE e da OTAN melhora a imagem da Col\u00f4mbia e nos permite ter mais envolvimento na situa\u00e7\u00e3o internacional\u00bb, disse o presidente.<\/p>\n<p>Contudo, suas a\u00e7\u00f5es constituem um esc\u00e2ndalo perante a Am\u00e9rica Latina e seus mais pr\u00f3ximos vizinhos, especialmente a Venezuela, que sofre constantes ataques por parte dos Estados Unidos e \u00e9 considerada uma \u00abamea\u00e7a extraordin\u00e1ria\u00bb para a seguran\u00e7a nacional desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Durante um comunicado emitido pouco despois do an\u00fancio de Santos, Caracas denunciou perante a comunidade internacional a tentativa das autoridades colombianas de se oferecer para criar na Am\u00e9rica Latina e o Caribe uma alian\u00e7a militar externa com capacidade nuclear, tornando-se uma s\u00e9ria amea\u00e7a para a paz e a estabilidade regional\u00bb.<\/p>\n<p>Em 2016, Brasil, Equador, Nicar\u00e1gua, Venezuela e a Bol\u00edvia mostraram sua preocupa\u00e7\u00e3o acerca da aproxima\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia \u00e0 OTAN e, inclusive, foi convocada urgentemente uma reuni\u00e3o da Unasul para debater o assunto.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, Col\u00f4mbia tem compromissos diplom\u00e1ticos que violaria com sua entrada \u00e0 OTAN. Entre outros motivos, \u00e9 assinante da disposi\u00e7\u00e3o do Tratado de Tlatelolco para a Proscri\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares na Am\u00e9rica Latina e o Caribe; a Declara\u00e7\u00e3o de Havana da Celac, que proclama a Am\u00e9rica Latina e o Caribe como Zona de Paz; a Declara\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul como Zona de Paz, e as Medidas de Fomento da Confian\u00e7a e Seguran\u00e7a e seus Procedimentos, aprovadas no \u00e2mbito do Conselho de Defensa Sul-americano, da Unasul.<\/p>\n<p>\u00abCol\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds que se deve inscrever entre as na\u00e7\u00f5es que constroem a paz e n\u00e3o interven\u00e7\u00f5es militares ou a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas no mundo\u00bb, disse \u00e0 imprensa o senador Iv\u00e1n Cepeda, integrante da comiss\u00e3o do Congresso que trata dos assuntos de pol\u00edtica internacional e defesa nacional.<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o acredito o que tenha que fazer a Col\u00f4mbia, que tenta consolidar seu processo de paz neste momento, em pactos ou blocos militares que podem terminar envolvendo-a na din\u00e2mica de guerra internacional\u00bb, concluiu.<\/p>\n<p>internet@granma.cu<\/p>\n<p>http:\/\/pt.granma.cu\/mundo\/2018-06-06\/o-que-procura-a-colombia-na-otan<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19913\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34,38],"tags":[233],"class_list":["post-19913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","category-c43-imperialismo","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5bb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}