{"id":19917,"date":"2018-06-09T03:09:55","date_gmt":"2018-06-09T06:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19917"},"modified":"2018-06-09T03:09:55","modified_gmt":"2018-06-09T06:09:55","slug":"relatorio-da-cpt-denuncia-aumento-da-violencia-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19917","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da CPT denuncia aumento da viol\u00eancia no campo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/08_06_2018-violencia-campo-morte-assassinatos.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579738-lancamento-do-&lt;wbr \/&gt;relatorio-anual-da-cpt-&lt;wbr \/&gt;destaca-o-aumento-da-violencia-no-campo-e-dos-conflitos-pela-agua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU<\/a><\/p>\n<p>O evento de lan\u00e7amento do relat\u00f3rio anual da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra teve in\u00edcio com a palavras de Dom<strong>\u00a0<\/strong><b>Leonardo Steiner<\/b>, secret\u00e1rio geral da\u00a0<strong>CNBB<\/strong>, que destacou a manuten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no campo. J\u00e1 Dom<strong>\u00a0Andr\u00e9<\/strong>, presidente da\u00a0CPT, chamou a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do trabalho de documentar todos os anos esses dados e da significativa den\u00fancia que eles representam.<\/p>\n<p>Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, professor da\u00a0<strong>Universidade Federal Fluminense (UFF)<\/strong>, destacou a import\u00e2ncia do trabalho de utilidade p\u00fablica que a\u00a0<strong>CPT<\/strong>\u00a0faz com o relat\u00f3rio\u00a0<strong>Conflitos no Campo Brasil<\/strong>, desde 1985. \u201cA qualidade e o rigor que esses dados s\u00e3o tratados s\u00e3o inquestion\u00e1veis\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista epistemol\u00f3gico \u00e9 um momento de abertura de compreens\u00e3o da realidade da sociedade. \u00c9 o contraponto da ideia de que o agro \u00e9 tudo. As contradi\u00e7\u00f5es e as dimens\u00f5es que n\u00e3o aparecem no dia a dia. O\u00a0conflito pela \u00e1gua em Correntina\u00a0\u00e9 a mudan\u00e7a no uso da terra. As popula\u00e7\u00f5es sempre usaram a \u00e1gua da superf\u00edcie e j\u00e1 n\u00e3o podem mais usar. A popula\u00e7\u00e3o em desespero ocupa uma fazenda de ponta e quebra tudo. Como dizem os\u00a0zapatistas<strong>,<\/strong>\u00a0h\u00e1 raivas que s\u00e3o dignas. A \u00e1gua tinha que ter um destino digno\u201d, analisou o professor.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da\u00a0<strong>CPT,<\/strong>\u00a0mais de 60% dos<strong>\u00a0<\/strong><b>conflitos pela \u00e1gua<\/b>\u00a0foram protagonizados por\u00a0mineradoras. 33 conflitos, 17%, aconteceram no contexto das\u00a0hidrel\u00e9tricas. Outros 26 conflitos, 13%, em \u00e1reas dominadas por fazendeiros. No contexto dos conflitos pela \u00e1gua, em \u00e1rea de mineradora, registrou-se um assassinato em\u00a0Barcarena,\u00a0<strong>Par\u00e1<\/strong>.\u00a0<strong>Fernando Pereira<\/strong>, lideran\u00e7a da\u00a0<strong>Comunidade de Jardim Cana\u00e3<\/strong>, fortemente impactada pela opera\u00e7\u00e3o da mineradora\u00a0Hydro Alunorte<strong>,<\/strong>\u00a0e membro da<strong>\u00a0Associa\u00e7\u00e3o dos Caboclos<\/strong>,<strong>\u00a0Ind\u00edgenas e Quilombolas da Amaz\u00f4nia &#8211; Cainquiama<\/strong>, foi assassinado a tiros no dia 22 de dezembro de 2017. A organiza\u00e7\u00e3o estava envolvida na den\u00fancia de conflitos fundi\u00e1rios na regi\u00e3o e no combate aos crimes socioambientais protagonizados pela\u00a0<strong>Hydro,<\/strong>\u00a0que explora\u00a0<strong>bauxita<\/strong>\u00a0para produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>alum\u00ednio<\/strong>\u00a0e tem um rol extenso de il\u00edcitos cometidos ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Minas Gerais concentrou o maior n\u00famero de conflitos pela \u00e1gua, 72 ocorr\u00eancias, seguido da Bahia com 54.<\/p>\n<p><strong>Adalgisa Maria de Jesus<\/strong>, a dona\u00a0<strong>Nena<\/strong>, trouxe o depoimento do levante popular de\u00a0<strong>Correntina<\/strong>, na\u00a0<strong>Bahia<\/strong>. De um povo que se revoltou por ver seu bem mais precioso ser usurpado, a \u00e1gua. \u201c\u00c1gua \u00e9 a vida de cada um e cada uma de n\u00f3s. Correntina ficou conhecida depois daquele 2 de novembro de 2017, pouca gente conhecia. O povo de\u00a0<strong>Correntina<\/strong>\u00a0est\u00e1 perdendo esse bem precioso que \u00e9 a \u00e1gua. As comunidades por conta da falta da \u00e1gua come\u00e7aram a n\u00e3o conseguir mais fazer o engenho funcionar. Come\u00e7ou a ter apag\u00e3o e a faltar energia tamb\u00e9m. E perceberam que era quando a\u00a0<b>fazenda Igarashi<\/b>\u00a0funcionava a pleno vapor, que a cidade ficava desabastecida. Isso n\u00e3o est\u00e1 certo. Al\u00e9m disso ela tinha um piscin\u00e3o que se enchesse, n\u00e3o correria mais \u00e1gua dentro do rio. O povo n\u00e3o aguentou e foi l\u00e1 e quebrou os diques que estavam secando o rio. Ningu\u00e9m vai morrer de sede nas margens do rio Arrojado e ningu\u00e9m vai morrer parado, sem lutar!\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe tem tanto conflito isso indica que tem problemas, apesar de muitos dizerem que o campo n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o importante no cen\u00e1rio nacional\u201d, destacou o professor\u00a0<strong>Carlos Walter<\/strong>. Desde 2015 h\u00e1 um crescimento exponencial da\u00a0viol\u00eancia no campo. \u201cEu analisei o per\u00edodo de 2015 a 2017 como um per\u00edodo de ruptura pol\u00edtica, e ao compar\u00e1-lo aos anteriores, cheguei \u00e0 m\u00e9dia de homic\u00eddios de 60,6. Entre os anos de 2011 a 2014, durante o governo\u00a0<strong>Dilma,<\/strong>\u00a0a m\u00e9dia foi de 33,7. Portanto, estamos em um momento muito mais violento\u201d.<\/p>\n<p>Para a subprocuradora da Rep\u00fablica,\u00a0D\u00e9bora Duprat, \u201ca ruptura do pacto constituinte de 2015, com a ascens\u00e3o do governo\u00a0<strong>Temer<\/strong>\u00a0j\u00e1 iniciou suas a\u00e7\u00f5es levando as quest\u00f5es agr\u00e1rias para a Casa Civil, tirando a expertise de quem sempre trabalhou com esses temas e levando para a esfera pol\u00edtica as quest\u00f5es t\u00e9cnicas e espec\u00edficas do campo. Da mesma forma fizeram com a Funai, colocando em risco o trabalho especializado que se precisa ter com essas quest\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para\u00a0<strong>Polliane Barbosa<\/strong>, do acampamento\u00a0<strong>Hugo Ch\u00e1vez<\/strong>, no\u00a0<strong>Par\u00e1<\/strong>, despejado em dezembro de 2017, e dirigente nacional do\u00a0<strong>MST<\/strong>\u00a0no estado, h\u00e1 um aumento das opress\u00f5es sobre todos trabalhadores brasileiros em geral, sobretudo contra camponesas e camponeses que lutam por terra, \u00e1gua e liberdade. Para ela, os n\u00fameros contidos no relat\u00f3rio da\u00a0<strong>CPT<\/strong>\u00a0evidenciam a luta que ela e tantos trabalhadores e trabalhadoras vivem em seu dia a dia no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>. &#8220;S\u00e3o dados que quantificam uma realidade concreta da qual trabalhadores do campo tem sofrido no nosso pa\u00eds. Eles partem da concretude da luta por terra!&#8221;.<\/p>\n<p>Ao analisar os dados de viol\u00eancia,\u00a0Ant\u00f4nio Canuto, membro fundador da\u00a0<strong>CPT<\/strong>, destacou que \u00e9 poss\u00edvel identificar que o lado mais \u201cmacabro\u201d de\u00a0<strong>2017<\/strong>\u00a0foram os massacres. Do total de mortos, 31 pessoas morreram em cinco massacres pelo pa\u00eds. 71 assassinatos foi o maior n\u00famero registrado desde 2003, quando se computaram 73 v\u00edtimas. \u201c\u00c9 16,4% maior que em 2016, quando houve o registro de 61 assassinatos, praticamente o dobro de 2014, que registrou 36 v\u00edtimas\u201d, apontou\u00a0<strong>Canuto.<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/<wbr \/>579738-lancamento-do-<wbr \/>relatorio-anual-da-cpt-<wbr \/>destaca-o-aumento-da-<wbr \/>violencia-no-campo-e-dos-<wbr \/>conflitos-pela-agua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19917\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[118,244],"tags":[228],"class_list":["post-19917","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c131-reforma-agraria","category-violencia","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5bf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19917\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}