{"id":19971,"date":"2018-06-13T09:07:54","date_gmt":"2018-06-13T12:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19971"},"modified":"2018-06-13T09:07:54","modified_gmt":"2018-06-13T12:07:54","slug":"intervencao-militar-brasil-passou-por-um-dos-periodos-mais-corruptos-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19971","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o militar: Brasil passou por um dos per\u00edodos mais corruptos da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1747\/42567687152_045a8a2451_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Desinforma\u00e7\u00e3o e enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o algumas das causas que explicam os pedidos da volta da interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ana Carolina Caldas<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/06\/12\/intervencao-militar-brasil-passou-por-um-dos-periodos-mais-corruptos-da-historia\/\" target=\"blank\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<p>Recentemente a greve dos caminhoneiros trouxe \u00e0 tona novamente um fato que j\u00e1 vinha acontecendo em protesteos de rua, como a dos que se manifestaram contra o fim da corrup\u00e7\u00e3o, segurando cartazes e faixas pedindo a volta da interven\u00e7\u00e3o militar.\u00a0 Isso acontece ao mesmo tempo que documentos de arquivos da Ditadura Militar s\u00e3o revelados com dados estarrecedores, inclusive sobre corrup\u00e7\u00e3o, enquanto o Brasil esteve sob este regime.<\/p>\n<p>Foram 20 anos sob o comando dos militares, sem elei\u00e7\u00e3o presidencial, com pris\u00f5es, torturas b\u00e1rbaras e mortes. Os que se manifestam hoje a favor da Interven\u00e7\u00e3o Militar, para especialistas e para quem viveu a \u00e9poca, s\u00e3o frutos da desinforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. H\u00e1 uma ilus\u00e3o de que sob a conduta e interven\u00e7\u00e3o dos militares, a gest\u00e3o do pa\u00eds estaria em ordem. Por\u00e9m, \u00e9 neste per\u00edodo que acontecem os maiores casos de corrup\u00e7\u00e3o, como por exemplo, o da Transamaz\u00f4nica, uma obra bilion\u00e1ria inconclusa por parte dos militares. No fim terminou sem asfalto e com menos quilometragem previstas, custando aos cofres p\u00fablicos US$1,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Emerson Urizzi Cervi, professor de Ci\u00eancias Pol\u00edticas da UFPR, cita a quest\u00e3o geracional, como uma das causas para que o assunto volte. \u00a0\u201cEssa gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 pedindo por interven\u00e7\u00e3o militar, na casa dos 30 os 40 anos pode ter nascido sob o regime, mas n\u00e3o o viveu. Portanto n\u00e3o tem nenhum compromisso hist\u00f3rico e n\u00e3o se sente respons\u00e1vel pelas consequ\u00eancias desta \u00e9poca no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Somente agora dados reais sobre o que aconteceu nesta \u00e9poca v\u00eam sendo revelados. Cervi explica que o final do Golpe Militar foi negociado entre for\u00e7as pol\u00edticas que estavam saindo e as que estavam querendo entrar. \u201cN\u00e3o tivemos uma ditadura militar, tivemos uma ditadura civil militar, uma parceria de militares com uma elite econ\u00f4mica ascendente que queria acabar com o governo de Jo\u00e3o Goulart, que chamavam de comunista. Portanto, vamos ter nesse regime, grandes casos de corrup\u00e7\u00e3o. Mas, que nunca foram revelados, pois este era o acordo: n\u00e3o divulgar o que aconteceu. Assim, tivemos uma transi\u00e7\u00e3o negociada da democracia e a ilus\u00e3o de que n\u00e3o houve corrup\u00e7\u00e3o. O que n\u00e3o existia era transpar\u00eancia e fiscaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Grandes obras e o crescimento das Empreiteiras<\/strong><\/p>\n<p>O Coordenador do Grupo Tortura Nunca Mais, Narciso Pires, lembra que empresas que vem sendo citadas em casos de corrup\u00e7\u00e3o agora, encontraram terreno f\u00e9rtil no Regime Militar: \u201cAs pessoas n\u00e3o fazem ideia do que foi a corrup\u00e7\u00e3o na ditadura militar, todas estas empresas, OAS, Odebrecht, Camargo Correa, estas grandes empreiteiras se tornaram grandes deste jeito no\u00a0Regime Militar. Este modo operacional foi constru\u00eddo nessa \u00e9poca em que tivemos o maior n\u00famero de obras fara\u00f4nicas, como Itaipu, Ponte Rio Niter\u00f3i, Angra dos Reis, com valores alt\u00edssimos de superfaturamento\u201d. E continua: \u201cA Odebrecht era antes da Ditadura Militar uma empresa que se limitava a pequenas obras. No Governo militar de Costa e Silva, passou de 19o.\u00a0empresa para a 3a. com maior faturamento\u201d. Narciso foi militante, preso e torturado na Ditadura Militar. Atualmente coordena o Grupo Tortura Nunca Mais, respons\u00e1vel em coletar dados e depoimentos de pessoas que foram presas, torturadas e exiladas na \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Documentos ingleses revelam corrup\u00e7\u00e3o dos militares<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente documentos hist\u00f3ricos da Inglaterra revelaram que a ditadura brasileira se negou a fazer uma investiga\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o na compra de navios ingleses. O governo ingl\u00eas, em 1978, comunicou ao governo brasileiro a descoberta de superfaturamento na compra de equipamentos e se ofereceu para devolver o dinheiro. O regime militar, segundo os documentos, \u00a0abriu m\u00e3o de receber o valor desviado dos seus cofres p\u00fablicos e abafou o caso. A descoberta \u00e9 fruto de pesquisas do historiador brasileiro Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, da UFSCAR.<\/p>\n<p><strong>Enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Sob a Constitui\u00e7\u00e3o, a For\u00e7a Armada tem a fun\u00e7\u00e3o de defesa nacional, por\u00e9m subordinada \u00e0 figura de uma autoridade civil, no caso o Presidente da Rep\u00fablica. Cervi tamb\u00e9m relaciona o apelo a for\u00e7a militar com o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es:\u00a0\u201cNossas institui\u00e7\u00f5es p\u00f3s Constitui\u00e7\u00e3o de 88, que deveriam ser fortalecidas para serem institui\u00e7\u00f5es meio, transformaram-se em institui\u00e7\u00f5es que querem substituir a pol\u00edtica. Que querem substituir a democracia. S\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o eleitas, n\u00e3o tem controle social nenhum, s\u00e3o burocratas que se sentem no direito de desqualificar a pol\u00edtica. De acabar com qualquer princ\u00edpio democr\u00e1tico de coopera\u00e7\u00e3o e de negocia\u00e7\u00e3o\u201c.<\/p>\n<p>Nos anos anteriores ao in\u00edcio \u00e0 Ditadura Militar no Brasil, a ent\u00e3o estudante de Pedagogia, Z\u00e9lia Passos, vivia a efervesc\u00eancia cultural dos anos 60: participou de um grupo de teatro pol\u00edtico que ia para as ruas de Curitiba, come\u00e7ou a se interessar pela Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o iniciada no Governo Jo\u00e3o Goulart e chegou a levar o M\u00e9todo Paulo Freire para dentro de comunidades carentes.<\/p>\n<p>Conheceu na a\u00e7\u00f5es de luta o advogado e militante Ed\u00e9sio Passos, pai dos seus filhos. Em 68, com o AI5, Z\u00e9lia e sua filha de 5 anos v\u00e3o, na clandestinidade, para o Rio de Janeiro.\u00a0 Em 71, Ed\u00e9sio, em Curitiba, \u00e9 preso e depois levado para o Rio de Janeiro, onde foi submetido a interrogat\u00f3rios a base de tortura, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Z\u00e9lia, que fora presa em Curitiba, gr\u00e1vida do seu segundo filho. Ela foi detida em dezembro de 1971. Gr\u00e1vida e encarcerada chegou a ser hospitalizada e depois removida para uma sala no Hospital Militar de Curitiba, onde ficou por v\u00e1rios meses. Sobre o que viveu, disse em depoimento ao Grupo Tortura Nunca Mais, \u201cque o ideal mais nobre de um ser humano pode viver \u00e9 o da liberdade. Voc\u00ea n\u00e3o se sentir dona da sua vida e que outros v\u00e3o decidindo seu destino, \u00e9 muito ruim. Isso do\u00eda fisicamente&#8221;, relata. \u201cS\u00f3 quem viveu a perda da liberdade sabe o quanto doloroso \u00e9\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es com Grupo Tortura Nunca Mais.<\/em><\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: La\u00eds Melo<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/06\/12\/intervencao-militar-brasil-passou-por-um-dos-periodos-mais-corruptos-da-historia\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19971\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[234],"class_list":["post-19971","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5c7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19971\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}