{"id":19977,"date":"2018-06-13T09:11:38","date_gmt":"2018-06-13T12:11:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=19977"},"modified":"2018-06-13T09:11:38","modified_gmt":"2018-06-13T12:11:38","slug":"o-ataque-de-raiva-de-trump-e-a-economia-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19977","title":{"rendered":"O ataque de raiva de Trump e a economia mundial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/eua\/imagens\/g7_1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Michael Roberts<\/p>\n<p><i>A reuni\u00e3o do G7 em Quebeque, Canad\u00e1, foi memor\u00e1vel sob muitos aspectos. Primeiro, houve uma clara ruptura na habitual ins\u00edpida unidade de objectivo e pol\u00edtica expressa nas reuni\u00f5es do G7 pelos l\u00edderes dos sete principais pa\u00edses capitalistas do mundo.<\/i><\/p>\n<p>Pouco antes da reuni\u00e3o do G7 o presidente Donald Trump anunciara uma s\u00e9rie de medidas de tarifas protecionistas contra o resto do G7, inclusive o seu vizinho mais pr\u00f3ximo, o Canad\u00e1, com o argumento da &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221; \u2013 aparentemente o Canad\u00e1 agora \u00e9 um risco para a seguran\u00e7a para os EUA.\u00a0Ao assim fazer, Trump cumpriu suas promessas eleitorais\u00a0.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o Trump atacou os outros l\u00edderes afirmando que seus governos estavam impondo regras comerciais &#8220;injustas&#8221; sobre produtos estadunidenses e que precisavam reduzir seus excedentes no com\u00e9rcio com os EUA. Os outros j\u00e1 haviam respondido \u00e0s medidas tarif\u00e1rias dos EUA com o planeamento de tarifas rec\u00edprocas sobre exporta\u00e7\u00f5es chave dos EUA e agora replicaram aos ataques de Trump com argumentos e evid\u00eancia de que, ao contr\u00e1rio, eram os EUA que restringiam a importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os estrangeiros.<\/p>\n<p>Assim, come\u00e7ou a guerra comercial \u2013 uma guerra em que as principais economias capitalistas n\u00e3o se empenhavam desde a depress\u00e3o dos anos 1930 e que supostamente estava resolvida por acordos internacionais como o General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) e o North American Free Trade Agreement (NAFTA) no per\u00edodo do p\u00f3s guerra. Trump considerou a OMC como o pior acordo comercial poss\u00edvel e o NAFTA como o segundo pior (para a Am\u00e9rica). Os EUA haviam protegido os estados capitalistas europeus e o japon\u00eas com seus ex\u00e9rcitos e armas nucleares contra a suposta amea\u00e7a russa e agora era a vez de eles pagarem tanto atrav\u00e9s de gastos em defesa como de acordos comerciais &#8220;mais justos&#8221;. A ironia real neste argumento de Trump foi ele conclamar a que a R\u00fassia, o suposto inimigo, tivesse outra vez um lugar na mesa principal \u2013 conversa que somou o insulto \u00e0 inj\u00faria.<\/p>\n<p>O que todas estas travessuras trumpistas revelaram \u00e9 que o per\u00edodo da Grande Modera\u00e7\u00e3o e da globaliza\u00e7\u00e3o,\u00a0desde os anos 1980 at\u00e9 2007\u00a0, quando todos os estados capitalistas importantes trabalhavam em conjunto para beneficiar o capital em todos os pa\u00edses (em variados graus) est\u00e1 acabado. A Grande Recess\u00e3o de 2007-8 e a Longa Depress\u00e3o que se seguiu desde 2009 mudaram o quadro econ\u00f4mico. Numa economia capitalista mundial em estagna\u00e7\u00e3o, onde o crescimento da produtividade \u00e9 baixo, o crescimento do com\u00e9rcio mundial tem deca\u00eddo e a lucratividade do capital n\u00e3o se recuperou, a coopera\u00e7\u00e3o foi substitu\u00edda por uma competi\u00e7\u00e3o cada vez mais viciosa \u2013 os ladr\u00f5es tem brigado.<\/p>\n<p>Trump \u00e9 o l\u00edder &#8220;populista&#8221; e nacionalista da maior pot\u00eancia capitalista; a It\u00e1lia (o mais fraco do G7) tornou-se tamb\u00e9m &#8220;populista&#8221; e nacionalista. E a Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 trancada na cova do &#8220;Brexit&#8221;, um desastre para o capital brit\u00e2nico da sua pr\u00f3pria lavra. O ataque de Trump significou que a reuni\u00e3o do G7, a qual discutia o aumento da desigualdade, a automa\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 os desafios chave a longo prazo para a sobreviv\u00eancia do capitalismo \u2013 foi paralisada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o importa, por agora. A economia mundial est\u00e1 realmente a parecer melhor desde o fim da Grande Recess\u00e3o. O Banco Mundial estima que o crescimento real do PIB global ser\u00e1 de 3,1% este ano, o mesmo de 2017. Isso pode n\u00e3o parecer muito alto, mas \u00e9 uma subida ap\u00f3s o per\u00edodo de quase recess\u00e3o de 2015-16, quando o crescimento global caiu para apenas 2,4% e as economias do G7 n\u00e3o podiam obter mais do que 1,5%. Agora as economias do G7 est\u00e3o a expandir-se em torno da taxa dos 2,5%. O desemprego nos EUA, no Reino Unido e no Jap\u00e3o \u00e9 o mais baixo de todos os tempos. E mesmo na Europa, a taxa de desemprego caiu para 8%, ainda acima dos n\u00edveis anteriores \u00e0 crise mas a recuperar-se.<\/p>\n<p>Contudo, no mais recente\u00a0Global Economic Prospects, economistas do Banco Mundial n\u00e3o estavam convencidos de que esta moderada recupera\u00e7\u00e3o (ainda uns 30% abaixo da taxa de crescimento mundial anterior \u00e0 crise) ir\u00e1 ser sustentada. &#8220;\u00c9 esperado que se reduza nos pr\u00f3ximos dois anos, quando a inatividade global se dissipar, o com\u00e9rcio e o investimento moderarem-se e as condi\u00e7\u00f5es de financiamento endurecerem. O crescimento em economias avan\u00e7adas est\u00e1 previsto que se desacelere rumo a taxas potenciais, quando a pol\u00edtica monet\u00e1ria se normalizar e os efeitos do est\u00edmulo or\u00e7amental dos EUA desvanecerem-se&#8221;. Al\u00e9m disso, &#8220;A perspectiva dos riscos permanece inclinada em rumo descendente. Elas incluem movimentos desordenados no mercado financeiro, escalada do protecionismo comercial, aumento da incerteza pol\u00edtica e ascens\u00e3o de tens\u00f5es geopol\u00edticas, todas as quais continuam a enevoar a perspectiva&#8221;.<\/p>\n<p>Sugeri no fim do ano passado\u00a0que o ciclo comercial de curto prazo de 2015 a 2016 atingiria o pico em 2018 e a seguir acalmaria em 2019-20. &#8220;O que parece ter acontecido \u00e9 que houve uma recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica de curto prazo a partir de meados de 2016, ap\u00f3s uma quase recess\u00e3o global desde o fim de 2014 at\u00e9 meados de 2016. Se o fundo de ciclo Kitchin foi em meados de 2016, o pico deveria ser em 2018, com uma oscila\u00e7\u00e3o para baixo depois disso&#8221;. E reiterei essa\u00a0previs\u00e3o em Abril\u00a0.<\/p>\n<p>Os economistas do Banco Mundial parecem concordar. Eles esperam que o crescimento econ\u00f4mico mundial baixe para 2,9% em 2020. &#8220;A expans\u00e3o econ\u00f4mica global permanece robusta mas tem amortecido&#8230; A atividade global ainda est\u00e1 atr\u00e1s de expans\u00f5es anteriores e o crescimento deve-se desacelerar em 2019-20 quando o com\u00e9rcio e o investimento se tornar moderado. O progresso do rendimento per capita ser\u00e1 desigual e insuficiente para enfrentar a extrema pobreza na \u00c1frica sub-saariana&#8221;. E &#8220;N\u00e3o obstante a expans\u00e3o global em curso, espera-se que s\u00f3 45 por cento dos pa\u00edses experimentem uma nova acelera\u00e7\u00e3o do crescimento este ano, abaixo dos 56 por cento em 2017. Al\u00e9m disso, a atividade global ainda se atrasa em rela\u00e7\u00e3o a expans\u00f5es pr\u00e9vias apesar da recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 de uma d\u00e9cada da crise financeira global&#8221;. Assim, o Banco Mundial considera que a Longa Depress\u00e3o continuar\u00e1.<\/p>\n<p>E isto \u00e9 assumindo n\u00e3o haver qualquer nova queda nos pr\u00f3ximos dois anos. Se bem que n\u00e3o haja qualquer sinal imediato de uma nova recess\u00e3o global (na verdade, aparentemente o oposto), h\u00e1 muitos fatores a acumularem-se que sugerem n\u00e3o estar demasiado distante. O primeiro \u00e9 o facto \u00f3bvio de que a atual recupera\u00e7\u00e3o muito fraca da Grande Recess\u00e3o \u00e9 a segunda mais longa expans\u00e3o no per\u00edodo p\u00f3s 1945, alcan\u00e7ando dez anos no pr\u00f3ximo Ver\u00e3o de 2019 \u2013 se perdurar at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>E h\u00e1 a quest\u00e3o da lucratividade. No primeiro trimestre de 2018, as 500 principais companhias dos EUA atingiram um aumento de 26% nos ganhos por a\u00e7\u00e3o. Mas isto deveu-se principalmente \u00e0 enorme redu\u00e7\u00e3o fiscal engendrada pela administra\u00e7\u00e3o Trump. Quando se olha para os lucros de todo o sector corporativo antes das redu\u00e7\u00f5es fiscais, verifica-se que houve uma queda no 1\u00ba trimestre de 2018 (-0,6%) a qual se seguiu a uma queda no 4\u00ba trimestre de 2017 (-0,1%). A prosperidade de Trump foi um facto isolado. E a lucratividade m\u00e9dia nas economias G7 permanece abaixo dos n\u00edveis pr\u00e9 crise mesmo ap\u00f3s dez anos de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o grande risco pela frente \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de lucratividade cadente e alta e ascens\u00e3o da d\u00edvida nos sectores corporativos do G7. Se os lucros come\u00e7assem a falhar enquanto o custo de servir ascende quando as taxas de juro ascendem, ent\u00e3o isto \u00e9 uma receita para bancarrotas corporativas e uma nova crise da d\u00edvida. A d\u00edvida global, particularmente a d\u00edvida corporativa, \u00e9 a mais alta de todos os tempos.<\/p>\n<p>Em 2017 a d\u00edvida subiu 10,2% em rela\u00e7\u00e3o a 2016. Decompondo por sector, a d\u00edvida financeira corporativa cresceu 11,1%, a d\u00edvida do governo cresceu 6,7%, a d\u00edvida familiar cresceu 12,5% e a d\u00edvida do sector financeiro cresceu 11,3%.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de d\u00edvida do mercado emergente ser\u00e1 insustent\u00e1vel porque, dentre outras raz\u00f5es, a d\u00edvida amadurece e deve ser ou reembolsada ou refinanciada. Aqui est\u00e1 a d\u00edvida do mercado emergente por maturidade:<\/p>\n<p>Muitos dos neg\u00f3cios e de companhias financeiras no mercado emergente contra\u00edram empr\u00e9stimos em d\u00f3lares, quando o d\u00f3lar estava relativamente franco e as taxas de juro dos EUA ridiculamente baixas. Grande parte das entradas de capital em economias emergentes n\u00e3o era constitu\u00edda por investimento produtivo mas sim por empr\u00e9stimos e t\u00edtulos para atividade especulativa. Fluxos de capital a longo prazo para os sectores produtivos das economias emergente (IDE) t\u00eam estado em decl\u00ednio desde a Grande Recess\u00e3o.<\/p>\n<p><center><img \/><\/center>Agora a profus\u00e3o de empr\u00e9stimos est\u00e1 acabada. Uns US$4,8 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00edvida nos mercados emergentes amadurece a partir deste anos at\u00e9 2010 e grande parte do mesmo ser\u00e1 refinanciado\u00a0<i>(rolled over)\u00a0<\/i>a taxas geralmente mais elevadas e, se o fortalecimento do d\u00f3lar continuar, num ambiente monet\u00e1rio desvantajoso.<\/p>\n<p>Os sinais de\u00a0<i>cracking\u00a0<\/i>j\u00e1 est\u00e3o a aparecer em algumas das maiores economias emergentes.\u00a0A Argentina entrou em crash e foi for\u00e7ada a tomar emprestado US$50 mil milh\u00f5es do FMI\u00a0pois n\u00e3o podia mais contrair empr\u00e9stimo nos mercados internacionais de t\u00edtulos a custos razo\u00e1veis. A economia est\u00e1 a afundar, a infla\u00e7\u00e3o dispara e a divisa mergulhou. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 atr\u00e1s. A economia brasileira est\u00e1 a lutar para crescer de algum modo e ainda\u00a0tem os mais altos custos de juro para d\u00edvidas do mundo\u00a0. No 1\u00ba trimestre de 2018 a economia da \u00c1frica do Sul contraiu-se \u00e0 taxa mais r\u00e1pida dos \u00faltimos nove anos quando o investimento corporativo caiu drasticamente. E a divisa da Turquia, a lira, atingiu uma baixa hist\u00f3rica quando a infla\u00e7\u00e3o anual atingiu mais de 12%; estrangeiros retiraram seu dinheiro e o banco central aumentou sua taxa de juro para cerca de 18%.<\/p>\n<p>Mas o ponto fulcral real ser\u00e1 provavelmente a d\u00edvida corporativa nas economias G7. A d\u00edvida das corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o financeiras dos EUA atingiram uma altura p\u00f3s crise de 72% do PIB. Em torno dos US$14,5 milh\u00f5es de milh\u00f5es em 2017, a d\u00edvida do setor corporativo n\u00e3o financeiro estava US$810 mil milh\u00f5es mais alta do que um ano antes, com 60% da ascens\u00e3o resultante da cria\u00e7\u00e3o de novos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios. Atualmente, o financiamento titulado representa 43% da d\u00edvida pendente com uma maturidade m\u00e9dia de 15 anos, contra a maturidade m\u00e9dia de 2,1 ano para empr\u00e9stimos de neg\u00f3cios estadunidenses. Isto implica aproximadamente cerca de US$3,8 milh\u00f5es de milh\u00f5es de reembolso de empr\u00e9stimos por ano. &#8220;Contra este pano de fundo, o aumento das taxas de juros agravar\u00e1 a press\u00e3o sobre corpora\u00e7\u00f5es com grandes necessidades de refinanciamento&#8221;. (IIF)<\/p>\n<p>\u00c0 parte as taxas de juro mais altas, as companhias que precisam cr\u00e9dito (em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0quelas altamente classificadas que tomam emprestado s\u00f3 porque podem faz\u00ea-lo de modo barato) tendem a ser aquelas com maior risco. Um relat\u00f3rio recente da Moody&#8217;s descobria que 37% da d\u00edvida corporativa n\u00e3o financeira dos EUA est\u00e1 abaixo do grau de investimento. Isso representa cerca de US$2,4 milh\u00f5es de milh\u00f5es.<\/p>\n<p><center><img \/><\/center>Al\u00e9m disso, todas as corpora\u00e7\u00f5es, tanto com grau de investimento como especulativo, acrescentaram significativamente mais alavancagem desde a Grande Recess\u00e3o. Algumas companhias contra\u00edram empr\u00e9stimos para financiar a compra das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es e t\u00eam amplos fluxos de caixa e reservas. Elas podem facilmente desalavancar se necess\u00e1rio. Mas as mais pequenas, companhias com maior risco, n\u00e3o t\u00eam tal op\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dia dos neg\u00f3cios n\u00e3o financeiros est\u00e1 aproximadamente 20% mais alavancada do que no tempo do crash financeiro global de 2007-08. Grande parte daquela d\u00edvida est\u00e1 classificada como BBB, a mais baixa classifica\u00e7\u00e3o de grau de investimento. Isso significa que elas est\u00e3o apenas um passo acima de lixo. O n\u00famero de companhias classificadas como BBB est\u00e1 50% mais alto do que em 2009.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o global n\u00e3o est\u00e1 entre n\u00f3s em 2018 \u2013 ao contr\u00e1rio, a economia global est\u00e1 a crescer mais rapidamente do que em qualquer momento desde 2009. Mas esse crescimento pode muito bem ser atingido o pico e nos pr\u00f3ximos 18 meses a economia mundial poderia encaminhar-se para uma poss\u00edvel queda. Como sabemos? Bem, como tenho argumentado, a lucratividade do capital deve come\u00e7ar a cair outra vez e finalmente os lucros totais das corpora\u00e7\u00f5es nas economias principais deve deixar de ascender. Se o custo de servir toda esta d\u00edvida tamb\u00e9m tiver ascendido, ent\u00e3o est\u00e3o estabelecidas as condi\u00e7\u00f5es para bancarrotas corporativas.<\/p>\n<p>No passado, um sinal confi\u00e1vel para isto tem sido a invers\u00e3o da curva de rendimento dos t\u00edtulos. Habitualmente a taxa de juro para a contra\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos por um ano \u00e9 muito mais baixa do que a taxa para a tomada de empr\u00e9stimos a dez anos por raz\u00f5es \u00f3bvias (o prestamista obt\u00e9m o dinheiro de volta mais rapidamente). Assim, a curva do rendimento entre a taxa a dez anos e a taxa a um ano \u00e9 normalmente positiva (digamos de 4% comparada com 1%).<\/p>\n<p>A ideia geral \u00e9 que uma inclina\u00e7\u00e3o escarpada da curva de rendimento, em que taxas longas est\u00e3o em ascens\u00e3o mais r\u00e1pida do que taxas curtas, indica que o cr\u00e9dito \u00e9 de f\u00e1cil acesso e que os lucros s\u00e3o suficientemente altos devido a um crescimento econ\u00f4mico mais r\u00e1pido. Mas quando rendimentos a curto prazo sobem acima da taxa prevalecente a longo prazo isso indica que as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito se tornaram inabitualmente restritivas em compara\u00e7\u00e3o com os lucros e que h\u00e1 uma probabilidade muito alta de que uma recess\u00e3o aconte\u00e7a dentro de cerca de um ano.<\/p>\n<p>O estratega de investimento da RBC, Jim Allworth, considera\u00a0que: &#8220;N\u00e3o houve uma recess\u00e3o em mais de 60 anos que n\u00e3o fosse antecedida por uma invers\u00e3o da curva de rendimento. Na m\u00e9dia, a curva de rendimento inverteu-se 14 meses antes do in\u00edcio de uma recess\u00e3o (mediana de 11 meses). A mais curta &#8220;advert\u00eancia antecipada&#8221; foram oito meses. Ainda n\u00e3o estamos aqui nos EUA e certamente em nenhum lugar na Europa. Mas a curva dos EUA est\u00e1 a ir naquela dire\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os ataques de raiva de Trump e o risco crescente de uma guerra comercial que poderia sufocar a atual &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00f3 aumenta os riscos subjacentes de novo decl\u00ednio global.<\/p>\n<p><b>O original encontra-se em\u00a0thenextrecession.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/06\/10\/trumps-<wbr \/>tantrums-and-the-world-<wbr \/>economy\/\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Este artigo encontra-se em\u00a0http:\/\/resistir.info\/\u00a0.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19977\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[233],"class_list":["post-19977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5cd","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}