{"id":20006,"date":"2018-06-16T11:37:28","date_gmt":"2018-06-16T14:37:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20006"},"modified":"2018-06-16T11:37:28","modified_gmt":"2018-06-16T14:37:28","slug":"o-encontro-kim-trump-fatos-fantasias-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20006","title":{"rendered":"O Encontro Kim-Trump: fatos, fantasias e perspectivas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn3.jornaldenegocios.pt\/images\/2018-06\/img_817x460$2018_06_12_07_28_09_333213.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>por Tim Beal*<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/coreia\/tim_beal_11jun18.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resistir.info<\/a><\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o da C\u00fapula de Singapura entre os presidentes Trump e Kim fomos submergidos sob um dil\u00favio de artigos de opini\u00e3o. A maior parte deles s\u00e3o desinformados, alguns ignorantes. Sintomas s\u00e3o confundidos com problemas, consequ\u00eancias com causas. A causalidade \u00e9 frequentemente invertida. Exemplo: h\u00e1 muita concentra\u00e7\u00e3o sobre as armas nucleares da Coreia do Norte (com pouca aten\u00e7\u00e3o prestada \u00e0s dos EUA) sem que seja examinada a raz\u00e3o para a sua exist\u00eancia. A Coreia do Norte desenvolveu um dissuasor nuclear em resposta a uma amea\u00e7a dos Estados Unidos. Sem a amea\u00e7a n\u00e3o haveria dissuasor. A quest\u00e3o ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 por que a Coreia do Norte tem um dissuasor \u2013 isto \u00e9 \u00f3bvio embora apologistas deem-se a grandes trabalhos para sugerir explica\u00e7\u00f5es bizarras \u2013 mas, ao inv\u00e9s, porque os EUA amea\u00e7am a Coreia do Norte. Quais s\u00e3o os impulsionadores da pol\u00edtica estadunidense? A chave para o entendimento do que est\u00e1 em curso, e portanto para chegar a solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 perguntar as quest\u00f5es certas.<\/p>\n<p>Esta literatura florescente \u00e9 emitida com\u00a0banalidades\u00a0e\u00a0trivializa\u00e7\u00f5<wbr \/>es. De modo redundante, destacam camuflagens \u00f3bvias como percep\u00e7\u00f5es;\u00a0Jimmy Carter\u00a0conta-nos que &#8220;A prioridade principal dos l\u00edderes da Coreia do Norte \u00e9 preservar o seu regime e mant\u00ea-lo t\u00e3o livre quanto poss\u00edvel do controle externo&#8221;. Bastante verdadeiro, mas n\u00e3o ser\u00e1 isto o que fazem, ou deveriam fazer, todos os governos? E a seguir temos jornalistas a trope\u00e7arem em clich\u00eas;\u00a0Eugene Robinson\u00a0no\u00a0<i>Washington Post\u00a0<\/i>pontifica que &#8220;a Coreia do Norte \u00e9 uma das mais brutais ditadura do mundo, um reino eremita dominado por um regime fan\u00e1tico e paranoico. Sua lideran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 suicida, contudo, e Kim \u00e9 claramente invejoso da tecnologia e riqueza ocidental&#8221;. Um reino eremita por defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o desejaria tecnologia estrangeira e muito menos estaria &#8220;invejoso&#8221; dela. Por que utilizar apenas uma ideia clich\u00ea numa senten\u00e7a se se pode condensar duas na mesma?<\/p>\n<p>Talvez a ideia mais imbecil seja exemplificada por David Ignatius:\u00a0&#8220;Trump e Kim Jong Un t\u00eam um bocado em comum. Ser\u00e1 isso uma coisa boa?&#8221;\u00a0Sabemos um pouco mais acerca de Trump do que de Kim, mas \u00e9 evidente que eles t\u00eam personalidades muito diferentes. E as suas situa\u00e7\u00f5es, as quais d\u00e3o origem a motiva\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es, dificilmente poderiam ser mais diferentes.<\/p>\n<p>E assim por diante.<\/p>\n<p>A fim de limpar o ar sobre um tema que \u00e9 muito complexo, mas tamb\u00e9m uma situa\u00e7\u00e3o tolamente simples, \u00e9 \u00fatil declarar resumidamente uns tantos fatos salientes e identificar algumas ilus\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Fatos\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Contexto hist\u00f3rico e geopol\u00edtico\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Primeiramente os antecedentes hist\u00f3ricos que apresentam o contexto para a situa\u00e7\u00e3o que se desenvolveu:<\/p>\n<p>Em 1945, no fim da Guerra do Pac\u00edfico, os Estados Unidos dividiram a Coreia. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica anuiu a esta iniciativa americana e Stalin foi criticado, razoavelmente ou n\u00e3o, por se inclinar a esta divis\u00e3o a qual teria consequ\u00eancias calamitosas. A pen\u00ednsula coreana era muito inabitual por ser um beco sem sa\u00edda geogr\u00e1fico e ser racialmente homog\u00eanea. N\u00e3o havia restos de invas\u00f5es e migra\u00e7\u00f5es tal como era comum em muitas partes do mundo. N\u00e3o era como os divididos B\u00e1lc\u00e3s com tens\u00f5es \u00e9tnicas a ferver em fogo lento. Os EUA quiseram proteger seu botim de guerra conquistado ao Jap\u00e3o de qualquer envolvimento, por amea\u00e7a ou cont\u00e1gio, da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A ocupa\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul deu-lhe uma cabe\u00e7a-de-ponte no nordeste do continente asi\u00e1tico e estabeleceu uma &#8220;presen\u00e7a militar avan\u00e7ada&#8221; para conter e amea\u00e7ar a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e dominar a \u00e1rea. Ao longo do tempo o foco naturalmente mudou-se para a China (em 1945 os EUA ainda &#8220;possu\u00edam&#8221; a China, ou grande parte dela sob Chiang Kai-shek). Entretanto, este inquilino da pol\u00edtica dos EUA ainda se mant\u00e9m; a pen\u00ednsula coreana \u00e9 um subconjunto de uma pol\u00edtica mais geral. Quando os EUA olham para a Coreia veem a China. Embora o relacionamento americano com a Coreia dividida se tenha desenvolvido por si pr\u00f3prio ao longo de d\u00e9cadas, os coreanos ainda s\u00e3o vistos essencialmente como pe\u00f5es a serem movidos, e talvez sacrificados, a fim de dar um cheque mate \u00e0 China.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia disto \u00e9 vista no desconforto profundo que o establishment de pol\u00edtica externa dos EUA sente quanto ao acordo de Trump para uma c\u00fapula com Kim Jong Un. Eles temem que a sua ignor\u00e2ncia e o seu desejo narc\u00edsico de obter um Pr\u00eamio Nobel possa inadvertidamente p\u00f4r em perigo o que percebem como a pedra angular da pol\u00edtica dos EUA na \u00c1sia. Assim, por exemplo, temos o antigo respons\u00e1vel do Pent\u00e1gono, Van Jackson, a escrever:<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: 16px;\">Ser\u00e1 que a estrat\u00e9gia americana na \u00c1sia \u2013 a qual necessita uma presen\u00e7a militar avan\u00e7ada em lugares como a Coreia do Sul \u2013 mais ou menos priorit\u00e1ria do que alcan\u00e7ar a desnucleariza\u00e7\u00e3o? Em suma, que futuros alternativos na Coreia servem mais ou menos os interesses dos EUA? N\u00e3o h\u00e1 sinal de que Trump tenha lutado com estas quest\u00f5es&#8230;<\/span><\/p>\n<p>Tweets recentes de Trump sobre a Coreia do Norte sugerem que ele est\u00e1 desesperado por um acordo, o qual lhe traria muitas manchetes favor\u00e1veis em meio a muitos esc\u00e2ndalos pol\u00edticos internos. Ele tamb\u00e9m continua a deixar pistas de que realmente quer afirmar que \u00e9 o homem que terminou a Guerra da Coreia, muito embora nunca tenha parado para perguntar porque \u00e9 que a Coreia do Norte, tamb\u00e9m, sempre tenha desejado que os Estados Unidos anu\u00edssem ao fim da guerra. Com um tratado de paz na m\u00e3o, Kim minaria o mais importante fator \u00fanico justificativo da presen\u00e7a de tropas dos EUA na Coreia e, por extens\u00e3o, a alian\u00e7a com a Coreia do Sul. Kim n\u00e3o precisa pedir a retirada imediata das tropas como parte do tratado de paz. Ao primeiro sinal de fric\u00e7\u00e3o p\u00f3s paz, Kim pode acenar com aquele tratado na cara da Am\u00e9rica e dizer: &#8220;Yankee go home&#8221;. Isso imediatamente dispararia debates em Seul acerca do futuro da alian\u00e7a e, com um tratado de paz na m\u00e3o, ativistas anti-americanos no Sul ter\u00e3o um argumento muito mais forte para pressionar a sa\u00edda dos Estados Unidos do que em d\u00e9cadas passadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se Trump loucamente deixar irromper a paz na Coreia, ent\u00e3o os ianques podem ser for\u00e7ados a deix\u00e1-la e isso minaria a conten\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p><b>A m\u00edtica amea\u00e7a norte-coreana\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Apesar do alarde e histeria implac\u00e1veis acerca da &#8220;amea\u00e7a norte-coreana&#8221;, trata-se claramente de um mito, uma manobra para servir outros prop\u00f3sitos, geopol\u00edticos, para beneficiar o complexo militar-industrial. Os Estados Unidos t\u00eam o mais poderoso poder militar do mundo, como a hist\u00f3ria nos diz, e o seu pr\u00f3prio or\u00e7amento militar \u00e9 quase t\u00e3o grande quanto o do resto do mundo em conjunto. Com o seu sistema de alian\u00e7as \u2013 OTAN, Coreia do Sul, Jap\u00e3o, Austr\u00e1lia (e n\u00e3o esquecer a Nova Zel\u00e2ndia) a sua vantagem sobre\u00a0qualquer poss\u00edvel advers\u00e1rio\u00a0\u00e9 incr\u00edvel: maior do que a China sete vezes, do que a R\u00fassia 15 vezes e do que a Coreia do Norte talvez mais de 1000 vezes.<\/p>\n<p>A Coreia do Norte pode amea\u00e7ar retaliar contra um ataque dos EUA, embora isto fosse uma\u00a0&#8220;op\u00e7\u00e3o Sans\u00e3o&#8221;\u00a0suicida. Mas isso \u00e9 da natureza da\u00a0dissuas\u00e3o. Entretanto, ela n\u00e3o pode iniciar um ataque aos Estados Unidos; n\u00e3o h\u00e1 motivo poss\u00edvel, nada a ser ganho, a derrota e destrui\u00e7\u00e3o seriam certas. A Coreia do Norte n\u00e3o pode &#8220;amea\u00e7ar os Estados Unidos&#8221; e nunca ser\u00e1 capaz disso. Que a amea\u00e7a da Coreia do Norte tenha ganho tal credibilidade apesar de ser obviamente rid\u00edcula constitui um dos grandes golpes de propaganda do nosso tempo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um certo n\u00famero de consequ\u00eancias disto, mas duas merecem men\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>A Coreia do Norte \u00e9 frequentemente acusada de trapacear acordos feitos com os EUA. As\u00a0evid\u00eancias\u00a0reais apontam em outra dire\u00e7\u00e3o mas, mesmo se isto fosse verdade, realmente n\u00e3o importaria muito. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel trapacear o facto de que a Coreia do Norte poderia alterar o equil\u00edbrio de poder. Acumular algum plut\u00f4nio ou ur\u00e2nio, ou um m\u00edssil ou dois, n\u00e3o levaria a lugar algum; os EUA ainda t\u00eam uma preponder\u00e2ncia de poder esmagadora. O mesmo n\u00e3o se aplica na outra dire\u00e7\u00e3o, naturalmente. Se os EUA conseguem que a Coreia do Norte se desarme e a seguir rompe suas promessas e ataca-a, como com a L\u00edbia, ent\u00e3o a Coreia do Norte poderia ser destru\u00edda, como o foi a L\u00edbia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se segue que a dissuas\u00e3o nuclear da Coreia do Norte, ao inv\u00e9s de ser uma amea\u00e7a ao mundo como se diz frequentemente, \u00e9 de fato um refor\u00e7o da paz. O cientista pol\u00edtico dos EUA Kenneth Waltz destacou que armas nucleares na posse de um pequeno pa\u00eds amea\u00e7ado (ele estava a pensar no\u00a0Ir\u00e3) dissuadem um agressor maior. O pa\u00eds poderoso n\u00e3o pode atacar o mais fraco por temor da dissuas\u00e3o e o mais fraco n\u00e3o pode atacar o mais poderoso pelas raz\u00f5es acima discutidas. A paz, talvez inquieta, mas ainda assim nada menos que a paz, prevalece.<\/p>\n<p><b>Fantasias\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Duas fantasias americanas interrelacionadas s\u00e3o relevantes aqui \u2013 excepcionalismo e solipsismo.<\/p>\n<p><b>Excepcionalismo\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de que os Estados Unidos s\u00e3o um pa\u00eds &#8220;Excepcional&#8221; tem uma longa hist\u00f3ria que remonta \u00e0 suas origens. De fato o l\u00edder puritano\u00a0John Winthrop\u00a0utilizou a analogia b\u00edblica de uma &#8220;cidade sobre a colina&#8221; para a qual todo o mundo olharia antes de realmente alcan\u00e7ar a costa de Massachusetts em 1630. Desde ent\u00e3o o excepcionalismo tem sido um tema recorrente na pol\u00edtica americana e foi abra\u00e7ado por\u00a0George W. Bush\u00a0, Hillary Clinton e Barack Obama \u2013&#8221;Acredito no excepcionalismo americano com cada fibra do meu ser&#8221;.<\/p>\n<p>Se a Am\u00e9rica \u00e9 &#8220;excepcional&#8221; ent\u00e3o est\u00e1 acima das regras normais do direito internacional e pode, por exemplo, invadir outros pa\u00edses ou interferir nos seus assuntos internos com impunidade. Um artigo recente na revista do establishment\u00a0<i>Foreign Policy\u00a0<\/i>depois de a elei\u00e7\u00e3o venezuelana ter produzido um resultado que n\u00e3o \u00e9 do agrado de Washington ilustra esta mentalidade:\u00a0&#8220;Est\u00e1 na hora de um golpe na Venezuela&#8221;. O excepcionalismo facilmente transmuta-se em\u00a0imperialismo. Os duplos padr\u00f5es est\u00e3o no cerne do excepcionalismo e isto manifesta-se de v\u00e1rios modos, mas de particular relev\u00e2ncia aqui \u00e9 a ideia de que \u00e9 bastante certo e adequado para os Estados Unidos terem armas nucleares mas n\u00e3o, por exemplo, a Coreia do Norte. Como o Conselho Editorial do\u00a0<i>Washington Post,<\/i>sem qualquer sentido de ironia e sem mencionar quaisquer concess\u00f5es ou compromissos americanos,\u00a0&#8220;Trump deve fazer com que a Coreia do Norte fique completamente limpa&#8221;. As negocia\u00e7\u00f5es e os seus resultados n\u00e3o s\u00e3o encarados como algo que tenha qualquer elemento real de reciprocidade. Don Balz, do\u00a0<i>Washington Post,\u00a0<\/i>descreve isto de forma bastante inconsciente:<\/p>\n<blockquote><p>[Um resultado com \u00eaxito da cimeira produziria]&#8230; um quadro que inclu\u00edsse um acordo expl\u00edcito dos norte-coreanos para desnuclearizar; uma disposi\u00e7\u00e3o da sua parte para constranger seu programa de m\u00edssil bal\u00edstico (e n\u00e3o apenas m\u00edsseis de longo alcance que pudesse alcan\u00e7ar os Estados Unidos mas tamb\u00e9m aqueles que amea\u00e7am seus vizinhos imediatos); e um compromisso para um sistema de verifica\u00e7\u00e3o intrusivo.<\/p>\n<p>Em contrapartida, os Estados Unidos poderiam oferecer ajudar na produ\u00e7\u00e3o de um tratado de paz entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, comprometer-se a n\u00e3o invadir a Coreia do Norte, manter a possibilidade de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas se a Coreia do Norte cumprir suas promessas e provavelmente oferecer garantias de assist\u00eancia econ\u00f4mica no futuro.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer sugest\u00e3o de que os Estados Unidos possam desnuclearizar-se ou mesmo reduzir seus pr\u00f3prios programas militares; isso \u00e9 para que fa\u00e7am os outros. Os Estados Unidos meramente fazem algumas vagas promessas de que podem conformar-se \u00e0 pr\u00e1tica internacional e estabelecer rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 percep\u00e7\u00e3o de que isto \u00e9 uma quest\u00e3o de for\u00e7a bruta, do forte a tentar impor a sua vontade ao fraco, do mesmo modo como o patr\u00e3o da M\u00e1fia faz exig\u00eancias semelhantes. Isto \u00e9 visto como a ordem natural das coisas e nisto h\u00e1 um perigo. Um estado conscientemente a aplicar a amea\u00e7a de for\u00e7a para escorar exig\u00eancias irrazo\u00e1veis pode fazer isso de maneira racional e voltar atr\u00e1s se os custos se verificarem demasiado elevados. Um estado imbu\u00eddo da mentalidade do excepcionalismo pode n\u00e3o comportar-se t\u00e3o racionalmente. Embora a mentalidade do excepcionalismo deva ser intensamente satisfat\u00f3ria para a elite americana h\u00e1 uma resist\u00eancia crescente, tanto de advers\u00e1rios como de aliados, ao excepcionalismo americano impulsionado parcialmente, mas n\u00e3o exclusivamente, pela grosseria de Trump. Isto est\u00e1 resumido na foto ic\u00f4nica de Angela Merkel, punhos sobre a mesa, a olhar furiosamente um Donald Trump sentado na reuni\u00e3o do G7 no Canad\u00e1.<\/p>\n<p><b>Solipsismo\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Filosoficamente, solipsismo significa considerar-se a si pr\u00f3prio como a \u00fanica realidade conhecida e que tudo o mais \u00e9 incerto, mas tamb\u00e9m, por extens\u00e3o, significa ser autocentrado em grau extremo.\u00a0Bruce Cumings\u00a0descreveu o Juche como &#8220;o n\u00facleo opaco do solipsismo nacional norte-coreano&#8221;. Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho nisto mas de fato o solipsismo pode ser muito mais adequadamente aplicado aos Estados Unidos, os quais n\u00e3o est\u00e3o sitiados, do modo como est\u00e1 a Coreia do Norte. Isto manifesta-se de muitos modos, mas um de especial relev\u00e2ncia \u00e9 a forma como o encontro Kim-Trump foi formulado virtualmente, exclusivamente em termos do que est\u00e1 sendo exigido da Cor\u00e9ia do Norte, ao inv\u00e9s de [definir] quais s\u00e3o as quest\u00f5es. Isso acontece mesmo com as organiza\u00e7\u00f5es que defendem a paz, como por exemplo, Philp Yun, do Fundo Ploughshares, que escreveu\u00a0&#8220;A melhor op\u00e7\u00e3o de Trump para desnuclearizar a Coreia do Norte&#8221;. Os EUA podem querer o desarmamento unilateral da Coreia do Norte, mas a Coreia do Norte quer paz e seguran\u00e7a. Negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, um di\u00e1logo desafiante entre duas ou mais partes, mas essa compreens\u00e3o essencial \u00e9 muitas vezes ofuscada pelo solipsismo estadunidense. O bom negociador tenta entender o que o outro lado quer, mesmo que seja apenas para explorar esse conhecimento. A empatia \u00e9 um atributo chave.<\/p>\n<p>Outro problema com o solipsismo estadunidense \u00e9 o privil\u00e9gio dado a aspectos internos. A pol\u00edtica externa dos EUA \u00e9 muitas vezes joguete de conflitos internos. Exemplo: os principais do democratas do Senado exigiram que Trump mantivesse a linha nas conversa\u00e7\u00f5es com a Coreia do Norte. Isso, \u00e9 claro, tem a ver n\u00e3o com a Coreia mas sim com Trump.<br \/>\nNicholas Kristof\u00a0comentou com pesar no\u00a0<i>New York Times:<\/i><\/p>\n<blockquote><p>Infelizmente, os democratas no Congresso est\u00e3o respondendo de uma maneira bastante trumpiana: eles parecem mais preocupados em solap\u00e1-lo do que em apoiar um processo de paz com a Coreia do Norte. Eles est\u00e3o do mesmo lado do Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional, John Bolton, subvertendo discretamente tentativas de buscar a paz.<\/p>\n<p>Apesar de a seguran\u00e7a internacional ser complicada, h\u00e1 uma regra de ouro: Quando voc\u00ea se encontra do mesmo lado de Bolton, recue e reexamine sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se fosse verdade, o que certamente n\u00e3o \u00e9, que todo pa\u00eds tem o governo que merece, ent\u00e3o seria considerado apropriado que o solipsismo americano seja agora exemplificado pelo narcisismo de Trump.<\/p>\n<p><b>Perspectivas\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da c\u00fapula, o establishment pol\u00edtico dos EUA \u2013 o\u00a0Blob, como tem sido chamado \u2013 ficou com medo. H\u00e1 medos de guerra, mas tamb\u00e9m h\u00e1 um medo maior da paz. Eles est\u00e3o preocupados que Trump, no seu desejo de um Pr\u00eamio Nobel, pela publicidade e \u00edndices de audi\u00eancia, ir\u00e1 sucumbir \u00e0 ast\u00facia e bajula\u00e7\u00e3o de Kim Jong Un e concordar com um acordo que ponha em perigo a hegemonia americana.<\/p>\n<p><b>Os tr\u00eas\u00a0<i>consiglieri\u00a0<\/i>americanos\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O perigo de guerra ainda existe, mas \u00e9 menor do que h\u00e1 um ano. Foram manifestadas preocupa\u00e7\u00f5es de que Trump iria ao encontro esperando rendi\u00e7\u00e3o incondicional e quando descobrisse n\u00e3o ser o caso, precipitar-se-ia e reativaria planos para um ataque \u00e0 Coreia do Norte. Felizmente Trump parece ter sido algo corrigido em rela\u00e7\u00e3o ao seu antigo falso otimismo (talvez por Pompeo?) e assim o choque ser\u00e1 menor. Ele ainda pode sair, mas isso \u00e9 cada vez mais improv\u00e1vel, pois daria o m\u00e9rito da paz a Kim.<\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o militar contra a guerra \u00e9 t\u00e3o forte quanto no ano passado (e a argumenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ainda mais forte); como Mattis admitiu as consequ\u00eancias seriam &#8220;catastr\u00f3ficas&#8221;. Contudo, Mattis e os militares n\u00e3o desejam a paz como indicam as suas observa\u00e7\u00f5es no\u00a0Di\u00e1logo de Shangril\u00e1\u00a0(ironicamente Singapura) \u2013 &#8220;Nosso objetivo permanece a completa, verific\u00e1vel e irrevers\u00edvel desnucleariza\u00e7\u00e3o (CVID) da Pen\u00ednsula Coreana&#8221;. A CVID \u00e9 uma exig\u00eancia consagrada dos EUA e apesar de poder representar uma lavagem cerebral ela tem sido utilizada habitualmente como uma exig\u00eancia inaceit\u00e1vel para parar negocia\u00e7\u00f5es. Isto provavelmente \u00e9 o que Mattis quer, nem guerra nem paz mas a continua\u00e7\u00e3o do impasse que serve muito bem a pol\u00edtica asi\u00e1tica dos EUA.<\/p>\n<p>Bolton \u00e9 uma quest\u00e3o. Ele n\u00e3o quer o impasse, mas sim a crise. Ele tentou descarrilar a c\u00fapula e quase teve \u00eaxito quando, em 24 de maio, persuadiu Trump a cancel\u00e1-la. Al\u00e9m de sussurrar aos ouvidos de Trump, o seu maior truque tem sido advogar uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o L\u00edbia&#8221;. O ponto chave acerca disso n\u00e3o foi a mec\u00e2nica da desnucleariza\u00e7\u00e3o, como \u00e9 frequentemente sugerido, mas algo muito mais significativo. A secret\u00e1ria de Estado Condoleezza Rice persuadiu Kadhafi a desarmar-se com promessas de que os EUA n\u00e3o iriam derrubar seu governo. A secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton, com a aprova\u00e7\u00e3o de Obama, renegou aquelas promessas. Kadhafi foi brutalmente assassinado e a L\u00edbia virtualmente destru\u00edda. Essa\u00a0li\u00e7\u00e3o\u00a0n\u00e3o foi perdida em Pyongyang. Ao levant\u00e1-la de forma t\u00e3o destacada, Bolton tentava for\u00e7ar a Coreia do Norte a se afastar da cimeira.<\/p>\n<p>Parece ter sido Pompeo quem persuadiu Trump a retornar \u00e0s conversa\u00e7\u00f5es. Pompeo \u00e9 mais dif\u00edcil de decifrar do que Mattis (impasse) ou Bolton (crise). Diz-se que ele tem\u00a0ambi\u00e7\u00f5es\u00a0de se tornar presidente de modo que um acordo com \u00eaxito como secret\u00e1rio de Estado lhe asseguraria um ponto de partida importante. Ao mesmo tempo, ele desejar\u00e1 que a culpa por qualquer fracasso ou por consequ\u00eancias n\u00e3o pretendidas seja atribu\u00edda a Trump, n\u00e3o a ele.<\/p>\n<p><b>A desnucleariza\u00e7\u00e3o aspiracional \u00e9 a chave para a paz\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o Trump recusou o pedido de Moon Jae-in de comparecer \u00e0 cimeira e participar na assinatura de um acordo. Chega de aliados.<\/p>\n<p>Resta Kim Jon Un e sua equipe. O seu objetivo \u2013 empurrar Trump rumo \u00e0 coexist\u00eancia pac\u00edfica enquanto ret\u00e9m capacidade suficiente para deter um ataque dos EUA \u2013 \u00e9 bastante claro. O que n\u00e3o se sabe \u00e9 que \u00eaxito ter\u00e1 Kim ao negociar com Trump. Onde se comprometer\u00e1 e onde tra\u00e7ar\u00e1 a linha?<\/p>\n<p>&#8220;Desnucleariza\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula coreana&#8221; \u00e9 uma frase infeliz herdada dos dias de Kim Il Sung quando a mais prov\u00e1vel pot\u00eancia nuclear na pen\u00ednsula coreana, al\u00e9m dos EUA, era a Coreia do Sul. Ela concentra a aten\u00e7\u00e3o sobre sintomas (dissuas\u00e3o nuclear) ao inv\u00e9s de concentr\u00e1-la nas quest\u00f5es substantivas (a hostilidade pol\u00edtica dos EUA). No entanto tem a virtude da imprecis\u00e3o e da ambiguidade e isso pode ser a sua gra\u00e7a salvadora.<\/p>\n<p>Se a c\u00fapula est\u00e1 destinada a romper o impasse atual e abrir uma resolu\u00e7\u00e3o no futuro ela precisa colocar a quest\u00e3o da desnucleariza\u00e7\u00e3o dentro de uma amb\u00edgua c\u00e1psula do tempo aspiracional. O modelo aqui pode ser o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP). Assinado cinquenta anos atr\u00e1s, foi um acordo entre os Estados Nucleares Existentes (ENE) e o resto. Signat\u00e1rios n\u00e3o nucleares n\u00e3o desenvolveriam armas nucleares e, em contrapartida, os ENE os assistiriam com energia nuclear e, crucialmente, movimentar-se-iam rumo ao seu pr\u00f3prio desarmamento nuclear. Cinquenta anos depois ainda estamos \u00e0 espera, ainda com esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Se a desnucleariza\u00e7\u00e3o norte coreana pode ser analogamente tornada aspiracional (e n\u00e3o vamos esquecer que a nucleariza\u00e7\u00e3o dos EUA n\u00e3o est\u00e1 na agenda, embora Kim possa levant\u00e1-la) ent\u00e3o progressos podem ser feitos. Isto pode ser suplementado por entusiasmos de rela\u00e7\u00f5es publicas \u2013 a assinatura de sublimes declara\u00e7\u00f5es de paz, an\u00fancios de normaliza\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, novos gestos tais como estender a morat\u00f3ria quanto a testes nucleares e de m\u00edsseis, at\u00e9 mesmo a abertura de um McDonald&#8217;s em Pyongyang \u2013 mas a base essencial da dissuas\u00e3o deve permanecer por enquanto. Os chineses t\u00eam uma pol\u00edtica s\u00e1bia de colocar problemas dif\u00edceis em adiamento para as gera\u00e7\u00f5es futuras resolverem. Algo como esta abordagem \u00e9 exigida aqui. Se, ao longo do tempo, os EUA abandonarem sua pol\u00edtica de hostilidade, aceitarem a coexist\u00eancia pac\u00edfica, abandonarem a guerra econ\u00f4mica e diplom\u00e1tica contra a Coreia do Norte, ent\u00e3o a necessidade de dissuas\u00e3o nuclear da Coreia do Norte se desvaneceria. Exatamente como isso ocorreria \u00e9 dif\u00edcil de prever, mesmo de encarar; os Estados Unidos afinal de conta t\u00eam uma m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o quando se de trata de honrar acordos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o chave \u00e9 saber se Trump aceitar\u00e1 isto. Ele pode muito bem aceitar. Est\u00e1 interessado num Pr\u00eamio Nobel (um bocado de bajula\u00e7\u00e3o a\u00ed, presidente Moon!) e no que aparece nas telas de TV. Ele n\u00e3o est\u00e1 interessado nos pormenores, ou no texto geral. Ele veio diretamente de uma desastrosa reuni\u00e3o do G7 no Canad\u00e1 e pode estar particularmente ansioso para ter um triunfo em Singapura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Kim Jong Un, o ator chave aqui \u00e9 Mike Pompeo, presidente \u00e0 espera. Qual ser\u00e1 o seu papel?<\/p>\n<p><b>Paz no ar\u00a0<\/b><\/p>\n<p>No entanto, mesmo que a cimeira se desfa\u00e7a, muito progresso foi feito desde que o\u00a0Discurso de Ano Novo\u00a0de Kim Jong Un p\u00f4s o processo em andamento; a paz est\u00e1 no ar. As rela\u00e7\u00f5es da Coreia do Norte com a China e a R\u00fassia melhoraram muito e ambas est\u00e3o cada vez mais relutantes em aceitar as exig\u00eancias americanas de &#8220;press\u00e3o m\u00e1xima&#8221;. As rela\u00e7\u00f5es intercoreanas avan\u00e7aram (a velocidade com que os dois l\u00edderes se uniram ap\u00f3s o abortado cancelamento de Trump foi not\u00e1vel). Se os apoiantes de Moon Jae-in se sa\u00edrem t\u00e3o bem quanto o esperado nas elei\u00e7\u00f5es de 13 de junho, no que \u00e9 encarado como um\u00a0referendo\u00a0sobre suas pol\u00edticas, ent\u00e3o a detente Norte-Sul ganhar\u00e1 um novo \u00edmpeto.<\/p>\n<p>A paz pode n\u00e3o estar ali na esquina mas os sinais s\u00e3o nitidamente esperan\u00e7osos.<\/p>\n<p>11\/Junho\/2018<\/p>\n<p><b>*Acad\u00eamico neozeland\u00eas, investigador da geopol\u00edtica asi\u00e1tica. Ensina em universidades da Gr\u00e3-Bretanha, China, Coreia do Sul, Indon\u00e9sia e Nova Zel\u00e2ndia. Escreveu\u00a0<i>North Korea: The Struggle against American Power\u00a0<\/i>(2005) e\u00a0<i>Crisis in Korea: America, China and the Risk of War\u00a0<\/i>(2011).\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>O original encontra-se em\u00a0www.zoominkorea.org\/&#8230;\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Este artigo encontra-se em\u00a0https:\/\/resistir.info\/<\/b><\/p>\n<p>https:\/\/www.resistir.info\/coreia\/tim_beal_11jun18.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20006\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,237],"tags":[233],"class_list":["post-20006","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-rpdc","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5cG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}