{"id":20071,"date":"2018-06-24T23:05:53","date_gmt":"2018-06-25T02:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20071"},"modified":"2018-06-24T23:05:53","modified_gmt":"2018-06-25T02:05:53","slug":"um-ano-e-meio-de-trump-o-fim-da-era-das-aparencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20071","title":{"rendered":"Um ano e meio de Trump: o fim da era das apar\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/3e6de333c2b4f5594ccf000165e80799_XL.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Rita Coitinho*, para <a href=\"http:\/\/desacato.info\/dezoito-meses-de-governo-trump-crise-organica-e-o-fim-da-era-das-aparencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desacato.info<\/a>.<\/p>\n<p>Iniciado h\u00e1 exatos dezoito meses, o governo de Donald Trump j\u00e1 d\u00e1 mostras de que, no futuro, poder\u00e1 ser apontado como ponto de inflex\u00e3o na pol\u00edtica estadunidense.<\/p>\n<p>Ao que parece, a pot\u00eancia caminha para o abandono dos princ\u00edpios sobre os quais organizou-se a ordem internacional do p\u00f3s-guerra. Temas sens\u00edveis como direitos humanos, garantia da paz e valores \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, a partir dos quais justificou-se, nos \u00faltimos 70 anos, a exist\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es internacionais e, mais propriamente, do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas, v\u00eam sendo desafiados pela nova orienta\u00e7\u00e3o do presidente e sua equipe.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise, ainda que breve, deste um ano e meio de governo Trump, deve partir das raz\u00f5es que o conduziram ao cargo. \u00c9 sabido que parte de seu desempenho eleitoral deve-se \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o, por quase metade do eleitorado estadunidense, dos resultados da chamada \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d. A expans\u00e3o financeira veio combinada \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o industrial, levando as ind\u00fastrias a instalarem-se em regi\u00f5es onde a for\u00e7a de trabalho \u00e9 menos custosa. O resultado disso \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o de cidades que foram, no passado, grandes e pujantes centros industriais, em cidades fantasmas. A financeiriza\u00e7\u00e3o da economia dos EUA, ao mesmo tempo em que ampliou imensamente as riquezas do 1% mais rico, jogou uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na pobreza, no emprego prec\u00e1rio ou, mesmo, no desalento. Junte-se a isso o imenso desprezo do cidad\u00e3o m\u00e9dio estadunidense \u00e0 ci\u00eancia, aos direitos humanos e ao resto do mundo e o resultado s\u00f3 poderia ser a elei\u00e7\u00e3o de uma figura como Donald Trump, munido de um discurso simplista e xen\u00f3fobo, em que o jarg\u00e3o \u201cAmerica First\u201d sai do plano meramente discursivo e assume contornos program\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em apenas um ano e meio, nem o mais ousado dos governos poderia alcan\u00e7ar o \u201csucesso\u201d de Trump em reorientar a pol\u00edtica estadunidense rumo ao isolamento. A verdade \u00e9 que, sob os polidos governos Democratas, com seu brilho intelectualizado e suas boas maneiras \u2013 reservadas, ali\u00e1s, \u00e0s reuni\u00f5es do G7, nunca frente aos mais fracos -, a estrat\u00e9gia dos EUA de abertura de m\u00faltiplas frentes de conflito j\u00e1 vinha sendo colocada em pr\u00e1tica. Trump assumiu o leme do porta-avi\u00f5es j\u00e1 em plena rota de colis\u00e3o com o mundo. Os EUA j\u00e1 chafurdavam no atoleiro \u2013 que eles mesmos criaram \u2013 das guerras do Oriente M\u00e9dio, do Afeganist\u00e3o, do Iraque, da S\u00edria e da L\u00edbia. O Departamento de Estado j\u00e1 financiava as desestabiliza\u00e7\u00f5es nas fronteiras russas e ascens\u00e3o dos nazistas na Ucr\u00e2nia. O pr\u00f3prio governo Obama j\u00e1 manobrava estrat\u00e9gias de desestabiliza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e fazia amea\u00e7as \u00e0 Venezuela. Hillary Clinton, a candidata que chegava a apresentar-se como \u201cfeminista\u201d (para espanto das feministas do mundo) j\u00e1 tra\u00e7ava um roteiro de guerra com a R\u00fassia, apresentando-se com uma ret\u00f3rica de guerra expl\u00edcita.<\/p>\n<p>Trump, por\u00e9m, n\u00e3o tem a finesse dos democratas e tem conseguido colecionar advers\u00e1rios dentro do seu pr\u00f3prio grupo de aliados. Coloca em risco, com suas atitudes pouco \u201camistosas\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos mais fi\u00e9is aliados do capitalismo estadunidense \u2013 o capitalismo europeu do p\u00f3s-guerra -, a alian\u00e7a que sustentou sua ascens\u00e3o como principal pot\u00eancia do mundo contempor\u00e2neo. A \u201ctr\u00edade\u201d, que como bem caracterizou Samir Amin, englobava EUA, Jap\u00e3o e Europa, controlou at\u00e9 recentemente a expans\u00e3o do capital financeiro, mantendo sob seu dom\u00ednio a maior parte dos ativos mundiais. Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, com a acelerada mudan\u00e7a do eixo para a \u00c1sia, sob a lideran\u00e7a chinesa, a for\u00e7a da tr\u00edade tem se reduzido. Acordos comerciais e tratados de coopera\u00e7\u00e3o com a China vinham garantindo \u00e0 Europa e aos EUA a obten\u00e7\u00e3o de vantagens, mesmo diante do crescimento exponencial do gigante asi\u00e1tico. A pol\u00edtica d\u00fabia dos democratas tratara, at\u00e9 aqui, de reduzir poss\u00edveis arestas com a China e garantir vantagens financeiras para o centro do sistema. Ao mesmo tempo, delineava-se uma estrat\u00e9gia de cerco e isolamento da R\u00fassia, de maneira a enfraquecer sua posi\u00e7\u00e3o relativa e dificultar a forma\u00e7\u00e3o de um forte arco geoestrat\u00e9gico euroasi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Mas Trump conseguiu, nesta semana, dar in\u00edcio a uma guerra comercial com a China. Ao mesmo tempo, levou a reuni\u00e3o do G7 ao fracasso, parecendo querer empurrar a Europa para fora da \u00f3rbita de aliados dos EUA. O \u201ccerco \u00e0 R\u00fassia\u201d acabou favorecendo uma alian\u00e7a desta pot\u00eancia com a China, algo que os EUA procuravam evitar, com sucesso, desde os anos 1970. O dinamismo asi\u00e1tico hoje contrasta com a crise econ\u00f4mica euro-americana e torna-se cada dia mais evidente o deslocamento do eixo din\u00e2mico da economia mundial para a \u00c1sia.<\/p>\n<p>Na cole\u00e7\u00e3o de medidas com potencial explosivo da \u201cera Trump\u201d, para al\u00e9m da rec\u00e9m-inaugurada guerra comercial com a China, destacam-se as investidas do governo estadunidense contra os princ\u00edpios gerais de direitos humanos, traduzidos na intensifica\u00e7\u00e3o do discurso do xen\u00f3fobo dirigido aos imigrantes, claramente voltado ao \u201celeitorado\u201d branco e conservador. Amea\u00e7as de constru\u00e7\u00e3o de um \u201cmuro\u201d na fronteira com o M\u00e9xico, j\u00e1 desde a campanha e, agora, as medidas de \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d, onde est\u00e3o determinadas a pris\u00e3o de imigrantes ilegais e, como se viu em imagens chocantes nos \u00faltimos dias, a cria\u00e7\u00e3o de campos de concentra\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as, separadas dos pais, os quais est\u00e3o sendo enviados aos pres\u00eddios federais. Na esteira da indignada rea\u00e7\u00e3o mundial \u00e0 crueldade expl\u00edcita, Nikki Haley, a embaixadora dos EUA na ONU e \u201cestrela\u201d do neoconservadorismo crist\u00e3o, anunciou, em conjunto com o secret\u00e1rio de Estado, Mike Pompeo, a retirada do pa\u00eds do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH). Em seu pronunciamento, a dupla critica os posicionamentos do conselho em rela\u00e7\u00e3o aos crimes de guerra de Israel. Haley diz, textualmente, que os EUA n\u00e3o podem \u201ccontinuar fazendo parte de uma organiza\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita, que se preocupa unicamente com seus pr\u00f3prios interesses e se esquiva dos direitos humanos\u201d. Para a representante dos EUA, o CDH faz cr\u00edticas injustas a Israel.<\/p>\n<p>Sim, os neoconservadores estadunidenses consideram injustas as cr\u00edticas dirigidas a Israel por assassinar manifestantes desarmados, prender crian\u00e7as e adolescentes e destruir moradias de palestinos. Os EUA sempre defenderam as a\u00e7\u00f5es desproporcionais de Israel, mas agora, em que o curioso fen\u00f4meno pol\u00edtico do cristianismo-sionista ocupa o centro do poder estadunidense, parece que suas velhas boas maneiras e o tradicional cinismo tornaram-se desnecess\u00e1rios. A sa\u00edda do CDH vem logo ap\u00f3s outra medida de claro enfrentamento com o status quo da ordem internacional: a mudan\u00e7a da embaixada dos EUA em Israel para Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Vinha sendo ponto pac\u00edfico, desde que se debate uma solu\u00e7\u00e3o negociada para a regi\u00e3o, a defesa de dois Estados, onde Jerusal\u00e9m, como cidade sagrada das tr\u00eas grandes religi\u00f5es monote\u00edstas, seria respeitada como tal. Esta era a posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas e, apesar de apoiar incondicionalmente Israel, os EUA a respeitava, como parte de seu esfor\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o das apar\u00eancias e legitima\u00e7\u00e3o do discurso democr\u00e1tico. No momento em que Trump acatou as press\u00f5es dos crist\u00e3os-sionistas encastelados em seu governo e mudou a sede da embaixada estadunidense para Israel, tomou um caminho perigoso: o do n\u00e3o reconhecimento da solu\u00e7\u00e3o de dois Estados. Os protestos que se seguiram, por parte dos palestinos, a rea\u00e7\u00e3o violenta de Israel, como v\u00e1rios assassinatos e pris\u00f5es, e a subsequente sa\u00edda dos EUA do CDH, caracterizam um verdadeiro \u201ccavalo de pau\u201d na orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa estadunidense.<\/p>\n<p>Na lista de \u201cinflex\u00f5es\u201d da pol\u00edtica externa de Trump, n\u00e3o pode faltar a den\u00fancia do acordo nuclear com o Ir\u00e3, numa clara sinaliza\u00e7\u00e3o ao mundo de sua pouca ou nenhuma disposi\u00e7\u00e3o em caminhar para uma distens\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es com a na\u00e7\u00e3o persa. Pelo contr\u00e1rio, o neoconservadorismo crist\u00e3o-sionista parece apostar na escalada das tens\u00f5es, para a qual contribui sua a\u00e7\u00e3o recente na S\u00edria (bombardeios ap\u00f3s not\u00edcias falsas de ataques com armas qu\u00edmicas), seu suporte indiscriminado aos agrupamentos terroristas que atuam na regi\u00e3o e ao Estado terrorista da Ar\u00e1bia Saudita, que lidera uma \u201ccoaliz\u00e3o\u201d que busca submeter o levante xiita no I\u00eamen (com requintes de crueldade, conforme j\u00e1 exploramos em outra ocasi\u00e3o) e o suporte \u00e0 pol\u00edtica de intensifica\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as de Israel ao L\u00edbano e ao Hezbollah.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de sua gest\u00e3o, Trump deu algumas declara\u00e7\u00f5es criticando a OTAN, apontando que consumia excessivos recursos dos EUA e poucos dos demais aliados. Contudo, passados alguns meses de sua posse, o presidente estadunidense esqueceu-se de suas cr\u00edticas. Ao contr\u00e1rio, intensificam-se os exerc\u00edcios militares, especialmente na L\u00edbia, regi\u00e3o arrasada pelas tropas da OTAN, e busca-se estender seu rol de aliados. Conforme j\u00e1 apontamos em outro artigo, a Col\u00f4mbia anunciou seu processo de ades\u00e3o \u00e0 OTAN, ao mesmo tempo em que a Argentina, \u201cparceiro\u201d da organiza\u00e7\u00e3o desde 1997, retoma a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios militares conjuntos.<\/p>\n<p>Para a Am\u00e9rica Latina, a pol\u00edtica da \u201cAm\u00e9rica First\u201d traduz-se, para al\u00e9m das investidas de amplia\u00e7\u00e3o da OTAN para este territ\u00f3rio, o aprofundamento da guerra h\u00edbrida, j\u00e1 praticada pelos governos do Partido Democrata, com o apoio a grupos de desestabiliza\u00e7\u00e3o na Venezuela e Nicar\u00e1gua, san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e amea\u00e7as \u00e0 Venezuela; retomada do controle da OEA, imprimindo-lhe novamente o velho perfil de \u201clinha de transmiss\u00e3o\u201d das orienta\u00e7\u00f5es dos EUA; revis\u00e3o dos acordos anteriores com Cuba; busca de acordos para o estabelecimento de novas bases militares (inclusive no Brasil) e investidas sobre as estatais latinoamericanas, como a Petrobr\u00e1s, no Brasil e, a m\u00e9dio prazo, como j\u00e1 se delineia, o g\u00e1s Boliviano e a \u00e1gua doce, presente em abund\u00e2ncia em grande parte da Am\u00e9rica do Sul. Claro est\u00e1 que a ascens\u00e3o da \u00c1sia reacendeu, para os EUA, a necessidade de controle do territ\u00f3rio mais pr\u00f3ximo, a partir do qual projeta sua influ\u00eancia sobre o mundo.<\/p>\n<p>Concomitantemente, sem poder negar a ascens\u00e3o do poder emanado da China, Trump investe em uma pol\u00edtica de distens\u00e3o com a Coreia do Norte, interpretada, por muitos analistas, como uma vit\u00f3ria da diplomacia chinesa, e n\u00e3o exatamente estadunidense. De todo modo, at\u00e9 aqui Trump colhe os louros de ser o primeiro presidente a efetivamente realizar um acordo com a RPDC, desde o cessar fogo de 1953. Aparentemente contradit\u00f3ria \u2013 em raz\u00e3o da recente ren\u00fancia aos acordos nucleares firmados com o Ir\u00e3 -, a pol\u00edtica de distens\u00e3o dos EUA com a RPDC relaciona-se muito mais com o poder da pot\u00eancia asi\u00e1tica e a necessidade, para o governo dos EUA, de aplacar as tens\u00f5es na regi\u00e3o. De todo modo, os EUA n\u00e3o deixaram de provocar a China em outros temas, como a quest\u00e3o dos direitos reivindicados pelos chineses nos Mares do Sul, onde os EUA seguem realizando manobras e ainda, como j\u00e1 destacamos acima, a recente intensifica\u00e7\u00e3o da guerra comercial.<\/p>\n<p>Mesmo diante da Europa, sua maior aliada, a pol\u00edtica de Trump caminha, aparentemente, para uma mudan\u00e7a radical. A c\u00fapula do G7 mostrou ao mundo o desd\u00e9m do presidente dos EUA por seus mais ricos aliados, colocando em d\u00favida a durabilidade da alian\u00e7a que perdura desde o p\u00f3s-segunda guerra e abrindo \u00e0 alian\u00e7a sino-russa a possibilidade de disputar o espa\u00e7o europeu na esteira da iniciativa denominada \u201cum cintur\u00e3o, uma rota\u201d, lan\u00e7ada pelos chineses e que pretende chegar ao Velho Mundo. Ainda que os v\u00ednculos do capitalismo europeu com os EUA sejam fortes e, at\u00e9 aqui, a Uni\u00e3o Europeia venha aceitando as condi\u00e7\u00f5es impostas pelos estadunidenses, \u00e9 fato que o velho \u201catlantismo\u201d europeu perdeu for\u00e7a com a sa\u00edda da Inglaterra (principal aliada dos EUA) do bloco. As coisas se complicaram ainda mais diante do recente epis\u00f3dio de taxa\u00e7\u00e3o de produtos, que atinge diretamente as economias europeias, particularmente a Alemanha, maior economia da regi\u00e3o, e parece delinear-se uma situa\u00e7\u00e3o de impasse que pode levar \u00e0 ruptura. Por outro lado, Trump obedece a interesses mais fortes, das corpora\u00e7\u00f5es militares, industriais e financeiras sediadas nos EUA, e \u00e9 muito prov\u00e1vel que em breve seja impelido a \u201cconsertar\u201d suas medidas mais atabalhoadas, como j\u00e1 ocorreu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 OTAN.<\/p>\n<p>Na medida em que a representa\u00e7\u00e3o do poder estadunidense investe contra o pr\u00f3prio sistema internacional, que tem at\u00e9 aqui servido de esteio ao controle do Ocidente sobre a ordem global, \u00e9 poss\u00edvel que o p\u00f3s-Trump inaugure uma nova etapa, em que a ONU j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 desempenhar o papel que lhe foi reservado em 1945 e as alian\u00e7as militares, como a OTAN, se sobreponham. Se \u00e9 certo que nos EUA aprofunda-se a crise org\u00e2nica \u2013 crise econ\u00f4mica aliada a uma crise pol\u00edtica profunda, na qual nenhum grupo pol\u00edtico disp\u00f5e do apoio majorit\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o- \u00e9 tamb\u00e9m certo que, dadas as suas dimens\u00f5es e seu poder diante do mundo, n\u00e3o haver\u00e1 uma \u201cqueda suave\u201d, ou decad\u00eancia isolada. Caso confirmem-se as tend\u00eancias demonstradas, o enfraquecimento do poder estadunidense e a ru\u00edna do sistema internacional do p\u00f3s-guerra nos arrastar\u00e1, a todos (e especialmente as na\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas), a uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a e instabilidade que poder\u00e1 durar, ainda, muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Charlevoix Canada 08 06 2018-Encontro do G7- chegada de Donald J. Trump. Foto G-7 organiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>*Soci\u00f3loga, Dra. em Geografia e membro do Conselho Consultivo do Cebrapaz<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/desacato.info\/dezoito-meses-de-governo-trump-crise-organica-e-o-fim-da-era-das-aparencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desacato<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20071\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,38],"tags":[228],"class_list":["post-20071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-c43-imperialismo","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5dJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}