{"id":20095,"date":"2018-06-26T19:46:34","date_gmt":"2018-06-26T22:46:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20095"},"modified":"2018-06-26T19:46:34","modified_gmt":"2018-06-26T22:46:34","slug":"o-esgarcamento-violento-da-forca-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20095","title":{"rendered":"O Esgar\u00e7amento Violento da For\u00e7a de Trabalho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/JW3xWUKYub_etx00s86T8l6-yzo4G0nQFKSdUefkzTDObwMc_xgHI3g3Wa779thhcDXpcfXGcVIjxlFpFZtiNHEYcllDVYL_weeTIp4OJn2Mympsfu_8MiZ1A2KvFQ-2G7fDLDFLHxl2-2oWc8lDK-sVAADEd-4ocwAcr5ebsjWvhCmYdp2s9YeZ_oeVwMoRc6RUSQEpVQ97km8xSC1n6zqrPGvRbfkXCs0ZoczNvdfproRm0yuKeRogWIUVpQI8GtDqTDbbqbhRaRJanMUMQbvIaLIfDiXalYGXfw0rtWjo5hLadTQqijelTI2qWD8p4_BZT1w5UAJoPnTjLC0_6IugXVp1ktZOZ6E50_CREJoh4zxPNAPmZGFMTQpRNJyxJeL2MtMh_81SZO3bnDQzWCm_9j8jHws_oDI1_Cj8k37l6H3A_RVjbd66O3PzJS9DCQLaVlJHaeJa0kwbPpS4zbwnN66mzKPzW__XM3cEzLZxnyOo3YiRq8QfqecZaBiZakelz7C70VW_CKuFXFR-or8at-qFM-LiqRa7q_FPE6VVEANF3mlT7uJ-bMkjJ6G67zNh9CIm3LZEbzza9c4nCSdNPVugTNWrdSaFEDgZPHAigwxpS4Jwxfzyxhp8iR9NSgEH_qAOiPA7OZlLCNwC6lSUK8xJSiniRA=w885-h500-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Thiago Sardinha*<\/p>\n<p>\u201cSem est\u00edmulo da escola ou mercado de trabalho<br \/>\nPor n\u00e3o ter espa\u00e7o \u00e9 um alvo f\u00e1cil<br \/>\nJovens da favela, da popula\u00e7\u00e3o, a parte mais vulner\u00e1vel (&#8230;)<br \/>\nOs predadores chegam armados com rapidez<br \/>\nUsando fator surpresa, matam quatro e mais cinco ou seis.\u201d<br \/>\n\u201cA Revolta dos Humildes\u201d RZO (Sandr\u00e3o, Heli\u00e3o, Dj Cia, Negra Li, Calado).<\/p>\n<p>A crise estrutural do capitalismo avan\u00e7a de maneira intensa e galopante levando a sociedade a um completo colapso. Seu tra\u00e7o marcante \u00e9 a incapacidade de manter em funcionamento a rela\u00e7\u00e3o social de valoriza\u00e7\u00e3o do valor (Robert Kurz). Assim, suas esferas org\u00e2nicas desmoronam objetivamente bem aos nossos olhos, sendo imposs\u00edvel tentar extrair ainda alguma novidade de uma sociabilidade em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Outros pontos vis\u00edveis resultantes da crise do capital s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es mais degradantes poss\u00edveis em que o conjunto da for\u00e7a de trabalho se encontra e o aumento da criminalidade, fatos que motivam alguns pensadores a ainda insistirem em ignorar sua rela\u00e7\u00e3o apenas para entoar panaceias progressistas sustentadas pela \u00e9tica do trabalho. E n\u00e3o s\u00e3o poucos os que ainda acreditam numa retomada de um \u201cnovo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o\u201d, deixando para tr\u00e1s este sombrio passado recente de sobreacumula\u00e7\u00e3o que tanto nos devora. Portanto, tornou-se limitante a cr\u00edtica da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza socialmente produzida no capitalismo; na verdade, esta perspectiva indica um tempo hist\u00f3rico j\u00e1 esgotado. \u00c9 preciso, sim, avan\u00e7ar na cr\u00edtica de seus fundamentos mais profundos enquanto modo de produ\u00e7\u00e3o objetivo e abstrato destrutivo.<\/p>\n<p>Na esfera da for\u00e7a de trabalho, os sintomas s\u00e3o mais dram\u00e1ticos e rebarbativos. O vetor produtivo essencial ao movimento da produ\u00e7\u00e3o de valor \u00e9 substitu\u00eddo em larga escala por tarefas da circula\u00e7\u00e3o de capital, como o setor de servi\u00e7os intensamente precarizados, a informalidade emergencial e o setor financeiro. Tudo isso indica n\u00e3o somente novos par\u00e2metros para o capitalismo global, mas uma estrutura visivelmente em crise.<\/p>\n<p>Segundo a OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Trabalho), 61% da popula\u00e7\u00e3o empregada no mundo est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o informal: ao todo s\u00e3o mais de 2 bilh\u00f5es de pessoas[i]. E, mais, 93% do emprego informal do mundo est\u00e3o nos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento. Na\u00a0\u00c1frica, 85,8% do emprego \u00e9 informal. A propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 68,2% na\u00a0\u00c1sia\u00a0e, no\u00a0Pac\u00edfico, de 68,6% nos\u00a0Estados \u00c1rabes, de 40% nas\u00a0Am\u00e9ricas, e pouco acima de 25% na\u00a0Europa\u00a0e na\u00a0\u00c1sia Central. Segundo o mesmo estudo, o fato que afeta o aumento da informalidade relaciona-se com a debilidade na educa\u00e7\u00e3o. Algo que tamb\u00e9m j\u00e1 vem mudando nos \u00faltimos anos, em que a precariedade do trabalho vem alcan\u00e7ando a for\u00e7a de trabalho mais qualificada.<\/p>\n<p>No caso brasileiro especificamente, soma-se \u00e0 informalidade o subemprego e a precariedade generalizada. Em abril de 2018 o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) divulgou, atrav\u00e9s do PNAD, o resultado da situa\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho brasileira: No primeiro trimestre, o mercado de trabalho perdeu 408 mil vagas com carteira assinada em rela\u00e7\u00e3o ao quarto trimestre de 2017. O Pa\u00eds perdeu 1,528 milh\u00e3o de postos de trabalho em apenas um trimestre, ao mesmo tempo em que mais 1,379 milh\u00e3o de pessoas migraram para o contingente de\u00a0desempregados[ii]. E mais ainda: houve um aumento de pessoas trabalhando por conta pr\u00f3pria em condi\u00e7\u00f5es inseguras, sem qualquer garantia de respaldo legal de direito trabalhista; foram 3,8% de crescimento, com 839 mil pessoas a mais que no mesmo per\u00edodo de 2017. Ademais, chegamos ao n\u00famero de 13, 1 milh\u00f5es desempregados.\u00a0\u00a0Em 2014, chegamos ao patamar de 12,5 milh\u00f5es de v\u00ednculos ativos nas atividades tipicamente terceirizadas e 35,6 milh\u00f5es nas tipicamente contratantes, ou seja, essas \u00faltimas respondem por cerca de um quarto dos v\u00ednculos de trabalho formais no Brasil[iii]. S\u00e3o\u00a06,2 milh\u00f5es de subocupados: pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho vem crescendo de maneira intensa nos \u00faltimos anos. Cada vez mais forma-se uma grande quantidade de pessoas subjugadas ao trabalho prec\u00e1rio, \u00e0 margem do regime de assalariamento. O que tamb\u00e9m vem crescendo com a crise do valor \u00e9 uma quantidade de pessoas que n\u00e3o servem nem mesmo para serem exploradas pela ordem do capital, nem lhe \u00e9 mais cab\u00edvel enquadr\u00e1-las no conceito de ex\u00e9rcito industrial de reserva.\u00a0\u00a0O conjunto de desdobramentos do capitalismo atual constitui o novo paradigma no qual a for\u00e7a de trabalho est\u00e1 inserida, seja atrav\u00e9s da pequena parcela de trabalhadores componentes do regime do trabalho assalariado formal, da for\u00e7a de trabalho ocupada no setor de servi\u00e7os, da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e, sobretudo, daquela que n\u00e3o se encaixa em nenhuma destas esferas econ\u00f4micas e sociais. Evidentemente que, mesmo nessas condi\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 dentro de uma estrutura social inferiorizada, \u00e9 dif\u00edcil tanto para o Estado quanto para a classe dominante mitigar o conjunto dessa for\u00e7a de trabalho nos seus diferentes subterf\u00fagios frente a essa horrenda realidade. Portanto, o condicionamento submetido a este espec\u00edfico contingente social s\u00f3 pode ser disciplinado e controlado segundo a l\u00f3gica do mercado atrav\u00e9s de mecanismos punitivos que ultrapassem o pr\u00f3prio direito burgu\u00eas. No caso do disciplinamento, desde que haja condi\u00e7\u00f5es inerentes ao pr\u00f3prio mercado para serem disciplinadas pelo trabalho, fato que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel nestes termos. Essa perda de centralidade no processo produtivo fez com que essa for\u00e7a de trabalho procurasse ocupa\u00e7\u00f5es de diferentes naturezas e contratos. E quando examinamos pa\u00edses da periferia do sistema, o processo \u00e9 t\u00e3o mais terr\u00edvel quanto no seu centro, pois atingem perfis historicamente marginalizados dentro da diversidade categ\u00f3rica da for\u00e7a de trabalho, como os pretos, perif\u00e9ricos e favelados das cidades.<\/p>\n<p>Pobres, pretos, favelados e perif\u00e9ricos constituem a nova forma de um perfil antigo da for\u00e7a de trabalho expulsa da valoriza\u00e7\u00e3o de valor, formando assim as classes perigosas; na verdade, estar \u00e0 margem desta rela\u00e7\u00e3o social, no caso brasileiro, possui ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Por isso \u00e9 que o capitalismo, atrav\u00e9s do Estado controlado por uma elite econ\u00f4mica e outras for\u00e7as sociais, utiliza um conjunto de recursos impetuosos para prevenir explos\u00f5es sociais dessas popula\u00e7\u00f5es e conjuntamente controlar o perfil ins\u00f3lito do capitalismo. Podemos sintetizar estes recursos violentos e punitivos da seguinte maneira: a) o encarceramento em massa da for\u00e7a de trabalho exclu\u00edda da valoriza\u00e7\u00e3o do valor; pretos e pobres constituem maioria atingida por este mecanismo; b) o controle territorial generalizado atrav\u00e9s de tecnologias de ponta utilizadas\u00a0em guerras ou conflitos mundiais; c) a militariza\u00e7\u00e3o das cidades, com uso de aparato b\u00e9lico ostensivo pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a, for\u00e7as armadas e grupos armados com pr\u00e1ticas militares de controle da sociabilidade.\u00a0Quando tais mecanismos ainda assim mostram-se insuficientes, entra na ordem do dia o exterm\u00ednio em massa da for\u00e7a de trabalho exclu\u00edda e sobrante.<\/p>\n<p>Este exterm\u00ednio assustador da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o \u00e9 novidade. Ao mesmo tempo, o perfil preto e marginalizado muito menos. Portanto, nos fazemos uma pergunta que ajuda a refletir tudo isso: ser\u00e1 guerra? A Guerra \u00e0s Drogas, uma pol\u00edtica reaganiana dos anos 1970\/80, serviu (serve?) por muito tempo como justificativa oficial das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado para tantas opera\u00e7\u00f5es, tantas interven\u00e7\u00f5es e tantas outras brutalidades. Por\u00e9m, esse \u00e9 o ponto do qual queremos destacar: a Guerra \u00e0s Drogas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o un\u00edvoca para tanto exterm\u00ednio, pelo contr\u00e1rio, tornou-se uma m\u00e1scara para esconder o genoc\u00eddio escancarado da popula\u00e7\u00e3o preta das cidades. Trata-se de um vi\u00e9s estrutural claramente racista embutido tanto no discurso justificado sobre a guerra \u00e0s drogas, quanto pelo n\u00famero de pretos e pobres que dominam as estat\u00edsticas de homic\u00eddios, encarceramento e controle.<\/p>\n<p>No Brasil, esta afirma\u00e7\u00e3o acima cai como luva por conta apenas de sua dram\u00e1tica realidade. Chegamos a n\u00edveis estratosf\u00e9ricos de encarceramento, assumindo a posi\u00e7\u00e3o de quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo. S\u00e3o mais de 600 mil pessoas presas no Brasil[iv], atr\u00e1s apenas de EUA (com 2,2 milh\u00f5es &#8211; 2013), China (1, 66 milh\u00e3o &#8211; 2014) e R\u00fassia (673 mil &#8211; 2015). O que estes pa\u00edses diferem do Brasil \u00e9 que j\u00e1 v\u00eam diminuindo suas taxas de encarceramento.<\/p>\n<p>No caso dos Estados Unidos, a Guerra \u00e0s Drogas serviu de muleta esquem\u00e1tica para este \u201cataque\u201d aos pretos e pobres nativos. Em menos de trinta anos, sua popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria explodiu: de 300 mil passou para mais de 2 milh\u00f5es &#8211;\u00a0\u00a0e as condena\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0s drogas foram respons\u00e1veis pela maior parte desse aumento. Os Estados Unidos t\u00eam hoje a maior taxa de encarceramento do mundo[v]. Embora as taxas brasileiras tenham sido atingidas recentemente, este processo de boom carcer\u00e1rio j\u00e1 vinha de anos (Figura 1)[vi].<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/dU5iL-fDkqU_RWAXGVo6PAXHv_7qYPUX8BgWy0WfriOoa6R8a7EiDCLKMGqrhlLXanzOu3RDDNxQwJu_wVBhqEShzJRAALqtTG9LpDNcvDAXHaf6VmhPir16Fg5aLlvjOWS4U8psyy61KeH_XSeKMXdnwELaxMpOWINavgjug0kyhuXoyYZHJGlbQ0XXmwGoG5SHSY_fxYRwNsGXoVY6zgqkaM_ngaR6HOX5wGqXXy062kLFW5yFqvz5KJegUTiL60cQ9YHx2zhd0rITY0Ore__CNK5qg8qobvv6FoDRSYdJ4BbgOQYFHCbO1q82hkJpG22ns1rPJTGEkOazyva8B46DTgNhHSc1iuXxL8UWsLxOmjOlOEWH3EeIFJKObod57aamNJIBdicjuKuF1RtRGYtwknZzqy6iceVYmCHP51Ca7jZKliddPrPyIyORvZc28Cj4B93STUt0Oi1nSccfVNILxHTta_2usVtzkxA1BDijxTtwJ0DiqkiHPu6j73Z2vEX8aMgLsgGeNVy0a9GCkyq0hFIS5nmWqQMKJvsKZUAOlwE5_oi1iOMbPOB8vbErEsYFRdB5o5QaYw_vU4wu5eS7IJ_bTSLd8KpTmKvyQ6ZDW7C1Xu0CZfak04tDktN6dm_irCZ2d45h6UoemJqMjrxuJWywwija-A=w640-h360-no\" alt=\"imagem\" \/>Figura 1 &#8211; Aumento progressivo do Encarceramento Brasileiro[vii]<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que o n\u00famero gigante de pessoas encarceradas no Brasil \u00e9 alcan\u00e7ado no per\u00edodo de um governo chamado de progressista. O mesmo que mais ampliou programas compensat\u00f3rios para a for\u00e7a de trabalho pauperizada. Portanto, esta era a triste tr\u00edade para os pobres no per\u00edodo destacado: encarceramento \u2013 Bolsa Fam\u00edlia \u2013 exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>Na esteira do encarceramento o Brasil e, mais especificamente, o Rio de Janeiro s\u00e3o afetados pela atua\u00e7\u00e3o direta de grupos armados atuantes principalmente nas cidades. As mil\u00edcias, mesmo ap\u00f3s a CPI de 2008, aumentaram sua influencia e dom\u00ednio territorial. Atualmente as mil\u00edcias est\u00e3o em 11 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, o que representa uma \u00e1rea de 348 km\u00b2; s\u00e3o mais de 2 milh\u00f5es de pessoas sob o controle militarizado das mil\u00edcias. E pensar que, em 1998, quando ainda era conhecida como grupo de \u201cautodefesa\u201d comunit\u00e1ria, estava territorializada em apenas 1 comunidade. De l\u00e1 pra c\u00e1 j\u00e1 s\u00e3o 37 bairros e 165 comunidades dominadas por mil\u00edcias[viii]. A maneira pela qual estes grupos agem \u00e9 t\u00e3o violenta quanto o varejo do tr\u00e1fico: explora\u00e7\u00e3o territorial atrav\u00e9s de interesses econ\u00f4micos; controle militarizado, rigoroso e ostensivo; utiliza\u00e7\u00e3o do aparato policial estatal, j\u00e1 que tamb\u00e9m envolvem agentes do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p>Junto com estes grupos armados est\u00e3o tamb\u00e9m outros que representam o controle militarizado: as For\u00e7as Armadas e as For\u00e7as de Seguran\u00e7a. Cada vez mais vem tornando-se comum os uso das For\u00e7as Armadas para combate \u00e0 viol\u00eancia. Cada vez mais, opera\u00e7\u00f5es das For\u00e7as Armadas v\u00eam diminuindo seu intervalo (nos \u00faltimos 10 anos foram 12 opera\u00e7\u00f5es realizadas[ix]) e sempre o alvo s\u00e3o as favelas cariocas. As opera\u00e7\u00f5es para garantir a Rio Eco-92 foi deflagrada no dia 30 de maio de 1992, pelo Comando Militar do Leste, para garantir a seguran\u00e7a de chefes de Estado estrangeiros e dos seus participantes. At\u00e9 o dia 15 de junho, cerca de 15 mil homens armados com fuzis, metralhadoras, granadas e bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo policiaram as ruas da cidade com radiotransmissores, carros blindados e at\u00e9 tanques; as opera\u00e7\u00f5es Rio I e II, entre 1994 e 1995, tiveram o objetivo de prevenir e reprimir o varejo do tr\u00e1fico para, assim, retomar a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. \u201cO Ex\u00e9rcito empregou nas favelas cariocas a t\u00e1tica conhecida no jarg\u00e3o militar como a do martelo e da bigorna, que consiste em cercar o inimigo com tropas e pression\u00e1-lo com a a\u00e7\u00e3o de grupos de elite da corpora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do trabalho da intelig\u00eancia militar, que seleciona os alvos preferenciais. 13 favelas foram ocupadas[x]\u201d. Em outubro de 1994, foi anunciada a Opera\u00e7\u00e3o Rio I: dois mil militares do Ex\u00e9rcito, da Marinha e da Aeron\u00e1utica participaram, e a atua\u00e7\u00e3o militar nos morros do Dend\u00ea e da Mangueira foi feita \u00e0 base de pris\u00f5es sem flagrante e sem mandados. Naquele ano j\u00e1 se falava que o comando militar tinha um mapeamento dos morros e planos para usar as tropas no combate ao crime organizado. A Opera\u00e7\u00e3o Rio II contou com o apoio da Pol\u00edcia Federal Rodovi\u00e1ria; ao todo 20 mil homens foram mobilizados para atuar em todo o Estado. Durante a Cimeira &#8211; encontro de c\u00fapula que reuniu chefes de Estado e de governo de 49 pa\u00edses em junho de 1999 &#8211; soldados do Ex\u00e9rcito tamb\u00e9m ocuparam pontos estrat\u00e9gicos da cidade. Eles trabalharam em apoio aos policiais, num esquema de seguran\u00e7a que mobilizou, ao todo, 8 mil agentes. De l\u00e1 pra c\u00e1, foram mais 4 opera\u00e7\u00f5es entre 1997 e 2007. Depois disso as opera\u00e7\u00f5es se concentraram nas instala\u00e7\u00f5es das UPPs e para a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo e Olimp\u00edadas &#8211; nestas \u00faltimas foram utilizados mais de 22 mil agentes das For\u00e7as Armadas. Na interven\u00e7\u00e3o de 2018, a l\u00f3gica n\u00e3o mudou significativamente: foram 70 opera\u00e7\u00f5es monitoradas com um efetivo de 40 mil agentes, com 940 pessoas mortas, sendo 209 pela pol\u00edcia[xi]!<\/p>\n<p>As For\u00e7as de Seguran\u00e7a do Estado (Pol\u00edcias civil, militar e federal) sempre estiveram na linha de frente quando o assunto \u00e9 o exterm\u00ednio de pretos e favelados. Desde a d\u00e9cada de 1990 que o\u00a0<em>seu modus operandi<\/em>\u00a0\u201c \u00e9 subir na favela de deixar corpo no ch\u00e3o\u201d, como bem ressalta o verso de uma m\u00fasica do Bope (Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Espaciais). \u00c9 seguir a l\u00f3gica de guerra e derrotar o seu inimigo; por isso que policiamento no Estado do Rio de Janeiro tornou-se sin\u00f4nimo de confronto armado direto. Portanto, n\u00e3o existe nenhuma \u201cmet\u00e1fora de guerra\u201d quando vidas reais de homens e mulheres pretas s\u00e3o dilaceradas. Trata-se de um genoc\u00eddio declarado. Voltemos ent\u00e3o \u00e0 pergunta feita acima: ser\u00e1 guerra?<\/p>\n<p>O exterm\u00ednio da for\u00e7a de trabalho constitui um drama estrutural do capitalismo. A militariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma eficaz ferramenta de controle generalizado da for\u00e7a de trabalho em v\u00e1rias esferas da vida cotidiana. No entanto, tudo isso \u00e9 mais sintom\u00e1tico em pa\u00edses perif\u00e9ricos e mais ainda na Am\u00e9rica Latina e principalmente no Brasil. Entre 1980 e 2010, o Brasil registrou 1.091.125 de mortos por homic\u00eddio, uma m\u00e9dia de 4 vidas dizimadas por hora! De 11,7 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, em 1980, passamos para 26, 2. Um aumento de 124%. Situando-se na faixa de mais de 50 mil homic\u00eddios por ano, alcan\u00e7amos a t\u00e9trica posi\u00e7\u00e3o de sexto pa\u00eds com mais mortes violentas no mundo; se considerarmos apenas os casos de jovens entre 15 e 24 anos, pulamos para a quinta coloca\u00e7\u00e3o, com 51,6 homic\u00eddios por 100 mil habitantes[xii]. Considerando o per\u00edodo de 2006 a 2015, a pol\u00edcia no Estado foi respons\u00e1vel pela morte de 8.052 pessoas \u2013 no mesmo per\u00edodo, entre 2006 e 2015, 4.526 pessoas foram mortas pelas pol\u00edcias dos 50 Estados dos EUA, conforme dados do FBI.[xiii]<\/p>\n<p>Em junho deste ano, o Atlas da viol\u00eancia divulgou mais relat\u00f3rio acerca dos resultados da viol\u00eancia no Brasil nos \u00faltimos anos. Bem, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo no cen\u00e1rio estrutural do capitalismo perif\u00e9rico, a norma continua intacta e impiedosa. Segundo o estudo, em 2016, foram contabilizadas mais de 62 mil homic\u00eddios, alcan\u00e7ando a taxa m\u00e9dia de 30, 3 mil mortes por 100 mil habitantes. Destas, 92,6 % s\u00e3o homens e 56,5 % est\u00e3o na faixa de 15 a 19 anos. No entanto, quando o perfil estereotipado destas taxas s\u00e3o os pretos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais horrenda. Para os pretos a taxa a taxa vai a 71% destes que morrem. Se formos para Alagoas, a coisa piora: a taxa vai para 60, 1 por 100 mil\u00a0habitantes. Realmente \u00e9 uma realidade assustadora. Se observarmos as taxas de homic\u00eddio por estado, percebe-se que a Regi\u00e3o Nordeste \u00e9 a que mais preocupa em termos de crescimento dos homic\u00eddios: Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas s\u00e3o os primeiros a a encabe\u00e7arem este assombroso ranking (Figura 2).\u00a0J\u00e1 o Rio de Janeiro, mesmo sendo o que mais recebeu interven\u00e7\u00f5es militares das For\u00e7as Armadas, n\u00e3o est\u00e1 entre os mais violentos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/IBwLjDoxHhsWnkFar_HojYURAGodE_FVrMfSn6P0Tci9jnqjytbyDLiVcAqxKNycWu8BWdCzeFLJ_QNQ0dlrvLFZ0Mqrj0rY-Oxj3MAMLn_ybOpBEBEyTHVwJrr_XfOR0KBJBgaUjV3CKcvPv1x7qi1k7yynMgvIuIaDXzunT_CIwM-yQaHoBniM3I6oWuq0lgvyJEGAUTRn-g8r00IeUWYdCUMC0Ie7-OKYH6TsMwZgpRvIQSXCejfZMJJvXgrfprwU72HuPgM9URSZY1QLCc1QBFB1qPuXKSiNS5XsBKzdkeE89foPduIiQF8bK2Ckuwgj68w82xdtV975h5De9BOkj7-SUuGPTJaLTClraX6-2zgsK_1fpCIR7u7pDdV0ZjIPji0RdXNV5PffXxGK-mOItyz_O3Fi-nVxp1mkTru7wKkuLvoiweYcfQidDc9rUHwSJfWSYh2Qs6cEx7VNO3Rp8-OGMjjDi287kZEOBkyoIIWf8Z0vbnZCpHzz0BQitXn5QksPew7LFiWe9MQ27bZU4-KH0dbkHUSX17BUt24AwpxUB1cDwdPufSkbUxZ6_YAqdZsl4ObTQxRsbGFgKSuZiyXDuPKJdaVcbdBYc2WHFYA5wfImxF8tx9MgtaUmchkKl26RZ-9wx7EkDbDknMkYALgiXCBn1g=w640-h924-no\" alt=\"imagem\" \/>Figura 2: Taxas de homic\u00eddio por Habitantes[xiv]<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos dados e estat\u00edsticas, que s\u00e3o importantes, \u00e9 preciso refor\u00e7ar que estamos falando de vidas pretas cujo fardo hist\u00f3rico remete ao racismo como heran\u00e7a da escravid\u00e3o que insiste em ecoar violentamente. Algo que n\u00e3o vem descrito nestes n\u00fameros s\u00e3o os choros das fam\u00edlias que perderam algu\u00e9m por conta desta viol\u00eancia estrutural produzida pelo capitalismo em ru\u00ednas. S\u00e3o cada vez mais comuns e recorrentes as chacinas devoradoras de vidas, esgar\u00e7adas pela ordem socialmente estabelecida. Em 2016, a pol\u00edcia fluminense chegou ao impiedoso registro de 4.222 pessoas assassinadas. Mesmo ano da fat\u00eddica opera\u00e7\u00e3o das For\u00e7as de Seguran\u00e7a na Gard\u00eania Azul, ap\u00f3s a queda de um helic\u00f3ptero da pol\u00edcia atribu\u00edda aos traficantes, em que 11 pessoas foram assassinadas. Cena que se repetida na Mar\u00e9, zona norte do Rio em que, ap\u00f3s a incurs\u00e3o de helic\u00f3ptero de guerra, 8 pessoas foram assassinadas, incluindo Marcus Vinicius, 14 anos de idade.<\/p>\n<p>Recentemente, 8 corpos foram encontrados na praia da Urca, todos identificados como sendo de \u201ctraficantes\u201d da favela Chap\u00e9u Mangueira, que fica nas proximidades[xv]. No m\u00eas de abril deste ano, a pol\u00edcia chegou \u00e0 cifra de 101 assassinatos, um aumento de 26, 3%, se comparada com o mesmo per\u00edodo do ano passado[xvi]. Em Bel\u00e9m, no m\u00eas de maio, s\u00e3o 66 pessoas mortas desde o assassinato de uma policial no dia 29 de abril; estas mortes foram efetuadas por grupos de exterm\u00ednio[xvii]. Em 2017, no Rio de Janeiro, o n\u00famero de v\u00edtimas em confronto com a pol\u00edcia teve um aumento de 19%, enquanto o de policiais caiu 15%; neste mesmo ano o Rio de Janeiro registrou 5.012 pessoas mortas por policiais[xviii], 790 a mais que em 2016. Tamb\u00e9m em 2017 a favela do Jacarezinho experimentou a musculatura da \u201copera\u00e7\u00e3o vingan\u00e7a\u201d por 11 dias em que foram mobilizadas For\u00e7as de Seguran\u00e7a e For\u00e7as Armadas, para ocuparem a favela ap\u00f3s a morte de um policial civil: 8 pessoas foram mortas.<\/p>\n<p>Diante desse quadro obscuro fica imposs\u00edvel a negativa de um exterm\u00ednio sistem\u00e1tico da for\u00e7a de trabalho excludente no capitalismo contempor\u00e2neo. Um quadro visivelmente global, pois n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 for\u00e7a de trabalho preta que vem sendo brutalmente esgar\u00e7ada, mas tamb\u00e9m e infelizmente os palestinos, que sofrem a pol\u00edtica genocida do Estado de Israel, o qual decidiu dizimar este povo da superf\u00edcie terrestre.\u00a0Portanto, enquanto o capitalismo vai arrastando toda sociedade para a barb\u00e1rie, s\u00e3o aos pobres que mais sofrem perante o processo de desmantelamento social.\u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 not\u00f3ria a rela\u00e7\u00e3o entre exterm\u00ednio em massa da for\u00e7a de trabalho com a crise estrutural do capitalismo. Ou revertemos este quadro ou seremos devorados.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 preciso dizer com muita firmeza que passou do momento de os territ\u00f3rios historicamente oprimidos n\u00e3o aceitarem mais esta horrenda realidade. Estes territ\u00f3rios possuem a potencialidade de se transformarem em c\u00e9lulas de transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade burguesa numa outra em que n\u00e3o seja mais poss\u00edvel este tipo de opress\u00e3o e exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>[i]\u00a0http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/578582-quase-dois-tercos-da-forca-de-trabalho-global-estao-na-economia-informal-diz-estudo-da-oit<\/p>\n<p>[ii]\u00a0https:\/\/exame.abril.com.br\/economia\/brasil-perdeu-15-milhao-de-postos-de-trabalho-no-1o-trimestre-diz-ibge\/<\/p>\n<p>[iii]\u00a0https:\/\/www.dieese.org.br\/notatecnica\/2017\/notaTec172Terceirizacao.pdf<\/p>\n<p>[iv]\u00a0https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/04\/27\/EUA-R%C3%BAssia-e-China-reduzem-taxa-de-presos.-Brasil-aumenta<\/p>\n<p>[v]\u00a0ALEXANDER, Michelle. \u201cA Nova Segrega\u00e7\u00e3o: racismo e encarceramento em massa.\u201d Boitempo, 2017.<\/p>\n<p>[vi]\u00a0https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/04\/27\/EUA-R%C3%BAssia-e-China-reduzem-taxa-de-presos.-Brasil-aumenta<\/p>\n<p>[vii]\u00a0http:\/\/www.justica.gov.br\/news\/mj-divulgara-novo-relatorio-do-infopen-nesta-terca-feira\/relatorio-depen-versao-web.pdf<\/p>\n<p>[viii]\u00a0https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/franquia-do-crime-2-milhoes-de-pessoas-no-rj-estao-em-areas-sob-influencia-de-milicias.ghtml<\/p>\n<p>[ix]\u00a0https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/12\/politica\/1507840831_336832.html<\/p>\n<p>[x]\u00a0Jornal o Globo, 15\/05\/2006.<\/p>\n<p>[xi]\u00a0https:\/\/www.ucamcesec.com.br\/textodownload\/deriva-sem-programa-sem-resultado-sem-rumo\/<\/p>\n<p>[xii]\u00a0\u201cAt\u00e9 o \u00daltimo Homem\u201d. Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>[xiii]\u00a0https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2016\/11\/11\/em-10-anos-policia-do-rj-mata-quase-o-dobro-da-policia-de-todos-os-eua.htm<\/p>\n<p>[xiv]\u00a0IDEM<\/p>\n<p>[xv]\u00a0https:\/\/odia.ig.com.br\/rio-de-janeiro\/2018\/06\/5547934-pelo-menos-corpos-sao-encontrados-na-praia-vermelha.html<\/p>\n<p>[xvi]\u00a0https:\/\/brasil.estadao.com.br\/noticias\/rio-de-janeiro,em-abril-policia-do-rio-mata-mais-de-cem-e-letalidade-sobe-26-3-roubos-caem,70002313169<\/p>\n<p>[xvii]\u00a0https:\/\/ponte.org\/morte-de-policial-grupos-exterminio-belem\/<\/p>\n<p>[xviii]\u00a0https:\/\/g1.globo.com\/monitor-da-violencia\/noticia\/cresce-numero-de-pessoas-mortas-pela-policia-no-brasil-assassinatos-de-policiais-caem.ghtml<\/p>\n<p><strong>*Militante do PCB do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20095\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[219],"class_list":["post-20095","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5e7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}